24 de nov de 2014

O Riso D’Ella (Jurandir Bozo)





Ela quando olha pra mim
Sorrir
E eu de tanto olhar pra ela
Fico tonto imaginando seus sabores
Recordando seu cheiro
Sua cor de terra do sertão
Seu ar de inocente
Que guardo nos olhos
A pureza dos que não descobriram o pecado
E assim sem peso
Ela olha pra mim
E sorrir
Seu riso e cheio
É grande feito um rio
Repleto do que eu ainda não sei
Mas é algo que mesmo desconhecido
É de uma beleza tão grande
Que fico sem conseguir
Tirar meus olhos do riso D’Ella

4 de ago de 2014

Um Novo Poema Para Um Olhar Cansado (Jurandir Bozo)



Volta à madrugada como se fosse à primeira vez
Deparando-me com um silencio quase lacônico
Meus pensamentos prolixos se perdem
Não encontrando as tantas certezas que tive um dia
Não me resta mais a inocência
Não me restam mais as paixões
E assim como se tudo fosse escassez
Meus olhos esperam o nascer do sol
Para que enfim possam descansar
Dessa noite que parece não ter fim

Já não me sinto a vontade com as indefinições
O tempo passou e quando me deu conta
Ainda me percebo criança
Uma criança sem brilho no olhar
Sem esperança em seus sonhos
Uma criança cujo mundo imaginado desabou

Onde está o pai que nunca tive?
Seus ensinamentos que não me foram exemplo
Serviram para que percebesse do mundo a crueldade
Que nunca desejei a ninguém

Sozinho
Deixo que meus defeitos afastem de mim os que mais amo
Hostil a qualquer afago que não seja recompensado
Entrego-me então aos que nunca acreditaram em mim
E mesmo assim não me sinto perdedor ou fracassado
Eu apenas cansei de tantos arrodeios e meias intenções
Dessas que vem com palavras moldadas

Quero amanhecer nu
Tentar livrar-me da empáfia que a vaidade me enrustiu
E entendo que por muito tempo precisei dela como escudo
Aos ventos soprados contra mim de bocas hostis

Mas o dia já esta pra nascer
O sol iluminará a ignorância de agora
Despertando outros olhares
Ou novos poemas 


(Aos que como eu, já sofreram acordados em alguma madrugada... Dedico esse singelo poema repleto de verdade e fantasia...)