
"Aqui se encontra idéias poéticas, aqui se encontra paixão, prazer, dor, lagrimas e sorrisos, um espaço para que eu possa postar minhas manias em escritos que não necessariamente atendem as expectativas do outro e tão pouco a formalidade ortográfica, aqui não há compromissos com acertos e sim com a ousadia da tentativa e intensidade dos sentimentos e sonhos meus."
29 de fev. de 2008
Cartas para mim III (Fábio Sirino)

7 de fev. de 2008
A Dona da Tribo... (Fábio Sirino)

Ou tornemos a nos encontrar
Talvez seu carnaval tenha sido melhor que o meu
Ótimo, ou simplesmente a musica se quer tenha som
E mesmo assim seja gentil por apenas gostar
Do que se imagina ser ou ter tom de pele
Mais bronzeado, cor de praia
Com sete palmos ou sete amigos
Na vida sobre as arreias próximos a Ipioca
Na poesia já secular abaixo do chão lusitano
Sem sequer sentir ou saber se furtado ou roubado
Talvez por apenas vigiar o sorriso de uma criança
Sim vigiar o mundo que vemos de formas distintas
Sai do baixio das bestas e apenas encontrar um canto e fumar
Ver no corredor do cinema a nossa fumaça
E nela mais que se reconhecer
Mostrasse nu sem medo dos olhares efusivos
Ele antes que notasse quem erra percebia tua chegada
Como um Corujão a velar meus sonhos
Talvez materializar as formas e as decepções
Pois ninguém é obrigado a amar
Tão pouco esperar o erro do outro
- O que fica realmente enclausurado
É o sentimento para cada
E não as idéias...
- Ou a forma de sermos o que realmente somos...
6 de fev. de 2008
Resto de Mim. (Fábio Sirino)

Noites que te quero sono
Que desejo sonhos e te quero paz.
Dor que te quero ausente
Que preciso de paciência e ser muito mais.
Vida que te quero resto
Que termine indo curta para o cais.
Corpo que já busco o teu
Já renego o meu, sem olhar pra trás.
Vidro que chega estilhaçando
Coração quebrado cansa de bater
Quero-te mesmo que sonolenta
Calma e ausente, mas nem tão paciente
Em me ver sofrer.
Quero-te mesmo teu resto
Indo terminando curta procurar meus cacos que não são iguais.
Coração ainda quero teu
E renego o meu pois já não bate mais..
2 de fev. de 2008
Carlton Cine (Fabio Sirino)

Chega de saudade ou de se sentir distante
Quero ao menos uma morte que me aproxime de quem amo
Assim talvez não precise fumar ou embriagar-me em lembranças
Dos amigos que perdi e dos que ainda se quer tenho
E se não me bastasse uma poesia medíocre e provinciana
Faz-me lembrar o povo do lugar de onde vim
Então volto para Internet talvez buscando esses que já não vejo
Sem teto, sem saliva, sem abraço ou terra nas unhas
Já não trabalho e nem sei mas quem sou
Apenas que fumo Carlton
E que ando cada vez mais devagar...
5 de jan. de 2008
Poema Safado (Fábio Sirino)
Quero mais um diálogo
E carinhos apenas já não me ganham
Preciso de uma boa foda
O resto vem bem depois do quinto dia
Depois de tantas que já perdemos a vergonha...
Talvez minha decepção com o amor
Tenha aguçado minha safadeza
E nisso me perdoem os puritanos
Mas creio que mais vele uma sacanagem bem feita
Que um amor solitário
Quero línguas e toques
Buracos umedecidos e provocados
Até o último arrepio
Assim não garanto ser mamado
Mas ao menos tenho disso prazer e gozo
E se acham que estou mandando trocarem um amor
Por uma boa safadeza
Estão redondamente certos
Hoje já não quero amar mais
Nem escrever ou rimar
Quero uma mulher que me olhe nos olhos
E depois do fim da noite
Sega sem nada termos que nos confessar
Sem problemas a escutar
Sem vidas a ser descritas e mentiras a serem contadas
Pois no fundo todo poeta ama uma mulher safada.
24 de dez. de 2007
Urânia (Fábio Sirino)

