8 de mai. de 2006

Estrada de Curvas (Fábio Sirino)

(Piercing II)


Alem do que pensou Che Guevera
Sigo numa estrada de curvas
Busco a máxima distancia do carnaval
Quem sabe assim eu poça encontrar alguém
Uma menina que traga consigo
A calma que eu desejo
Numa cabeça cheia de problemas
E na boca um piercing
Com um jeito moleca
Uma forma meiga de amar
Completamente entregue
Sinergia entre pessoas
Vou ao longe
Quero que poucos me vejam
Um som de violão
Pássaros e palmeiras
Descritos num quadro de Frida
Sem novelas ou ficções
Quero vida em minhas mãos
Tocá-la sentir tua pele escura
E deitar como duas crianças
A descobrirem o sexo...

25 de abr. de 2006

Piercing (Fábio Sirino)


O que foge da mordida
Se transforma em atitude
Torna-se apetrecho na língua
Que arde e beija, apimenta
Feri o fundo do peito sem rasgar a pele
Na língua em forma de prata
Na pele negra, magra, mulata
Fica o mistério do comportar
Do agir, do falar
Da forma de andar
Se é que anda, Se é que desfila ou rebola
Da bola que fica na boca
Louca e que rola e excita
Que grita junto a ela
Faz da sua feminilidade um ar escuro
Que nem de cima do muro se enxerga
Os olhos dela, a sua cor
Da voz e que imagino
Da palavra que vaga, tom de noite
Da menina do verbo cortante
Que me desconhece e matém distância
Para que não deixe de ser sonhada
Vista e idealizada em fantasias
Que vão além do estudo da comunicação
Ficam caladas entre a língua e o céu da boca




11 de abr. de 2006

A Concha (Fabio Sirino)


Como posso conhecer
O interior da concha,
Olhar por dentro, entende-la
Sentir no seu silencio mensagem mais clara
Tão nua, quanto ela
De lua, dela, da fragilidade que endurece
Torna rígida a matéria bela...
Mas como vela assim....
Aberta sem ter que brecha
Enxergar os cantos, as migalhas
Para compreender o todo
Se há um toldo sobre a alma
E se fecham as portas as janelas
Já que o mistério agita e não acalma
Faz do vento o furação
Que derruba as arvores enraizadas...
O segredo vai alem da luz....
E a verdade rompe o escuro;
Mas dentro de se, se vê o que se quer
E esconde o que não se deseja

1 de abr. de 2006

Minha estrada (Fabio Sirino)


Até que se tarda o fim
Estou de portas e braços escancarados
Como se esperasse por quem já não vem mais
Estou em casa e sinto-me alheio as coisas
As minhas coisas, as coisas que já desconheço...
Vou para rua, e a tomo como meu lar
Por vezes sinto-me dela
Como um apaixonado por cada pedaço do asfalto
Sigo sozinho num flerte de homem e rodagem
Conto a ela minha vida
Mentiras que os outros acreditam
E verdades que me negam
Sou o estereótipo do que foi expulso
E entendo o medo e a exigência do outro
Sou então, ambas as partes que fazem a estrada,
A areia, a pedra, o pinche e o cimento...
Antes de chorar ou morrer
Continuarei a andar e sorrir sozinho
Fazendo do resto de vida que desprezo
Um engodo, ou a mais inocente palavra
Que pronunciei quando criança...



28 de mar. de 2006

Olhos que quero conhecer. (Fábio Sirino)

Como posso enxergar
Os olhos que não conheço?
Pela tela tela vem pensamentos meus
Sobre o que devi estar por traz deles
(Tuas estórias, o timbre da voz, a maneira de andar, o charme, como trata as pessoas)Explanação de quem não conhece
Confesso meu encanto pelos olhos
(Sim eu me encantei com os teus)
Mais não pela beleza deles
Mas sim pela expressão que transmitem (o olhar)
E o que esperar?
Como um também desconhecido
Deixo que minha imaginação guie os sonhos
Como tais, se vão com as janelas que fecho
E quando torno a abrir lá estão eles
Cheios de mistérios e luz
Olhos que não me enxergam
Que lêem minhas tolices vãs
Que assiste no cinema extinto de penedo
O filme do passado não vivido
Que insistimos em recordar
Como lembrança que não são nossas
Mas que fazem parte do nosso imaginário
Imaginário de penedo...
Dos olhos que conheci pelo computador
E que não sei se gosta de cinema

Ou de poemas!?

