30 de dez de 2009

O Imaginário (Jurandir Bozo)



Preciso calar-me já
Calar meus olhos, minha mente
Talvez ate meu coração
Eu; o Imaginário...
Assim quem sabe não possa mais sonhar
Mas por onde seguem meus sonhos,
Se não por dentre os segredos de alguém que sei tão pouco?
Nada além das fotos e sucintas palavras,
Mas nos meus desejos ela se apossa,
Permanentemente dona de todos os meus quereres
Dos meus prazeres e pecados
E por ela rogo a Deus
Uma morte ainda mais breve
Que a esperada...
Cansado dos desvios da vida
Perco-me nas curvas e delícias desta que mal conheço
No florescer da sua juventude
Pedindo aos céus e clamando aos santos
Que se possível for
Com ela eu fale a línguas dos anjos caídos
No calor dos nossos anseios
Para que na mais harmoniosa luxúria nos profanemos
Desejos tortos de pura perversão
Na simplicidade de olhares e entrelaces de mãos.
Disfarço com meu esquecimento
E a faço ri; e com ela ate pareço normal
- Ouso dizer – quase feliz quem sabe?-
Isso numa brevidade já fadada ao fracasso
Vislumbro nele ao menos os poucos momentos de alegria...
Mas oh doce menina, nossos mundos são tão distantes,
Nossas vindas impossíveis de qualquer coincidência;
És jovem, linda, tem o mundo a conquistar,
Viagem a fazer, amores a viver...
E eu? Eu sou apenas um quase velho chato
Por vezes ultrapassado e melancólico
Frutos do fracasso de minhas escolhas,
Como posso ousar pensar diferente?
Eu apenas leio
E é como se escutasse a sua voz a chamar por mim
Eu apenas olho-lhe em recortes
E é como se sentisse seus toques
A textura da sua pele clara
E a suavidade dos seus cabelos de azeviche
Mas não! Sei ser loucura demais para um só homem.
Cansei das paixões e das pessoas
Preciso reaprender a estar sozinho e bastar-me.
Eu a rua, à noite e a lua... E junto a nós, a poesia...
Pois padeço do mesmo mal de tantos outros como eu
Que na minha pequenez não ouso comparar-me a eles
Pelas obras escritas, mas sinto-me tão convalescente quanto
Padecendo pela dor de um romantismo fora de contexto
Oh, o amor que toma o peito e rasga minha alma
Fazendo-me crer na simplicidade das coisas mais complicadas
Como se a eternidade fosse hoje, em cada momento que vivemos
E com palavras desastradas sigo sem esperar as possibilidades
Cansei da luta contra o seu domínio sobre minhas fantasias
E assim feito criança as desenho num mundo meu
Só meu, feito de segredos e silencio
Com jardins e cachoeiras, sol, mar e um rio...
Um rio que “nus” lavaria de todas as vaidades
Para assim sermos felizes para todo sempre amem...
Mas isso são sonhos, coisas desse mundo meu
 Nada mais que sonhos e delírios
Toda via, assim eles vivem, recriando O Imaginário


28 de dez de 2009

Loucura de Azrael (Jurandir Bozo)






É fim de madrugada
O dia vem nascendo sisudo
Eu e minha loucura fumamos um cigarro
Mas perece pouco diante da aurora
O que não pareceria mínimo diante dela?
A vida que grita com os passarinhos, ou...
- Quem mais Azreal* vai tomar em seus braços -
Ontem mesmo noticiaram a morte de um artista
Músico de uma banda de calcinha preta
- Grandes bostas!
Do que me serve saber a cor das suas calças
- Talvez a família in-lutada até sinta sua falta
- Mas a arte não!
Para ela pouco importa as obras medíocres
E todavia seguem os fatos
Nasce o domingo e assim em sucessão
 O ano vai se esvaindo lacônico
Noticiando efêmeras desgraças
Que não hão de adejar nada além dos fatos postos
- Mas onde me encontro agora?
- Sim seria fácil responder, sentado ao computador
Mas quero algo muito mais além que as limitações físicas
Então torno a perguntar
- Onde estão meus pensamentos nesse início de alvorada
No decurso das horas que estão por vir?
Alguém ousaria responder-me
Pois a debilidade do sono me impede de tal raciocínio
Merencório em busca de novas paixões
Que me despertem para mais uma missiva poética
Admoestando em sussurros inquietantes
Os sonhos que não calam
- Mas aí tudo volta para o amor
- E por um acaso tem como fugir dele?
Na vida tudo, amor, paixão, vaidade, tesão e sexo
O resto é crueldade com nossos instintos animais
Excesso de culpa por desejar a si mesmo
Ou ao próximo como alimento
E assim saciando os desejos só ou com outros
Estamos de certa forma mais próximos de Deus
Pois da porra do nosso pecado é que vem a vida