Nessa busca inusitada
Na passagem para o nada
Vamos ao desconhecido
Num belo lago azul
Onde sul e norte
Não fazem fronteira
Com os sóis alaranjados
Quais as próximas barreiras
Para um espírito encarnado?
Nesta sinfonia de seres perfeitos
Um lago simboliza
As poucas lágrimas
E acalma o vento
Atrai o tempo
Derretendo o gelo
Busque a vida
Como a própria felicidade
Que tudo não acaba
Com o fim do temor
Que as palavras
Amanhã não se repetirão
Libertando a alma,
De toda ilusão, toda dor
E aquele amor que há no coração
22 de dez. de 2007
Desconhecida (Fabio Sirino)
Fora da roda
Não comum ao ciclo que eu já conhecia
Ali quieta quase anônima
Como se santa fosse ela
Na zoada que fazia observava eu de canto de olho.
A sua beleza e a paciência ao aguardar...
A filosofia dançava
E se não enxerguei os olhos dela
Assim os imagino
Não azuis ou verdes
Penso neles castanhos ou pretos
Penso que ali o mundo que viaja em cores
Mas tudo era predominantemente branco
Na gira a descer em bênçãos
Antes, no quintal os baques quase surdos.
Hoje, é tudo muito alto,
Num ponto onde a cultura se aflora
Não tenho vergonha da minha macumba
E se a senhora ali quieta deixar
Também apresento minha poesia
Recitada com voz rouca e já cansada
- Pois não canto mais como outrora sonhei
Reservo-me para em eventuais momentos
Soprar cânticos ao pé do ouvido
- E assim faria se perto dela estivesse
Saciar meu curioso desejo
Ouvir a voz e ver as mãos
Saber ao menos o que faz aquela linda moça
Aqui às escuras tudo é especulativo
Solto na medida dos segundos que a imagino
Por vezes despida.
Mas nada tenho
Uma lembrança quase incomoda
Da minha falta de iniciativa
E se algo me serve de lição
Aprendo que na distancia
O sentimento só se faz belo em poesia
Sim sou louco e disso faço pouco
Não me intimido com loucura
Vejo leio loucos como eu o tempo todo
E neles me sinto parte de algo que nem sei se conheço
Mas que me soa familiar
Irei ofertar as flores que minha ausência
Deixou em falta
Para que ela um dia volte
E eu possa simplesmente ouvir sua voz
Tocar suas mãos e olhar no fundo dos olhos que imagino
Sem palavras ou versos
Dançar e beijá-la ao fim da musica
- Sou ousado e sempre quero mais
- Pois no fim de todo artista a sempre um menino
Cheio de vontades e medos
Então conhecerei a menina dela
O que esconde na discrição de sua serenidade
Pois de longe tudo é pura ficção
Entre a áfrica e os orixás
Entre o computador e a estética
O resto é detalhe, adereço ao que vi.
Como se já perdido fosse
Como se não fizesse falta ao todo
Deixo um registro ao mar
Que ele aceite esse escrito meu
Pois dela não tenho o endereço, nem nome.
Ficou apenas sua imagem a me encantar
Em meio aos toques e bênçãos
Da casa de Iemanjá.
5 de dez. de 2007
O Sagrado Sangrando ( Kelly Baêta e Fábio Sirino )

