2 de abr. de 2016

Cavidade (Jurandir Bozo)



Cabemos-nos
Cabemos nus
Cabemos crus
Assim meio que imprensados
Devoramos-nos suavemente
Meus sonhos
Seus suspiros
Meus poemas
Seus olhos grudados
Meus dedos
Seus pontos de prazer
Tudo que se completa
Meu dia ruim
Sua TPM
Nossa vontade de entender
De falarmos
De lermos
De nos enxergarmos
Aceitando quem somos
Cheios
De sentimentos
De frustrações
De mágica
Arrebatados
Simplesmente porque nos encaixamos
Sem se quer termos nos encostado 


30 de mar. de 2016

A Mensageira dos Deuses (Jurandir Bozo)





Ala preconiza mensagens fortes
E não somente por isso
Não a subestime
Pois ela sabe mais
Bem mais do que mostrar saber
E não insista em cantadas baratas
Já que os filhos de Netuno
Tem o coração gelado
Aprenderam nas mais profundas e sentidas dores
Sentindo-se invadidos
Aos olhares insólitos
Dos muitos que dão brecha ao nunca
Dos que não conseguem fazer acontecer
Os tidos normais
Os que se acham sãos
Os que têm medo de gritar
Dos que evitem a sinceridade
A fim de engolir o insulto 
Ela simplesmente fala com os Deuses
Então porque pararia para falar com você
Para ouvir de qualquer um
A mais insignificante poesia
(-Certamente essa seja uma delas-)
Ela gosta das identificações
Das personalidades
Das dores e dos prazeres
Sabores fortes
Talvez intensos
Creio eu
Kamila é mais que o significado do seu nome
(Perfeição)
Ela é autentica
Encantadoramente linda e ogra
Entre a acidez e a doçura
Seu olhar é profundo
Dos que não descortina
As vestes da frivolidade humana
Assim distante eu vejo Kamila
Por uma tela menor que meus olhos
E maior que qualquer monitor de celular
Mas incapaz de enxergar sua Fortaleza
Ou de ouvir o timbre de sua voz
Sentir a maciez de sua pele
Eu não ousei imaginar tanto
A verdade é que não sei nada
Nada além de sua cósmica beleza
Na vastidão do céu
Do quase verde dos seus olhos





(Quando não se sabe se é permitido dedicar um poema, é melhor deixar que a singela oferta chegue ao seu destino sem maiores alardes. Dedicado a Kamilla.)

27 de mar. de 2016

Estrela Negra (Jurandir Bozo)



Fazia tempo que já te procurava
E nem sabia quem eras
Ate encontrar o que sempre estive ali
No céu
Nos meus sonhos
Nas fotos e olhares
Que balançam nas redes
Esperando somente por uma canção
E assim fosse dormir em paz
Na tranquilidade dos anjos
Para talvez sonharmos juntos
Um com o outro
Sem preocupações
Mas nas ruas guarde o celular
Não fale
Cante
Pois o mundo sempre foi perigoso
Para as meninas que não sabem cantar
Que precisam de muitos pirulitos
Afim somente de adoçar a voz
Tu não precisas disso
A tua voz já doce o suficiente
Para deixar-me em risco eminente
De acordar para sentimentos adormecidos
Nesta madrugada foi tudo diferente
Eu voltei a olhar para o céu
Só que desta vez
Tu estavas lá
Como sempre estive
A mais de 17 anos
Bela
Sexy
Dançante
Feliz
Viva




 (Para alguém muito especial que chegou em minha vida feito uma estrela cadente e que ao que percebo já está indo assim como chegou.)

14 de mar. de 2016

Bom Dia (Jurandir Bozo)






