6 de ago. de 2007

Mexicana II (Fábio Sirino)


Cartas para o filme


Hoje quero escrever-te

Em versos simples

Para que sintas minhas palavras

Sendo ditas próximas ao ouvido

Sussurradas, quase despropositadas

Do todo que há em mim

Desejando teu corpo e espírito

E nada além disso

- Se é que existe o além...-

Se de tu já não tenho certezas

Nas dúvidas que me ofertas

Não encontro mais teus beijos

E sinto faltas deles

Como sinto falta do teu calor

E do teu sorriso

Invadindo meu apartamento

Preenchendo meu quarto

Seminua, com meus panos a abraçar-te

E fico eu assim

Sem crédito para por no teu celular

Ou um veículo para te levar cigarros

Não posso te ofertar garantias

Tão pouco fazer promessas para a eternidade

Mas se queres

Posso levar-te para dentro de mim

Ajudar-te a conhecer o mundo

E enfrenta-lo contigo se preciso for

E se preciso for

Subirei aos céus para pedir por tua alma

Ensino-te e tu me ensinas

Então me proponho a ser teu aluno

(Mas não na tua arte de mentir)

Assim como também serei teu professor

(Mas não na minha arte de iludir)

E nenhuma companhia

Fará-me sentir mais tranqüilo

Que a tua presença

E se ainda assim pretenderes fazer

O que julga ser certo

Por ti, farei o errado

O que tu nunca me pediu

E farei sem pedir perdão

Sem ter que repetir que te amo

Sem precisar da tua confusão

Pois já não mais acredito

Em alma gêmia ou em eternidade

E se nascemos para ser só

Porque então nos buscamos?

Porque então nos arrasamos

E nos desesperamos?

Se tudo isso era tão óbvio.

Se não queres mentir para mim

Então fale a verdade

É bem simples assim

Se não tem ou não pode

Dar-me o que quero

Sai apenas do meu caminho

Que tenho necessidade de andar

E não me sinto livre

Pois estou preso no teu olhar

Nesse filme de amor bandido

Onde, como o vilão

Matam-me no fim...


23 de jul. de 2007

Minha Hora (Fábio Sirino)



Talvez seja minha hora de descansar

Assim como alguns amigos já fizeram

E tantos outros que vieram antes de mim

Dormir um pouco, por vários e vários dias

Sem som, luz ou imagem do homem forte que criei

Já sem voz pra gritar, já sem medo

Assim como eles, pretendo desistir

Der-me tempo na busca pelo desconhecido

Pelo nada que já carrego

Assim como eu, estranho

Deslocado, solitário solicito

Com ar de bom moço alegre

-Como sei mentir-

Assim se vão minhas vontades

E em muito breve minha vida

Dores amores e feridas

Para o céu, inferno ou para o nada

E quem me conheceu imagem e cantos

Terá uma pergunta, um julgamento

Milhões de duvidas

-Porque será meu Deus?-

Dirão os que gostam de mim

Sentirão talvez minha falta por alguns dias

Mas somente por alguns dias

Após as formalidades

Tudo correrá para a mais simples normalidade

Dentro da mediocridade dos dias que se seguem

E como já bem disse Álvaro de Campos

-Lentamente esquecerão de te, e só serás lembrando

Em duas datas, aniversariamente-

Tão breve seja a vida, assim também se dará as lembranças

E parti como hoje desejo

Tornou-se quase inevitável

Pela falta ou pelo excesso

O exagero dos sentimentos que me cercam

Deixo então meu legado de fracassos

Deixo então minha coragem e covardia

Essa é minha herança:

Uma mão estendida, aos que me negaram abrigo,

Um sorriso largo, aos que choravam perto de mim,

Um ombro aos que buscavam consolo,

Enquanto me abandonava pelo mundo

Nas mentiras e histórias que criei

Assim apagarei esse “fake” que sou

Com um “delete” e um ponto na poesia...

9 de jul. de 2007

O primeiro dia...(Fábio Sirino)



O primeiro dia após o fim
É uma ressaca doida e sóbria
Pois na noite anterior,
O adeus fica martelando os sonhos
As projeções, as expectativas e os planos
Todo que se foi pelo ralo, nas lágrimas
Da alma a sarjeta onde estou
Onde penso estar, mesmo sabendo da saída
Fico eu vivendo essa dor, esse medo e esse amor

Lógico que eis a primazia que sempre busquei
Cor da vida que tando desejo
Lógico quanto à vinda da morte
Como meu olhar vazio procura tua imagem
Como teu cheiro, invade meu eu
E como eu, meu desejo sucumbe a tua alma
A tua força e as tuas duvidas

O primeiro dia é sempre assim
Parecemos até mais fortes do que estamos
E quando olho no espelho
Meus olhos refletem os teus
Minha mão busca a tua
E longe isso corta o peito e me deixa nú

Quero então uma bala
Um revólver e coragem para dar-me fim
Assim sem cartas ou testamentos
Sem ti a vida some, perde claridade
Sem ti o sol já não brilha
E se for para teu bem
Assim serão meus dias
Sem brilho nem claridade
Sem cheiro de menina arteira
Menina levada às melodias e movimentos
Uma grande mulher de alma rara

Corri para longe e sei que fui injusto
Mas não covarde como pensas
Enfrento a distância do que mais quero perto
Por escolha, ou por imposição do destino
Queria mais que isso, quero formalidade sim.
Namoro de porta até
Quero mais filhos e sonhos
Projeto de vida a dois
Quero dizer todos os dias que te amo
Mais que ontem e menos que amanhã
Que só a morte nos separa

Mas é dia de calar e seguir
Sem a noite de quarta no calendário
Pois para mim ela ganha um outro nome
E a quinta o mesmo
O resto da semana chamem do que quiser
Mas sem ti, eu a chamo de tédio...