Eu já não quero mais cantar as minhas tristezas
E hoje eu já sei o que significa cada letra da palavra amor
Eu não acredito em nada do que me contam e o que é pior
Eu não acredito no que os meus próprios olhos enxergam
Simplesmente por que você me traz a inspiração de viver
-Hoje eu não quero mais cantar as minhas alegrias
Pois sofri junto para entender o significado das palavras
Que um dia nos amando você me ensinou
E não acredito nas horas que tanto esperei
Para você não chegar e me trazer de volta a alegria de viver
Tudo em mim ainda é agonia intensa
Acho até que nenhum ser humano já sentiu tamanha dor
Mas eu já disse que não quero mais contar tristezas
Porque nossa história de amor é linda e intensa
Igual as minhas dores, as nossas dores e nossas histórias particulares
-Por ti meu eu ainda clama, no fogo, no ar,
No calor que nos trazemos
E só em pensar em não mais aquecer a minha alma
Busco-te mais e te quero mais
Pois a minha verdade é te amar
Juro a ti e imagino quantos poetas loucos como nós
Já exprimiram seus sentimentos em palavras soltas
Palavras que significam algo para nós
E somente nós iremos entender cada verso
E cada ponto que damos para continuar nesse universo
-Então amarro cada lembrança que vivemos juntos
Na esperança de um dia ter de ti o que sempre sonhei
Para viver em vida um sonho que sempre tive
Ao lar, ao ar, voar e conhecer o mundo
Reinventar o que você me ensinou a acreditar acordado
O Engenho Jaraguá, o Teatro Deodoro, O Museu da Imagem e do Som
Os bairros dos nossos sonhos, formosos e benditos
O palco dos teus encantados e escândalos
Os nossos museus que são lembranças e meras expectativas de ser
Imagens e sonhos reais que sentimos em cada centímetro de ser-mos.
-Hoje, já nos permitimos ser assistidos ao escrever
Jornais, matérias, crônicas e anotações despretensiosas
Dançamos, nos encantamos e fomos além
Que o mundo que sonhamos nos permita
Mais um dia, ou mais mil anos sendo felizes
E nenhum de vocês irão entender
Os nossos pecados mais íntimos
Tentem... apenas tentem
Mas não nos imaginem
E estejam preparados para sangrar!
Sem respostas ( Fábio Sirino )

E pelo meu temor
Não tenho certeza de nada
Fico hoje a imaginar-te
Em pseudônimo nem tão secreto
Se meus escritos tolos
Foram lidos ou se quer foram abertos
Na minha insegurança
Esconde em poemas
O desejo de falar-te ao pé do ouvido
Segredos e perguntas
Coisas bem nossas
Ouvir dos teus medos
Saber das tuas loucuras e delícias
Estar perto, nunca colado
Descobrir os furacões que escondes
Nesse olhar leve e misterioso
Mas contento-me em versar-te
Assim anônimo, apenas para te envaidecer
E não temas esses escritos
Pois minha loucura
Não ultrapassa a linha de uma poesia
Já sei do meu lugar a muito tempo
Aprendi a amar assim
Soube diferenciar o que querem de mim
E quem sou de verdade
E nunca fui amado por ser quem sou
Mas sim pelo que represento
E julgam que os poetas são tolos
Julgam erradamente
Mas que não fascina mais a ninguém um poema
Os poemas impressionam os egos
Os poemas exaltam a vaidade de suas musas
Mas nenhuma musa hoje ama seu poeta
Talvez seja o mal do novo mundo
Hoje se ama via cabos de fibras óticas
Faz-se amor com teclados e tela de plasma
Mas e o toque, a conquista?
Quero em alguns momentos ser ao menos quem sou
E se isso for safadeza, que deixem ser
Pois ai do poeta que não for “safado”
Nas palavras, o poder da exaltação, do desejo
Nele, o amor e a paixão como fina flor
E não deixo que meu mau humor das manhas de domingo
Estraguem a madrugada que passei a sonhar contigo
Mas os dias seguem e nessa quarta
Deixo o meu quarto
Só para mandar-te, versos e desejos implícitos
Num eu que ainda se esconde do mundo.
4 de dez. de 2007
Desilusão (Fábio Sirino)