Antes que comece a ler
Quero lhe dizer
Que essa pode não ser a minha melhor poesia
Pode não causar suspiros e falta de ar
Pode não enlouquecer essa Mulher
A quem hoje escrevo
Mas essa poesia vem feito um bom dia
Singelo a desejar boas energias
Que no fundo das intenções
Gostaria de ter acordado ao seu lado
Sem capciosidade
Ele não falará de sexo
De vazios ou paixões
Palavras que em meus dedos se repetem
Esse poema é a tentativa de encontrar
Algo que traduza
O sentimento de uma madrugada
Sem saber especificar
Qual conversa teria despertou meu encanto
Mas foi você
Sim você
Que veio e ficou
Ficou e leu-me como nunca fui lido
Com minhas loucuras e doçuras
Que me libertam e me prendem
Que me externam e me escondem
Talvez por sermos démodé
Seus olhos alcancem minhas meias verdades
Sem querer explicações aos nossos sentimentos
Pois as palavras nos arrebatem e pronto
Assim mesmo sem explicações
Por isso que esse talvez não seja um bom poema
E talvez ele não tenha a mínima intenção de sê-lo
Talvez ele só queira fazer-me sentir-se perto
Andando pelas ruas antigas e desertas
Indo com você até a porta de sua casa
Não, talvez não seja isso
Talvez ele queira lhe levar ao trabalho
Ou lhe acompanhar ao médico
Quem sabe ele não 
Desperte um ar de felicidade
Para que tenhas apenas um excelente dia
E quem sabe possa até lembrar de mim



1 de dez. de 2015

A Artesã (Jurandir Bozo)





(em homenagem a mestra Vânia Oliveira)

Em tuas mãos o mundo se constrói outro
Linha que fiam historias que colam
Numa parcela sã de arte e fita
De cores e texturas de vidas
Partidas e chegadas
Polegadas
Lantejoulas
Glitter
Brilho no olho que te olha
O adorno que se cobiça
A peça
O preço
O valor que não paga tua paixão
A carga
Os dias
Os filhos
Discípulos
Quase outros filhos
Quase mãe de tantos
Assim segue a tradição
Os mistérios e os desencantos
Do artista
Da mulher
A beleza
O coração
Eu admirado
Observando a poesia da artesã


Dedicado a grande mulher, quase mãe de tantos alunos, amiga, artista, artesã, mestra... Vânia Oliveira.


Divididos pelas Estrelas (Jurandir Bozo)



(Parte II)

Acordei ainda no meio da noite
Busquei então apenas olhar a lua
E assim com o céu claro
Avistei você entre as estrelas
Não que você já não estivesse perto de mim
Pulsando forte em meu peito
Feito um tambor
Traçando ritmos a minha imaginação
E por mais que sonhe
Eu sei meu lugar
Eu sei a distancia que deve continuar
Por mais que tente costurar a geografia
Não há como lhe trazer para perto de mim
Pois existem mundos entre nós
Amarrados a fogo e sentimentos
Organicamente doídos
Em risos espúrios
Ou na indiferença das pessoas
Para as injustiças do mundo
Onde não nos sentimos parte
Divididos pela passividade e a violência
Sua humildade não convence minha arrogância
E minha poesia ate mareja seus olhos
Mas não promove o impacto que seu sorriso causa em mim
E com o nascer do sol deixo-me vencer pelo cansaço
Olhos fechados para voltar a lhe enxergar
Quem sabe um dia você não passe de uma boa lembrança
Para que volte a dormir 
Noites inteiras sem sonhar com você


  




30 de nov. de 2015

Cansaço (Jurandir Bozo)




A bem das convenções sociais
Declaro-me convenientemente feliz
E assim vou repetindo
Sem conseguir crer nessa mentira
Acredito ainda no que meus olhos dizem
 Gritando convenientemente a corações surdos
E sem serem ouvidos
Meus olhos choram secos
Feito o chão que me inspira
Assim tenho apenas vontade de dormir
Dormir ate não precisar mais acordar




O Lado de Lá (Jurandir Bozo)





Tento não escrever sobre paixão
Fugir do obvio ou do que mais me encanta
O sagrado e profano feminino
A beleza, a complexidade
O sorriso, a instabilidade
E nessa tentativa calo minha poesia
Ate que meus olhos tornem a encontra-la
Em outra janela que irradie luz
Entre as linhas da vida e o divã
O papel e a nossa criatividade
Artistas natos
Formas e palavras
Universos paralelos e distantes
Incompatíveis do lado de cá da realidade
Fascinante do lado de lá da fantasia
E quando hoje acordei 
Fim
Pão ovos e café
Não há motivação do lado de cá desse amanhecer
Hoje minha noite voltará apenas a ser noite
Sem o sol do seu sorriso
Sem a chatice do seu mau humor inteligente
Ou seus complexos improcedentes
O lado de lá ficou...
Longe...
Perdido...
Preso...






