5 de dez de 2007

Sem respostas ( Fábio Sirino )





Os dias se seguiram sem notícias
E pelo meu temor
Não tenho certeza de nada
Fico hoje a imaginar-te
Em pseudônimo nem tão secreto
Se meus escritos tolos
Foram lidos ou se quer foram abertos
Na minha insegurança
Esconde em poemas
O desejo de falar-te ao pé do ouvido
Segredos e perguntas
Coisas bem nossas
Ouvir dos teus medos
Saber das tuas loucuras e delícias
Estar perto, nunca colado
Descobrir os furacões que escondes
Nesse olhar leve e misterioso
Mas contento-me em versar-te
Assim anônimo, apenas para te envaidecer
E não temas esses escritos
Pois minha loucura
Não ultrapassa a linha de uma poesia
Já sei do meu lugar a muito tempo
Aprendi a amar assim
Soube diferenciar o que querem de mim
E quem sou de verdade
E nunca fui amado por ser quem sou
Mas sim pelo que represento
E julgam que os poetas são tolos
Julgam erradamente
Mas que não fascina mais a ninguém um poema
Os poemas impressionam os egos
Os poemas exaltam a vaidade de suas musas
Mas nenhuma musa hoje ama seu poeta
Talvez seja o mal do novo mundo
Hoje se ama via cabos de fibras óticas
Faz-se amor com teclados e tela de plasma
Mas e o toque, a conquista?
Quero em alguns momentos ser ao menos quem sou
E se isso for safadeza, que deixem ser
Pois ai do poeta que não for “safado”
Nas palavras, o poder da exaltação, do desejo
Nele, o amor e a paixão como fina flor
E não deixo que meu mau humor das manhas de domingo
Estraguem a madrugada que passei a sonhar contigo
Mas os dias seguem e nessa quarta
Deixo o meu quarto
Só para mandar-te, versos e desejos implícitos
Num eu que ainda se esconde do mundo.