* Azrael = na mitologia hebraica, o anjo da morte

26 de dez de 2009

Alterego (Jurandir Bozo)





Sou apenas a casca da teoria da vaidade do raciocínio
Uma idéia, um desejo, uma fixação.
Sou a doença e a cura
O bem, o mal e o meio termo
A falta que nos enche
E o excesso que nos esvazia.
A contradição dos salvos
E a convicção dos perdidos.
Sou o que não precisar ter vida
Só um espaço para postar idéias

24 de dez de 2009

Ressaca das Máscaras (Jurandir Bozo)





Cansado das mesmas manhãs
Por vezes reluto acordar ressacado,
Como se o meu medo do vazio
Tomasse os espaços vagos em minha vida
E ocupasse os cômodos da casa.
Assim ao levantar ponho as máscaras
As que forçam o sorriso
As que fazem os outros rirem
Já sem perguntas, sem satisfações
As horas correm lacônicas
Mas ainda escolho caminhos já percorridos
Esperando das convenções as perguntas
Com a óbvia resposta
- Tudo bem e você?-
Quem,  além de mim,
Dentre esses tantos que festejam a minha volta
Sabe para onde vão meus olhares,
Dançando lento num baile de vaidades,
Querendo saídas, maquiagens e novas fantasias,
Sendo eu numa verdade particular,
Expansivo na imensidão dos desejos,
Trancado entre carnes, sangue e ossos?
A visão presa a mim cega as claras
Pois a escuridão das meias palavras me conforta
E espero do destino a surpresa
Olhos de banco
Depósitos de historias
Cansado de filas
Das manhãs que me fazem acordar
Quem dera dormir para sempre
Quem me dera não acordar mais
Esquecendo o estoque de máscaras
E tudo que nunca saberei de mim.
Depositando no peito o que mais me esgota.




20 de dez de 2009

Receio de Sentir (Keilla Riani)



Fico me perguntando
o que há de errado em sentir profundamente cada instante!
Observo as pessoas
e percebo o quanto prendem o próprio sentir.
Distantes de si mesmas,
buscam formas para amenizar a dor da solidão.
Alguém se aproxima...
Uma possibilidade de melhor conhecer,
abrindo espaço para o novo;
e de repente...
O receio da dor!
Dor?
A dor de não se conhecer;
Não se sentir;
Não confiar;
Não amar!
A dor que incrivelmente inunda corações,
por mal saber o quanto faz bem um abraço,
um beijo, um carinho, uma carícia!
Escolhem viver em conchas, como pérolas...
Ao invés de enfeitar a vida com suas presenças!
Triste! É triste perceber a carência do calor humano,
do verdadeiro sentir; em nome da vergonha, timidez...
Uma observação:
Só não vale dizer depois
que a Vida não colocou pessoas encantadoras em seu caminho...
O encanto está em todos os lugares;
principalmente dentro de cada um!



(Texto roubado do lindo blog Tudo tem seu tempo da autora Keilla Raiani)

OS Olhos de Guerreira. (Jurandir Bozo)





Uma guerreira ou uma musa?
De origem irlandesa vem o teu primeiro rotulo?
Então como posso eu aqui distante interpretar
Teus olhares comunicativos e recônditos
Teu charme, tua beleza...
Como se tentasse voltar ao mesmo sonho
Eu percorro as tuas avenidas extensas
Observando tua vitrine virtual
Essa é a modernidade; não...?
Um quase estagio para detetives e espiões de brinquedos (rs)
Num tele transporte de palavras e imagens
Em downloads e beckups
Tento apenas codificar tuas senhas
Abrir tuas historias e saber mais de ti
Será? Mas ela me soa moderna atrevida...
E assim sobre quatro rodas ela desfila
“Perdida no mundo” das gerais
Ela de longe me enfeitiça
Num carnaval saudoso de confetes e serpentinas
Ela usa as máscaras da vaidade, as mais belas
Ela recorda amores e não se importa de beijar
Os feios e os amigos (RS). Ela não se importa em beijar...
Ela é moderna sim, mas gosta do bom e velho rock roll
Ela parece mais que qualquer coisa que consiga descrever
E mesmo assim tanto
Pois para ela até o sarcasmo pode ser romântico.
Ela nunca fica sozinha, - mas nisso eu não acredito-
Eu paro estático, perplexo
Na esperança que teus olhos se comuniquem ainda mais
Assim quem sabe, eu possa saber da tua Fortaleza
Sensual e magnética, decidida e independente
Calada e astuta, teu silencio se faz quase uma arma
Na força do teu nome
Então renegue o ciúme, as manias
Renegue as miudezas da vida desses mortais que te cercam
E sublima o teu sagrado mais profano
O teu belo que encanta e envolve mesmo longe
Nessa forma de ser-te como és
 Fortaleza de guerreiras
Ou Apenas a bela Keilla
De olhos expansivos e recônditos
Pois eles nem sempre dizem tudo


