17 de out de 2012

Sobe Meus Jardins (Jurandir Bozo)



Às vezes a noite me acua no canto da casa e chego a pensar que ela vai me engolir, em outras eu que espero ela chegar e choro. Tem momentos que é preciso apenas a deixar ir e por mais longa que seja à noite, só me resta uma certeza,  - o dia sempre chegará;  - pois o sol se faz muito maior que toda escuridão e ele sempre volta a brilhar.

Assim muitas vezes a vida é chata e previsível, tipo livros e frases de autoajuda, e ai me canso dela, nesses momentos nada vale mais que um porre, e busco nas coisas mais torpes o meu alivio. A chantagem que faz o outro sofrer, o xingamento e nos casos extremos a porrada. No final sei que no escuro nada se vê e quase tudo morre na ameaça ficando eu sozinho e impotente com o vazio da casa e o meu egoismo.

É no desespero da raiva que fico "forte", que o poder "cresce"; que ninguém conhece minha natureza "perversa"...Talvez assim depois dos blefes o dia chegue mais cedo...  Talvez assim depois da falácia retome a rotina do politicamente correto, comedindo palavras, pensando, e pensando antes de falar...

No fundo no fundo, dizemos na hora da loucura verdades que precisam de uma justificativa para serem ditas e talvez ate justificativas para enxergar nelas o que tenho medo de perceber em lucidez diurna.  A crueldade do outro que o sentimento esconde, e nada mais complacente que a paixão. Ela é o maior refugio de verdades enterradas. Os sentimentos e as madrugadas, no escuro ocultam até quem somos de fato.

Assim sobre as verdades que se escondem plantamos flores e enfeitamos nossos dias fingindo felizes em sentir o doce e cruel aroma da desfaçatez humana. No mais tudo são apenas fazes felizes e tristes, e assim serão os dias que estarão por vir, cada um com suas noites e suas flores, com o jardim que deseja cultivar para se.



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