5 de set de 2013

Pena de Vida (Jurandir Bozo)



Condenado I

Navego meus pensamentos em mares da monotonia
Contrario das minhas mais profundas intenções
Assim com a mente quase fazia
Vem você dançando ao vento
Feito brisa de verão
Transformar meu inferno em belos solos
Eu que buscava calmaria
Só enxergo você e seu mar revolto
Sem espaços para mais um em suas aventuras
Cego minhas tardes e o fim dos prazos
Contas a pagar e milhões de satisfações que não dei
Feito criança vivendo vida de gente grande
Como se o meu universo respirasse solidão
Num oceano de pessoas que me cercam
No ínfimo espaço de tempo
Onde a consciência não vai lhe buscar
Divido-me em mais do que poderia ser despedaçado
Partido que se perde em três ou quatro mundos seus
Que de longe fica a imaginar
Suas trincheiras e seus militantes
Suportarem dor maior que a minha
Essa que esvazia e me consome inteiro
Rouba-me as forças e cala minha escrita
Treina minhas palavras e elas condicionadas
Só chamam seu nome em gritos sinuosos
Cuja melodia soa em sonhos bons
Que ainda insisto em ter
Mesmo sabendo que sem você
Sou um condenado
Que vive com vontade de morrer


4 de set de 2013

O Incoerente (Jurandir Bozo)




Ontem a noite pedia tua presença
E o céu sem lua e as poucas estrelas
Contavam uma historia triste
Dos muitos que como eu
Amam solitários na escuridão
No anonimato das brincadeiras
No anonimato das muitas palavras
Onde se disfarçam os medos
Onde se escondem os gritos de prazer
Feito vinho derramado entre as coxas
Morada dos bichos e da poesia
Animais que se amam e se pegam
Homens que se evitam e se negam
Eu um misto de ambos
Fico entre o amor e a indiferença
E mesmo sem propagar minha paixão
Olhando em teus olhos
Para que neles enxergues meu mais profundo medo
De perder o que nunca foi meu
O que não me pertence
O medo de perder-te
De desencontrar as minhas vontades
Nunca esqueça de minhas fantasias
Não esqueça que mesmo antes de tocar tua pele
E sentir teu perfume
Eu já ma Apaixonava pela beleza de tua alma
Pela beleza que em palavras tu me guiava a descobrir-te
E se partir sem te dizer o tamanho do meu querer-te
Olhando em teus olhos
Mesmo diante de tantas contradições
Creia apenas na coerência de meu amor
Pois ele é a única verdade que há em mim