8 de jul. de 2007

FIM... (Fábio Sirino)


Há noites propícias para uma despedida
Há dias que as coisas
Têm uma outra forma de serem vistas
E minha visão inebriada
Toma forma e ganha humidade
Ao contrário de Elisa, farei de sacanagem
Mas talvez não para bem, ou pra inocência
Mas voltarei à dureza e a hostilidade
Que me trouxeram até aqui.
*
Aqui nessa madrugada,
Onde não me acompanho e “me abandono”
Nas ruas estreitas e antigas da cidade velha
Ruas vazias e sofridas, ruas de sonhos e medos
De gente e de almas que já se foram
Partiram e seguiram suas estória
Fecharam seus círculos
Ou como eu, tiveram medo e ficaram calados
*
Agora é hora de gritar
Mandar a merda tuas inseguranças
Os teus desejos que me cortam a alma
Quero mais do pode me dar
E agora acho que tinhas razão
Quero mão, pé, boca e sexo explícito
Quero um vinho e um baseado
Mas não esconderijo ou abrigo
E sim liberdade sem mentira
E sim doação sem cobrança
*
Deixe-me seguir então
Perto dos fracassos que não te pertencem
Perto dos sonhos que não são teus
Do amor que não pode me dar
Deixe-me calar e pegar a Piedade
Que ele me leva em casa
Volto para perto das nuvens
E do meu disco voador
E desejo a te a melhor dança e a melhor noite
O melhor sonho e o maior amor
Que já sonhou um dia ter vivido
Porque pra mim acabou
E eu já deveria ter partido...
***

6 de jul. de 2007

Depois da noite de prazer (Fábio Sirino)



No fim da tarde

As coisas ganham o verdadeiro sentido

Na realidade mais dura e cruel da vida

Depois dos sonhos que mal sonhei

Depois dos poucos momentos de sorriso

Um soco em minha alma

Ou apenas mais uma despedida

Outro momento de choro

Que resposta Deus nos dar com isso?

*

Esperei a noite como se fosse eu a morrer

Eu a sofrer, só num apartamento de paredes brancas

E insisto nessa repetição

Pois assim, se dão meus dias

Minhas vitórias

Como num livro sem escrituras ou fotos

*

Como ser quem sou, antes de me sentir algo?

Antes de me sentir parte de algo

E no nada que me incomoda

Vejo de dentro o vazio dos segundos que se seguem

Antes que me leve uma recordação

Mais um dia de minha vida

Eu quero gritar

Eu quero chorar e poder cair

Antes que diga-me que é tarde demais

Quero tentar e tentar até cansar

*

Vejo então as despedidas de uma outra forma

Vejo os fatos que se seguem assim também

E se como não bastasse

Repito-me na forma de ver toda essa mudança

E por isso me calo

Mesmo querendo gritar

Mesmo precisando chorar e cair

*

Talvez, hoje, eu faça um testamento e me mate...

Mas minha vontade de viver é tão maior que eu...

Meu desejo de amar é tão maior que eu...

Que naufrago em esperança já desiludidas

Já fadadas ao fracasso

E nele, eu a lutar, eu a seguir, eu a calar...

*

Porra! Mais o que fazer?

Se a resposta de Deus não cala a minhas perguntas...

Deixo meu filho e minha música,

Deixo poemas e risos para posteridade,

Ou deixo dívidas e inimizades?

*

Desejo o mundo e o que tenho?

Uma força que não enxergo

Amigos mórbidos que se matam

Amigo forte que clamam por mim

Um coração enorme que sofre mais

Não! Eu tenho apenas medo de me sentir ridículo.

***

3 de jul. de 2007

Revendo (Fábio Sirino)

Enquanto tento fugir dos seus doces sorrisos
Peguei-me sim, a sonhar com seus beijos no meu ouvido
Mas não liguei e nem fiz pirraça
Já me encontro ferido o bastante pra inda te ver em carne viva
E seguirmos sem solução
Nesse amor de via única que ainda nem nasceu direito
Mas que já deveria ter morrido assim, só.
*
Se tu pudesses ter te visto ou se enxergado um pouco mais
Se tu tivesses tido a calma de ouvir os que a te admiram
E esperasse pelo viés da verdade tuas respostas
Tudo estaria exposto de uma outra forma
Se tu quisesses poderias reverter
Se crescesses e não se desculpasse ou não se culpasse
Mas se tu soubesses do quanto que te quero bem
E do medo do mais que isso, do querer bem mais que isso
Do que não posso mais sonhar
*
Vou de volta ao meu segredo, vou para o meu passado
E apague dos meus dedos teu gosto, teu ventre
Pois estou indo de volta ao meu passado
Apegue da memória do teu celular os meus telefones
E o endereço da minha cama
“Arranque do teu peito meu amor cheio de defeitos”

Soneto para uma quase Fumante (Fábio Sirino)


Adeus menina encantada
Já passa das doze horas
Está em tempo de ir embora
Pra não cair na madrugada
*
Chega de discurso vazio
Dos poemas loucos e apaixonados
Já não me basta ficar só do lado
Feito um tolo ou um imbecil.
*
Encare a noite como despedida
Pois já anunciei minha partida
E hoje o prazo acabou
*
Vou com amargor no peito partido
Meio desgostoso e já sem jeito, doido
Dos sonhos e vendo que destruíram meu amor
***

O Perdedor (Fábio Sirino)


