12 de dez de 2016

NUD ( Jurandir Bozo e Carmem Roberta Tabêrro)


Modelo Carmem Roberta Tabêrro


Eu quero um nud de seu coração
Mas não vale desenhos
Quero sua carne e seu sangue
Tudo nessa poesia

Quero um nud da sua alma
Cheia de vidas e carmas
Quero a poesia na sua forma mais pura e devassa

Quero a vida e as Carmens
Oscilações e instabilidade

Quero perigo, verdades fabulosas

Quero amenidades profundas 

Uma combinação perfeita da loucura que emana de você 
Quero a erupção seguida da calmaria

Quero seu olhar e seus gemidos
Seu ritmo e sua transpiração

Quero o cheiro da sua pele
O cheiro da sua excitação

Quero o gosto 
Do seu gozo e dos seus sonhos
Para juntos acordarmos
Ate que juntos adormecêssemos 


(Como foi gostoso dividir esse poema com ela... Carmem Roberta Tabêrro, uma estrela em acensão, excitantemente brilhante... Espero entrar-te mais vezes por aqui...)

9 de dez de 2016

Se te queres matar, porque não te queres matar? (Álvaro de Campos)



Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!
Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...
A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é a coisa depois da qual nada acontece aos outros...
Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...
Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste;
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.
Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência!...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem,
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente:
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

(Alvaro de Campos era um dos heterônimos usados por Fernando Pessoa...)

8 de dez de 2016

Despretensiosa (Jurandir Bozo)




Ao chegar a meus olhos
Teu sorriso me iluminou
 E foi tão sem querer encontrar a tua luz
Que quase me perdi
De mim... dos meus...
Do que preciso ainda descobrir de ti
Entre as tuas pernas cruzadas,
Teus risos e teus encantos
Um charme quase perdido
Na profundidade do teu olhar
E eu sem certezas
Sem bom dia
Sem diálogos
Sem mais
Respostas e perguntas
Tua beleza
E a ponta de tristeza que vem de te
Assim despretensiosamente
Me rouba os pensamentos
E não me deixa dormir


29 de nov de 2016

Necessidade (JurandirBozo)




Minhas mentiras são as mais puras verdades
Num trafego de sonhos e frustrações
Posto isso, o resto é mediocridade...
Palavras vãs, verbetes;
Sinto falta da vontade de morrer
Daquela forma eu me sentia vivo
Quiseras eu chamar-te a atenção
Quisera eu que tu me notasse.
Creio sim em assombrações,
Nas sombras do meu quarto elas aparecem
E as chamo de Amor,
Paixão,De Solidão e Esperança...
Quando mar sou criança e brinco
Quando noite sou marginal e amo
Amo por amar,
Brinco pela mais pura necessidade
Ou o contrario...
Brinco por brincar
E amo pelo mais puro egoísmo...


20 de ago de 2016

Sina (Jurandir Bozo)



Assim
Meio que arrancando
Extraído
Chão
Queda
Moral
Ética das pretensões
Vaidade
Avareza
Bem mais que um pouco de nos
Correntes
Rios e grilhões
Represa
O que não mais deságua
Recordações
Saudades
Peito encaliçado
Suprimido
Mudo
Tradição da complacência
Conivência
Politicagem
Ganhos e lucros
Resultado
Dominação
Hegemonia
Etnias que se esquecem
Miscigenação
Liquidificador
Modernidade
Arco-íris
Cor de gente
Bronzeado
Trabalho
Suor
Esforço e lagrimas
Sonhos
Ideais
Esperança que não se acaba
Persistência
Aprendizagem
Vocabulário
Soletração
A noticia que grita nas ruas
Realidade
Vídeo e som
Poesia
Historia
Roda
Destino
Inicio
Meio e fim
Mortos e feridos
Sequelas
Flores e funerais
Nascimento
Continuidade
Ciclo
Vida
Sina

18 de jun de 2016

Sozinho... (Jurandir Bozo)




Vazio
O espaço em abundância
Em mim
Vazio
A solidão é o que sobra
De mim
Vazio
Acordando de todos sonhos
Vazio
Fim
Vazio
Vazio


24 de mai de 2016

Sonhos, Desejos e Assombrações ( Jurandir Bozo) V Parte


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Para podermos começar essa historia temos que primeiro saber um pouco sobre o tradicional bairro do Jaraguá, um bairro da cidade de Maceió, capital do estado brasileiro de Alagoas. E que em grande parte contribuiu para o desenvolvimento da cidade de Maceió por conta do seu porto, o Porto de Jaraguá, que possuía um localização privilegiada na primeiramente capitania, logo após, província de Alagoas. Graças ao porto, a cidade alcançou um crescimento tal que motivou a mudança da capital da província para Maceió. O local passou a ter um grande fluxo de comércio, contando com muitas lojas e armazéns.