12 de jan. de 2006

Ilhas (Edson Bezerra)


No meio da noite acordo pescando sonhos
E recolhendo imagens distantes
Meus olhos auscultando estrelas
Adormecem molhados
E assim prosseguem na solidão dos barcos
E se dentro de mim um continente dorme
Acordados estão meus meninos
Penso no amor
E na imensidão das ilhas
E não me decido no que fazer do que me chega
As vezes os sonhos que pesco se perdem dos olhos
E catam pedaços no coração
E as estrelas se escondem todas num céu mais distante
E meus meninos parecem brincar de outro mundo
E então eu sei que sou um pedaço de tudo
Dos sonhos que não me cabem
Dos olhos que viram fachos
Dos ruídos que vivem um mundo
E de meninos que buscam o amor nas fatias dos doces
E o que fazer então com a inteireza do que sou
Na completude da ilha que me encontro?

3 de jan. de 2006

Estupro (Fábio Sirino)



Agora faz sentido
O prazer o gozo
Suas pernas ao cruzar para mim
Seus olhos, seus olhares
Sua boca, minha boca
Beijos e toques
Quero mais e mais caricias
Toca-la mais em baixo
Excitar-lhe...
Se aproximar da terra
E leva-la aos céus
Fazer com você loucuras,
Provar sua droga
Ser seu e lhe ter minha
Com toda escuridão
Ali no claro do motel
Com luzes na sua sombra
Nos seus mistérios
Serei violento e terno
Sem sorrisos ou lagrimas
Fazer-lhe ri e chorar
Nesse sonho que acabou mal
No hímen que não foi meu
Que se rompeu com medo e dor
Sem amor, sexo e temor
Por te amar, foi violento
No passado que roubou a inocência
O cheiro de rosas
O sangue num terreno baldio
Nas pernas que tremiam
Que seguiam a vida
Que deixam feridas
E lhe afastam de mim.


17 de dez. de 2005

Manicômio judiciário (Fabio Sirino)

Entre bem devagar
Pois aqui os doentes se assustam com facilidade
Essa é a ala da recreação
Onde há brincadeiras e jogos
Onde fazemos as reuniões também
Damos informes
Realizamos discussões e comentários um sobre o outro

Passam por aqui diversos condenados
Pelos crimes não previstos na lei comum
Os condenados a indiferença
Os condenados ao desamor
Aos que também são sensíveis demais
Os problemáticos e questionadores
A aqueles que têm personalidade marcante
Os que gostam de coisas diferenciadas
E os que ainda são diferentes
Os que querem morrer
Os que querem viver demais
Os apaixonados pela vida
Aos que amam alguém

São em sua maioria artistas
Poetas, escritores e compositores.
Nomes como Álvaro de Campos
Florbela Espanca, Augusto dos Anjos,
Álvares de Azevedo, Camões.
Dentre tantos condenados
A serem poeta por uma eternidade
Todos condenados
Como eu e você
Amar a poesia e a morrer por ela.


13 de dez. de 2005

Se perguntares... (Fábio Sirino)


Diga que sou
Todos os mendigos da cidade
O que sempre diz sim
E ouve o não.
O que consola e apóia
Para chorar sozinho e me abandonar.
Olhando a cidade que não para

Diga-lhes que estou a favor de todos
Mesmo quando todos estão contra mim
Que penso no outroE acaba parando
Na encruzilhada com o sinal aberto
Sendo despertado pelo pensamento
Pela zoada de um buzinaSeguida de um freio agudo.

Diga que sou o que se esquece
E já não tem aniversário
Nem algo a comemorar.
Eu sou o escudo do cego
Ao ser espancado,
O que comemora o empate
Quando a multidão quer vitória
Eu sou ainda aquele
Que chora nas comédias
E se sensibiliza mesmo sorrindo
Com um drama encenado
Diga também
Que criei defesas
Numa personalidade forte
Na mentira dos risos

Diga que sou o resto do lixo
O que todos os catadores se alimentam
Com a esperança de um doente
De um doente terminal...

Se te perguntares quem sou
Diga que não me conheces
E achas que sou ninguém...
Ninguém.

28 de nov. de 2005

Cadáver ( Fábio Sirino )


Cadáver


Nos pulsos água fria,
Na banheira, sangue ainda morno,
Num resto de vida
A palidez fúnebre que cresce
Toma os olhos, a boca,
Eis que invade o corpo
Cansado se entrega
Se vai, e não descansa...
Ali a matéria abandonada
Resto de homem
Um nada...

