24 de jul. de 2008

A Hora de Rezar (Fábi Sirino)


Rezo em noite alta
Sonho adentro aos medos que aprendi
Busco em vão e vem à tona
As súplicas dos outros iguais
Em suspiros anônimos
Passos estreitos a um caminho largo
Quem menos conheço me traz mais segurança
E nos coletivos uma e outra até me olham
Mas não me enxergam
Não sabem mais que minhas medidas
Não sabe mais que a cor das minhas vestes
Aqui tudo é tão mais obscuro
Que mesmo no azul claro do mar
Escondem-se mistérios nus
De todas as lagoas e rios
Se bem que não sou amante da natureza
Nem um vegetariano tido a puro
Gosto de sangue luxuria e carne
De boi, vaca, galinha, galos e até peixes.
Como homens e mulheres
Assimilo em mim
Todos os sabores que me fazem mal
Sem dar a mínima para um futuro incerto
Sou mais amor, sou mais momentos
Sou mais um em tantos que já fui
E não me dou por terminado
Serei mais e mais ainda se preciso for
Talvez feliz quem sabe?
Rezo em noite alta sim
Falo com Deus e nem sei se ele me escuta
Mas falo como se ele fosse meu analista
E cobrasse caro por isso...
Quem sabe um dia alguém me pague
Ou quem sabe não assimile
O desabafo louco dos adolescentes americanos
E saia com uma metralhadora no meio do shopping
Rasgando vidas e matando papais
Ou quem sabe apenas faça diferente
E lá mesmo na praça da alimentação
Abrace os emos para chorar com eles
Beijar os seguranças e deitar no chão limpo
(-Aparentemente limpo-)
Ali deitado talvez descubra
Que minhas preces nas madrugadas
E minha vontade de falar com Deus
Sejam tão solitária quanto as loucuras
Dos extremistas mulçumanos
Assim também me sinta um homem bomba
Mais perto do céu
Com a pressão em vinte e três por catorze
Com o corpo cansado
E a mente prestes pifar
Desatualizada, sem antivírus
Quem me entende?
Quem me vê alem de vestes e medidas?
Sei apenas que esta bem tarde
E já passou da hora de rezar...

3 de jul. de 2008

A verdadeira Luz (Fabio Sirino)



Na vida não há culpados
Não têm vilões e heróis
Na vida, tem muitas outras vidas
E nelas outras e nas outras várias verdades
A cada vida uma verdade
Toda contestação de cada verdade é uma violência
Se ela tem como eixo sua alma
Mesmo vivendo uma mentira
Peço eu
- Respeitem-na!-
Pois se uma mentira tem alma
Ela tem seu fundo de verdade
Como nas flores murchas
Que achastes belas
Como numa tarde num café
Como em poesias de versos repetidos
Como num sorriso sincero com alface no dente
(essa é ótima)
Não foi mentira o pouco que tivemos
Mas há mais distancia
Em caminhos que não percorremos
Que nas estradas que nos levam ao cotidiano
-Ah! como sinto falta de teu riso... -
E não levo de ti apenas lembranças
Levo de ti um sentimento
Puro e belo que não desejo sentir mais
(Pois dói conjugar o amor)
Um puro e belo desejo carnal
Em pele, fogo e poesia
Lamento pelos dias que se seguem
Sem ter sentido teu gosto de calmaria
Em minha ânsia de furacão
Lamento a não reciprocidade
Dos teus sonhos e desejos
Enquanto fico acordado
A pensar-te em divinos pecados
Na liturgia da carne em busca do prazer
E essa é minha verdade
De desejar a mulher que és.