Pelo calor que não senti
E pelos beijos que não são meus
Da cor que só você tem
Dos olhos ariscos que lhe pertencem
Pelo pouco ou muito
São sentimentos antagônicos
Desejos meus e afetos seus
Do sexo que enxergo
E do respeito que me tem
Nossas verdades já não se cruzam
Elas se vão meio à fumaça dos nossos cigarros
Com dor e lamento dos poucos momentos
Já saudosos que carregarei comigo
E na afirmação de ser mais que um amigo
Um amante que se deita para sorrir do seu lado
Que sabe chorar e rir das tuas tolices
E lhe fazer sentir-se mais confiante
Do sol que nasceu pra você
Que lhe esperar para brilhar
E eu sim, volto a minha escuridão
Pois a mim, só a lua pertence
Um pouco de sombras
Um resto de afeto que se quer tem relevância
Ao mundo que lhe encanta
Aos lutadores que lhe conquistam
De mim... Ficam apenas poesia e saudade
Um desejo inerente e intrínseco
A fortuna dos apaixonados
E é essa minha dor
- Para coração de pedra, amor britadeira-
E esse já disse que a mim não pertence
Canso antes de vencer
Procuro espaço longe e não canto derrota
Como bom perdedor apenas choro calado, sozinho
Fazendo dela música e poesia...

Delírio (Olavo Bilac)


Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero teu beijo.
*
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente. A minha boca obedecia
E os seus seios. Tão rígidos mordia.
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo
*
Em suspiros de gozo infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem!- num frenesi.
*
No seu ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem!
– Disse ela, louca, Moralistas, perdoai! Obedeci...
***

30 de jun. de 2007

Dormindo? (Fábio Sirino)



Rezem por mim que estou mergulhando de cabeça
Como se buscar-se a dor que sei que virá
Mas como resistir a tamanha felicidade
E conter desejos que vão alem de mim?

Longe até consigo pensar em liberdade
Mas liberdade sem ti é quase prisão
E prisão livre de ti é mais uma morte
Ou outra muito próxima a isso

Sim! Tua luz e força me roubaram a razão
E isso é tão bom e faz tão bem
Mesmo louco como e insano como nós
Como nossos loucos dias e nosso pouco tempo
Assim sigo a sorrir num caminho para as lágrimas
Mas quando chegar?
-Ah, mas quando a dor chegar já terei vivido.
Lindos e intensos momentos
Da mais pura felicidade mundana
-E se não der certo antes de ser feliz?
-Ao menos terei tentado com todas as minhas forças
E todo meu amor pela vida, pela tua vinda...

És uma beleza de cor marrom
E um quase negro meio triste
Dos teus olhos quase sonho meu
Que vai além de tuas inseguranças
E me seguram a mão no meio da noite chuvosa

Onde madrugaremos a sorrir?
Em minha casa ou num motel?
Na praia ou numa tela de computador?

Por mais de mil motivos e mil sonhos
Sigo a fantasiar-te aqui na parte alta da cidade
Longe das tuas desculpas e confusões
Quero uma cama de casal
E um guarda-roupas de cinco portas
Quero dormi e acordar rindo
Com teu cheiro em minha boca
Quero mais do que diz nem poder me dar
Mas quero assim mesmo
Tua alma e teu sonho
Para dar-te a minha e os meus
Até que a morte nos separe ou nos acorde.

29 de jun. de 2007

A Mexicana I (Fábio Sirino)


Saio por onde não entrei
Faço o caminho inverso às minhas vontades
Tenho tanto a falar ao mesmo que tenho tanto medo
Que calo uma voz já cansada de discursar para o nada
Para ouvidos que não me respondem
Num silêncio de quase morte
Num lugar que não me enxergo
Onde grito em meio à multidão surda
Batendo em tambores ritos e celebrações
Que assustam as almas mais porcas
Veio para provocar conflito
Trago guerra para desperta paz
E inflijo meus manuais de bom comportamento
Por amor ou paixão deixo a ética de lado
Quero apenas fazer da vida um gozo prolongado
Uma mistura de sim, talvez e não.
De solidão repetida, partida, doida.
Do táxi que nos leva desejo adentro
Volto só do teu mundo
E cheguei a pensar ter importância
Nessa coisa toda que inventamos
Um campo de flores com lama no fundo
Onde o fundo sempre pareceu mais atraente
E como as aparências enganam
Via na tua força a grande mulher que sei que é
De verdade adeus
E que os anjos da felicidade estejam contigo
Que comigo ficarão lindas lembranças
Do pouco mais sofrido, felizes momentos.
Então ponho fim à brincadeira
Vamos ao próximo capítulo
Que entre em cena o ator, o galã.
Porque o figurante acabou de sair...

27 de jun. de 2007

Sub-corporal (Fábio Sirino)



Não se negues a aprender
Nem por medo do novo...
Pois tudo que também preciso está em ti
E não nos medicamentos que nos vendem
(Os que fumamos e os que bebemos)
Ou no ponto de equilíbrio das respostas alheias
Que não nos aquece a alma
E nem bombeia a paixão que percorre as minhas veias
Sem ninguém nos tirar do escuro onde estamos
Onde sei que já não queremos nos ferir

Deixe que joguem praga e maldições
Sobre mim ou nossos sonhos
E não te chamo de nada, a não ser pelo teu nome
Pois o Que Li já me ensinou a cortar meus próprios ossos
E isso tudo está me surpreendendo
Como se uma força célebre emanasse de mim
E mesmo com medo não a contenho

Tirem-me daqui!
Pois já desejo ficar mais que seguir
Tirem-me daqui!
Pois meu peito rasga de dor de amar e dividir
Numa quase maldição sobre nós

E mesmo sendo co-dependente
Em vários momentos tento, e não consigo gritar-te
A culpa que sei ter nisso tudo cala-me
E mesmo não acusando um ou outro
Ainda me sinto co-dependente
Dos poucos momentos que vivemos
E dos pouquíssimos sonhos que te compartilhei
Em um momento de respiração profunda
Que provoquei em te...

