3 de nov de 2009

Olhos que Quero Conhecer III (Fábio Sirino)



(A Febre.)

Aproximasse de mim
Feito uma assombração para meus pecados
Uma moça de pela clara
Ela rodeava-me, cercava-me
Não me sentia dela
Mas a cobiçava com apetite voraz
Seus cabelos e seus seios
Suas coxas e seus pés
Que dançavam em saltos onze
Tudo girava com seus movimentos
Enquanto eu, estático observava
Cobiçando, com medo, covarde ali quieto.
A penumbra avermelhada
Predominava no local
Não permitindo revelar os traços mais finos
Seu rosto, seu olhar, perdiam-se de mim
Esvaíam-se na ausência de luzes mais fortes
Ela que não chegava a me tocar
Soprava um vento quente em meu corpo
Provocava-me como se soubesse as minhas reações
Como se dominasse minhas vontades
Num jogo de sedução
Os minutos pareciam horas
Enquanto duvidava da então realidade sonhada
Entre a fantasia que nunca tive
E a eminente vontade de trepar
Com quem se quer sabia quem era
De sentir os seus toques e seu calor
Que mesmo distante fazia-me suar
Deixando-me frio, arrepiado...
E por mais que não nos pertencêssemos
Ali eu já estava entregue aos feitiços
E aos meus desejos efervescentes
Como numa miragem
No calor do deserto
Ela se foi como veio
Feito uma alucinação
Uma assombração
Um sonho
Uma febre.

Esse poema foi inspirado por duas lindas mulheres. Que a ousadia das fotos me levaram ao encontro dessa poesia.
A Loren e Bia.