Loucura (Renata Orlandi)


Vou agindo na insanidade
Na vontade de acertar
Sem muita certeza de meus passos continuo a caminhar
Nessa estrada de passos incertos
Mas de certezas momentâneas

Vou agindo com um misto de cabeça e coração
(Nessa altura nem sei quem eles são...)
Os resultados saberei amanhã
Aparentemente mutáveis, mas inesquecíveis
Atropelando acordos, acertos, medidas.
Tanta coisa num só dia que na verdade foram dois
Coisa normal em minha vida que vivo noite, madrugada e solidão
E quando pego nas palavras vou falando sem parar

Mas a Loucura, essa hoje me pegou!
Acordei assim e dormirei não sei como
Se acertados foram meus passos
Mais uma vez, não sei não
Seguirei agora esse caminho
Até o momento que possa até mesmo retroceder
Sem ganhar de volta os minutos
Posso voltar ao antigo
Ou vou por esse mesmo
Até que outro surto de loucura
Me encontre e questione minhas posições

Mais um ataque de loucura
Mais um dia sem frescuras
Mais um emaranhado de idéias
Que ao se desenrolarem se entrelaçam,
Mais um dia que acordei assim e vou durmo não sei como

Além das Discrições dos Tons (Fabio Sirino)

Sim! Eu sou muito sincero
- Mas não pela hostilidade
Que os dias trazem ao nosso olhar
- E sim, pela força da beleza que enxergo em ti
Antes de tua mão apresentar-me a tua alma
Já via em teus olhos uma cor que não era o verde
Ia além das discrições de tons e luzes
Ia além da própria capacidade de ver

E não tenho a pretensão de preencher
O vazio da presença masculina em tua vida
Tão pouco acredito que meus poemas
Possam aliviar as tensões do teu dia
- Quem sou para ousar tanto...-

Mas quando a ti avistei
Tive a nítida duvida
Da minha então felicidade
Pois como poderia ser feliz
Se ainda não havia conhecido
Tamanha beleza e simplicidade

Encanto a primeira vista
Mas nunca ousei abrir
Como faço em versos
O peito que mesmo sem saber
Tu invadiste, rasgando meus medos
Ali, no meio da feira.
Julgo-me então
Um covarde que escreve bravuras
- Como se não fosse fácil fazê-lo em poesia

E hoje lendo tuas mensagens
Vejo que temes como eu
E recua como eu
Mas em âmbito bem mais amplo

Não se sinta culpada por desnudar as almas
Com olhos que já desnudam o sol
Pois isso talvez seja tua maior virtude
De descobrir o outro e mesmo vendo-o como é
Encanta-se e apaixona-se
Isso sim é ter ousadia

Rendo-me aos meus erros
Deixo que o tremor que me vem as mãos
Tome o corpo e a poesia que faço a te
Talvez não saibas de mim mais que meus elogios
(sempre me repito nisso)
Talvez nunca saiba mais de mim que sabes hoje (nada)
Mas de te sei o suficiente
Que tens o dom de me fazeres bem
E mesmo distante sinto tua paz via net
Hoje ao menos ouso como um louco
E digo sem medo a ti plagiando outros
- Tu es divina e graciosa
- Hoje sempre amém...

11 de jun. de 2008

Versos Tortos (Jurandir Bozo)


Se te escrevo em versos tortos
Distante do que entendemos hoje por gostar
É por ter sentimentos maiores que eu
E um desejo de tomar-te em meus braços
Para docemente beijar tua boca

Se te escrevo em versos tortos
É por um simples desejo de está perto
Mais perto do que já estive
De teu cheiro e de tua pele
Que me desperta sonhos lúdicos

Mas já chega de ilusões e poesias
De imaginar teus beijos
Teus toques e sabores
Na frustração de se quer ter teus olhares
Ou tua simpatia da carne

Chega de invadir teu espaço
De falar a tua tela
De forçar situações e atenções
Ao desejo que é só meu
E que deixarei em meu peito para todo sempre

Termino com escritos
O que começou por eles
E prometo guardá-los nos computadores
Que testemunharam nossos contatos
Mais e menos íntimos

Maior que a dor que sinto agora
É saber do meu lugar
Sem luxuria ou provocações
Deixando a paixão que sinto por te
Órfã e esquecida dos sabores teus

Se te escrevo em versos tortos
Foi apenas para que descobrisse
Meus mais íntimos desejos
Implícito na frieza dos recados gentis
Que a tecnologia nos empoe com sua distância

Um dia ao ler tais versos espero que guarde em te
Todo sentimento que neles estão
E mesmo não sendo teu amigo ou amante
Possa ter de mim a certeza que foi amada
Em versos tortos que hoje escrevo para dar-te adeus...

