9 de jul. de 2007

O primeiro dia...(Fábio Sirino)



O primeiro dia após o fim
É uma ressaca doida e sóbria
Pois na noite anterior,
O adeus fica martelando os sonhos
As projeções, as expectativas e os planos
Todo que se foi pelo ralo, nas lágrimas
Da alma a sarjeta onde estou
Onde penso estar, mesmo sabendo da saída
Fico eu vivendo essa dor, esse medo e esse amor

Lógico que eis a primazia que sempre busquei
Cor da vida que tando desejo
Lógico quanto à vinda da morte
Como meu olhar vazio procura tua imagem
Como teu cheiro, invade meu eu
E como eu, meu desejo sucumbe a tua alma
A tua força e as tuas duvidas

O primeiro dia é sempre assim
Parecemos até mais fortes do que estamos
E quando olho no espelho
Meus olhos refletem os teus
Minha mão busca a tua
E longe isso corta o peito e me deixa nú

Quero então uma bala
Um revólver e coragem para dar-me fim
Assim sem cartas ou testamentos
Sem ti a vida some, perde claridade
Sem ti o sol já não brilha
E se for para teu bem
Assim serão meus dias
Sem brilho nem claridade
Sem cheiro de menina arteira
Menina levada às melodias e movimentos
Uma grande mulher de alma rara

Corri para longe e sei que fui injusto
Mas não covarde como pensas
Enfrento a distância do que mais quero perto
Por escolha, ou por imposição do destino
Queria mais que isso, quero formalidade sim.
Namoro de porta até
Quero mais filhos e sonhos
Projeto de vida a dois
Quero dizer todos os dias que te amo
Mais que ontem e menos que amanhã
Que só a morte nos separa

Mas é dia de calar e seguir
Sem a noite de quarta no calendário
Pois para mim ela ganha um outro nome
E a quinta o mesmo
O resto da semana chamem do que quiser
Mas sem ti, eu a chamo de tédio...

8 de jul. de 2007

FIM... (Fábio Sirino)


Há noites propícias para uma despedida
Há dias que as coisas
Têm uma outra forma de serem vistas
E minha visão inebriada
Toma forma e ganha humidade
Ao contrário de Elisa, farei de sacanagem
Mas talvez não para bem, ou pra inocência
Mas voltarei à dureza e a hostilidade
Que me trouxeram até aqui.
*
Aqui nessa madrugada,
Onde não me acompanho e “me abandono”
Nas ruas estreitas e antigas da cidade velha
Ruas vazias e sofridas, ruas de sonhos e medos
De gente e de almas que já se foram
Partiram e seguiram suas estória
Fecharam seus círculos
Ou como eu, tiveram medo e ficaram calados
*
Agora é hora de gritar
Mandar a merda tuas inseguranças
Os teus desejos que me cortam a alma
Quero mais do pode me dar
E agora acho que tinhas razão
Quero mão, pé, boca e sexo explícito
Quero um vinho e um baseado
Mas não esconderijo ou abrigo
E sim liberdade sem mentira
E sim doação sem cobrança
*
Deixe-me seguir então
Perto dos fracassos que não te pertencem
Perto dos sonhos que não são teus
Do amor que não pode me dar
Deixe-me calar e pegar a Piedade
Que ele me leva em casa
Volto para perto das nuvens
E do meu disco voador
E desejo a te a melhor dança e a melhor noite
O melhor sonho e o maior amor
Que já sonhou um dia ter vivido
Porque pra mim acabou
E eu já deveria ter partido...
***

6 de jul. de 2007

Depois da noite de prazer (Fábio Sirino)



No fim da tarde

As coisas ganham o verdadeiro sentido

Na realidade mais dura e cruel da vida

Depois dos sonhos que mal sonhei

Depois dos poucos momentos de sorriso

Um soco em minha alma

Ou apenas mais uma despedida

Outro momento de choro

Que resposta Deus nos dar com isso?

*

Esperei a noite como se fosse eu a morrer

Eu a sofrer, só num apartamento de paredes brancas

E insisto nessa repetição

Pois assim, se dão meus dias

Minhas vitórias

Como num livro sem escrituras ou fotos

*

Como ser quem sou, antes de me sentir algo?

