26 de mar de 2017

Sossegada (Jurandir Bozo)



Leve feito pó
Assim se perpetua a sua lembrança na Iris dos meus olhos
E como queria que ela se visse refletida em mim
(Sem o peso da culpa que carregamos nas mãos)
Com seu sorriso quase inocente e safado
E suas pupilas dilatadas de vida
Eu atônito
Pasmo com seus encantos
Eu suscito
Ali minhas palavras eram desnecessárias
Ela se bastava no espaço
No tempo
No ritmo
Na minha imaginação pronta para o crime
Eu resignado a admirar e ouvir
Ela a enfeitiçar e deixar as coisas mais coloridas
Com todos os filmes e seus finais
Mas seus sinais me mandam parar
Porque ela não precisa ser vista ou descoberta
Ela sempre foi
Ela é
Amiga
Amante
Parceira
Ela é o que quer 
E ai de quem não entender o seu espaço
Pois ela não manda manual
E assim única
Feito uma paisagem no céu
Ela sem se repetir

Vesti-se e me diz adeus.


(Dedicada a uma das mulheres mais fascinantes que já conheci, e que tenho a sorte de desfrutar de sua companhia e amizade desde de sempre, amém.)