10 de jun. de 2008

Mas hoje seria dia de chorar ou de sorrir? (Fabio Sirino)



Hoje é dia de chorar ou de sorrir?
Agora tudo parece doloroso demais
Para enxergar o óbvio
Poderia estar agora bem mais feliz
Mas assim a vida não quis que fosse
Poderia estar articulando as flores
Que desejei dar-te
Mas assim a vida também não quis
E mesmo com toda tristeza
Guardo dessa noite, não a angustia da perda
Mas a lembranças de ter sido o primeiro
A cantar-te parabéns
Espero que enquanto consolo os meus
E choro escondido
Que você possa ter em teu dia
A cor que trazes em teu sorriso
Pois como na música
-Tu ficas linda encabulada
E assim vou me apaixonar -
Mando então, um dos escritos mais doidos
E cheio de emoção que já escrevi
Gostaria que ontem tivesse pegado na tua mão
Para sentir tua calma

Invadir meus cantos mais escuros
Pois o teu sossego é minha luz
Talvez nem nos vejamos mais
Quem sabe da vida

Além da sina que se escreve nos céus?
Gostaria que se lembrasse de mim
Não pelos poemas, contos ou musicas
Mas sim pelos sorrisos que escrevemos
Nas telas de computador
E isso vale mais que mil palavras bem escritas
No fundo de tudo
Sou talvez um ser instável que ama ser quem sou
Cheio de problemas e riscos
Cheio de lágrimas e cicatrizes
Assim vos apresento o artista
Que sempre encena a vida real
Com nascimentos, rompimentos,
Amores, poesias e despedidas...
Mas hoje seria dia de chorar ou de sorrir?

3 de jun. de 2008

O Velho Palhaço e a Molequinha (Fábio Sirino)


Não se pergunte o que vejo de ridículo em mim
Ao cantar-te em versos mal escritos
Pois já estou exposto por demais
Nessa via de mão única ao teu entendimento
Há casos que ultrapassam nossos limites
Num reencontro já não desejado
Com sentimentos que há pouco
Achei estarem extintos...
.
Como se encantar
Por alguém que sequer viveu
Em plenitude um amor sem restrições?
Por que sonhar com teus lábios, molhada...
Se nem das chuvas que umedece os amantes
Sei se gostas ou se queres apenas se molhar?
O que pensas de mim é obscuro demais
Para que eu possa enxergar
E nele (no escuro) tateio por esse mundo teu
Sem saber das regras e papais
Tudo é muito colorido
Para alguém que procura viver em preto e branco
Sem risco e imprevisões
.
Talvez, linda menina
Não perdure um tempo maior
Na concepção que temos dele (do tempo)
Mas para mim é como se uma vida
Já estivesse vivido
Nesse curto espaço de conceito (tempo)
.
Tenho medo de cada palavra pensada a ti
Por não saber o porquê delas
De estar em campo desconhecido
Sinto-me numa guerra mesmo sem almejar vitória
Luto contra mim e meu sonhos
De ti tenho uma simpatia sem maiores minúcias
E nos teus olhos os detalhes se escondem
Entre os teus risos e a forma que me olhas
Muitos mistérios em tal poucos anos
E eu um velho aos trinta
Já não sei mais quando calar
.
Ao teu silencio o meu cilício
E teu corpo o meu pecado
Meu sonho um inferno dantesco
Onde de tudo desfrutamos
Eu o velho palhaço metido a poeta
E tu a linda molequinha .
(Para uma linda molequinha que veio para encantar meus dias.
Es um gira sol em riso e timidez na tez das manhãs...)