22 de nov. de 2005

Necessidade (Fábio Sirino)

Será que prossigo?
Minhas mentiras são as mais puras verdades
Num trafego de sonhos e frustrações
Posto isso, o resto é mediocridade...
Palavras vãs, verbetes;
Sinto falta da vontade de morrer
Daquela forma eu me sentia vivo
Quiseras eu chamar-te a atenção
Quisera eu que tu me notasse.
Creio sim em assombrações,
Nas sombras do meu quarto elas aparecem
E as chamo de Amor, Paixão,
De Solidão e Esperança...
Quando mar sou criança e brinco
Quando noite sou marginal e amo
Amo por amar,
Brinco pela mais pura necessidade
Ou o contrario...
Brinco por brincar
E amo pelo mais puro egoísmo...

21 de out. de 2005

João Firmino


(poesia de Enivaldo Vieira e musica de Jurandir Bozo e Willbet Fialho)
Adeus João Firmino
Sanfoneiro Virgulino
Adeus João Firmino
Adeus João Firmino
Sanfoneiro Virgulino
Adeus João Firmino
Lampião riscou na serra
Pra uns vai haver uma festa
Mais pra quem isso detesta
Só pensa mesmo em guerra
Se quer dançar um xaxado
Procura um bom sanfoneiro
Pra animar o terreiro
Já tem um escalado
Lampião mexeu no tino
Mandou alguém buscar
Cidade Jaciobá
Trouxeram João Firmino
REFRÃO
Se tinha um rei o sertão
Sergipe e Alagoas
Faziam festas das boas
Com cabras de Lampião
João Firmino no fole
Em cidade ribeirinha
Dança a tropa todinha
E com oca ninguém bole
Tocando mulher rendeira
Firmino e Lampião
Pra mexer no coração
De toda cabroeira
REFRÃO
Se mataram Lampião
O cangaço não morreu
Que João não esqueceu
De tanta consideração
Passeando na cidade
No carnaval bem faceiro
Com bloco de cangaceiro
Alegrando realidade
Alegrou homem e menino
Fazendo o seu papel
Um cangaço sem quartel
Um novo Capitão Firmino
REFRÃO
(João Firmino foi um dos sanfoneiros que animavam as festas de Lampião no baixo São Francisco)

17 de out. de 2005

Terça-feira, Poeira Nordestina na feira camponesa.



Dia 18 de outubro as 20:30 (terça feira) tem Poeira Nordestina na praça dafaculdade, na feira de produtos agrários da pastoral da terra.O show vai ser o mesmo do ENECOM que teve uma receptividade boa e com umaenergia maravilhosa, a banda vendeu vários cds e se prepara para no inicio do ano que vem gravar o DVD de demonstração em data a se confirmada (palavras do Bozo) então vele a pena ir conferir esse show que promete.

A praça de faculdade fica no prado defronte ao CCBI (a antiga faculdade de medicina)

Apocalipse

(Jurandir Bozo)

Vem descendo do céu
E foi parar no São Francisco
Veja só que estrupício
Vem com o gosto de fel
Passou em Piranhas
Pão de Açúcar terra boa
Em Penedo de canoa
Foi onde ele se apagou
Por aqui ele ficou
Num pedaço do Brasil
Vá pra puta que pariu
Quem ouviu e não gostou

11 de out. de 2005

Os Pontos Cardeais (Edson Bezerra)


Existe uma bomba,

Nos pontos cardeais de meu corpo

Existe uma bomba

Há uma bomba desarticulada em mim,

Existe uma bomba de uma estranha mistura

De amor e solidão.


Esse é um poema de um dos maiores artistas contemporâneos que Alagoas pariu, é autor do manifesto sururu, escritor, compositor, sociólogo e professor universitário.(Mais um que ama a poesia ou morre por ela)

7 de out. de 2005

Outros recados (Fábio Sirino)

Escrevo sim, sem sono...
No fim da noite...
Quase de manhã, creio eu...
Onde o silencio acalma e incomoda
Escrevo sim, coisas minhas...
Falando frases que choram
Que me expõe nu
Sem vaidade ou ego
Apenas eu e a caneta
O poema e minha solidão...

5 de out. de 2005

CHÃ (Banda Rua 38)*

(Post roubado do blog de um grande amigo-www.aexcecaoearegra.blogspost.com)

*Banda Alagoana dos anos 90, que em breve estará retornando aos palcos.
Sendo esta a primeira banda a trabalhar com mistura de ritmos alagoanos, entre eles o coco com o rock!

Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.
Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.

Chã da Jaqueira
Prepare pra balançar
A rua esburacada
O Corujão* vai se quebrar
De duas em duas horas
É que tu pega o busão
Mas na linha da Jaqueira
Tu não consegue dormir não
Já é de madrugada
Sei que tu já trabalhou
Pra a amanhã acordar quebrado
Reclamando desse horror

Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.
Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.