Antes que me mandem calar
Antecipo-me calando
Só, num quarto desarranjado
Vendo na fumaça do meu cigarro
O tamanho da minha vaidade
Quase nu deitado ao chão frio.
Já não ligo a televisão
Tenho vontade apenas de ler e-mails
Tenho vontade é de ler os alheios
Ver a vida do outro e comparar a minha
Só assim me sinto menos infeliz.
Sinto-me menos infeliz
Quando encontro um moribundo
Quando falo com alguém que esta prestes a morrer
Na verdade minha infelicidade se vai
Ao ver a desgraça maior que a minha
A dor maior que a minha.
Se bem...
Que quando eles se vão volto eu a minha dor
A minha desgraça e desamor
Mal amado talvez
Pense de mim o que quiserem
Mesmo assim me repito nos coletivos e esquinas
Meio que a invejar os que sofrem
Então resolvo ajuda-los
Ouvi-los e entende-los
Mesmo estando pior que ontem e melhor que amanha
E nesse ciclo que se repete e perdura minha vida
Preciso de um revolver e uma bala
E principalmente coragem para atirar
Tirar-me a vida
Recomeçar um outro sofrimento talvez
Mas esse talvez me leve a crer
Que isso pode vir a ser melhor
Talvez eu sofra menos
E quando passar pelas esquinas do inferno
Eu já nem olhe mais para os lados
Eu já enxergue apenas o belo.
Mas não! Isso não daria certo
Esse já mais seria eu.
Preciso de algo pra me preocupar
Mulheres que chorem e clamem ajuda
Mas que não se rendam
A minha vontade assim fácil
E também adoro a conquista.
Sou inteiramente apaixonado pelo ser humano
Complexo e problemático.
Creio ser narcisista e adoro ver no outro
O que sou ou o que quero pra mim.
Assim chego a cada fim de minhas vidas
Regado a um novo amor ou uma nova desilusão
Manhãs de Domingo (Fábio Sirino)

Com ar simpático ao tragar
Um cigarro ou uma e outra palavra
Atrasada na chegada
Ela é precisa na forma
De se mostrar presente
Clareando não apenas o sorriso
Mas todo o ambiente;
A noite ficava mais clara
Transbordando luz em descrição
Sem precisar exaltar-se
Para ter atenção
- Não! Ela não faz charme!
- E eu um desconhecido a observar
Os olhares que a buscavam
Um desconhecido a imaginar
Os seus projetos e medidas
Decorando no exterior cada gesto
- A forma que umedecia os lábios
Á aparente tranqüilidade
- Mas que furacão será que ela esconde?
Como será seu beijo?
- Ao menos sei que ela dança
Compassadamente sexy ao som de "Já"
- Seguimos caminhos opostos
Eu aqui na parte alta da cidade
Acordado a sonhar em versos
Ela ao nível do mar
Dormindo (creio eu) linda;
Talvez a sonhar
Com sacadas de casas e edfícios
Ou quem sabe um príncipe meio bandido
Talvez arquitetando um mundo
Tão belo quanto o jeito dela
Com céu azul bem clarinho
E cores fortes nas flores
E o mar de um azul bem escuro
Mas nada com muita maquiagem
Pois ela parece ver as coisas sem muita fita no olhar
E como é bom não sublimar
As coisas e as pessoas são o que são
A vida flui como num sorriso
Ou numa lágrima
Os momentos são únicos
Como uma boa peça de arte
Detalhes e cores nunca vistos
No mesmo entrelace de imagens
Assim parecia ela nessa noite
Um quadro cheio de entrelace de luz.
- Lá vou eu sublimando...
-Mas como não faze-lo
Se ela a mim não soava comum
Mas sim, sublime
Como a lua, o sol, o mar
As cores do arco- íris
O som de um violão...
- Chegou minha hora
- É manha de Domingo.
Estou sorrindo...!?
- E eu odeio as manhãs dominicais
- Acho que realmente preciso dormir...
2 de dez. de 2007
O brilho de sua timidez (Fabio Sirino)

As estrelas são facilmente confundidas
Com as pessoas mais iluminadas
Pelos holofotes e a amplificação de gritos
Perde-se no vão do infinito da alma
Clara alma guiada pela luz
Longe do meu campo de visão
Se perdem no medo de multidão.
Lá de cima se quer deu pra perceber
Se seus olhos enxergarem
Nossos sons e melodias
Mas ao fim dos tambores
Um sonho de forma frágil
De olhar doce e sempre terno
Chega como se para mostrar-nos
Como se brilha um astro vivo
Pois ela estava lá desde o começo
Ela não se denomina como estrela
Ou luz do sol dos campos
Sem fascinação pelo culto do mito
Desmistificando a customização
Do nosso padrão do comportamento
Do tido com sexy
Do tido com fatal
E ela chega tão fatal quanto sua timidez
Ela entra em sena e se quer tem luz ,
Ela não representa, ela é.
E seu sorriso me confirma
Que ainda temos chance
De dignificar a raça humana
Ou simplesmente ficar mais apaixonado
17 de nov. de 2007
Eu... (Fábio Sirino)