2 de jun. de 2008

Sonhos Escritos (Fabio Sirino)






Sim! Penso em sumir
Para calar meus desejos...
Há três dias se sucedem
Alucinações no meio da noite
E as descrevo assim como se real fosse
Acordando assustado com tudo
Sinto-me louco...
E quem dera que louco fosse


Mas talvez seja apenas a hora de calar
Sonhos, músicas e poesias
Calar a loucura e o resto de mim...
Quem sabe um dia ela volte
A minha casa ou ao café central
Para comermos juntos
Mais que nossa capacidade
De digerir o outro
Comer com os olhares e toques...
Mas hoje é uma noite
Para ficar acordado
Pensando nos sonhos
Que ela sem querer trouxe para mim...

É bem fácil ver o erro no outro
Sem buscar nele sua essência do belo
Mas se tens como banal
Todos os meus elogios
O que sabe ela de mim
E dos meus intuitos?
Além dos escritos e elogios
Que se seguem nos dias
Por mensagens e recados
Que subscrevo em segredo

Já não sei o que ela pensa
Sobre mim e meus medos
O que ela tem como opinião
Das linhas que traço a ela
Em versos tecnológicos
Onde se esconde um eu mais velho
Não quero crer que passou meu tempo
Dela se quer esperança tenho
Preciso apenas acordar
Ou calar meus escritos.

26 de mai. de 2008

A Menina da Feira (Fabio Sirino)


Hoje é dia de procurar enfeites
Busco os mais artesanais
Gosto de pensar nas pessoas que os fizeram
Em suas mãos e vidas,

Em cada centímetro trabalhado.
*
Adoro ir à feira do artesanato do centro
Lá as pessoas são normais
São próximas e tem cheiro de feira.
Odeio as feiras com cheiro de shopping.
*
Ando sempre por lá.
Vejo as esteiras, as lamparinas de lata de óleo.
Os bonecos de barro, as peças de Arlindo.
(Seus sonhos em miniaturas de palitos incandescentes)
Gosto de ouvir as estórias dos vendedores

E se der sorte, até cantador nas ruas do mercado encontro.
*
Procurava camisas, adereços de palha,
E sandálias de couro...
Visitei várias bancas

E na última, uma rara surpresa...
*
Lá estava Ela... Uma feirante.
Linda de escarpin preto
De olhos tímidos e verdes
Com uma pele clara longe da morenidade que me atrai
Mas por ela meus pensamentos
Foram além das cores que desejo
*
De voz calma, ela me venderia até o que não procuro.
Talvez ela seja apenas uma linda moça na feira...
Mas seus olhos dizem mais

Neles mil histórias que a fazem calar,
Ou se esconder por traz das solas...
*
No meio de tudo, um anjo
E sua luz deixava uma sombra
Como se seus encantos fossem seus mistérios
Minhas palavras se alongam
E por mais que ganhe tempo nada sei dela
*
Retorne com parte dos meus pensamentos
Ainda entranhados por entre seu escarpin
E o amontoado de sandálias do mostruário
Mas na ida, um sol se abriu para mim
Ela simplesmente sorriu.
E a feira do artesanato voltou a ter seu brilho
Voltou à gritaria e a beleza
*
Hoje quando la retorno.
Procuro a menina mais bela da feira
E quando não a encontro
Tudo volta a ficar estranho e sem graça
Pois o sol que mora em seu sorriso tímido
Muda a cor de todas as bancas
E a feira ganha um verde esmeralda
Refletido dos olhos dela
Assim torno a buscar
Alpercatas e sonhos
Mas sempre na banca dela.
(para Polly)

13 de mai. de 2008

Quase surreal... (Fábio Sirino)