Na segunda metade do século XX veio à decadência do bairro, sendo aos poucos abandonado, tanto pelo comércio quanto pelos moradores. Na década de 1990, a prefeitura iniciou um projeto de revitalização, restaurando ruas e casarões. Boates e casas de shows foram abertas, assim como uma faculdade privada, a Faculdade de Alagoas (FAL), e mais agências bancárias. Porém, nos últimos anos, o bairro novamente sofreu desvalorização, a despeito dos constantes investimentos dos governos locais.

O bairro é sede da Prefeitura, do Museu de Arte Brasileira, da Associação Comercial de Maceió e do Centro de Convenções, construído recentemente para receber eventos de grande porte na cidade.

Hoje suas belas ruas que já presenciaram os mais diversos momentos da boemia Maceioense, se encontram quase no mais absoluto abandono, sem glamour, badalações, ou poesias ébrias espalhadas pelas esquinas, regadas a paixões proibidas, a cobiça, a perversão... Seus fantasmas de uma historia rica e encantada hoje já não assombram o imaginário de seus moradores, pois o que temem  hoje é a constante violência da cidade e o abandono que vem assolando o bairro, porem sua beleza continua fascinante.



Parte I

Dos Sonhos aos Desejos Molhados

Era só mais uma noite tranquila, sem estrelas, sem lua, nada chamava atenção no céu levemente nublado, o clima meio frio era agradável para uma boa noite de sono.

As ruas pouco ouviam o som dos carros, era mais uma madrugada calma de meio de semana... Mas algo fora do comum acontecia ali, uma moça trajando roupas de dormir extremamente sexy, andava descalça pela Rua Barão de Jaraguá, não se incomodava com o pouco movimento dos carros que buzinavam e buzinavam vezes por advertência, vezes outras, por tentar uma abordagem meramente sexual. Ela apenas seguia com um olhar doce, mas compenetrado, se quer olhava para os lados, seguia e seguia como se o asfalto fosse apenas uma passarela iluminada para ela, ali, linda,descabelada, louca, descalça... Ao passar por uma das poucas remanescentes casas de shows uma musica casual a faz sorri, mas ela continuou a seguir... Sozinha, aparentando não ter medo de nada, ela foi devorando o cominho até chegar à praia. A ária fina massageando seus lindos pés e ela olhando fixamente o infinito, andando até sentar-se de frente para o mar.

Depois de um longo tempo observando o céu sem estrelas, ela levantasse e vai as águas salgadas brincar com as ondas molhando seus pés, depois letamente suas pernas e coxas... Ate que ela entra nas águas e mergulha como se fosse se eternizar ali...

A contra luz surge à silueta de um homem, - e ela não se assusta, espera - ele vem com a mesma expressão no olhar, chega ate a praia e segura em sua mão, olhares doces e compenetrados invadindo almas, tomando pra si o que nunca foi ofertado. Ele a beija e a abraça por traz, e assim feito concha os dois se sentem a beira mar... Ela ajoelha-se na areia e deixa apenas seus pés serem tocados pelas ondas, ele feito bicho a possui segurando em suas ancas; ela geme, ele da uma tapa em suas nádegas, ela gosta,  ele volta a bater, ela geme num misto de prazer e dor, sentindo-o em confluência com o movimento das ondas... Forte e balanceado... Suas mãos apertam a areia com força, ele começa a dizer palavra que ela nunca pensou ouvir... Arrepia-se, se excita e se assusta... Tendo a certeza que não tem mais controle sobre nada, aleia ao desejo, entregue, mas extremamente perdida, louca, seus pudores gritam em vão, ate ouvir mais... – Vadia... Safada...- Palavras sussurradas com força – Ela ouve impávida... Enquanto ele volta a repete-se indo alem – Minha Puta... É minha puta é? Minha Puta...?

Continua...