O Quarto (Fábio Sirino)

Um quarto quase sempre desarrumado
Sujo por vezes que aqui cheguei
Com roupas e bolsas espalhadas
Pelos cantos quase apertados
Aos pés do guarda roupa, cinco portas.
Mas aqui, mesmo de cortina fechada.
O sol invade e chega a nos com força
Num misto de alegria e euforia
Quase plena quase sublime
Quanto à beleza que nele se irradia.
Tanto já vivi aqui
Mesmo sendo um reles convidado
A confiança amistosa que a me é ofertada
Meu “tesão” se aflora a cada minuto
Que respiro o cheiro o que ele exala
Daqui desse mundo aparte
Dos medos e fracassos
Um objeto dos nossos desejos
Faz o elo entre nós e o resto dos mortais
Sem tempo hora ou vontade de seguir
Aqui desejo apenas ficar
Para fazer parte do universo que sei não ser meu
Na evidência mais efusiva
Da paixão que sinto
Na imensidão dos segredos
Que sei que guardas em teus domínios
Amontoados pela cama
Já não me impressiono com tua beleza
Já não me engano com tua sensualidade
Hoje, estou apaixonado apenas
Pela verdade que sei que eis
Linda, livre e desorganizada
Charmosa, audaz e astuciosa
Verdadeira, forte e mascarada
Assim como uma bijuteria que será esquecida
Após o passar da moda
Meu ciclo é curto
E meu sentimento parece longo
Na falta de regulador
Das horas e sonhos
Que expelimos um para o outro
14 de nov. de 2007
Mais um amor da minha vida (Fabio Sirino)

Acontecem as paixões
Sempre estamos despreparados
De defesa baixa e lá vem ela
Forte e audaz como uma onda gigante
Arrasando, mas com beleza e gostosura.
Pois se for pra se dar mal
Que faça isso gostoso
Nas teias do destino
No enlace dela
Busco explicações sobre esse tal gostar
Que nos leva as loucuras da abnegação
Do ego, do eu, tudo em prol do outro.
Do outro que nem pensa no nosso outro
No outro de cá, os de lá,
Enxergam o real, a possibilidade da dor.
Exageradamente racional
Fruto da mais pura safadeza
Os de cá, os apaixonados:
Sonham com as probabilidades do prazer
Exacerbadamente imoral
Fruto do mais puro romantismo
Disputam um jogo desleal
Onde um luta pelos dois
E um por se e só
Assim meio deles meio de todos
Meio de todas e meio de ninguém
Na verdade gostaria de escolher as minhas
Talvez por ter conhecido
Uma das mais belas mulheres que já vi
Pela doçura e sensibilidade
Pela irreverência e aberturas
Nos assuntos mais sórdidos e amorais
Pela beleza de alma e corpo
Pela sutileza ao consolar minhas lagrimas
Assim de certa forma amo como mulher
Mas não aconteceu nenhum acidente
Que me causasse o trauma da paixão
Que pena não ter morrido por ela também
Pois morreria gostoso como nunca morri antes
Por outros amores da minha “vida”.
8 de nov. de 2007
De Rosto Dado (Fabio Sirino e Kelly Baêta)

De rosto dado um ao outro
Olhares de sol vão alem do vento do mar
Por que o divagar do seu pensamento
É tão lento quanto a velocidade
Do passar do teu tempo...
O sentimento vai além da falsa estética
Sem sofismo ou filosofia
O sentimento chega ritmado
Em fotos que guardamos juntos
E lágrimas que choramos separados
Porque juntos aprendemos a ser - mos
Na imensidão que transformava
E as noites em dias...
Porque juntos aprendemos
Onde a coragem do sentir dava sentido
Na imensidão de uma fantasia de bailarina
Ou na fumaça de um cigarro
Se é que colecionávamos agonias...
Simplesmente pelo tresfoliar do passar dos dias...
Pois discurso e poesias
São arcaicos demais para a nossa modernidade
A fotografia apenas apreendeu um momento
Dos tantos que ainda existirão...
Portanto, o encontro nada mais é que o discordar
Das palavras que foram ditas
14 de set. de 2007
Distancia (Fábio Sirino)