Ela veio sem eu esperar
Fruto do que mais amo fazer
Chegou leve, e assim, espero que fique
Como uma brisa que trás fresca
Num oceano de calor
Que estavam meus dias
Com Ela sinto-me nu
Ela é para mim
A menina dos lindos recados
E mesmo sem se quer ter visto
A cor dos seus olhares
De longe já os imagino
Como se íntimo fôssemos
E até temo por mim
Pois por mais prolixos
Que sejam meus versos
Por Ela sinto o novo
Matéria prima para um sonho bom
E depois de tanto que já sofri
Tinha resolvido não me encantar
Em verdade por outro ser humano
Que não fosse eu
Em minhas virtudes e defeitos.
Ela cansou de ser sexy
- E somos tão jovens...-
Eu que ainda nem a conheço
Já a acho fatal como musa para outros poemas
Em palavras e risos
(Muitos risos)
Ela quer paz e amor
E ser psicodélica, mas a enxergo tão sutil...
Poderia ser uma obra de Dali
"Quase surreal"
Mas acredito muito mais
Que seja um poema de Camões
Talvez Olavo Bilac a descrevesse até melhor
Em versos mais ousados
Contrariando sua calmaria...
Mas a mim Ela soa a jazz
Por mais rock que seja
Uma canção de ninar os amantes
E sabendo que Ela acredita
No amor e nas paixões
Fica mais encantadora que os sonhos meus
No jeito de imaginar suas formas ainda juvenis
Que chegue o dia de vela
Que chegue logo
Que esse dia seja tão fantástico e poético
Como foi sua chegada em minha vida
Pois hoje sou um pedaço desse encanto
Vítima da porção dos seus duendes
Vindos de Marte, bem longe de tudo...
E a minha outra parte
Ficou nos recados escritos por Ela...





(A Camila de Miranda, essa linda moça que nem conheço, mas já me encanta. Hoje também sou seu fã.)

A Culpa de Daniel. (Fábio Sirino)


Adoro ser humano...
-Mas quando ouvir Renato
Percebi que realmente gostava mais das meninas
E mesmo vendo um Zé (Celso) dizer...
- Eu não sou hetero, eu não sou homo
Eu estou é vivo...!
- Com eles aprendi a respeitar
Os que gostavam mais dos meninos
O estar para mim sempre foi mais forte
Creio que estamos e vivemos
Momentos e sentimentos distintos
Sem ser mau ou bom
Somos um pouco de tudo
E não tenho medo de ver em mim
A beleza do outro que enxergo no espelho
Que reconheço até nos outros iguais
Acredito que Daniel já não se encontra na cova
E grito a ele
- Saia Daniel! O casulo precisa ser quebrado
Ninguém precisa morrer por isso...
- Talvez ele nunca me escute
Mas não desisto de gritar
Pois Daniel pode até não me ouvir
Mas os leões, ah os leões
Esses já me escutam sim
E sabem do que estou falando...
Eles que já comeram os negros
Os índios e tantos outros brancos
Mas às vezes ainda me pergunto
- Se já comeram tantos
Por que ainda querem a CUlpa de Daniel?

(Aos amigos e amigas que sofrem pelo pré julgamento.)
Alinhar à direita

8 de mai. de 2008

Contradições em trânsito (Fábio Sirino)