Dos teus olhos vieram meu fascínio, e assim por tua beleza e simpatia surgiu um singelo poema que talvez não traduza um terço do que teus olhos me dizem... Mas as emoções nas palavras se perdem e assim sem entendê-los eu ouso e escrevo. 
Para Keilla Riani, em tua primazia de ser mulher numa totalidade de charme e encantos.
 

17 de dez de 2009

Contatos Intermediados (Jurandir Bozo)




O que esperar do acaso...
Afim das proximidades e distâncias dos anos
Será então possível, na disparidade do que vivemos,
Obtermos contatos mais afáveis...?
E logo pelo esquecimento
Fez-se visível um ser presunçoso de vaidades (Eu)
Na elucidação dos elogios de outros que nos aproximou
O que sei de ti além do que mostra o teu perfil
Fotografias e discrições recortadas e escolhidas
Para transparecerem quem és pelo teu olhar
Banhado em risos e de peculiaridades que me intrigam
Numa jovialidade aparente entre bolsas e viagens
Qual será teu desejo mais obscuro
Num último dia de carnaval?
Assim te imagino quase lacônica
Palavras que sabem fugir dos meus olhares atentos
 Entre o medo que meu engano provocou
E o acanhamento de imaginar-te despida
De todas as máscaras e pudores...
A impressão imprecisa de ti que hoje tenho
Entre dores e delícias da modernidade fria
Permeiam o caminho dos meus encantos
Dos meus sonhos e delírios;
Não apenas pela óbvia beleza que trezes contigo,
Pela juventude ou pela intimidade com as águas e com a natureza
Com quais venenos essa mesma natureza lhe presenteou..?
Que mal descobristes em tua tão recente vida,
Além do charme que exerce em extravagância
E que a faz sorrir de alma ainda ingênua,
Com olhos que falam por ti e por si
Numa comunicação com os deuses do universo que te cerca
Seja da terra, seja da água, seja do ar
Todos eles, assim como eu, já se rederam
Aos teus mistérios e encantos



Para uma linda moça que a curiosidade me fez conhecer, esquecer e reencontrar.
A tua beleza menina é única e com ela a vida que te cerca torna-se inédita como uma surpresa constante, seja aqui, ali ou ate mesmo na áfrica... Sempre será o que és em plenitude e primazia.


A linda menina Karla.

Jurandir Bozo (para tu, Karlita eu tiro todas as mascaras)
 

16 de dez de 2009

A Exceção e a Regra (Bertolt Breht)





Estranhem o que não for estranho
Tomem por inexplicável o habitual
Sintam-se perplexos ante o cotidiano
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra

9 de dez de 2009

Na Percepção da Feira das Vaidades. (Jurandir Bozo)



A distancia permanecia estética
O transito estático
Atrasado entre os fracassos apenas eu
Livrando-me das trombadas
Na multidão da feira
Por pontos milhões de pontos
Os continuativos que nos leva ao final
Historias, ocultismo, filosofia e ciência
Enquanto meu ego ator cansado
Ouvia estarrecido a pessoa que me tornara
Discursar vaidades nos corredores das “estrelas”
Oralizar de forma pessoal seu próprio marketing
De uma mercadologia ultrapassada
Com risos que lentamente apunhalavam
O resto de ser-me
Eu um louco, preguiçoso e fracassado
E do que me serviram tantos ouvintes
Na percepção da feira das vaidades
Se minha verdade nunca foi pronunciada
Eu de tantos nomes e fantasias
Eu de tantas formas e tonalidades
Eu veado, tarado e adultero
Não ponho mais a prova minhas crenças
Apenas não as tenho mais
Cépticista sectário do absurdo vazio que acredito
Com minha lubricidade extravagantemente romântica
Eu de uma malícia quase ingênua
Fissurada nas possibilidades que não me pertencem
Talvez em outros mundos
Apenas queira buscar-me numa lacônica finação
Onde minha loucura passe cega e despercebida