Alem dos discos voadores e dos fotógrafos
Aqui bem distante dos problemas que nem sei quais são
Fico a imaginar noticias e fantasiar artistas
-Qual desculpar ou história da realidade alheia irei ouvir?
Apenas sei que quase não escuto
E meu grito cala pra ter silêncio
Perto da ponta grossa minha voz afina
E uma saudade já doida entra no tom
Uma cama que chama por nomes proibidos
No alto distante da cidade chuvosa
E eu a falar-te baixo
Enquanto gritas por socorro
Nosso egoísmo não nos permite
A ser o que o outro mais precisa.
22 de ago. de 2007
Grato! (Fábio Sirino)

O tempo se esgotando e meu cansaço nem importavam
Pois tudo era tão suave que eu apenas ia
Que apenas continuava a seguir tuas curiosidades
No seu silêncio uma arma de me deixar livre
Pelos fios que nos deixam falar e escrever
Nas nossas moradas e sonhos
Andam ainda aculturados os medos
E os que se calam por eles
Segue os teus pensamentos
Com a música que da raiz do bem te gerou
Quase inseticida para aniquilar a má qualidade
E dos arpejos um som mais encorpado
Mas não menos suave que tua voz
Assim mansa ao pé de ouvido
Em off, apenas respeitado o meu silêncio
Deixado-me falar mais e sonhar em paz
E era apenas uma entrevista
Como tantas outras
Mais a forma que surge novas formas
Fazem do homem um diferencial
Assim por me fazeres sentir melhor
Mesmo ficando indignado
Falo com Gentileza
Não mais obrigado
Pois estou é agradecido
16 de ago. de 2007
Tentar ? (Fábio Sirino)

Espero já ansioso
Pela próxima noite em minha casa
Pois ontem, mesmo escondidos
Percebi que te desejo mais
Mais que consegui mostrar
Mais que meus dedos e mãos demonstraram
Mais que o socorro que fostes me dar
Sou a soma de situações que nem viveu
E não posso mentir e dizer que te amo
Mas também mentiria se negasse
A força do prazer que me deste
Ou a intensidade dos minutos que vivemos
Talvez não passe de um momento nosso
Talvez seja uma fantasia mais minha
E tudo é risco no campo das possibilidades
Pois antes de te
Outros de mim morreram por amores vãos
Para longe dos barcos e portos
Meu mar é agitado
Sem plano de saúde ou seguro de vida
Uma vida para uma paixão
Uma paixão para uma vida
Assim os dias de confusão
Cercaram-me de mentiras fascinastes
Em enredos bem traçados
E sonhos bem sonhados
Hoje após a linda madrugada
Ainda não sei se convido a te
Para tentarmos juntos
Ou se continuo seguindo sozinho
6 de ago. de 2007
Mexicana II (Fábio Sirino)

