20 de mai de 2018

A Patinadora ( Jurandir Bozo)




Dance menina, dance...
Que a vida hoje lhe dará passagem,
Para que sobre rodas e sonhos,
Suas lutas nos encante os olhos.
Acredite menina, acredite!
E quanto estiveres distante dos sorrisos,
Estará mais próxima da superação
E estes momentos
Jamais lhe serão estranhos,
Pois nascestes para ser dona dos seus dias,
E protagonista de sua própria história.
Assim deixe que o brilho de seus olhos
Tome seu sorriso,
E que mesmo “molhado
De alguma coisa feito solidão”,
Possa sorrir, sabendo que tudo vai passar
Pois " todo mundo quando chora,
Põe para fora água do mar"....
Então permaneça
Sendo este oceano
De força, encanto e mistérios.



(citações dos poemas: Jose Paulo Ferreira – “Alguma coisa feito Solidão” / Cosme Rogerio – “Todo mundo quando chora põe pra fora agua do mar”)


Um poema inspirado e dedicado a doce Fernanda Venâncio. 

25 de abr de 2018

Cavidade (Jurandir Bozo)




Cabemos-nos
Cabemos nus
Cabemos crus
Assim meio que imprensados
Devoramos-nos suavemente
Meus sonhos
Seus suspiros
Meus poemas
Seus olhos grudados
Meus dedos
Seus pontos de prazer
Tudo que se completa
Meu dia ruim
Sua TPM
Nossa vontade de entender
De falarmos
De lermos
De nos enxergarmos
Aceitando quem somos
Cheios
De sentimentos
De frustrações
De mágica
Arrebatados
Simplesmente porque nos encaixamos
Sem se quer termos nos encostado 


22 de abr de 2018

As Suas Rosas (Jurandir Bozo)




Que maquiam
Mostram
Desenham
Delineia
E qual cheiro se tem
As flores que adornam um corpo
E qual será a fragrância
Que suas rosas exalam
O que elas marcam
O que elas maquiam
O que mostram e desenham
Quais partes elas delineiam
Suas curvas
Suas marcas
Recordes e cicatrizes
Dores e delicias
Tudo que carrega seu olhar
Que preenchem o brilho dos seus olhos
De força, foco e fé
De Sol, sal e mar
De vida




17 de abr de 2018

A Tua Boca (Jurandir Bozo)




A tua boca roubou-me a atenção
E nela suas palavras
Numa quase tortura saborosa
Escorregavam certeiras
Em tons que me acendiam...
Ouvia atento seus brinquedos proibidos
Enquanto proferias sentenças ao passado
Relatos e ousadias
Para o que ainda parecia não conhecer
Assim aos que desfrutaram contigo
O seu melhor seguiu desacompanhado
Deixando delicias e encantos
Os mais fundos suspiros
Seus lábios, outros lábios
Tantos e quantos delírios
Cabem em uma só noite com você?
A tua beleza incendiava meu olhar
E mesmo próxima
A distancia que restava permanecia
Como se nunca fossemos nos tocar
E assim ficava mirando seus lábios
Queria mesmo era uma tatuagem a esmo
Com a cor quente do seu batom
Algo que eternizasse 
O rastro que sua beleza emana
Ausente, eu não abstraio
Imaginando com malicia
Suas delações intimas
Contextualizando em sensualidade
Sua desconfortável sapatilha amarela
E curto vestido estampado
As coxas grossas, os olhos devoradores
O humor jovial a disposição ao atrevimento
O show estava quase completo assim
Seu vento chegando aos meus segredos
Exótico, eu me sentia esquisito aos demais
Deixava-lhe a temporalidade do seu coletivo
Mas sem espaço para dar-lhe o que mais queria
Eu resolvi apenas ir
E fui ainda querendo ficar
Com a premissa do beijo que não dei



Cartas aos Vivos (Jurandir Bozo)