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte II

Do Despertar para o Cotidiano de Normalidade


Nájera acordou suada com olhar envergonhado do sonho que a pouco lhe provocara sensações intensas e lascivas, ainda molhada, ela levanta-se de sua cama (que parecia ter sido revirada numa noite de amor ) visualizando todo espaço a qual lhe é intimo como recôndito, assustada ela vai até o banheiro e antes mesmo de olhar-se ao espelho abre a torneira da pia deixando a água escorrer pelo ralo, de vista baixa respira profundamente recordando do que a pouco acreditou ter vivido, mas era apenas um sonho, mais um sonho de Nájera, real o suficiente para umedecer suas coxas...

Erguendo a cabeça Nájera olha-se no espelho buscando enxergar ali a menina normal, sorridente, tímida para “certos” assuntos e séria quando se deveria ser, assim ela se auto afirmava, e assim todos acreditavam que fosse; sua família, seu namorado, seu chefe, colegas de trabalho e até mesmo os amigos mais próximos... Seus sonhos eram apenas dela, segredos guardados e escondidos até nos mais secretos relatos em seus diários.

Pálida, ela olha detalhadamente o piso e os riscos no chão decorrentes do desgaste do tempo, quantas vezes ela já havia se sentido assim, acordado assim... Estranha, alheia as sanidades do imaginário coletivo comum a qual todos os cristãos são sujeitados desde de todo sempre. Assim ela respirava buscando expurgar o sentimento de pecado a pouco cometido, vivido em mais um sonho quase que real.

Respirando fundo, permanecia ela parada como se o tempo fosse passando lentamente sobre sua vista, num ritmo lento de sua respiração profunda e pausada.

Pronto, passou, basta lavar o rosto, voltar para cama , tentar dormir as poucas horas que ainda lhe restam de descanso para acordar e ir ao seu trabalho. Nájera voltava a ser a mulher entre as rochas, na cama, ela se cobre e sorri com ar de menina levada, passeando seu olhar doce pelo quarto que já voltava a acolher-lhe sem cantos escuros ou lugares encobertos. Isto posto, fechou os olhos e dormiu.

A luz do sol entrou pela frecha da janela, que era guardada por cortinas de renda num tom de verde bem clarinho quase branco deixando a claridade chegar mansa ao seu rosto angelical, ainda entregue a Morfeu, fazendo-a então despertar serenamente. Espreguiçando-se Nájera esperta para seguir sua senda habitual, lavar o rosto e escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa e seguir ao seu oficio. Nada fora do encontradiço... O mesmo horário, o mesmo caminho até chegar ao ponto de ônibus, quase as mesmas pessoas ali a esperar sua condução, tudo igual, sacal feito o transpassar de seus dias e anos, numa vida quase medíocre que não lhe causava cansaço.

Mas esse dia não seria pariforme como todos os outros...

No coletivo Nájera senta-se quase que no mesmo lugar habitualmente, e logo que tomou assento abriu a janela querendo sentir o vento acariciar seus cabelos que balançavam um pouco acima da altura dos ombros no mesmo momento que tocava seu rosto e ela observava o caminho, as ruas, as casas, os carros, as pessoas passando...

Ao voltar-se o olhar para dentro do ônibus, divisando as pessoas uma a uma, quando percebeu um home de silhueta familiar... Sua imagem encoberta pelo ângulo não privilegiado de visão não permitia certezas. Nájera intrigada sabia que o conhecia de algum lugar, mas de onde seria...? Como se fosse descer ela levantou e ficou de pé buscando melhor visão, observando-o fixamente... Olhar inamovível, inarredável... Até que ele a olhou meio que de canto... – Ela atônita percebeu ser ele... – Mas ele quem? Se a única coisa família era a silhueta e o olhar... – Mas aquele olhar ela tinha certeza que o conhecia de muitos e muitos sonhos... Era aquele olhar pariforme, doce e compenetrado que invade almas e as toma apaixonadamente e imoderado todos os segredos e prazeres...

Ela já não pensava em mais nada, tudo havia saído dos seus escudos rochosos da normalidade cotidiana razoável, lógica, ali a sua loucura mais fidedigna e factual presente diante de sua perplexa vigia.

A essa altura ela perdera o local de descida, o tempo, o espaço... Perdida em seu olhar cravejado dos tantos sonhos ali presente.

Ele voltou a olha para ela e sorriu discretamente erguendo-se e indo em direção à saída mais sem a perder de vista, como se soubesse tudo que ali se passava... Ela sem hesitar o seguiu descendo com ele... 