Antes de me sentir parte de algo

E no nada que me incomoda

Vejo de dentro o vazio dos segundos que se seguem

Antes que me leve uma recordação

Mais um dia de minha vida

Eu quero gritar

Eu quero chorar e poder cair

Antes que diga-me que é tarde demais

Quero tentar e tentar até cansar

*

Vejo então as despedidas de uma outra forma

Vejo os fatos que se seguem assim também

E se como não bastasse

Repito-me na forma de ver toda essa mudança

E por isso me calo

Mesmo querendo gritar

Mesmo precisando chorar e cair

*

Talvez, hoje, eu faça um testamento e me mate...

Mas minha vontade de viver é tão maior que eu...

Meu desejo de amar é tão maior que eu...

Que naufrago em esperança já desiludidas

Já fadadas ao fracasso

E nele, eu a lutar, eu a seguir, eu a calar...

*

Porra! Mais o que fazer?

Se a resposta de Deus não cala a minhas perguntas...

Deixo meu filho e minha música,

Deixo poemas e risos para posteridade,

Ou deixo dívidas e inimizades?

*

Desejo o mundo e o que tenho?

Uma força que não enxergo

Amigos mórbidos que se matam

Amigo forte que clamam por mim

Um coração enorme que sofre mais

Não! Eu tenho apenas medo de me sentir ridículo.

***

3 de jul. de 2007

Revendo (Fábio Sirino)

Enquanto tento fugir dos seus doces sorrisos
Peguei-me sim, a sonhar com seus beijos no meu ouvido
Mas não liguei e nem fiz pirraça
Já me encontro ferido o bastante pra inda te ver em carne viva
E seguirmos sem solução
Nesse amor de via única que ainda nem nasceu direito
Mas que já deveria ter morrido assim, só.
*
Se tu pudesses ter te visto ou se enxergado um pouco mais
Se tu tivesses tido a calma de ouvir os que a te admiram
E esperasse pelo viés da verdade tuas respostas
Tudo estaria exposto de uma outra forma
Se tu quisesses poderias reverter
Se crescesses e não se desculpasse ou não se culpasse
Mas se tu soubesses do quanto que te quero bem
E do medo do mais que isso, do querer bem mais que isso
Do que não posso mais sonhar
*
Vou de volta ao meu segredo, vou para o meu passado
E apague dos meus dedos teu gosto, teu ventre
Pois estou indo de volta ao meu passado
Apegue da memória do teu celular os meus telefones
E o endereço da minha cama
“Arranque do teu peito meu amor cheio de defeitos”

Soneto para uma quase Fumante (Fábio Sirino)


Adeus menina encantada
Já passa das doze horas
Está em tempo de ir embora
Pra não cair na madrugada
*
Chega de discurso vazio
Dos poemas loucos e apaixonados
Já não me basta ficar só do lado
Feito um tolo ou um imbecil.
*
Encare a noite como despedida
Pois já anunciei minha partida
E hoje o prazo acabou
*
Vou com amargor no peito partido
Meio desgostoso e já sem jeito, doido
Dos sonhos e vendo que destruíram meu amor
***

O Perdedor (Fábio Sirino)


Pelo calor que não senti
E pelos beijos que não são meus
Da cor que só você tem
Dos olhos ariscos que lhe pertencem
Pelo pouco ou muito
São sentimentos antagônicos
Desejos meus e afetos seus
Do sexo que enxergo
E do respeito que me tem
Nossas verdades já não se cruzam
Elas se vão meio à fumaça dos nossos cigarros
Com dor e lamento dos poucos momentos
Já saudosos que carregarei comigo
E na afirmação de ser mais que um amigo
Um amante que se deita para sorrir do seu lado
Que sabe chorar e rir das tuas tolices
E lhe fazer sentir-se mais confiante
Do sol que nasceu pra você
Que lhe esperar para brilhar
E eu sim, volto a minha escuridão
Pois a mim, só a lua pertence
Um pouco de sombras
Um resto de afeto que se quer tem relevância
Ao mundo que lhe encanta
Aos lutadores que lhe conquistam
De mim... Ficam apenas poesia e saudade
Um desejo inerente e intrínseco
A fortuna dos apaixonados
E é essa minha dor
- Para coração de pedra, amor britadeira-
E esse já disse que a mim não pertence
Canso antes de vencer
Procuro espaço longe e não canto derrota
Como bom perdedor apenas choro calado, sozinho
Fazendo dela música e poesia...