Tenho algumas observações
Antes do fim dos destinos e fechamento dos portos
Antes de desembarcar em outra dor ou outro amor
Jamais porei a culpa em ti
E jamais te esquecerei fora de mim

Leve-me então para barra da tua saia
Ou para a barra de Jequiá
Para que possa te olhar em vento e areia
Deusa dos meus sonhos eternos
"Juntos ou separados "
Para todo sempre apaixonado.
Amém...

23 de jun. de 2007

Oral (Fábio Sirino)


Sigo em meio ao teu campo de dor
Num enredo de entrelaço de fantasias
Onde a verdade que contamos vale mais
Como posso fugir de algo que se quer chegou a ter vida
*
Na respiração mais compassada
No gosto salobro que se adocica em minha boca
Vou numa viajem sem ser convidado
Pelo teu cominho escuro
Molhando tuas curvas com minha saliva
“Com meus medos e delicias”
*
Oralalizo teus desejos mais íntimos
Com o nascer do sol a nos observar
Um tom de risos nossos
Um gosto de cigarro e coca-cola
Deixamos de dançar
Para buscar em olhares uma traição
*
O mar lavará tua alma
Os teus olhos e receios
Levará para longe tuas orações e cânticos
Poemas teus, do doce adormecer que compartilhamos.
Nas linhas que nos descreve
Ou nos textos que redigimos
*
Minha matéria esta incompleta
E sequer sei titular ou editar
Minhas fotos estão desfocadas
E só me resta uma entrevista
Com perguntas obvias
Onde as respostas silenciem
Na contravenção que cometemos
Pelo pecado nosso de cada dia
Peço perdão ao teu amor
Pela mentira dos meus risos
*
Para onde vamos?
O que desejamos?
O que somos ou o significamos?
Deixo as perguntas na minha insônia
No desejo louco de ter-te minha
Como já mim tem teu
***

21 de jun. de 2007

Ser Só (Fábio Sirino)


Perco as contas, mas não a dor.
E me entrego mais uma vez a isso
Como se já não soubesse o fim
Dessas historias que já vivi
Entre tantas que viverei
Todas que ja morri...
Quantas outras morrerei?
*
Sem reza ou encomenda pra alma
Sigo perdurando na escuridão
Dos olhos teus, quase secos
E os meus “molhados
De alguma coisa feito solidão”
*
Veio como se já tivesse partido
Numa carreira de medo
Na disparada do gado
No grito da vitima
Antes do seu assassinato
*
Parto com gosto amargo
Numa cor que me assanha o cabelo
Deixo os terços e os cadarços,
Sem laços, lenços ou panos brancos
*
Mas o que teria a te oferecer?
-Poemas,musicas e estórias...?-
Alem de uma amor incondicional, talvez
Enteso como eu, forte como meu gostar
Tudo ainda é pouco perto de te.
*
Deleito-me em minhas nuvens
No chão do meu quintal,
Aqui no meu apartamento
As pedrinhas da frente da casa
Já me conhecem
E as jogo em direção a lua
Como um incentivo
Para que elas virem estrelas...
*
Assim farei quando partir
Sem brilho ou luz
Eu e a estrada já velha e esburacada
No ponto concordamos
Somos a soma dos destinos que se afastaram
E somos mais...
Uma quase cor de um quase arco-íres
Que as ondas levaram
Quase levaram embora quando partiram
Para um mundo distante de todos
Onde moro e vivo só
*

20 de jun. de 2007

Menina Escuridão (Fábio Sirino)


(O início do flerte com a Ros”a”)
Ainda trago em minha mente
A imagem daquela mulher
Que vinha do escuro
Semi-iluminada
-Parem os toques e as estrelas cadentes
Vejam a menina dona das sombras passar-
Ela veste preto e cheira a rosas
Ela mal fala, mas sabe sorri
E seu sorriso tímido
Grita por ela e canta por ela
Que cega a hipocrisia estética
Com charme e simplicidade
-Assim quase sem querer-
Com seu cabelo de Sol
De olhos caídos quase tristes
Fico eu a lembrar...
Como se a primeira visão
Fosse uma visagem
A aparição da princesa dos mistérios
- Ali do meu lado-
Enquanto calava, ela partia
Levando consigo meu resto de luz
E um pedaço do meu coração

A Fuga ou O Descanso...(Fábio Sirino)


(É hora de morrer de novo)
Pernas para o ar
Pois é mais que hora
Da dança ao assento
Um minuto para o descanso
Água, vodka e vinho
Mas se falta
Serve coca-cola e baseado
Pra ficar doidão
Vem para deitar
Vem, mas venha sorrindo
Que minhas orações te buscam
(E falta pouco pra elas te perderem)
Nos canaviais e salões
Vai engrossando as pontas
Sem nosso coletivo
Um ser só meio amistoso
Um olhar cortante de despedida
(Quase morte)
Siga sem par, sem mim
De cintura fina, feminina e básica
Como uma sandália de salto
Pule por mim, que não curto trio
Ou qualquer ser elétrico
Pois sou um quase acústico
Já passa dos meus desejos, essa brincadeira
Já chega às minhas dores
E entre tua vontade e meu sofrimento
Nem penso outra vez
Condiciono minha caminhada
Para longe dos guardas, das sentinelas
Onde nem vela ilumina
E tu, linda menina
Apenas deixe-me ir

15 de jun. de 2007

Telescópio (Fábio Sirino)


(“ObserVendo” Urânia...)
Um ponto de referência para enxergar-me
Uma ponta de humanidade para perceber o amor
O amor de Urânia pela vida
Uma lente para fotografar o plasma ou a energia
Algo que traduza a beleza de Urânia
Assim, quase tímida e magra.
Ela faz da fragilidade ou insegurança uma fortaleza
Em risos e gestos, com brilho de astros e cor de Sol.
Urânia não esta solitária
Ela tem planetas e sonhos junto a ela
Ela tem lembranças e amores já sofridos
Ela cheira a flor rara e nova
Ela tem gosto de vinho,
Dos mais refinados e dos mais simples dos prazeres.
Seu gosto é o meio termo entre os sabores
E do seu peito o tempero mais ardente
Em sua paixão o néctar dos que choram
Em lágrimas de vidas e cantos já passados
No planeta Urânia tudo é bem mais belo
Fotografa melhor e tem sempre ângulo bom
Nas paragens dos confins de sua imaginação, um risco
Dos encantos do planeta mais lindo que já conheci
Vais e fica distante
Que daqui ainda observo e vejo seu caminho
Mesmo sem ainda saber quem és...