Continua...




Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte III

Do Irreal ao mais Real


Era uma manha comum de segunda feira, na empresa onde Nájera trabalhava todos já haviam chegado. O tempo foi passando, a manhã tive fim e iniciou-se à tarde, o sol saiu forte por entre as nuvens aumentando o calor, ali todos cumpriam suas funções como costumeiramente faziam, mas a mesa onde Nájera trabalha continuava fazia, ate que seu chefe notasse a sua ausência e pergunta aos seus colegas por ela, logo Nájera, a funcionaria que estampava com sua foto na parede de funcionário do mês, a dedicada, prestativa e previsível Nájera.

Sem informações seu gerente (de nome de Bruno Sandes), ligou em seu telefone móvel, que chamou até cair sem que tivesse qualquer resposta, outra tentativa, seguidas tentativas, chamando ate cair na caixa postal. Bruno então deixa um recado, apreensivo – Nájera é Bruno está tudo bem? Por favor assim que ouvir retorno ao meu numero ou mande alguma noticia a alguém da empresa. Estamos ficando preocupados.

Fim de tarde, fim de expediente e nada dela. A preocupação se perde no rosh de início de noite.

Na casa de Nájera, a mesma calmaria quase fadigante de sempre. O café no fogo, a mesa posta, já são quase 20 horas e Nájera nada... Sua mãe liga em seu celular que continua a chamar até cair na caixa postal... Então ela busca ligar pra algumas amigas de Nájera e o que era apreensão vai ganhando adornos de preocupação, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém falou, ninguém ouviu... Eis que chega a porta o desespero...

Uma segunda feira quase que inteira sem Nájera...



Ali estritamente impotente, resignada ao silencio e as inúmeras mensagens deixadas na caixa postal... Sua mãe, uma mulher forte, de personalidade marcante, dona Énéide se rende a desinformação, a ausência... Ao silencio.

Sem respostas o silencio maltrata, aguça a imaginação, provoca inquietude, assim andando de um lado para outro da casa, ela sente como se algo estivesse por ruir, diante de toda sua força ela se percebe frágil ao extremo do amor de mãe.

Ela liga para o namorado de Nájera pessoa a qual ela tinha grande resistência e antipatia – Alô é Pedro Neto ...? Sou eu Énéide. Pedro você sabe me dizer de Nájera? – ele já responde surpreso, jamais esperaria tal ligação – Não dona Énéide, Nájera deve ta voltando do trabalho... A senhora tentou falar com ela –  Tentei varia vezes, mas ela não esta atendendo o celular – Não há de ser nada, ela pode ter perdido o celular dona Énéide – fala lhe dando um certo alento, afinal fazia sentido o fato dela não atender o celular, e ele ainda diz – quem sabe ela não o esqueceu no trabalho, a senhora sabe como é o transito de Maceió – é meu filho você tem razão, mas por favor se souber noticias me ligue viu... – Pedro ficou sem reação com a doçura aflita a qual dona Énéide transpareceu em sua ligação e principalmente na forma gentil de lhe tratar, ele rapidamente ligou e como todos ouviu o som da caixa postal, isso então o fez ir de moto ate o trabalho de Nájera.


Ela (dona Énéide), por outro lado, mesmo sabendo que o que havia sido dito tinha sentido, no intimo ela não conseguia acalmar-se e o coração só se apertava ainda mais, e assim irrequieta, sem um minuto de sossego, resolve ver algum contato de algum colega de trabalho e buscou na agenda de casa algum telefone  que pudesse saber se Nájera estava bem, e que horas havia saído da empresa. Linha após linha, letra após letra, ate que encontra o telefone de Cristina, colega de sala de sua filha e que a informa que ela não havia aparecido na empresa, que seu gerente havia ligado diversas vezes e não havia conseguido falar com ela, que seu celular chamava ate cair na caixa postal... Agora não era mai mero pressentimento, havia ali uma situação real que apontava para um desfecho possivelmente trágico, um acidente, um assalto... As possibilidades giravam em sua cabeça e mil filmes e historias preenchiam as lacunas deixadas pela ausência de informações.

 Assim, seus amigos e parente começam a se mobilizar, mensagem em redes sociais, ligações, a casa começa a chegar mais gente e o desespero de sua mãe começa a pincelar as paredes de sua casa e marejar os olhos das pessoas que ali acompanham receosamente por fim já contanto em muitas outras historias de desaparecimentos...