Mas estas em Maceió
Pra que tu vai reclamar
A cidade é bonita
Tem lagoa sol e mar
Ta na propaganda
Que deu na televisão
Tão tapando os buracos
Aqui não tem mais isso não
Se morar no Tabuleiro
Não vá se deprimir
Pegue o Busão lotado
E vá pra praia pra curtir
(mas na volta cuidado!).

Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.
Chã da Jaqueira
“Olha o buraco! Olha o buraco!”.


*Corujão - Linha noturna que circula nas ruas da Cidade de Maceió, utilizada por trabalhadores e boêmios.

4 de out. de 2005

O Domingo que Sorriu! (Fábio Sirino)


Como sorri é bom?
Falar o mais rápido possível
Esquecendo os defeitos alheios
Sendo simples ao complicar a vida
Ou apenas sendo...

Vejo uma noite de domingo sem horas
Onde o tempo voa
O tempo vai e a gente se esqueci
De lembrar delas sem preocupações
(Creio que você sempre seja assim, despreocupada)
Para ouvir o mar de fundo
A tantas bobagens significantes

Esqueço a tua frase
Para um poema imperfeito
O que não deveria ser escrito (postado)
Tampouco dito ou explicado

Na mentira dos risos
Vejo verdade nos olhos teus
Da menina que tem medo
E com coragem fala
Fala, e fala sem parar
Como falar é bom!

O planeta esquecido
Que lembrastes a mim
Ou a foto dos teus pés
Uma noite quase perfeita
Com vidas contadas em causos e prosas
Sem e com justificativas

O que é ser louco?
Se for igual ate
Quero ser louco também
E fazer reforço escolar
Para aprimorar minha loucura!

Sem medo a menina vai
Pelas ruas perigosas
E por mais que te advirta
Não existe tomada pra te
E tua energia não se verifica em volts
(Tua descarga elétrica fundiu a minha cabeça de veio)
Fumo o cigarro que foi teu...
Já não é mais domingo
Já não sei mais o que escrever
Para alguém tão espontânea
Para alguém tão(...)

Esse domingo retificou
O conceito de dia chato e desinteressante
Pois foi uma das noites mais...
...Que vivi nas ultimas que madruguei
E nem precisei sonhar
Pois tu estavas ali...

Como é bom viver!
O mar as nossas estórias
De vidas que são distantes e distintas
Mas como é bom sorri!
E como foi bom ver você sorri!

Um Lugar de Menina (Goretti Brandão)

Apanho da saudade pequenos objetos;
O caderno das minhas primeiras letras,
Uma chuva que ia e que vinha...
A mecha clara cortada dos meus cabelos,
Uma sala de estar de brinquedo de plástico azulzinho,
Kátia Lilian, minha boneca,
E minhas asas de borboleta do pastoril.
Meu irmão ganhou uma bola colorida,
Que foi cair lá na roseira do jardim,

E voltou toda furada...
Ainda a alegria da rua naquela tarde de festa,
E no açougue, o alarido dos cães sem dono,
A calçada dourada de tanto sol que batia...
Aquele vestido novo para o dia de Natal,
O pega-varetas,
E o meu jogo de damas...

É igual como trazer de volta,
Um mundo inteirinho de conhecidos pormenores,
Onde a largura da rua é tão grande,
Que dá para passar dois carros de boi, com rodas que tocam música.
Tem até os olhos molhados daquele menino, que se perdeu,
E ficou sem ninguém, chorando assustado.
E que parou de chorar; distraído,
Quando um carro de boi passou tocando.
Até eu que tive tanto dó do menino distraí-me também.
E esqueci da pena que sentia dele.
Tem a feira com bonecas de pano e pés- de- moleques.
E o beiju, que trouxeram dela para mim,
E deixaram embrulhado em cima da mesa.
Bem ali adiante, a barraca onde minhas tias-avós,
Vendem modinhas de coco e pinhões de açúcar queimado.

Como encontrar o caminho do tempo que leva àquele lugar?
Em que lugar de mim, esqueci a menina que recortava revistas?
Não sei que fazer das lembranças que ela deixou comigo...

(Poema de uma grande artista ribeirinha, vinda dos lindos confins de Pão de Açúcar)

2 de out. de 2005

Conclusão (Gabi Ivo)

Através da janela, numa noite fria
Contemplo o céu sem estrelas da cidade.
Só a morte e as estrelas são verdade;
O resto é incerta poesia.