31 de mai de 2012

Démodé (Jurandir Bozo)





Penso que já seja tarde para ainda esperar
Quando se percebe na mais plena monotonia
Não se tem saco para filosofar sobre finais edificantes
Apenas se constata as ausências
O amor que não veio
A grana que faltou
A foda ínfima e insatisfatória
Penso e logo hoje resolvi listar prioridades
Velho mais que os anos que meu RG constata
Sou ainda o idiota que escreve poesia
Que espera viver paixões
Paixões reais e acaloradas
Com dramas e dilemas complexos
Com exigências e pactos de sangue
Ou mesmo as mais leves e insossas
Tudo certo demais, dia pra trepar
Domingo com macarronada e sem futebol
Aquelas que ainda exige andar de mãos dadas
Eu me ariscaria a viver essa chatice
Viveria hoje qualquer paixão que me acometesse
Virtuais até
Das que se exibem na distancia
As que motivam a fantasia e a masturbação
Sem beijos, sem toques e sem cheiro
Mas mesmo assim eu viveria uma paixão virtual
Pois ao menos seria melhor que nada.
Melhor que a espera que vivo hoje.



15 de mai de 2012

Vazio (Jurandir Bozo)




Não passam de repetições
Sentimentos que conheço
Ânsia que a fumaça não leva
Dentro de mim mil vozes em coro
Que gritam, choram e reclamam
Que alimentam conselhos antigos
Aqueles que ainda não assimilei
Hoje mesmo ciente dos defeitos
Já me falta força para concertar-me
Então eu deito e olhando fixamente para o céu
Vejo parado o mundo girar
A festa das estrelas em pleno universo
Como se todas elas rissem de mim
E eu com a face levemente molhada
Escorro entre as lembranças e as fantasias
Necessidades que consomem minha poesia
O discurso improvisado aos que faltaram
Olhares não compartilhados
Nem antes e nem depois de mim
A história esta sendo contada agora
Resume-se a imensidão do meu vazio



8 de mai de 2012

O Oceano dos Teus Olhos (Jurandir Bozo)





Há um oceano em teu olhar
Mistérios e dor
Um humor agridoce
E assim rodando para o desconhecido
Para outras praias voam meus pensamentos
Os sonhos que rejeitas acordada
Tomam minhas noites e te trazem pra mim
Os encantos que nem o sofrimento
Em sua mais plena representação de horror
Consegue apagar do teu sorriso
E assim enredado em tuas histórias
Fico a ler adivinhações e curiosidades
Revisitando orações do meu discurso passado
Sendo apontado ou julgado
Como outros tantos pagãos
Mais agora a sentença me preocupa
Saber o que pensar
Saber o que pensa das coisas
Saber mais de ti
Mais do que minha fértil imaginação
Que desenha no escuro tuas curvas
Pode impor ao pecado a inocência
O que já não existe em mim
A esperança dos tempos de criança
E assim leve 
Ir a porta do céu
Gritar teu nome
Ser ouvido pelas estrelas cadentes
 Só para elas atenderem meu desejo
E trazer-te para perto de mim
Sem critérios predefinidos
Sem pensarmos em certo ou errado
Apenas termos a certeza
Que tudo era real ali
E que nos veremos de novo
Não nos sonhos que negas acordada
Mas em praias bem menos distantes
Pois o rio que escorre do oceano dos teus olhos
Acaba agora por desaguar em mim