24 de mar de 2012

"Ausências"... (Gi Moreira)





me falta algo...

eternamente...

tudo que escrevo

tem "ausências"....



Conversando no msn com uma amiga de Minas a poesia simplismente nasceu nas palavras a mim ofertadas por ela. E esse momento é umas das coisas mais lindas que ainda vivo em plenitude. A poesia que abita no outro e de forma natural é pela vida ou pelas circunstancias é expelida. 
Giselle M. Silva grato por mais esse momento! 

A Velha Vontade de Morrer (Jurandir Bozo)




Hoje me veio àquela velha vontade de morrer
Dias longos e quentes onde os olhos se predem
E o choro feito azia entala no estomago
O resto é a mais pura representação da chatice
A não funcionalidade das coisas
O telefone que não toca
A TV reprisando um jogo sem gols
A merda de vida que vivo
E todos os clichês ainda me amarram aqui
Ao mesmo ciclo de perguntas sem respostas
Assim pronto ao nível dois da introspecção
A solidão se quer me permite a piedade de alguém
Quem mais sabe de minha existência alem de mim
E na cama meu deserto se agiganta
Perdido nos medos que sempre protelei
E ainda assim não consigo chorar
Espaços vazios e eternas contradições
Os defeitos que ainda não venci
Os defeitos que não vou vencer
Talvez isso seja a conformidade do enfermo
Aceitação da força do vicio sobre o viciado
E quem nunca se sentiu assim
Derrotado
Que me julguem os vencedores
Com eles já estou acostumado
Olhos acusadores e gestos que apontam
Todos os protocolos que não consigo cumprir
Padrões de patrões da ordem das coisas
Profetas e poetas do amor e da piedade humana
Pastores da guarda real do mais divino valor
Aos bem feitores dessa nova ordem
Meus mais sinceros pêsames
Por essa imagem de Deus assim como eu
Hoje também fracassou
Só em voltar a sentir
Aquela velha vontade de morrer


16 de mar de 2012

Luz Vermelha (Jurandir Bozo)




É doce o amanhecer
Mesmo acostumado a ver o sol,
Ainda me seduzem teus fascínios
Assim são teus encantos avermelhados
Que me prendem a madrugada
Pensamentos esvoaçantes
Fixados a imagem dos teus decotes
Ao contorno das tuas coxas
No curto comprimento dos teus vestidos
Convite indizível ao imaginário
O que mais me atraí em te
Não é teu ar sexy fatal
Ou uma tradução quase vulgar
Da alternativa contemporaneidade feminina
O que me move a te
São teus mais contraditórios esconderijos
Toques de borboletas
Amizade do século XXI
E perceber que entre historias e excessos
Mora uma doçura terna em teus beijos
Como poderia imaginar
Que tua cede fosse alimentar minha fome
Rajadas de culpa da tua arma insegurança
Acertariam o coração
De todos os meus poemas
Eis tu e mais ninguém
Franca atiradora de flores tatuadas
Que oferta-me a delicadeza que me falta
Preenche-me vazios antigos
Um único momento bastasse
Para recarregar-me da energia que desperdiças
Volto então meus olhos a tua infinita beleza
E como eis bela feito o sol
Eu que tanto falo, diante de te, fico em silencio
Contemplando a ineditude dos acontecimentos
Ainda preso a forte lembrança
Que impregnou em mim
Pois mesmo nos dias mais nublados
O que guardo em meu peito
É a saudade da tua luz



13 de mar de 2012

Equívocos ? (Jurandir Bozo)




Eu prefiro muito mais
A superficialidade das paixões
Profundas, quentes e intensas.
Que a frieza do que chamam e vivem
Como amor verdadeiro.
Prefiro os sintomas da doença
Que os efeitos colaterais dos remédios
A síntese poética, a uma saga formal e previsível 
Mas vale a decepção que um covarde preconceito
Assim torto, largo, espaçoso
Sigo vazando sinais
Afinal o vermelho sempre me caiu bem
Gosto do único, do novo
Antes o toque arriscado da pancada afoita
Que a segurança da solidão contida
Pelo esmo ou pelo tato
Nossas precauções não mudam as estrelas de lugar
Mas a ousadia muda toda nossa historia
Por isso que ainda prefiro as paixões
Seus equívocos
E ate mesmo sua brevidade
Que a certeza do amor
E seu monótono prazo de validade. 