Delírio (Olavo Bilac)


Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
- Mais abaixo, meu bem, quero teu beijo.
*
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente. A minha boca obedecia
E os seus seios. Tão rígidos mordia.
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo
*
Em suspiros de gozo infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
- Mais abaixo, meu bem!- num frenesi.
*
No seu ventre pousei a minha boca,
- Mais abaixo, meu bem!
– Disse ela, louca, Moralistas, perdoai! Obedeci...
***

30 de jun. de 2007

Dormindo? (Fábio Sirino)



Rezem por mim que estou mergulhando de cabeça
Como se buscar-se a dor que sei que virá
Mas como resistir a tamanha felicidade
E conter desejos que vão alem de mim?

Longe até consigo pensar em liberdade
Mas liberdade sem ti é quase prisão
E prisão livre de ti é mais uma morte
Ou outra muito próxima a isso

Sim! Tua luz e força me roubaram a razão
E isso é tão bom e faz tão bem
Mesmo louco como e insano como nós
Como nossos loucos dias e nosso pouco tempo
Assim sigo a sorrir num caminho para as lágrimas
Mas quando chegar?
-Ah, mas quando a dor chegar já terei vivido.
Lindos e intensos momentos
Da mais pura felicidade mundana
-E se não der certo antes de ser feliz?
-Ao menos terei tentado com todas as minhas forças
E todo meu amor pela vida, pela tua vinda...

És uma beleza de cor marrom
E um quase negro meio triste
Dos teus olhos quase sonho meu
Que vai além de tuas inseguranças
E me seguram a mão no meio da noite chuvosa

Onde madrugaremos a sorrir?
Em minha casa ou num motel?
Na praia ou numa tela de computador?

Por mais de mil motivos e mil sonhos
Sigo a fantasiar-te aqui na parte alta da cidade
Longe das tuas desculpas e confusões
Quero uma cama de casal
E um guarda-roupas de cinco portas
Quero dormi e acordar rindo
Com teu cheiro em minha boca
Quero mais do que diz nem poder me dar
Mas quero assim mesmo
Tua alma e teu sonho
Para dar-te a minha e os meus
Até que a morte nos separe ou nos acorde.

29 de jun. de 2007

A Mexicana I (Fábio Sirino)


Saio por onde não entrei
Faço o caminho inverso às minhas vontades
Tenho tanto a falar ao mesmo que tenho tanto medo
Que calo uma voz já cansada de discursar para o nada
Para ouvidos que não me respondem
Num silêncio de quase morte
Num lugar que não me enxergo
Onde grito em meio à multidão surda
Batendo em tambores ritos e celebrações
Que assustam as almas mais porcas
Veio para provocar conflito
Trago guerra para desperta paz
E inflijo meus manuais de bom comportamento
Por amor ou paixão deixo a ética de lado
Quero apenas fazer da vida um gozo prolongado
Uma mistura de sim, talvez e não.
De solidão repetida, partida, doida.
Do táxi que nos leva desejo adentro
Volto só do teu mundo
E cheguei a pensar ter importância
Nessa coisa toda que inventamos
Um campo de flores com lama no fundo
Onde o fundo sempre pareceu mais atraente
E como as aparências enganam
Via na tua força a grande mulher que sei que é
De verdade adeus
E que os anjos da felicidade estejam contigo
Que comigo ficarão lindas lembranças
Do pouco mais sofrido, felizes momentos.
Então ponho fim à brincadeira
Vamos ao próximo capítulo
Que entre em cena o ator, o galã.
Porque o figurante acabou de sair...