9 de jun. de 2007

Rosa azul (Fábio Sirino)



(Para Ros"a" V)

Antes que cantem
Antecipo minhas verdades
Sem versões ou mentiras
As conto de forma escrachada
Quase como piada
E assim quem sabe sofra menos

No pouco convívio que tivemos
Não deu pra ver entre as pétalas
Pouco sei dos que te regam
Da suas regras e da tensão que se antecipa à elas
Sei apenas dos teus olhos caídos e lindos
Do ceu que te adorna em luz
Do que é aparente
Do possível ao disfarce
Do sonho que é meu
Da imagem que construí

Aqui longe dos doces que adoçam sua boca
Um amargor quase ingênuo
Gosto de silêncio ou sono
Sem notícias, sem contatos, sem cuidados
Distante da tua atenção
Quase perto do seu descaso

És pra mim a beleza de uma Ros"a" azul
Com ar de escuridão
O início da noite de sábado
A cor do luar em noites claras
Em lua de lobisomem
Noite de correr bicho
Assim próximo aos seus encantos
Ficam meus pensamentos e sonhos
Como se esperasse o primeiro ônibus passar
Para enfim chegar em casa e descansar .

29 de mai. de 2007

Outro dia de chuva (Fábio Sirino)


O Fim do Luau.
(Para Ros"a" IV)
Hoje percebo a distancia que se impôs
E longe dos fios avermelhados
Por onde vão às informações
Morada fria dos que se escondem.
Ali, a Rosa fica mais sorridente
Deixa ser lida em palavras e expressões
Mesmo com demora, ela sempre responde rindo
Em breves frases bem construídas
Onde não se tem aberturas para investidas
Num castelo que não se permite chuva.
No mundo azul, ela veste camiseta preta
Evita meus olhares e se empoe
Assim dona do jardim
Deixa-me distante dos teus anseios
Das tuas estórias, faz de mim um estranho
E vem com o doce na boca
Ela mostra que sabe adoçar o outro
No aniversário atrazado
Dos que me fazem bem.
Amansar ferras, ou provoca-las?
(-responda depois Ros”a” -)
Sim ela faz meus olhos caírem por terra
Só para vê-la passar e seguir
Assim sem beijo ou toques
O feminino da Rosa ainda me encanta
Me deixa fora do toque
Como se meu santo, também se rendesse a ela
E ela meio louca e linda
E ela sem me enxergar e completamente bela
No extremo de todos os poemas que já fiz
Escolho como despedida a piada
Sigo sem manifestar minha dor
A decepção por não conseguir ser notado
Ou na incompetência de não me fazer notar
Alheia a mim ou aos meus anseios
Fica a Rosa a flertar com outro cravo...
Enquanto permaneço sendo espinho.

21 de mai. de 2007

Estado (Fábio Sirino)


Pelas almas que ainda penam a procura do amor
Pelos olhos que se encantam quando enxergam a flor
Dos medos e sonhos que não se acabou
Ainda somos meninos que amam
Ainda somos meninos que enxergam o sonho
E por maior que seja a desilusão
Do bem e do mal, da carreta e do riso
Do belo, do feio e do esquisito...
Se estamos felizes ou tristes
Apenas estamos!
E não somos que estamos
Vamos viver e morrer vários momentos
De sorrisos e lagrimas
Sem ter que sublimar o mal ou o bem
Perto de ti, menina amiga
Vivi poucos e sinceros momentos
Ali eu conheci o bem que em nos habita
E o mal que podemos causar (ou nos causar)
Não canse antes do fim da luta
E não peça mais desculpa por bater em mim
Vamos prosseguir a nos afagar e ferir
Sem medo de voltar a estar triste ou feliz

20 de mai. de 2007

Fim de Chuva (Fábio Sirino)

(Para Ros"a")
Hoje acordei como se sentisse
Ainda o perfume que enfim conheci
E como é diferente sentir a Rosa de perto
Do que vê-la em meio aos jardins...
Do pouco que sei, sinto-me encantado
Pelas pétalas que te cobrem a alma
Pelos espinhos que a deixam calada
Vem de ti a doçura dos anjos
Que se percebe nos teus gestos quase meigos
Femininos ao extremo da tua dor
E o medo que a deixa mais misteriosa e bela
Vem que novos jardins te esperam
Com terra pronta para uma Rosa se deitar
Vem para os braços que querem te proteger
Sem receio ou segredos, sem perguntas retroativas
Vem que o meu sonho te espera para vivermos juntos
Até o fim de nossa chuva, ou de nossas lágrimas...