22 de fev. de 2015

Abracadabra (Jurandir Bozo)

(Leia ouvindo: Coldplay - Magic) 

Feito um passe de magica você apareceu
Eu cheguei e já estava lá
E lhe ver foi tão bom
Que todos os sentimentos
Que pensei ter perdido
Estavam ali
Na luz do seu sorriso
Sorriso vasto
De amplo significado
De luz intensa
Que ofusca todos os defeitos
Que ainda possam surgir
E assim quase tonto
Sem jeito
Feito um menino que conheceu
Busquei o arquivo mais próximo de seus olhos
Aquele guardei na memoria
Do fundo do peito
Assim entre meus óculos e suas lentes
Nossa profundidade
Um breve silencio
Seus mistérios
E neles fui mansinho
Fugindo da saudosa vontade
De percorrer seus caminhos
De sentir suas estradas e curvas
Assim feito às linhas de sua mão
Meus olhos entrelaçados
Buscavam na implicitude do seu decote
Só mais um pouco de suas historias
Só mais um pouco de sua pele
Só mais um pouco de sua beleza
Suprindo ausências
Suprimindo carências
Buscando consolidação
De discurso abio
De retorica rebuscada
Librianos
Charmosos
Inteligentes
Egocêntricos
Infiéis
Autênticos
E ninguém espere entender-nos
Ninguém tente nos compreender
Nosso dialeto foi construído ali
Sem gramatica
Com vida
Mentiras e verdades nossas
Uma historia que nasce e morre aqui
Onde eu menino lhe buscava em sonhos
E feito um magico
Guardava em absoluto segredo
A magia que você despertava em mim




24 de nov. de 2014

O Riso D’Ella (Jurandir Bozo)





Ela quando olha pra mim
Sorrir
E eu de tanto olhar pra ela
Fico tonto imaginando seus sabores
Recordando seu cheiro
Sua cor de terra do sertão
Seu ar de inocente
Que guardo nos olhos
A pureza dos que não descobriram o pecado
E assim sem peso
Ela olha pra mim
E sorrir
Seu riso e cheio
É grande feito um rio
Repleto do que eu ainda não sei
Mas é algo que mesmo desconhecido
É de uma beleza tão grande
Que fico sem conseguir
Tirar meus olhos do riso D’Ella

4 de ago. de 2014

Um Novo Poema Para Um Olhar Cansado (Jurandir Bozo)



Volta à madrugada como se fosse à primeira vez
Deparando-me com um silencio quase lacônico
Meus pensamentos prolixos se perdem
Não encontrando as tantas certezas que tive um dia
Não me resta mais a inocência
Não me restam mais as paixões
E assim como se tudo fosse escassez
Meus olhos esperam o nascer do sol
Para que enfim possam descansar
Dessa noite que parece não ter fim

Já não me sinto a vontade com as indefinições
O tempo passou e quando me deu conta
Ainda me percebo criança
Uma criança sem brilho no olhar
Sem esperança em seus sonhos
Uma criança cujo mundo imaginado desabou

Onde está o pai que nunca tive?
Seus ensinamentos que não me foram exemplo
Serviram para que percebesse do mundo a crueldade
Que nunca desejei a ninguém

Sozinho
Deixo que meus defeitos afastem de mim os que mais amo
Hostil a qualquer afago que não seja recompensado
Entrego-me então aos que nunca acreditaram em mim
E mesmo assim não me sinto perdedor ou fracassado
Eu apenas cansei de tantos arrodeios e meias intenções
Dessas que vem com palavras moldadas

Quero amanhecer nu
Tentar livrar-me da empáfia que a vaidade me enrustiu
E entendo que por muito tempo precisei dela como escudo
Aos ventos soprados contra mim de bocas hostis

Mas o dia já esta pra nascer
O sol iluminará a ignorância de agora
Despertando outros olhares
Ou novos poemas 


(Aos que como eu, já sofreram acordados em alguma madrugada... Dedico esse singelo poema repleto de verdade e fantasia...) 