27 de jun. de 2007

Sub-corporal (Fábio Sirino)



Não se negues a aprender
Nem por medo do novo...
Pois tudo que também preciso está em ti
E não nos medicamentos que nos vendem
(Os que fumamos e os que bebemos)
Ou no ponto de equilíbrio das respostas alheias
Que não nos aquece a alma
E nem bombeia a paixão que percorre as minhas veias
Sem ninguém nos tirar do escuro onde estamos
Onde sei que já não queremos nos ferir

Deixe que joguem praga e maldições
Sobre mim ou nossos sonhos
E não te chamo de nada, a não ser pelo teu nome
Pois o Que Li já me ensinou a cortar meus próprios ossos
E isso tudo está me surpreendendo
Como se uma força célebre emanasse de mim
E mesmo com medo não a contenho

Tirem-me daqui!
Pois já desejo ficar mais que seguir
Tirem-me daqui!
Pois meu peito rasga de dor de amar e dividir
Numa quase maldição sobre nós

E mesmo sendo co-dependente
Em vários momentos tento, e não consigo gritar-te
A culpa que sei ter nisso tudo cala-me
E mesmo não acusando um ou outro
Ainda me sinto co-dependente
Dos poucos momentos que vivemos
E dos pouquíssimos sonhos que te compartilhei
Em um momento de respiração profunda
Que provoquei em te...

Tenho algumas observações
Antes do fim dos destinos e fechamento dos portos
Antes de desembarcar em outra dor ou outro amor
Jamais porei a culpa em ti
E jamais te esquecerei fora de mim

Leve-me então para barra da tua saia
Ou para a barra de Jequiá
Para que possa te olhar em vento e areia
Deusa dos meus sonhos eternos
"Juntos ou separados "
Para todo sempre apaixonado.
Amém...

23 de jun. de 2007

Oral (Fábio Sirino)


Sigo em meio ao teu campo de dor
Num enredo de entrelaço de fantasias
Onde a verdade que contamos vale mais
Como posso fugir de algo que se quer chegou a ter vida
*
Na respiração mais compassada
No gosto salobro que se adocica em minha boca
Vou numa viajem sem ser convidado
Pelo teu cominho escuro
Molhando tuas curvas com minha saliva
“Com meus medos e delicias”
*
Oralalizo teus desejos mais íntimos
Com o nascer do sol a nos observar
Um tom de risos nossos
Um gosto de cigarro e coca-cola
Deixamos de dançar
Para buscar em olhares uma traição
*
O mar lavará tua alma
Os teus olhos e receios
Levará para longe tuas orações e cânticos
Poemas teus, do doce adormecer que compartilhamos.
Nas linhas que nos descreve
Ou nos textos que redigimos
*
Minha matéria esta incompleta
E sequer sei titular ou editar
Minhas fotos estão desfocadas
E só me resta uma entrevista
Com perguntas obvias
Onde as respostas silenciem
Na contravenção que cometemos
Pelo pecado nosso de cada dia
Peço perdão ao teu amor
Pela mentira dos meus risos
*
Para onde vamos?
O que desejamos?
O que somos ou o significamos?
Deixo as perguntas na minha insônia
No desejo louco de ter-te minha
Como já mim tem teu
***

21 de jun. de 2007

Ser Só (Fábio Sirino)


Perco as contas, mas não a dor.
E me entrego mais uma vez a isso
Como se já não soubesse o fim
Dessas historias que já vivi
Entre tantas que viverei
Todas que ja morri...
Quantas outras morrerei?
*
Sem reza ou encomenda pra alma
Sigo perdurando na escuridão
Dos olhos teus, quase secos
E os meus “molhados
De alguma coisa feito solidão”
*
Veio como se já tivesse partido
Numa carreira de medo
Na disparada do gado
No grito da vitima
Antes do seu assassinato
*
Parto com gosto amargo
Numa cor que me assanha o cabelo
Deixo os terços e os cadarços,
Sem laços, lenços ou panos brancos
*
Mas o que teria a te oferecer?
-Poemas,musicas e estórias...?-
Alem de uma amor incondicional, talvez
Enteso como eu, forte como meu gostar
Tudo ainda é pouco perto de te.
*
Deleito-me em minhas nuvens
No chão do meu quintal,
Aqui no meu apartamento
As pedrinhas da frente da casa
Já me conhecem
E as jogo em direção a lua
Como um incentivo
Para que elas virem estrelas...
*
Assim farei quando partir
Sem brilho ou luz
Eu e a estrada já velha e esburacada
No ponto concordamos
Somos a soma dos destinos que se afastaram
E somos mais...
Uma quase cor de um quase arco-íres
Que as ondas levaram
Quase levaram embora quando partiram
Para um mundo distante de todos
Onde moro e vivo só
*