Cartas aos Vivos
Volume 01


Eu plagiei uma declaração de amor
No momento que mais deveria ser eu
Eu apenas fui quem você queria
Tomando posse da coragem que nunca foi minha
A fim de ofertar qualidades que nunca tive
Por medo ou por amor eu apenas calei-me
Talvez
Se eu não fosse eu
Talvez
Sendo outro
Talvez
Calando todas as minhas palavras
Talvez
Com as palavras de outros
E assim fiz
E assim foi
Dei o melhor do que nunca fui
Para ter o melhor do que nunca foi meu
É a mais pura verdade
Eu mentir
E não tenho vergonha disso
Envergonho-me apenas de ter acreditado
Na farsa que eu mesmo criei
Acreditado numa personalidade que era minha
Apenas para lhe dar tudo que não era meu
Meu jeito exagerado de gostar
Minha insegurança
Minha extrema carência
Meu egocentrismo
Minha falta de ciúmes
Isso e mais eu apenas escondi
Deixando de ser quem era
Para não saber mais quem sou
Pois por mais que caminhe
Entre noites e dias
Por mais que ensaie reconstruções
Ou tente dar-me outra chance
Eu plagiei uma declaração de amor


24 de fev de 2018

Profundidade Incógnita (Jurandir Bozo)




(A estrangeira IV)

A profundidade de seus olhos
Roubaram meu sono
E mesmo acordado
Tenho devaneios ambíguos
Como se tentasse descobrir respostas
Recortando no céu de estrelas
Os traços do seu rosto luzido
Na ideação incógnita da força do seu olhar
Indo ao recôndito
Suas estradas sem mapas
E nas sinuosas curvas dos seus lábios
Perco qualquer resquício de prudência
No esmero de seu fulgor
Possibilidades
Margens que me levam ao oceano de sua beleza
E eu perdido
Naufrago
Insone
Encantado
Continuo as indagações
Sobre as constelações ainda ei de descobrir
Na profundidade do seu olhar
Ou na historia de sua vida. 



(Modelo da foto e musa inspiradora para o poema: Milena Nenemann, a quem desejo toda poesia que que adorna o mundo de beleza)


17 de jan de 2018

A Distancia (Jurandir Bozo)




Por mais que resista sei que ainda há amor em mim
E tal certeza amedronta meus anseios de aventura
Mas cansa convencer-te que enxergo em te
Uma beleza que tu sequer desconfia ter

Foco esforços e saudades do que nunca vivi
E para realizar fantasias ouso até viajar
Buscar-te seja onde for e mostrar-te que sou real
Que meus beijos e toques são teus desde o dia que te li
E assim entreguei meus sonhos e vontades

Talvez fosse a hora de buscar um farol
Luz para as duvidas que despertem receios
Indo ao encontro teu com ar apaixonado
Mas sabendo de meus valores e defeitos
Não engano ou vislumbro ser maior que sou
E a firmação de tais critérios me deixam lucido
Mesmo encantado com a luz que emana
Via cabos e fibras que encurtam nossa distancia

Um dia talvez entenda meus encantos
E minhas poesias não declaradas
Sabendo que todas elas tinham o mesmo destino
Pois a te ofertei escritos tímidos
Que ousavam ate excitar-te
Mas não pretendiam invadir espaços íntimos
Segredos ou confissões não reveladas

Ainda ouso guardar de te todos os fascínios
Que me levaram ao encontro da paixão
Deixo então registrado em poesia
A mais profunda queixa
Das tantas duvidas que ofertavas a mim
Das palavras que vos bem dizia
Dos elogios que ainda moram acesos
Num peito que palpita lembranças tuas
De uma sobrevida quase nula
Onde a fantasia norteava
Uma quase descrente realidade
Do possível amor que não aconteceu
Pois nem sempre o silencio tem algo a dizer...


