1 de mai de 2013

O Sorriso Abril (Jurandir Bozo)




Abril sorriu pra mim
Passando perto de todas as incertezas
Reflexivo feito o infinito
Sem dar fim as minhas dividas
(E quem antes de partir dá fim as suas)
Sem a necessidade de ater-me ou atear-me
Descompromissadamente embasado
Nos riscos que desde sempre tomei para mim
Apenas fixo meu pensamento no sorriso que se abriu
Eu que tinha a mim sentenciado indiferença
Como se todos os outros fossem iguais
E viver repetições fosse sempre menos proveitoso
Que buscar a ineditude dos minutos
Encontrava-me entregue ao brilho do sorriso que se abria
Em mim mil pingos de chuva me despiam a alma
E percorriam meus instintos adormecidos
“Enestesiadamente” meus pensamentos corriam lentos
Buscavam formas e curvas
Torneavam pernas e seios
Formavam o desenho do que já havia visto
Para que assim mapeada eu não pudesse a esquecer
Mas abril se foi levou o sorriso dela
E hoje quando os pingos de chuva tocam minh’alma
Ela apenas dói
Dói como se nunca tivesse sentido tal dor
Não pela saudade ou pela falta
Mas pela ousadia de ter voltando a ouvir meu coração gritar
O que a muito já havia sentenciado ao silencio


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