20 de jun. de 2007

Menina Escuridão (Fábio Sirino)


(O início do flerte com a Ros”a”)
Ainda trago em minha mente
A imagem daquela mulher
Que vinha do escuro
Semi-iluminada
-Parem os toques e as estrelas cadentes
Vejam a menina dona das sombras passar-
Ela veste preto e cheira a rosas
Ela mal fala, mas sabe sorri
E seu sorriso tímido
Grita por ela e canta por ela
Que cega a hipocrisia estética
Com charme e simplicidade
-Assim quase sem querer-
Com seu cabelo de Sol
De olhos caídos quase tristes
Fico eu a lembrar...
Como se a primeira visão
Fosse uma visagem
A aparição da princesa dos mistérios
- Ali do meu lado-
Enquanto calava, ela partia
Levando consigo meu resto de luz
E um pedaço do meu coração

A Fuga ou O Descanso...(Fábio Sirino)


(É hora de morrer de novo)
Pernas para o ar
Pois é mais que hora
Da dança ao assento
Um minuto para o descanso
Água, vodka e vinho
Mas se falta
Serve coca-cola e baseado
Pra ficar doidão
Vem para deitar
Vem, mas venha sorrindo
Que minhas orações te buscam
(E falta pouco pra elas te perderem)
Nos canaviais e salões
Vai engrossando as pontas
Sem nosso coletivo
Um ser só meio amistoso
Um olhar cortante de despedida
(Quase morte)
Siga sem par, sem mim
De cintura fina, feminina e básica
Como uma sandália de salto
Pule por mim, que não curto trio
Ou qualquer ser elétrico
Pois sou um quase acústico
Já passa dos meus desejos, essa brincadeira
Já chega às minhas dores
E entre tua vontade e meu sofrimento
Nem penso outra vez
Condiciono minha caminhada
Para longe dos guardas, das sentinelas
Onde nem vela ilumina
E tu, linda menina
Apenas deixe-me ir

15 de jun. de 2007

Telescópio (Fábio Sirino)


(“ObserVendo” Urânia...)
Um ponto de referência para enxergar-me
Uma ponta de humanidade para perceber o amor
O amor de Urânia pela vida
Uma lente para fotografar o plasma ou a energia
Algo que traduza a beleza de Urânia
Assim, quase tímida e magra.
Ela faz da fragilidade ou insegurança uma fortaleza
Em risos e gestos, com brilho de astros e cor de Sol.
Urânia não esta solitária
Ela tem planetas e sonhos junto a ela
Ela tem lembranças e amores já sofridos
Ela cheira a flor rara e nova
Ela tem gosto de vinho,
Dos mais refinados e dos mais simples dos prazeres.
Seu gosto é o meio termo entre os sabores
E do seu peito o tempero mais ardente
Em sua paixão o néctar dos que choram
Em lágrimas de vidas e cantos já passados
No planeta Urânia tudo é bem mais belo
Fotografa melhor e tem sempre ângulo bom
Nas paragens dos confins de sua imaginação, um risco
Dos encantos do planeta mais lindo que já conheci
Vais e fica distante
Que daqui ainda observo e vejo seu caminho
Mesmo sem ainda saber quem és...

9 de jun. de 2007

Rosa azul (Fábio Sirino)



(Para Ros"a" V)

Antes que cantem
Antecipo minhas verdades
Sem versões ou mentiras
As conto de forma escrachada
Quase como piada
E assim quem sabe sofra menos

No pouco convívio que tivemos
Não deu pra ver entre as pétalas
Pouco sei dos que te regam
Da suas regras e da tensão que se antecipa à elas
Sei apenas dos teus olhos caídos e lindos
Do ceu que te adorna em luz
Do que é aparente
Do possível ao disfarce
Do sonho que é meu
Da imagem que construí

Aqui longe dos doces que adoçam sua boca
Um amargor quase ingênuo
Gosto de silêncio ou sono
Sem notícias, sem contatos, sem cuidados
Distante da tua atenção
Quase perto do seu descaso

És pra mim a beleza de uma Ros"a" azul
Com ar de escuridão
O início da noite de sábado
A cor do luar em noites claras
Em lua de lobisomem
Noite de correr bicho
Assim próximo aos seus encantos
Ficam meus pensamentos e sonhos
Como se esperasse o primeiro ônibus passar
Para enfim chegar em casa e descansar .