Não encontraram registro em hospitais, delegacia, IML, Maceió corrida e examinada feito um check-in de um mulçumano um aeroporto americano... Todos a procura dela, e Nájera nada...

A noite avança e a madrugada chega para terminar o quadro colorido a desespero e esperanças molhadas de seus familiares e amigos...

Por fim, seu celular já não chama mais... Onde estará Nájera agora...

Continua...

  


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte IV

Do mais Real ao Irreal

Passaram-se dias... Meses... Anos... E ninguém soube mais de Nájera.

Até hoje sua mãe ainda vai às ruas vestindo uma camiseta branca estampada com sua foto e a frase: Desaparecida... Certamente a vida não foi mais a mesma para muitos... Certamente todos ficaram um pouco mais tristes... Mas os dias seguiram sem ela, o sol tornou a nascer e a lua a subir nos céus e mudar de fase alterando a maré.

Muito se fala, mais ainda se especula, pouco se investigou e nada se sabe de fato...
A empresa enlutou-se por alguns poucos dias e hoje sua substituta já se aplica no serviço talvez melhor que a própria Nájera.

Seu namorado – ele sim – mudou muito, ficou meio maluco, contando historias... – Disse a policia que Nájera estaria viva, que a no dia de seu suposto sumiço ele havia encontrado ela na esquina de sua casa, próximo ao Museu da Imagem e do Som em Jaraguá. – Assim fez o relato em depoimento:

O Sr. Pedro Luiz dos Santos Neto, depoente, declara que no dia do suposto desaparecimento de Nájera Thalita Ferreira Souza, o mesmo teria encontrado com a suposta desaparecida nas imediações da praça Dois Leões e que ambos se falaram e mantiveram relação intimas em via publica, tendo a conduzido ate a porta de casa onde o depoente tornou a subir em sua mota e seguir até sua residência no Bairro de Chã da Jaqueira.

- Pedro Neto, contou por diversas vezes essa historia, e muitos até hoje acreditam que ele deu fim a sua amada, alguns afirmam que por motivo de que ela no dia do seu suposto desaparecimento teria rompido com ele, outros dizem que foi por traição e outros dizem... e muitos dizem diferente... Porem Pedro Neto afirma de forma quase louca que encontrou com Nájera e que fez amor com ela na arvore que fica situada entre o MISA (museu da imagem e do som de Alagoas) e CAIXA Econômica Federal. – Nos amamos feito bichos, foi intenso, insano... Ela parecia alguém que não conhecia, mas era ela, seu corpo, seu cheiro, seus cabelos na altura do ombro, seu olhar doce, mas envolto por uma maldade quase pura... Ela me levou a arvore tirou meu sinto e ali no meio da rua, ela se ajoelhou e... Deus... Eu nunca tinha sentido algo como senti ali com ela... Era ela, foi ela... Mas porque ela sumiu..?

- Estaria então Pedro Neto louco?  Talvez pela sua insistência em afirmar a todos do seu encontro com Nájera no dia de seu suposto desaparecimento e todo teor erótico do encontro que  outras historias começaram a surgir de homens que haviam visto Nájera nas madrugadas do Jaraguá e que teriam tido um momento de prazer intenso e único como nunca haviam sonhado existir... Assim com a historia sendo viralizada nas redes sociais, as madrugadas do Jaraguá passaram a ser frequentemente visitadas por meninos amarelos de mãos cabeludas e rosto espinhento, na esperança de encontrar Nájera.

Talvez na madrugada de hoje mais um tenha encontrado com ela, quem sabe... Nájera não tenha encontrado uma forma de se eternizar no imaginário popular, fazendo parte para sempre das madrugadas do Jaraguá.

Mas o que de fato haveria ocorrido naquela manhã em que Nájera desceu do coletivo e seguiu o homem que habitava seus sonhos mais secretos... Que a olhava como se a enxergasse nua no meio das pessoas... Onde estaria Nájera? Onde estaria o Corpo de Nájera já que a sua alma já estaria habitando as madrugadas fazias das noites no Jaraguá.

Continua... 





Sonhos, Desejos e Assombrações

(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte V (Parte Final...?)

