5 de jan de 2011

Enforcada (Jurandir Bozo)


Uma morte em Jaraguá...
Parte 3


                      Logo que acordou percebeu o porta-retrato sobre seu peito e tornou a observá-lo mais uma vez, só que agora foi percebendo algo muito comum na moça da fotografia, a cor do cabelo, a cor da pele, e foi então que em um lampejo percebeu que a moça da foto era a mesma que estava enforcada na Praça no Jaraguá – Meu Deus como pode isso, eu estou no quarto dela! Como pode isso Deus do céu? Como eu cheguei aqui? – ergueu-se e de forma inquieta ficou andando no quarto de um lado para o outro, recordava do que a pouco havia se passado e como não conseguia lembrar-se dos fatos de forma clara... Foi ate a penteadeira e abriu as gavetas e os armários do guarda-roupa e nada de encontrar uma explicação lógica ara tudo que estava se passando desde o início daquela manhã...
                 – Deve haver uma explicação... tem que haver uma explicação– pensou alto. as possibilidades mais prováveis passavam por sua cabeça numa velocidade que mal dava para se ater a um detalhe que fosse mais importante – e se alguém achar que eu a matei e por isso me trouxeram para o quarto dela... Ai!não, lógico que não, se tivessem pensado nisso não estaria aqui e sim na cadeia. Sentou na cama e ficou a observar todo quarto, pensava nas possibilidades mais improváveis e loucas, em teorias conspiratórias e mais teorias que já tivera vista em algum lugar que lembrava, se num filme, num livro ou em um jornal qualquer, então levantou da cama e foi ate a porta do quarto, pós a mão na maçaneta, e lentamente foi girando-a e abrindo a porta de forma suave e com muito cuidado... Ao abrir a porta viu um corredor e logo à frente outra porta entreaberta que mesmo com pouca visibilidade deu para perceber ser um banheiro, foi ate lá e ligou a torneira, molhou o rosto passando as mãos sobre os olhos repetidas vezes e pegou uma toalha verde que se encontrava do lado da pia, enxugou o rosto de forma suave, como se aquele simples ato de ter lavado o rosto tivesse aliviado toda tensão sentida. Colocou a toalha de volta no lugar que se encontrava e ao se virar pra sair viu um espelho que não ficava sobre a pia, mas do outro lado da parede defronte a ela, então fixou os olhos e viu no minúsculo espelho a expressão mais assustadora que músculos, carne e nervos poderiam reproduzir. Em seus olhos um pavor de roubar as palavras e emudecer todos os gritos... Foi então que sentiu seu corpo gelar e um arrepio enjoado ganhou todos seus pelos. Sem gritos ou alardes estava vendo dentro daquela moldura de metal o rosto da moça enforcada.

                Rapidamente fechou os olhos e pensou ser uma assombração ou algo assim e após alguns segundos de olhos fechados tornou a abri-los e o que estava refletido no espelho era ainda mais horrendo que a visão anterior, a concreta constatação que o que havia visto era real, ali era sua face limpa e pálida. Passou as mãos sobre o rosto diversas vezes e só uma coisa lhe ocorreu, - eu estou morta! – tudo ganhou contornos mais esclarecedores, ela entendia o porquê de estar naquela casa, o porquê de estar na praça naquele momento, o quarto, a fotografia, eram dela, ela era a moça enforcada.



(Continua...)
 

2 comentários:

Anônimo disse...

Glup!

Jurandir Bozo (Fábio Sirino) disse...

Queria muito saber oq estão achando do conto, esse conto é o primeiro que escrevo e já tomei a liberdade de postar aqui.