23 de ago de 2017

A Segunda Musica (Jurandir Bozo)



Abriram a contagem
Pois ao som do pandeiro tudo terminará
Com força e graça
Como se aquele momento
Que para todos seria o inicio
Para mim seria o fim
Onde nada mais teria sentido
Se não fosse ligado a você
E a gota de suor que via descer de sua testa
Ali minha fantasia se prendia e ganhava vida
Traçava seu percurso
Cheiros e texturas
Do que ainda se quer senti
Enquanto ela
A gota de seu suor
Continuava a descer
Dançando sobre seu rosto
Dando contornos aos seus sinais
Lavando seus olhos e umedecendo seus lábios
Escorregando pela sua nuca
Escondendo-se dentro do seu vestido
Levando junto meus sonhos
Que com aquela gota de suor
Percorria todo suas curvas
Como se estivesse a correr numa estrada sinuosa
Cujo se quer sei dos perigos e destinos
Mas ali junto a gota do seu suor
Foram meus pensamentos mais fantásticos
Voando no imaginário
No universo proibido dos seus encantos
Viajando pelo seu colo
Chegando ao ventre
Descendo pela longa silueta de suas pernas
Firmes
Fortes
Femininas
Delineando-as
Descendo por seus tornozelos
Chegando a seus dedos dos pés
E se quer tinha terminado a primeira musica...


O Silencioso Grito de Gol (Jurandir Bozo)




Parece que foi ontem
E por mais que o tempo passe
Para você sempre parecerá que foi ontem
Como se com o passar das horas
O andar do sol fosse coberto por uma sombra
Que ofuscasse a luz dos seus olhos
Algo entre a percepção e o horizonte
Numa distancia sem fim
A sete metros das respostas
O silencio cresce frente à meta
Enquanto buscas espaços
Em suas mãos traços e fitas
Que desenham tudo que já dançou
Batendo em seu peito descompassadamente
Feito um pandeirista desmotivado
Mas seus pés não cansam
Correm pelos ritmos inteiros
Enquanto os olhos cantam historias
E desistem de chorar outra vez
Assim entre a beleza e os mistérios
Acompanho seu bailado
Que timidamente decide o jogo
Enquanto cala o grito de gol



(Dedico a ela que flerta com os astros, que brilha feito uma estrela, que tem o sol em seu sorriso e a lua na sonoridade de seu nome ) 


16 de jun de 2017

Estrela Cadente (Jurandir Bozo)




Desculpe-me por ser quem sou
E por enxergar-te como eis
Muito além do que percebes de ti
Desculpe-me por ter sido franco e fraco
Por dizer-te a máxima verdade que nos cabia
Quando deveria era ter calado
Desculpe-me pela entrega
Por todas as vezes que neguei minhas vontades de não
Para a ti dar um sim

Ainda olho os céus
Admiro as estrelas e sonho com elas
Faço pedidas as estrelas cadentes
E isso será para sempre
Por mais que meus pedidos não se realizem nunca
Eu sou mais um banana que sobrevive às expectativas
Versos e musicas
Risos e beijos
Beijos e lagrimas
Lagrimas e fins
Fins e meios
Meios que não se justificam mais
Mas enfim
Fim

(a pontuação fica a seu critério... bem como o entendimento) 


26 de mai de 2017

Livres (Jurandir Bozo)


Riscos (Jurandir Bozo)



Eis que hoje vos digo em verdade
Não tenho medo de pecar
Afinal adoro maçã
Eu não sou santo
Se quer tenho a intenção de ser canonizado
Tampouco herdar o reino dos céus
E talvez por isso comungue dos que abraçam a vida
Dos que bebem dela sem privações
Dos que nasceram para ir alem dos rótulos
Dos que ultrapassam a projeção que fazem de se
Que não se deixam levar pela imposição do destino
Sou talvez tudo que o diabo não quer
Uma alma sem maiores pudores
Sem saco para sociais
Assim meus olhos voam
Meu peito pulsa paixões espúrias
Meu sangue jorra poesia
Talvez eu me apaixone em cada esquina
Talvez eu seja prolixo no amor
Mas quando vi você
Percebi seus riscos
Tive apenas uma certeza
Que ali onde estavas era uma esquina