9 de mar de 2012

O Planeta das Borboletas (Jurandir Bozo)




A beleza e a leveza das borboletas
É algo até certo ponto comum
Coisa que só os estudiosos
Conseguem perceber
Com os mais profundos detalhes
Para todos os outros
Elas são simplesmente belas
Meus olhos mesmo
Se predem feito um ima
A acompanhar teu intimo vôo
Traçando um enredo
Sem mentiras, sem mascaras
As costas e alma nua
Tímida em aceitar
Formas exageradas de observações
E como é bom ver teu sorriso
Ele vem do nada e ganha cor
Vem num colorido metalizado
Meio que com vergonha
De atrair ainda mais atenções
Prefiro hoje então
Ver e enxergar o belo
O que estar a minha frente
Olhos de tantas historias
Que não conseguem traduzir
Meus mais ingênuos olhares
Antes mesmo de ver-te assim
A imaginação vagava só
Indo ao encontro do teu belo
Encantos que fundem certezas e duvidas
O universo que nos apresenta
Vezes possível, vezes intransponível
Vejo tudo assim como se estivesse distante
Feito um planeta que de longe admiro
Fascinado a cada mudança de estação
Observando as rotações de humor
Novos ângulos que filmo
Com a velha e imprecisa luneta
 Assim entre as brechas
Que as palavras nos permitem
Confabulo minha fantasia mais real
Brincando de dizer-te verdades minhas



8 de mar de 2012

Em Chamas (Jurandir Bozo)



Meu corpo arde em chamas
E com cara de quase gozo
Minha boca ainda sente seu gosto
Mas nem isso me prende a você
Ainda me sinto só
Por mais que seja nítido
Que você esta em mim
O respeito a nossa liberdade
Não nos permite
No calor que me queima
Ou na saliva que evapora
Febril chamo por seu nome
Por mais certeza que tenha
Que nem você nem seus comentários
Vem aos meus vazios
Eu venho e escrevo
Escrevo para o que criei
Mas sem respostas eu vejo
Que escrevo pra ninguém
Que não
Para mim mesmo


6 de mar de 2012

Somos Mais... (Jurandir Bozo)



Ninguém sabe mais que eu
Quão profundas são as tuas ondas
Como elas atravessam as noites
Feito um tiro que acerta meus sonhos
Meus pensamentos, minhas vontades
Me deixado acordado
Tonto em meio às certezas de outrora
Onde tudo parece resolvido
Quando comparado aos teus beijos
Aos teus toques
Ao som quase rouco da sua voz
Minhas resoluções destoam
Diante da gigantesca lembrança
Que teu cheiro deixou em mim
Diante de tua beleza
Todo resto do poema se encolhe
E eu menino perdido
Fazendo “mal criação”
Lutando para não lembrar
Lutando por me sentir dominado
Pela tua mais plena liberdade
Mas não tenho a pretensão
De com palavras tocar-te os seios
E com elas descobrir teus segredos
Tão pouco de abri-los
Ate alcançar teu coração
E nele tatuar meu nome
Antes de querer ser eterno
Quero apenas ser presente
Que o esquecimento nunca te leve de mim
Eu juro ser para todo sempre
O que antes combinamos sentir
O que é mais verdadeiro em nos
Coloridos ou preto e branco
Somos mais que “ficantes”
Somos mais que namorados
Mais que amantes
Somos amigos.



4 de mar de 2012

O Doce Gosto do Risco (Jurandir Bozo)




Assim desafiaram o medo
Secos e molhados
Nossos lábios amigos
Refletiam arco-íris em nossas cabeças
Reafirmavam cantos e contavam os contos
Segredos publicados em porta de banheiros
Expostos ao nosso publico privado
Que não sabiam nada sobre nosso cheiro
Nossos espaços reservados aos outros
Aos poucos que nos querem bem
Aos muitos que nos criticam
Mas perto de você
Minha coletividade fica egoísta
E mesmo já tendo gritado em voz alta
Toda minha cartilha de vivencias
Mando a merda os meus conceitos
Digo agora bem baixinho
Para que leia aos seus ouvidos
-Sua confusão não me convence-
Você é a bela das belas
A que faz surgi em mim a poesia
Fui bem antes rendido por seus encantos
E até chegarem a mim suas queixas
Seus beijos me faziam vitima
Da beleza que vejo e sinto em você
E que em muitos dos meus pensamentos
Ecoam chamando seu nome
Tão confusos quanto os seus
Talvez sejam mesmo, tão quanto
Mas certo que seus fascínios
Levam-me a caminhos de riscos
Eu a muito que sei
E mesmo assim eu vou
Por você eu vou ao risco
Por você eu me deixo ir e arisco
Sereno, ciente, calmo, sem expectativas
Não espero mais
Do que o instante possa proporcionar
A mim
A você
A nos
Ontem.
Hoje?
Amanha...
Para todo sempre!

A Tua Boca (Jurandir Bozo)




A tua boca roubou-me a atenção
E nela suas palavras
Numa quase tortura saborosa
Escorregavam certeiras
Em tons que me acendiam...
Ouvia atento seus brinquedos proibidos
Enquanto proferias sentenças ao passado
Relatos e ousadias
Para o que ainda parecia não conhecer
Assim aos que desfrutaram contigo
O seu melhor seguiu desacompanhado
Deixando delicias e encantos
Os mais fundos suspiros
Seus lábios, outros lábios
Tantos e quantos delírios
Cabem em uma só noite com você?
A tua beleza incendiava meu olhar
E mesmo próxima
A distancia que restava permanecia
Como se nunca fossemos nos tocar
E assim ficava mirando seus lábios
Queria mesmo era uma tatuagem a esmo
Com a cor quente do seu batom
Algo que eternizasse  
O rastro que sua beleza emana
Ausente, eu não abstraio
Imaginando com malicia
Suas delações intimas
Contextualizando em sensualidade
Sua desconfortável sapatilha amarela
E o curto vestido estampado
As coxas grossas, os olhos devoradores
O humor jovial a disposição ao atrevimento
O show estava quase completo assim
Seu vento chegando aos meus segredos
Exótico, eu me sentia esquisito aos demais
Deixava-lhe a temporalidade do seu coletivo
Mas sem espaço para dar-lhe o que mais queria
Eu resolvi apenas ir
E fui ainda querendo ficar
Com a premissa do beijo que não dei




(Poema postado em 03/11/2011, mas a verdade é, que o sinto como se tivesse reescrito ontem...)

