21 de jun de 2007

Ser Só (Fábio Sirino)


Perco as contas, mas não a dor.
E me entrego mais uma vez a isso
Como se já não soubesse o fim
Dessas historias que já vivi
Entre tantas que viverei
Todas que ja morri...
Quantas outras morrerei?
*
Sem reza ou encomenda pra alma
Sigo perdurando na escuridão
Dos olhos teus, quase secos
E os meus “molhados
De alguma coisa feito solidão”
*
Veio como se já tivesse partido
Numa carreira de medo
Na disparada do gado
No grito da vitima
Antes do seu assassinato
*
Parto com gosto amargo
Numa cor que me assanha o cabelo
Deixo os terços e os cadarços,
Sem laços, lenços ou panos brancos
*
Mas o que teria a te oferecer?
-Poemas,musicas e estórias...?-
Alem de uma amor incondicional, talvez
Enteso como eu, forte como meu gostar
Tudo ainda é pouco perto de te.
*
Deleito-me em minhas nuvens
No chão do meu quintal,
Aqui no meu apartamento
As pedrinhas da frente da casa
Já me conhecem
E as jogo em direção a lua
Como um incentivo
Para que elas virem estrelas...
*
Assim farei quando partir
Sem brilho ou luz
Eu e a estrada já velha e esburacada
No ponto concordamos
Somos a soma dos destinos que se afastaram
E somos mais...
Uma quase cor de um quase arco-íres
Que as ondas levaram
Quase levaram embora quando partiram
Para um mundo distante de todos
Onde moro e vivo só
*