Cartas para o filme
Hoje quero escrever-te
Em versos simples
Para que sintas minhas palavras
Sendo ditas próximas ao ouvido
Sussurradas, quase despropositadas
Do todo que há em mim
Desejando teu corpo e espírito
E nada além disso
- Se é que existe o além...-
Se de tu já não tenho certezas
Nas dúvidas que me ofertas
Não encontro mais teus beijos
E sinto faltas deles
Como sinto falta do teu calor
E do teu sorriso
Invadindo meu apartamento
Preenchendo meu quarto
Seminua, com meus panos a abraçar-te
E fico eu assim
Sem crédito para por no teu celular
Ou um veículo para te levar cigarros
Não posso te ofertar garantias
Tão pouco fazer promessas para a eternidade
Mas se queres
Posso levar-te para dentro de mim
Ajudar-te a conhecer o mundo
E enfrenta-lo contigo se preciso for
E se preciso for
Subirei aos céus para pedir por tua alma
Ensino-te e tu me ensinas
Então me proponho a ser teu aluno
(Mas não na tua arte de mentir)
Assim como também serei teu professor
(Mas não na minha arte de iludir)
E nenhuma companhia
Fará-me sentir mais tranqüilo
Que a tua presença
E se ainda assim pretenderes fazer
O que julga ser certo
Por ti, farei o errado
O que tu nunca me pediu
E farei sem pedir perdão
Sem ter que repetir que te amo
Sem precisar da tua confusão
Pois já não mais acredito
Em alma gêmia ou em eternidade
E se nascemos para ser só
Porque então nos buscamos?
Porque então nos arrasamos
E nos desesperamos?
Se tudo isso era tão óbvio.
Se não queres mentir para mim
Então fale a verdade
É bem simples assim
Se não tem ou não pode
Dar-me o que quero
Sai apenas do meu caminho
Que tenho necessidade de andar
E não me sinto livre
Pois estou preso no teu olhar
Nesse filme de amor bandido
Onde, como o vilão
Matam-me no fim...
23 de jul. de 2007
Minha Hora (Fábio Sirino)
Talvez seja minha hora de descansar
Assim como alguns amigos já fizeram
E tantos outros que vieram antes de mim
Dormir um pouco, por vários e vários dias
Sem som, luz ou imagem do homem forte que criei
Já sem voz pra gritar, já sem medo
Assim como eles, pretendo desistir
Der-me tempo na busca pelo desconhecido
Pelo nada que já carrego
Assim como eu, estranho
Deslocado, solitário solicito
Com ar de bom moço alegre
-Como sei mentir-
Assim se vão minhas vontades
E em muito breve minha vida
Dores amores e feridas
Para o céu, inferno ou para o nada
E quem me conheceu imagem e cantos
Terá uma pergunta, um julgamento
Milhões de duvidas
-Porque será meu Deus?-
Dirão os que gostam de mim
Sentirão talvez minha falta por alguns dias
Mas somente por alguns dias
Após as formalidades
Tudo correrá para a mais simples normalidade
Dentro da mediocridade dos dias que se seguem
E como já bem disse Álvaro de Campos
-Lentamente esquecerão de te, e só serás lembrando
Em duas datas, aniversariamente-
Tão breve seja a vida, assim também se dará as lembranças
E parti como hoje desejo
Tornou-se quase inevitável
Pela falta ou pelo excesso
O exagero dos sentimentos que me cercam
Deixo então meu legado de fracassos
Deixo então minha coragem e covardia
Essa é minha herança:
Uma mão estendida, aos que me negaram abrigo,
Um sorriso largo, aos que choravam perto de mim,
Um ombro aos que buscavam consolo,
Enquanto me abandonava pelo mundo
Nas mentiras e histórias que criei
Assim apagarei esse “fake” que sou
Com um “delete” e um ponto na poesia...
9 de jul. de 2007
O primeiro dia...(Fábio Sirino)

O primeiro dia após o fim
É uma ressaca doida e sóbria
Pois na noite anterior,
O adeus fica martelando os sonhos
As projeções, as expectativas e os planos
Todo que se foi pelo ralo, nas lágrimas
Da alma a sarjeta onde estou
Onde penso estar, mesmo sabendo da saída
Fico eu vivendo essa dor, esse medo e esse amor
Lógico que eis a primazia que sempre busquei
Cor da vida que tando desejo
Lógico quanto à vinda da morte
Como meu olhar vazio procura tua imagem
Como teu cheiro, invade meu eu
E como eu, meu desejo sucumbe a tua alma
A tua força e as tuas duvidas
O primeiro dia é sempre assim
Parecemos até mais fortes do que estamos
E quando olho no espelho
Meus olhos refletem os teus
Minha mão busca a tua
E longe isso corta o peito e me deixa nú
Quero então uma bala
Um revólver e coragem para dar-me fim
Assim sem cartas ou testamentos
Sem ti a vida some, perde claridade
Sem ti o sol já não brilha
E se for para teu bem
Assim serão meus dias
Sem brilho nem claridade
Sem cheiro de menina arteira
Menina levada às melodias e movimentos
Uma grande mulher de alma rara
Corri para longe e sei que fui injusto
Mas não covarde como pensas
Enfrento a distância do que mais quero perto
Por escolha, ou por imposição do destino
Queria mais que isso, quero formalidade sim.
Namoro de porta até
Quero mais filhos e sonhos
Projeto de vida a dois
Quero dizer todos os dias que te amo
Mais que ontem e menos que amanhã
Que só a morte nos separa
Mas é dia de calar e seguir
Sem a noite de quarta no calendário
Pois para mim ela ganha um outro nome
E a quinta o mesmo
O resto da semana chamem do que quiser
Mas sem ti, eu a chamo de tédio...
8 de jul. de 2007
FIM... (Fábio Sirino)