A Queda das Mascaras (JurandirBozo)





(Ana Sem Perguntas ou Respostas)

Desde o inicio da Festa
Que aguardo o Pós Aplausos de Ana
De corpo costurado por emendas e enfeites
Canso da fogueira das minhas vaidades também
Canso das pessoas que cercam os canapés
Canso das minhas reinvenções
Pois Ana continua longe
Mesmo com a Recorrência de poemas
Os Olhos e Risos de Ana
Voam para um espaço inóspito a minhas vontades
Desconstruindo o meu Imaginário
A Fuga de Ana dói no meu peito e nos meus olhares
Pois com ela as cores das minhas mais profundas mascaras
Perdem o brilho e não mais servem para o carnaval
(O carnaval Ana precisa sempre de brilho e cor)
Já sabemos quem seria Ana e seus plurais mais singulares
Ana e Anas até já se encontraram
Ana e Anas não se entenderam
Não se leram talvez como deveriam
E esse quem sabe não é o motivo da sua partida
Eu caio do sonho e deixo minhas mascaras no chão
Minhas costas não me toleram
E sobe pela coluna um arrepio de dor
Que assustadoramente me invade a cabeça
E me roubam os pensamentos, os pensamentos de Ana
Ficando em mim apenas um pouco das fantasias já descritas
E uma vontade de que Ela um dia possa voltar para mim
Para com um beijo encantado de desejo
Poder me despertar fazendo-me dormir
Mas não creio que ele volte pra mim
Sei que Ana chegara de sua viagem em breve
Voltara em fim do seu planeta e estrelas
Onde moram seus prazeres e delicias
Ana voltara mas voltara talvez para mais longe
Lugar onde meus escritos não chegam a Ana
Com a força para encantar ou seduzir
Ana não se sentiria seduzida por loucuras poéticas
Não creio que minhas sandices mais conscientes
Trilhassem o caminho dos sentimentos de Ana
E assim pudessem desguarnecer sua armada
Ana tem força para lutar mil batalhas
E artifícios para ganhar milhares de guerras
Mas o que quero eu de Ana
Se não tomá-la em meus braços
Olho a olho nos defrontarmos com um céu estrelado
E em fim sentir de Ana todos os seus sabores
Mas estou escorrendo lembranças no chão frio
Já não tenho palavras para alcançar Ana
E sem palavras o poeta morre de peito vazio
Na duvida entre o ser real ou o ser fantasia
Sou a soma das incertezas de Ana
Que parte de mim para ir embora
Para outros universos e estrelas
Ana se vai sem deixar respostas
Para outros mundos e outros poetas





(Postada em 15/12/2010)

A Fuga de Ana (Jurandir Bozo)




 (Ana V)

Amanheceu
E o calor me leva ao chuveiro
Deixo então a água tocar-me
Desliza sobre mim
Como se levasse com ela
À noite ainda mal dormida
Molhado, sinto-me sufocar
Entre as paredes brancas da sala
Que já não são refúgios
Como se o mundo que criei
Estivesse em escombros
E todas as Anas que havia em mim
Estivassem em fuga
Escorrendo pelas palavras e lagrimas
Saiam pelas brechas das portas
Pelos ralos das pias
Todas as Anas que sonhei
Já não mais conseguia prender-las em mim
Faltamente um dia elas iriam embora
E disso eu a muito já sabia
Mas observava tudo na terceira pessoa
Atónito sentia-me alheio ao processo
Perdia o pouco que tinha de Ana
E seus plurais mais singulares
Depois de uma noite de luta
A possível vontade de Ana
De querer partir de mim
Venceria meu desejo
Para que ela permanecesse comigo
Como convencer ou viver sem Ana
Se até o apartamento já sentia sua presença
Se meus lençóis já absolveram
O cheiro que havia lhe dado
Intensa fugaz foi minha paixão por Ana
Derretendo-me vou ao encontro do chão frio
Feito água escoro a recordar
Escondido e transpirando pelos olhos
Os amores e fantasias que já perdi
Arrancando de mim com força as expressões
Tatuadas em meu rosto quase morto
Que gritava ao perceber-se despido
Exposto, sem mascaras, maquiagem ou fantasias
Olhando para o nada como se avistasse algo especial
De mim saiu sangue transparente feito cor de sonho
E saía também a essência do que era Ana em mim
Do que era Ana aqui em minha alma
Indo para o desconhecido sem perspectiva de voltar



(Postado em 15/12/2010)