16 de mai. de 2007

Solidão Moderna (Fábio Sirino)


Tenho poucas horas
E tento fazer o melhor no uso do tempo
Faço poemas numa lan house
E os corrijo por msn
Aqui no conforto da tecnologia
Todos parecem amigos
Todos parecem amores
E eu que do lado de cá guardo minha dor
Minhas lagrimas e amores
Na distancia fria da tecnologia
No gelo vermelho dos sites de relacionamentos
No azul da sua pagina e no sufoco dos meus sonhos
Vem para mim toda solidão e desconforto
Algo vazio e sem estética
O sofrimento mesmo nos tempos modernos, é feio
Mas faz belos poemas

14 de mai. de 2007

Mal me quer? (Fábio Sirino)


O queres tu de mim?
Se negas olhares e intenções...
Já não sei como entender-te
Como ler teus recados e sugestões
Onde e quando devo mostra-me
Do sentimento que se nutre a cada sorriso teu
Da simpatia que se agiganta nos teus cachos
E da fuga que me esconde das desilusões
Talvez teu céu esteja perto demais
E o brilho dos teus olhos ofusca qualquer fraternidade
“E entre ser todos ou ser ninguém”
Chego verte nua, como se num sonho...
Num encantamento imaginado
Ter-te minha e ser teu
Na areia do rio que corre meu eu
Na sala onde esta minha intimidade
Onde repousa meu medo
Se queres que fique aos teus pés
Não esperes muito
Pois subo rápido para outras partes
Gosta e prefiro as que arrepiam
As nos deixa mais instinto que razão
Que provoque erupção dos egos e inflame o desejo
Assim úmido e suado
Então, se nem tu sabes das tuas intenções.
Deixe-me fora do teu universo
Não quero esmolas, nem piedade...
Sem maiores manifestações dos sentimentos que nutrimos
Um pelo amor e outro pela amizade...

12 de abr. de 2007

À procura da alma... (Fábio Sirino)



Busco além dos poucos contatos
Algo que me aproxime de ti
Que traga explicação e alento
Ao peito peregrino, meio moleque
Meio menino tímido
Que te busca nas noites de domingo...
Que sonha com teus anjos,
Que vê teu cabelo ondulado,
Que te enxerga, assim , suando...
Que te busca numa dança
Entre os espaços mudos da multidão,
Entre teus dedos e minha mão;
Pela melodia que desenha teu sorriso,
E pela paz que vem de ti e irradia o mundo,
Pela luz que emana nas tuas poucas palavras
Pelo teu cheiro e cor
Assim , antes de encontrar o amor:
Eu tento achar a morada da tua alma.

10 de abr. de 2007

O Critério para Sonhar (Fábio Sirino)


Vejo em teu sorriso
Os mistérios que escondes
Entre o poder do teu charme
E a beleza do teu olhar
Como se natural fosse a todos
As luzes que te cercam
Que acedem as velas e os incensos
Iluminando e perfumando cada posso de tua dança
Cada gesto e cada ato
Como num poema aplaudido em cena aberta
Faz dos poucos momentos um espetáculo
E a lembrança que fica como um sonho
Como vê um anjo no topo de uma igreja
Como se bailasse nua na chuva
Ou deitasse na grama para ver a lua cheia
Ali perto dos teus encantos
Somos meros coadjuvantes
Numa estória que nem o mais fantasioso livro
Descreveria com tamanho fascínio
Pela calma e pelo sabor da tua imagem
Do meu desconhecimento a minha música
Como vento, como surpresa
Como a cor da manhã...
Assim tua presença invadiu os meus sonhos
E sem avisar, me fez fantasiar-te em tons e melodias
Ate que partisse deixando apenas o teu nome anotado
E assim também se deu no segundo dia
Como se outro enCANTADOR
Já tivesse roubado tua atenção...
O brilho dos teus encantos
E o critério dos teus sonhos.

26 de mar. de 2007

A fotografia I (Fábio Sirino)


Ela brinca como se não soubesse
E fala de si com a insegurança de toda mulher
Ela mostra sem querer o seu poder
Ela tem “peito” pra isso e pra mais
Ela vem de vermelho
De barriga a mostra e pernas expostas
Ela joga o cabelo e para o mundo
Ela sabe de tudo
Mas se faz de desentendida
Vai com seu charme encontra o jardim
Vai de jeans e salto alto
E não grita porque sempre ri
E só não encanta quando não quer
Ela é uma menina, quase mulher
E é isso que a imagem diz
Numa foto muito sexy...

18 de mar. de 2007

Ouço cantiga na beira do rio
Nao sei se pra são ou pra chico
Aquele moço capaz de mudar o ritmo
Ele sempre vem em seu baixo
Regado como Pão de Açucar
Seu caminho forrado suor a suor
Sua respiração era nota Dó
Mas ele foi agraciado
Por conceber uma filha
Essa menina exala varias linhas
Era coco, xote, baião e até xaxado
Brincava quera gota serena
Deixarás órfãos meninos e meninas
Lágrimas em versos te dou
Pra tirar um pouco das costas a dor
Por saber o que se destina
Em certeza da grande saudade
Do Poeira Nordestina

(Cabeça de Gêlo)

27 de fev. de 2007

Eu, a bailarina...(Fábio Sirino)


Se a dança toca
O olho molha a cara
Se a dança encanta
Os olhares vai para um universo dela
E a bailarina fica como feiticeira
Se ela dança e enfeitiça
O sonho desse do palco
Chega ao espectador
Que vê e não acredita
No sonho entre cenário e luzes
Conjugue assim um desejo de publico
Será que ela também ama?
Será que ela beija ou quem será que ela beija?
Será que ela deseja?Será q ela chora?
Quem será ela?
E com a dança ela responde
- eu a bailarina

17 de fev. de 2007

Fim de Sobrevida e Inicio de Poemas(Fábio Sirino)