Já se foram meus dias de glória

E fica num canto da estante

Um álbum de fotografias

Dos feitos que fui

Não é incomum viver de lembranças

Assim como também não é incomum

Morrer por elas

Somos na complexidade

Contradições em trânsito

Estamos em momentos distintos

E nas ruas as expressões nos apresentam

A cada um com seus cartões de visitas

Olhares e gestos que nos entregam

A mim, uma saudosa paixão

Ainda deixa sombra em espaços vazios

Quem fui é bem maior de quem sou

E isso me incomoda hoje mais que ontem

Mas não sei se quero as mudanças e inquietudes

Os típicos problemas da juventude

O amor e a insegurança

À vontade de transgredir

Desobedecer à prudência

Eu era um que valia por vários

E mesmo não tão distante

Desse tempo

Deixo a mim uma conformidade

De quem me tornei

Já não abro mão das minhas sandices

Um louco velho é um louco sem cura

E aos trinta já me dou por condenado

Com vícios e manias perpetuas

Coisa que nem o amor cura

Quero mais a mim que aos outros

E chegue quem chegar

Amo-me mais que a novidade

Amo-me mais que a alheia vaidade que descubro

Sei o quanto que me abandonei

Numa seqüência de afirmação

Do eu que desconhecia

Mas sendo mais amigo dele

Sei que meus dias de solidão

São dias de dedicar-me a mim

Toda a atenção que despertei pelo outro

E assim não deixo mais que me ponham em fuga

Saio bem antes que invadam esse espaço meu

Hoje não faço questão por glória, conquistas...

Apenas busco segurança e um pouco de dinheiro.

29 de abr. de 2008

A Filha da Deusa (Fábio Sirino)


Assim se foi
Cercada dos mesmos segredos
Que percebi em suas linhas
De alguém que já a muitas vidas viveu
Assim se foi
Escoltada em carruagem branca
Perto de outros sorrisos
Com seu balé suave
Em tons escuros
Negros por que não dizer
Sem temer palavras ou expressões
Como se as águas doces
Tivessem-na molhado quando criança
Toda molhada
Encanta aos maus
Em pensamentos permeados de despudor
Pecado aos cristãos
Tesão aos macumbeiros
Como se fosse possível salvar a todos
Dos instintos que ela sem propósito provoca
Sendo tão sutil e bela
Na cor dos mistérios noturnos
De ventre aberto a gerar o novo
Segue em caminhos encantados
Como Deusa da fertilidade
O espelho dos dignos
Um anjo africano
Na selva dos movimentos universais
Na savana dos aterros urbanizados
Fruto do cajú
Que mais parece ter sabor de manga
Se xangô a ela não tivesse quizila
Provaria o seu paladar amarelo
Já com cheiro de limão
Mas ela detém todos os gostos
Cheiros e sabores
Em gozos desconhecidos
A nós mortais dos sonhos
E feliz do homem que recebe o seu sopro
Pois em vida, ela se soma a felicidade
Como filha de Oxum
Ela diz mais que sua imagem no rio
Ela corre para o justo
Ela já não tem dono
Sabe bem ser livre
Pois sua liberdade são risos
Num acumulado de dores vencidas
Segue ela sem mim
E eu?
Fico como um em muitos
A sonhar com sua beleza e mistérios
E eu?
Eu?! Eu fico sem ela.

A surpresa de Ébano (Fábio Sirino)


A vida exerce sobre nos o poder do desconhecido
Assim como a surpresa ou a novidade
Por esse desconhecimento
Do que se estar por vir
Podemos perceber como somos leigos
Dentre o céu e a terra
Seus mistérios e delicias
Talvez pela possibilidade do fim
Não pensamos nos detalhes que se somam
A cada descoberta que a vida nos faz perceber
Não pela idade ou pelo sorriso
Não pela dor ou pelos amores
Muito menos pelos atalhos
Que não nos leva a lugar algum
Mas sim por sermos
Humanos pelos erros e acertos
Somos mais que um entrelace de defeitos
Assim como somos
Mais que um acumulado de qualidades
Somos! E só em ser
Já me dou por satisfeito
E por um acaso descobrir
Um sorriso de Ébano que encanta
Em simplicidade de mil detalhes
Na palma da mão
De uma historia possivelmente forte
Negra como a noite
Que me fascina com seus enigmas
Assim despertado ao novo
Vejo como é bom descobrir no outro o bem
Projetando como se fosse para mim
Que esse encontro despretensioso
Seja o inicio de uma nova estrada
Com possibilidades de ser impar
E ir alem que meras fantasias ou grilhões
Livre dos olhos que nos impõe
A sermos o que não somos
E preso às verdades
Que enxergamos sobre nós
Deixem que os fatos se sigam
Encontros com amigos em comum
A tí um poema em gratidão
Por tão belos gestos de acolhimento
Sejamos felizes
Pois as indefinições do destino nos esperam.