O tempo e seus mistérios, suas convergências e divergências... Assim pai das duvidas e senhor da razão o tempo dita impávido seu ritmo e nos empoe regras que faz-nos perceber o tamanho de nossa exiguidade.

O que talvez nos torne grandes, imensos... Maiores que a vida e a morte seja a importância que damos aos nossos sonhos, as nossas conquistas, o quão conseguimos tornar real os desejos mais abstratos, o que nos propiciam o bem e que transformam o mundo que vivemos, que transformam o nosso mundo que desenhamos em sonhos e fantasias. Deste modo era Nájera, uma sonhadora que mesmo acordada traçava enredos e enxergava historias num mínimo espaço de tempo, num piscar mais longo de olhos...

Nájera desceu do ônibus e começou a seguir o homem que habitava seus sonhos... Ela tinha mais que certeza, tinha convicção.  Sem observar mais nada além ele, ela obstinadamente o seguia... O seguiu até sentir-se tonta... Vendo tudo se estreitando, indo e girando, girando e escurecendo, indo, indo e ficando distante, mais distante, distante e escuro, mais escuro... Vazio. - Como se estivesse dormindo ela apaga.

O que teria acontecido com Nájera...? Estaria ela dormindo? Teria ela desmaiado? Ou estaria ela morta?

O que não passava de escuridão vai letamente clareando, meio que desfocada sua visão lentamente encontra o céu, vendo as nuvens e o sol forte em seus olhos... No chão, deitada nos braços do homem que lhe toma a atenção e a sanidade. Confusa, Nájera vai despertando e assim que retoma suas forças, percebi-se entregue nos braços de alguém que por mais familiar que lhe pareça, ela não sabe de certo quem é, de onde veio, pra onde vai, nem o que faz ali, dando-lhe atenção, com olhos ternos... Ele a olha e sorri... Ela sem entender ergue-se letamente se segurando em sua mão... Assim já de pé, ele a solta e retoma seu percurso, segue a andar, ela, ainda cambaleante vai em sua direção... – aonde vão Nájera e o homem dos seus sonhos...?

  Assim andando por quase horas sem ater-se ao tempo e nem ao percurso, em sua mente apenas ele; ele e seus paços...  Hipnotizada pela sua beleza e pelos discretos sorrisos lançados a ela. Voltava então ao mesmo bairro, à mesma rua de onde mais cedo havia saído, voltava ela ao Jaraguá.

Após a longa caminhada ele entra numa casa e deixa a porte entre aberta, como se avisasse a ela que a esperava lá dentro, ela entendendo foi com a certeza que a guiara até ali, convicta que ele a esperava há muito mais tempo que aquele encontro que estava por se consumar.

Dentro da casa, Nájera percebe que tudo lhe era familiar...  Do quarto um barulho, ela vai ate lá, impávida entrevendo, assemelhando e assimilando o lugar e o que estava por vir... No quarto, sua cama ainda desarrumada, suas mobília, as cortinas em tons claros de verde, ela estava em casa... Um calafrio passou feito vento por seu corpo, foi então que ela ouviu o barulho do chuveiro, a porta do banheiro aberta fazia o convite, ela parada, apenas deixou a sensação de medo momentâneo passar...   Firme; ela seguiu lentamente ate lá, no seu banheiro; a silhueta do homem dentro do box, ela então se despe e se entrega entrando para banhar-se com ele.

No chuveiro o olhar que nos sonhos a arrebatava, assim os corpos nus se aproximam e se tocam... Ele a abraça forte beijando seu corpo por inteiro, sua nuca, seu queixo, sua boca, seus seios, sua barriga, ate repousar em seu ventre, ali ajoelhado sobre a água que escorria entre os pelos e os porquês, tudo se esvaia em desejo... Ela morde os lábios e geme... Geme num gemido tímido, baixo... Prazeroso... Encaixados seguem se amando como se o universo e todos os Deuses tivessem parado o tempo para apenas assistir os dois.   

Ali talvez por horas, dias e anos ficaram eles...

Se tudo não passa de um sonho num eterno descanso de Nájera ou de uma fantasia sonhada em sua ultima noite, ou se ainda estaria ela prestes a acordar... Ninguém sabe, ninguém explica... O fato é que Nájera encontrou os braços de Morfeu, o Deus dos sonhos... O fato, é que muitos relatam ter visto ela nas madrugadas nostálgicas do Jaraguá a amar os solitários nos fins de noite...

(FINAL...?)