O caminho que tanto fiz
Depois de você ganhou um outro sentido
As ruas e avenidas são mais familiares
Parecem que me convidam
A visitar sua casa
E a cada “CArro” branco que avisto
Desperta o sonho e o desejo
Como se estivesse vindo me buscar
Do pesadelo que a saudade trouxe...
Assim se seguem os dias
Vendo a sua silhueta nos sinais
Achando que algo não se resolveu.
Mas sei que acabou
Sei que já me tem no passado
E por isso resolvi parti
Sem dar espaços para as despedidas
Tentando assim enganar a dor
E se a cada palavra falada
O assunto volta
Não nego que lhe penso
Respiro e comento aos amigos
-Sim eu amo, mas...
-Temos tanto em comum
E somos tão diferentes
Por que o platônico tinha que acabar?
Qual propósito da realidade que criamos
A não ser de nos distanciar?
Se aos outros nos fazíamos bem
Aos nossos olhos já era diferente
O jardim secava, estava eu na seca
Quando sua nuvem partiu
Molhando meus olhos espelhos d’água
Essência da cresça na paixão
-Seguir Estrela é sempre complicado
-Olhar para o escuro também...
Você foi minha manha
Quando só conhecia a noite
O passo seguinte
Quando só conhecia o berço
Você é o amor da minha vida
Quando mais preciso de motivo para morrer...
Aqui na parte alta da cidade
Distante dos seus
Tudo parece igual
Ao dia em que deitou em meu colchão
Que entrou em minha casa
E dormiu enquanto eu sonhava
As velas apagaram
Você decidiu seguir
Não tenho para quem dar flores
E o meu medo do ridículo
Guardou todas as declarações,
Os pedidos e suplicas
Para que não partisse
Mas assim se deu
O fim de uma sobrevida curta

E o inicio de vários poemas...

15 de fev. de 2007

Eri (Fábio Sirino)

Pelo teu sorriso percebo o êxito
Felicidade que habita na face dos que buscam o bem
Seja feliz e seja o que quiser ser
Seja paz e sorriso
Seja leve e não tenha medo da multidão
Seja quem é e isso basta para encantar todo vivente
De criança a homenzarrão
Segue teu ar e os ventos te protegerão
Como me guiaram ao teu universo
No meio da imensidão...

13 de fev. de 2007

Os seus encantos (Fabio Sirino)

Ela chega sem avisar
E atrasa para não esperar
Ela olha com olhos de sol
E sua pressa transpira paz
Sem maquiagem e sem batom
Se disfarça de menina
(Como se todos já não a olhassem como mulher)
E o que quer esconde
Sorri de jeito e formas diferentes
Ela nunca parece ser a mesma
Sendo ela assim tão autêntica
Beija e corre, se nega
Diz não e se entrega
Ela vê o filme e sorri
Não chora, mas respeita as lágrimas derramadas
E por entender ela não faz muitas perguntas
Eu a sinto e ela deixa
Tento ir além e ela foge
Tiro seu retrato, e ela fica
Olho para seus olhos e ela se desconserta
Linda, vai cedo para casa
Para proteger o tesouro que pensa ter
Ela acompanha e se faz presente
Distantes dos cumprimentos efusivos
Finge não estar ali e se cala
(Como se todos já não a tivessem notado)
Ela chega e mal fala
Pois sua presença por si
Acrescenta o contexto do quadro
E sem fazer questão de brilhar
Ela sempre sai de cena
Mesmo que as atenções a busquem
Pois ela usa o mistério em seu favor
E em seus pés um chinelo baixo
Para que eles fiquem perto do chão
Ela vem da raiz
E não se diz
Pois ela é...


(12/02/2007)

30 de jan. de 2007

Sonhos Escuros(Fábio Sirino)



Segue um seu caminho sem mim
Vai que já não és mais a criança que não conheci
Se for pela dor siga em paz, doera do mesmo jeito
Tenho a lembrança da flor
Do que perdi no olhar
Mudaram as formas e os toques
Continuam meus anseios e carências
Como posso te pedir carinho
E dizer-te o quanto é pouco o que me das
Peso em carne e afeto
Do que me toca e arrepia
Deveríamos enxergar os enganos
Antes que o sol nos desperte do encantamento
Pelo oposto das nossas fomes
Da tua regra e da minha transgressão
O sono num ambiente estranho me deixa acordado
As obrigações para vida me anulam e se perdem
Somos parte de tudo que sentimos
Em fraterno e carnal
Os jogos se tornam mais perigoso no corredor
E faremos analise no chão da cozinha
Como se nada nos afetasse
(Como sabemos mentir... )
Em pensamentos e gestos vagos
Do anseio que se guarda
Pela perspectiva de futuro
Sou o sangue para ser reposto
Numa transfusão de poesia e sonhos
Deixo as luzes das estrelas
E volto para a escuridão dos meus sonhos.

15 de jan. de 2007

Confusão... (Fábio Sirino)


Vendo teu sorriso um mundo se alegra...
E cobrar o mesmo é comum
Sorri não é uma violência – eu sei...
Mas a cada um a carga de vida que lhe cabe
Nos teus olhos, a leveza dos que são do bem
Dos que buscam a vida
Na singeleza do gesto simples
Ou na complexidade de um poema...
Outros se escondem entre olhares alheios
Na identidade do outro
Pelo medo ou pela precaução
Sou quem sou, vezes sim, vezes não
Uns me chamam de
Fábio e outros de confusão...

