23 de mai de 2009

Cobiça (Fábio Sirino)


Desejo-te cada vez mais
Fruto de uma quase obsessão
Entre tuas pernas e teus mistérios
Sexy nas formas e cores
Da textura virgem ao meu tato
Como se a certeza do teu olhar
Invadisse minha indecisão poética
Quebrando a tela do monitor
Desfazendo meus conceitos
Mesmo longe, mesmo ausente
Teu perfil me basta
E fantasio histórias para tuas poses
Em silêncio como mandas
Calo vendo tuas caras e bocas
Sorrisos vermelhos
Situações e insinuações
Ações e montagens
Ensaios para uma leve loucura
Uma quase desfaçatez ingênua
Que não remete o teu tom
Enquanto tento cantar contigo
Tua voz ressoa afinada ao telefone
Gravando em policromia teu estéreo
Não espero ou pretendo
Nada quero de ti além da tua formosura
Como flor dos meus mais recentes sonhos
Não peço permissão para chegar ao teu jardim
E mesmo que reproves meus pensamentos
Guardo a ousadia de continuar dono deles
Invadindo, transgredindo se preciso for
Rompendo todas as barreiras do imaginário virtual
Prorrogando meu pecado
Na luxúria que não se negaria
A olhar-te pelos ângulos que para si escolheu
Mostrando teu belo
Furtando atenções para teu colo farto
Cegando a moral com tuas coxas
A luz para uma escuridão frustrante
Tua beleza vem do inexplicável
Para tocar medos imprevisíveis
Morada de filtros e ampliações
Da verdade que guardas ao se expor
Ela vem da “Graça” de ser-te
(Tudo veio pelo acaso, sem planos ou determinações, em tua forma de “ver-nus” fui ao fundo do teu olhar para enxergar minhas historias, em te vi tantos nomes e tantas formas que nem tua aquarela moderna poderia colorir, são risos, lagrimas, benditos e mal ditos de pontas vastas, verdes e grossas, assim quase sem querer, já astro, já estrela, teu olhar chegou ao meu e só por isso todos os poemas se valem.
Ate menina das cores e das poses, que tua ousadia se permita cada vez mais e assim produza e provoque aos olhos mais desconfiados e moralizados, pois tua força e tua delicadeza se fundem e encantam no desenho que nos apresenta em cada nova versão de se.
Para essa linda mulher e artista que “nus” surge.)

Onde Esta Você? (Fabio Sirino)


Cadê o meu amor?
Já não a vejo em meus sonhos
Já não a sinto perto em meus dedos
Por que se foi?
Fugistes de mim por quais motivos?
Já não dança nos compôs das flores que criei
Ou anda sobre as águas do rio que chorei
Deixe ao menos o teu perfume, amor meu...
Eu, que a ti dediquei todos os meus poucos sorrisos
Que pensei um mundo nosso, inocente, puro
Onde a fumaça seria apenas de lareiras e cigarros
Onde nos aqueceríamos do frio egoísmo capitalista
Mas teríamos capital para conhecer um mundo
Em livros e filmes que tomaríamos emprestados
Aos tantos amigos que faríamos juntos
Mas, por que fostes embora sem dar adeus?
Se meu coração hoje ainda bate apenas por saudades tuas
Saudades dos poemas que despertavas em mim
E de minhas mãos um universo de versos sem rimas
Mas tudo era pouco quando pensava em ti
Tua luz, teu medo, tua dor e teu amor
Qual deles era mais meu?
De que valia minha poesia
Se teus encantos não me pertenciam?
Talvez para deixar-te um pouco menos “infeliz”?
Pois na tua tristeza eu me enxergava
E nos teus gestos de prazer me realizava
Tal uma criança numa loja de brinquedos
Divertíamo-nos e subvertíamos nossos legados
Que história foi a nossa?
Uma comédia onde fui o bobo engraçado?
Uma tragédia onde sou o personagem que morre
Só para deixar a lição de vida
Como auto-ajuda para outros?
Um filme de ação onde sou o bandido e tu a heroína?
Ou uma fabula onde sou o ogro que te salva do dragão
Mas te vê partir com o príncipe bonitão?...”Rs”
O que foram nossos curtos dias e longas noites?
Tivestes para mim tantas formas e tantos nomes
Tantas cores e tantos endereços
Era minha deusa, minha musa e minha religião
Meu argumento e minha contradição
A verdadeira paixão prolixa e consistente
A direção exata para um eu que se perdia
A redenção para os pecados que viria a cometer
Era minha alegria e minha preocupação
E fostes sem nada dizer para mim
Sem poemas, recados ou cartas...
Fico apenas a pensar
- Onde está você?
(“Se não aqui dentro de mim...”)