7 de dez. de 2013

O Barquinho (Jurandir Bozo)



Escorre em meu peito
Um restinho de água do rio
Junto a uma dolorosa saudade
De quem nunca fui
E fico imaginando
Enquanto goteja meus olhos
As poucas águas do rio
Que ainda carrego no peito
Assim por vezes saudade e eu rio
Por vezes dor e eu rio também
Eu rio da vida observando suas margens
Que nunca passam ou escorem
E a margem de uma lembrança do que nunca fui
Finda mar adentro feito um barquinho de papel
Indo para sua ultima pescaria
Não cabendo a mim empregar virgulas
Nem tampouco colocar pontos finais
Eu feito barco navego suave
Mesmo sendo o grande alimento
Das tempestades que me atormentam
Olho para o fim da minha rua
E vou beirando manso a causada
Até chegar aonde sempre vou
Eu que sempre quis ir além-mar
Conhecer terras distantes
Universos esquisitos
Volto sempre aos mesmos lugares
Onde mesmo desconhecido
Todos sabem quem sou


5 de set. de 2013

Pena de Vida (Jurandir Bozo)



Condenado I

Navego meus pensamentos em mares da monotonia
Contrario das minhas mais profundas intenções
Assim com a mente quase fazia
Vem você dançando ao vento
Feito brisa de verão
Transformar meu inferno em belos solos
Eu que buscava calmaria
Só enxergo você e seu mar revolto
Sem espaços para mais um em suas aventuras
Cego minhas tardes e o fim dos prazos
Contas a pagar e milhões de satisfações que não dei
Feito criança vivendo vida de gente grande
Como se o meu universo respirasse solidão
Num oceano de pessoas que me cercam
No ínfimo espaço de tempo
Onde a consciência não vai lhe buscar
Divido-me em mais do que poderia ser despedaçado
Partido que se perde em três ou quatro mundos seus
Que de longe fica a imaginar
Suas trincheiras e seus militantes
Suportarem dor maior que a minha
Essa que esvazia e me consome inteiro
Rouba-me as forças e cala minha escrita
Treina minhas palavras e elas condicionadas
Só chamam seu nome em gritos sinuosos
Cuja melodia soa em sonhos bons
Que ainda insisto em ter
Mesmo sabendo que sem você
Sou um condenado
Que vive com vontade de morrer


4 de set. de 2013

O Incoerente (Jurandir Bozo)




Ontem a noite pedia tua presença
E o céu sem lua e as poucas estrelas
Contavam uma historia triste
Dos muitos que como eu
Amam solitários na escuridão
No anonimato das brincadeiras
No anonimato das muitas palavras
Onde se disfarçam os medos
Onde se escondem os gritos de prazer
Feito vinho derramado entre as coxas
Morada dos bichos e da poesia
Animais que se amam e se pegam
Homens que se evitam e se negam
Eu um misto de ambos
Fico entre o amor e a indiferença
E mesmo sem propagar minha paixão
Olhando em teus olhos
Para que neles enxergues meu mais profundo medo
De perder o que nunca foi meu
O que não me pertence
O medo de perder-te
De desencontrar as minhas vontades
Nunca esqueça de minhas fantasias
Não esqueça que mesmo antes de tocar tua pele
E sentir teu perfume
Eu já ma Apaixonava pela beleza de tua alma
Pela beleza que em palavras tu me guiava a descobrir-te
E se partir sem te dizer o tamanho do meu querer-te
Olhando em teus olhos
Mesmo diante de tantas contradições
Creia apenas na coerência de meu amor
Pois ele é a única verdade que há em mim


14 de jul. de 2013

Ela nos Meus Olhos (Jurandir Bozo)



Meus olhos correm para longe de mim
Vão sem medo da chuva
Suados a sobra da distancia que se impôs
Sozinhos eles se fecham para o mundo
Buscando caminhos inóspitos
Morrendo de vontade de sorrirem para você
Morrendo de vontade de se enxergarem em seu olhar
Assim suados eles instigam tremores e desejos
Aos extremos da minha imaginação
Da dor ao prazer
Todo meu corpo lhe espera
Todo ele lhe deseja
Suas curvas e texturas
Seu cheiro e seus segredos
Contados feito um sopro na nuca
Ou um convite para dançar no escuro
Mas solitários meus olhos se calam
Dormindo para o mundo
E acordados para você