Gratidão (Fábio Sirino)


A poesia não é feita por obrigação...
É feita pelo fascinio
Pela dor
É feita pelo encanto
E ninguem é obrigado a escrever um poema
As pessoas fazem palavras que apenas são sentidas
Admiradas e por vezes dançarinas
Em vibraçoes suor e saliva...
(Fábio Sirino)

21 de dez. de 2006

Conselho para o Sol (Fábio Sirino)


Sim o amor salva
Ele é a parte da alma
Que traduz o desconhecido
Mas afirmo
-Não esqueças do que te faz ser quem é -
Não falo do que desperta olhares
Cobiça e desejo
Do que se vê antes do primeiro encontro
Refiro-me ao que escondes na timidez
(E mesmo que negues, assim entendo)

Ao que desperta curiosidade
O que intriga a pensar e te descobrir
Não pela flor, mas sim pelo jardim inteiro
Não apenas pela cor dos olhas
Mas sim pelo teu olhar
Que no espelho enxerga teu belo
Então, feche os olhos e sinta tua essência
Tua alma pura e tua busca pela simplicidade do amor
Que costumamos problematizar

Com isso me basto para crê em tua felicidade
Pois o caminha do que és
É maior que o caminho do que representas ao outro
O teu espiritual é mais forte que a busca ao material
E se ambos são belos
Se ambos tem sua importância
Viva! Pois a felicidade a espera de braços abertos
O que angustia será mais uma pagina
Chorada em teu livro de sobrevida
Continue a escrevê-lo com esses valores
A conduzir tua estória com essa linha
Pois os ventos vem, mas passam
Balançando as folhas do teu jardim, eles vão

E levam as dores e os desamores...
Sorria que o sol espera por ti.
Para renovar com o dia uma esperança

Ou o brilho do teu olhar...

17 de dez. de 2006

Ousar a Sorrir para o Sol. (Fabio Sirino)




E o sol brilhou na manhã seguinte à tristeza
Mas não por acaso...
O sol, ele está à espera da inspiração
De um sorriso teu
Para que do frio da tristeza volte o calor da alegria
É hora de acordar para a vida
Para o brilho dos olhos que vi de relance no Jaraguá
É hora de soltar a voz forte, quase rouca
E ordenar aos teus medos tuas vontades
De ser quem é
De ser o que sonha
De ousar e voltar a sorrir

Jardins da Alma... (Fábio Sirino)


Ha um tempo para tudo
E pelo tempo um segredo
Do segredo o medo
Do medo a coragem
Da coragem uma ousadia
Da ousadia um amor
Do amor a possibilidade
Da possibilidade a esperança
E da esperança o sonho
Pois o homem que sabe sonhar
Fica muito perto da felicidade
Assim te enxergo mesmo escondida
Uma mulher que sonha
Que sorri em meio as flores dos jardins da alma...
(Para Carla Lisboa)

14 de dez. de 2006

o mistério da menina (Carla Pesarde)


(ou nascida do meu ventre)
onde se esconde
a verdade dessa menina?
e para onde vão seus sonhos
projetados em nuvens
dando origem às estrelinhas
e sua efemeridade
com um brilho ofuscante
que não se pode ter?
onde a menina está
quando não está
no quarto-sala-de-estar?!
e o que pensa a menina
se seu nome é chamado em outro corpo?
existe dentro da menina
algo além de desejos de mulher?
existe uma menina
dentro dessa fêmeamenina?
originaria da menina
da doçura escondida,
da singela hostilidade,
as demonstrações de alguma fraqueza?
e por que sapos, por que baratas, menina?
enfrentaste o mundo inteiro
de bichos humanos tão piores..
a menina, mesmo tão presente,
nos seus vôos imaginários,
nos mais longíquos lugares de seu pensamento
(inatingível, inabalável)
a menina que é uma fortaleza de si.
a nova menina a cada instante
que renasce
e por quem se pede socorro..
a menina.
que assusta e amedronta.
simplesmente menina.
linda, suave, intensa.
porque é essa a menina
quem chegou para ficar
todo o sempre..

11 de dez. de 2006

Manicômio Judiciário II (Jurandir Bozo)



(A Bailarina...)

Os loucos são poucos
Lindo mesmo é a bailarina
Que dança e tripudia
Fazendo do impossível imaginário
Real literal em passos e movimentos
Aqui dentre essas paredes brancas
Paira um clima marginal
Mesmo com tantas arvores e plantas
O muro não nos deixa esquecer
(Que estamos presos)
E gritamos para ela dançar
Num espetáculo solo
Ela sorri e dança sem musica
São alucinações suas coreografias
Num rito vezes calmo, vezes frenético,
Ela se movimenta
Num palco gigantesco
Que mal cabe em sua cabeça
Enquanto os outros
Observam os muros altos
A bailarina continua a dançar
Dentre as paredes brancas
Do Manicômio Judiciário
Onde ela vaga por uma eternidade...

Manicômio judiciário (Fabio Sirino)

Entre bem devagar
Pois aqui os doentes se assustam com facilidade
Essa é a ala da recreação
Onde há brincadeiras e jogos
Onde fazemos as reuniões também
Damos informes
Realizamos discussões e comentários um sobre o outro

Passam por aqui diversos condenados
Pelos crimes não previstos na lei comum
Os condenados a indiferença
Os condenados ao desamor
Aos que também são sensíveis demais
Os problemáticos e questionadores
A aqueles que têm personalidade marcante
Os que gostam de coisas diferenciadas
E os que ainda são diferentes
Os que querem morrer
Os que querem viver demais
Os apaixonados pela vida
Aos que amam alguém

São em sua maioria artistas
Poetas, escritores e compositores.
Nomes como Álvaro de Campos
Florbela Espanca, Augusto dos Anjos,
Álvares de Azevedo, Camões.
Dentre tantos condenados
A serem poeta por uma eternidade
Todos condenados
Como eu e você
Amar a poesia e a morrer por ela

1 de dez. de 2006

Para uma linda menina quase desconhecida...(Fábio Sirino)


Vendo teu sorriso um mundo se alegra...
E cobrar o mesmo é comum
Sorrir não é uma violência – eu sei...
Mas a cada um a carga de vida que lhe cabe
Nos teus olhos, a leveza dos que são do bem
Dos que buscam a vida
Na singeleza do gesto simples
Ou na complexidade de um poema...
Outros se escondem entre olhares alheios
Na identidade do outro
Pelo medo ou pela precaução
Sou quem sou, vezes sim, vezes não
Uns me chamam de Fábio e outros de confusão...

( É um enorme prazer versar pra você.)