16 de jun de 2017

Estrela Cadente (Jurandir Bozo)




Desculpe-me por ser quem sou
E por enxergar-te como eis
Muito além do que percebes de ti
Desculpe-me por ter sido franco e fraco
Por dizer-te a máxima verdade que nos cabia
Quando deveria era ter calado
Desculpe-me pela entrega
Por todas as vezes que neguei minhas vontades de não
Para a ti dar um sim

Ainda olho os céus
Admiro as estrelas e sonho com elas
Faço pedidas as estrelas cadentes
E isso será para sempre
Por mais que meus pedidos não se realizem nunca
Eu sou mais um banana que sobrevive às expectativas
Versos e musicas
Risos e beijos
Beijos e lagrimas
Lagrimas e fins
Fins e meios
Meios que não se justificam mais
Mas enfim
Fim

(a pontuação fica a seu critério... bem como o entendimento) 


26 de mai de 2017

Livres (Jurandir Bozo)


Riscos (Jurandir Bozo)



Eis que hoje vos digo em verdade
Não tenho medo de pecar
Afinal adoro maçã
Eu não sou santo
Se quer tenho a intenção de ser canonizado
Tampouco herdar o reino dos céus
E talvez por isso comungue dos que abraçam a vida
Dos que bebem dela sem privações
Dos que nasceram para ir alem dos rótulos
Dos que ultrapassam a projeção que fazem de se
Que não se deixam levar pela imposição do destino
Sou talvez tudo que o diabo não quer
Uma alma sem maiores pudores
Sem saco para sociais
Assim meus olhos voam
Meu peito pulsa paixões espúrias
Meu sangue jorra poesia
Talvez eu me apaixone em cada esquina
Talvez eu seja prolixo no amor
Mas quando vi você
Percebi seus riscos
Tive apenas uma certeza
Que ali onde estavas era uma esquina 

24 de mai de 2017

Dia 03 de Abril (Jurandir Bozo)



Antes que nossos caminhos se estreitassem
Eu já não enxergava nada
Vitrines
Propagandas
Manchetes
A vulgaridade cotidiana das cidades grandes
Nada alem isso
Bastava-me o meio
O quase
Incompleto
Na frieza das amizades virtuais
Posts
Likes
Compartilhamentos
Eu em processo
Volúvel
Volátil
Um descrente cansado
A caminhar vagarosamente para a linha do infinito
A seguir sem medo do fim
Cuspindo certezas
Engolindo duvidas e confusões
Algo tipo uma poluição cronológica
Entre as decepções e as esperanças
Dos anos que até hoje sobrevivi
Muito alem dos meus pecados
Das infrações e crimes
Minha sentença foi longa
Condenado as convenções
Forçado a viver e sorrir
Mas a pouco sentir sua presença
Seu cheiro
Eu quase lhe vi
Quase fui ao seu encontro

Quase



26 de mar de 2017

Sossegada (Jurandir Bozo)



Leve feito pó
Assim se perpetua a sua lembrança na Iris dos meus olhos
E como queria que ela se visse refletida em mim
(Sem o peso da culpa que carregamos nas mãos)
Com seu sorriso quase inocente e safado
E suas pupilas dilatadas de vida
Eu atônito
Pasmo com seus encantos
Eu suscito
Ali minhas palavras eram desnecessárias
Ela se bastava no espaço
No tempo
No ritmo
Na minha imaginação pronta para o crime
Eu resignado a admirar e ouvir
Ela a enfeitiçar e deixar as coisas mais coloridas
Com todos os filmes e seus finais
Mas seus sinais me mandam parar
Porque ela não precisa ser vista ou descoberta
Ela sempre foi
Ela é
Amiga
Amante
Parceira
Ela é o que quer 
E ai de quem não entender o seu espaço
Pois ela não manda manual
E assim única
Feito uma paisagem no céu
Ela sem se repetir

Vesti-se e me diz adeus.


(Dedicada a uma das mulheres mais fascinantes que já conheci, e que tenho a sorte de desfrutar de sua companhia e amizade desde de sempre, amém.)