31 de out de 2006

Cartas às luzes dos postes (Fabio Sirino)

Pelas esquinas que passo
No alto dos postes
Vejo as luzes e as estrelas
Pois o que escrevo me toma como fixação
Uma doença que precisa ser expelida
Pela paixão ou pela situação
Onde me encontro é menos importante.
O que vale, é como me encontro
Meio a perguntas e pensamentos
Quem de nós menos envolvido
Nessa cadeia de medos recordados?
Ato-me ao teu laço de proteção
E fujo com minhas perturbações
Mesmo perto temos mundos distantes
Atribuições e prerrogativas
A pressão que me mata é tua indiferença
Sem nomes ou planos
Fico eu sem futuro ou presente
Deixo que passe tua tensão
E espero vir para o próximo mês
Que venha mais leve
Que isso pese na falta que me fazes
E não preciso que me leia em escritos
Já tenho cicatrizes suficientes para gritar-te
Dizer alto teu nome, sem a mínima vergonha
Para que o mundo nos ouça e pare...
Escrevo sim, como revide
Às grosserias e negligências
E se isso a te incomoda, a mim mais...
Volto à linha do poema
Para que as luzes dos postes
Deixem as esquinas mais claras
Pois a claridade é quem me segura a mão
Afaga a ferida da alma e aconselha-me a ter calma
E por fim
Manda que diga ao mundo a minha dor
Dos meus entraves e do meu amor...