Há noites propícias para uma despedida
Há dias que as coisas
Têm uma outra forma de serem vistas
E minha visão inebriada
Toma forma e ganha humidade
Ao contrário de Elisa, farei de sacanagem
Mas talvez não para bem, ou pra inocência
Mas voltarei à dureza e a hostilidade
Que me trouxeram até aqui.
*
Aqui nessa madrugada,
Onde não me acompanho e “me abandono”
Nas ruas estreitas e antigas da cidade velha
Ruas vazias e sofridas, ruas de sonhos e medos
De gente e de almas que já se foram
Partiram e seguiram suas estória
Fecharam seus círculos
Ou como eu, tiveram medo e ficaram calados
*
Agora é hora de gritar
Mandar a merda tuas inseguranças
Os teus desejos que me cortam a alma
Quero mais do pode me dar
E agora acho que tinhas razão
Quero mão, pé, boca e sexo explícito
Quero um vinho e um baseado
Mas não esconderijo ou abrigo
E sim liberdade sem mentira
E sim doação sem cobrança
*
Deixe-me seguir então
Perto dos fracassos que não te pertencem
Perto dos sonhos que não são teus
Do amor que não pode me dar
Deixe-me calar e pegar a Piedade
Que ele me leva em casa
Volto para perto das nuvens
E do meu disco voador
E desejo a te a melhor dança e a melhor noite
O melhor sonho e o maior amor
Que já sonhou um dia ter vivido
Porque pra mim acabou
E eu já deveria ter partido...
6 de jul. de 2007
Depois da noite de prazer (Fábio Sirino)

No fim da tarde
As coisas ganham o verdadeiro sentido
Na realidade mais dura e cruel da vida
Depois dos sonhos que mal sonhei
Depois dos poucos momentos de sorriso
Um soco em minha alma
Ou apenas mais uma despedida
Outro momento de choro
Que resposta Deus nos dar com isso?
Esperei a noite como se fosse eu a morrer
Eu a sofrer, só num apartamento de paredes brancas
E insisto nessa repetição
Pois assim, se dão meus dias
Minhas vitórias
Como num livro sem escrituras ou fotos
Como ser quem sou, antes de me sentir algo?
Antes de me sentir parte de algo
E no nada que me incomoda
Vejo de dentro o vazio dos segundos que se seguem
Antes que me leve uma recordação
Mais um dia de minha vida
Eu quero gritar
Eu quero chorar e poder cair
Antes que diga-me que é tarde demais
Quero tentar e tentar até cansar
Vejo então as despedidas de uma outra forma
Vejo os fatos que se seguem assim também
E se como não bastasse
Repito-me na forma de ver toda essa mudança
E por isso me calo
Mesmo querendo gritar
Mesmo precisando chorar e cair
Talvez, hoje, eu faça um testamento e me mate...
Mas minha vontade de viver é tão maior que eu...
Meu desejo de amar é tão maior que eu...
Que naufrago em esperança já desiludidas
Já fadadas ao fracasso
E nele, eu a lutar, eu a seguir, eu a calar...
Porra! Mais o que fazer?
Se a resposta de Deus não cala a minhas perguntas...
Deixo meu filho e minha música,
Deixo poemas e risos para posteridade,
Ou deixo dívidas e inimizades?
Desejo o mundo e o que tenho?
Uma força que não enxergo
Amigos mórbidos que se matam
Amigo forte que clamam por mim
Um coração enorme que sofre mais
Não! Eu tenho apenas medo de me sentir ridículo.
3 de jul. de 2007
Revendo (Fábio Sirino)
Soneto para uma quase Fumante (Fábio Sirino)

