3 de jan de 2011

Enforcada (JurandirBozo)


Uma morte em Jaraguá...
               

                Madrugada de segunda, e ainda dormia o antigo bairro de Jaraguá, as ruas desertas adornavam seus armazém e casas antigas. Na rua principal, ainda calçada com paralelepípedos ficava o imponente prédio da associação comercial e mais a frente o museu da imagem e do som que ficava defronte a praça dois leões, a frente da praça uma rua asfaltada por onde passam os coletivos e logo após essa se via outra praça que precedia a uma igreja antiga de paredes brancas e portas azuis...  Na praça uma arvore grande bem ao centro, não sei lhe dizer o nome de tal arvore, mas esse detalhe é bem menor que o fato que teria acontecido ali na mesma madrugada sisuda.

                A manha de segunda veio lenta e logo que o sol se fez nascer gritos cortaram o harmonioso som de quase silencio – Socorro! Socorro! Mas o vazio era tanto que os gritos não encontraram um endereço sequer para serem destinados. Ali na arvore da praça defronte a igreja um corpo de uma jovem enforcada ainda a suspirar pelo resto de vida que estrebuchava as ultimas pulsações enquanto alguém lutava desesperadamente contra o inevitável fim. Com o passar de poucos segundos em uma luta intensa os movimentos desordenados foram dando lugar a inércia da morte, o corpo ainda quente deixava a impressão que algo poderia ser feito para salvar a linda moça enforcada. Após tentar por minutos numa batalha esgotante, a moça que aparentava ser leve o bastante para ser erguida com facilidade, ali, ela redobrava seu peso e dificultava mais e mais qualquer tentativa de salvamento.  Era uma linda moça de pouco mais que 18 anos, e estava vestida de forma pouco comum para uma suicida, a moça se encontrava com peças mínimas de roupas e com os pés a pouquíssimos centímetros do chão. O quadro aterrorizante motivava gritos ainda maiores por socorro, Mas ninguém ouvia... E após tanto gritar pedindo por socorro e a constatação que já não poderia ser feito mais nada, lhe ocorreu um pensamento pertinente – como eu cheguei aqui? ...e se pensarem que eu a matei? Então saiu caminhando em direção a igreja e entrou numa rua do lado seguindo um muro para contorná-la e logo que chegou aos fundos da igreja, parou para respirar e a pergunta continuava em sua cabeça insistentemente – como eu vim parar aqui?

(continua...)

2 comentários:

Dinho disse...

Massa Bozo, me senti no local! Suas palavras foram perfeitas.
Vc é um artista multifacetas realmente!!!!!

Jurandir Bozo (Fábio Sirino) disse...

Pow cara n sabe o quanto fiquei feliz com sua visita aqui...
Grato mesmo por me dar essa honra.