29 de mai. de 2007

Outro dia de chuva (Fábio Sirino)


O Fim do Luau.
(Para Ros"a" IV)
Hoje percebo a distancia que se impôs
E longe dos fios avermelhados
Por onde vão às informações
Morada fria dos que se escondem.
Ali, a Rosa fica mais sorridente
Deixa ser lida em palavras e expressões
Mesmo com demora, ela sempre responde rindo
Em breves frases bem construídas
Onde não se tem aberturas para investidas
Num castelo que não se permite chuva.
No mundo azul, ela veste camiseta preta
Evita meus olhares e se empoe
Assim dona do jardim
Deixa-me distante dos teus anseios
Das tuas estórias, faz de mim um estranho
E vem com o doce na boca
Ela mostra que sabe adoçar o outro
No aniversário atrazado
Dos que me fazem bem.
Amansar ferras, ou provoca-las?
(-responda depois Ros”a” -)
Sim ela faz meus olhos caírem por terra
Só para vê-la passar e seguir
Assim sem beijo ou toques
O feminino da Rosa ainda me encanta
Me deixa fora do toque
Como se meu santo, também se rendesse a ela
E ela meio louca e linda
E ela sem me enxergar e completamente bela
No extremo de todos os poemas que já fiz
Escolho como despedida a piada
Sigo sem manifestar minha dor
A decepção por não conseguir ser notado
Ou na incompetência de não me fazer notar
Alheia a mim ou aos meus anseios
Fica a Rosa a flertar com outro cravo...
Enquanto permaneço sendo espinho.

21 de mai. de 2007

Estado (Fábio Sirino)


Pelas almas que ainda penam a procura do amor
Pelos olhos que se encantam quando enxergam a flor
Dos medos e sonhos que não se acabou
Ainda somos meninos que amam
Ainda somos meninos que enxergam o sonho
E por maior que seja a desilusão
Do bem e do mal, da carreta e do riso
Do belo, do feio e do esquisito...
Se estamos felizes ou tristes
Apenas estamos!
E não somos que estamos
Vamos viver e morrer vários momentos
De sorrisos e lagrimas
Sem ter que sublimar o mal ou o bem
Perto de ti, menina amiga
Vivi poucos e sinceros momentos
Ali eu conheci o bem que em nos habita
E o mal que podemos causar (ou nos causar)
Não canse antes do fim da luta
E não peça mais desculpa por bater em mim
Vamos prosseguir a nos afagar e ferir
Sem medo de voltar a estar triste ou feliz

20 de mai. de 2007

Fim de Chuva (Fábio Sirino)

(Para Ros"a")
Hoje acordei como se sentisse
Ainda o perfume que enfim conheci
E como é diferente sentir a Rosa de perto
Do que vê-la em meio aos jardins...
Do pouco que sei, sinto-me encantado
Pelas pétalas que te cobrem a alma
Pelos espinhos que a deixam calada
Vem de ti a doçura dos anjos
Que se percebe nos teus gestos quase meigos
Femininos ao extremo da tua dor
E o medo que a deixa mais misteriosa e bela
Vem que novos jardins te esperam
Com terra pronta para uma Rosa se deitar
Vem para os braços que querem te proteger
Sem receio ou segredos, sem perguntas retroativas
Vem que o meu sonho te espera para vivermos juntos
Até o fim de nossa chuva, ou de nossas lágrimas...

16 de mai. de 2007

Solidão Moderna (Fábio Sirino)


Tenho poucas horas
E tento fazer o melhor no uso do tempo
Faço poemas numa lan house
E os corrijo por msn
Aqui no conforto da tecnologia
Todos parecem amigos
Todos parecem amores
E eu que do lado de cá guardo minha dor
Minhas lagrimas e amores
Na distancia fria da tecnologia
No gelo vermelho dos sites de relacionamentos
No azul da sua pagina e no sufoco dos meus sonhos
Vem para mim toda solidão e desconforto
Algo vazio e sem estética
O sofrimento mesmo nos tempos modernos, é feio
Mas faz belos poemas