18 de abr. de 2008

O mundo de Alzira (Fábio Sirino)




O que Alzira sonha
Enquanto espera
Em seu paraíso distante?
Por quantos mistérios
Percorrem seus dias?
Talvez as “Batalhas”
Sejam para reafirmar raízes
Ou talvez suas “Batalhas”
Sirvam apenas para cortá-las
Com o asfalto quente
Na frieza da cidade grande.
E em seu paraíso
Uma justiça bondosa
Em Zes e Boiadeiros...
Será então que o seu mundo
Seja mais belo que as flores dos mandacarus
Ou será Ela a que tanto encanta
O sertão dos matadores e cantadores
Dos que celebram ou dos que dão fim a vida...
Seria Ela a própria flor?
No fundo todos precisam
Da sopa que Alzira servirá
Cheia, COMpaixão e vida.
Assim que o deus do seu mundo
Venha mais vezes ao nosso
Cheio de corações de pedra
Para salvar amores ou para alimenta-los...




Para uma menina muito especial.

10 de abr. de 2008

Necessidade (Fábio Sirino)


Será que prossigo?
Minhas mentiras são as mais puras verdades
Num trafego de sonhos e frustrações
Posto isso, o resto é mediocridade...
Palavras vãs, verbetes;
Sinto falta da vontade de morrer
Daquela forma eu me sentia vivo
Quiseras eu chamar-te a atenção
Quisera eu que tu me notasse.
Creio sim em assombrações,
Nas sombras do meu quarto elas aparecem
E as chamo de Amor,
Paixão,De Solidão e Esperança...
Quando mar sou criança e brinco
Quando noite sou marginal e amo
Amo por amar,
Brinco pela mais pura necessidade
Ou o contrario...
Brinco por brincar
E amo pelo mais puro egoísmo...

9 de mar. de 2008

Olhares de Raquel (Fábio Sirino)


Chega com ar simpático
Mesmo cansada
Ela sorri com graça
E eu sem nada saber
Onde fantasio em pecado teus mistérios...
Decidimos em vão
Pois nem tudo segue a programação
São apenas dois dias ou três
Nada mais que nos aproxime
Além da minha curiosidade
E do teu sorriso
Não sou tão fã de regue
Mas quando a alma vibra, as ações correspondem
Independentemente do teu lindo vestido
Vejo mais que uma menina
De olhar doce
Vejo fogo escondido nele
Em campos e estradas que ainda não andei
Em abrigos e espaços que não arquitetei
E por não conhecer, talvez, me encante ainda mais
Pois nem sempre se percebe o essencial
Em vidas vividas e perdidas
Nas certezas que já tivemos
Nas duvidas que ainda trazemos
Dessas mandalas de tempos passadas
Pois quando ela me olha
Sinto como se voltasse para onde nem me lembro mais
(Um canto seguro, e só.)
Despretensiosa, leva-me além dos lugares que conheço
Vão com os olhares dela
Todo meu entendimento de ainda ser eu
E mandaria a merda à filosofia
Pois nela não me sinto descrito
Quero um saber que me explique quem ela é
Talvez implodir toda imagem já sonhada
De seus vestidos, sorrisos e pecados.
Quero, talvez, saber dos segredos e medos
E assim, quem sabe, morar nos sonhos dela
Mas nada sei além dos risos
E ela nada sabe, nem da minha música
Então seguimos
Assim, como estranhos
E eu, mesmo errado ou impedido
Fico a imaginar, além dos olhares de Raquel.

29 de fev. de 2008

Cartas para mim III (Fábio Sirino)


Os Dias
Mando-te esta sem maiores explicações
Com noticias ultrapassadas
Dos dias que passo sem ti.
Sou alguém que já desconheço
Na ternura dos erros imperdoáveis
(Por minha culpa, minha máxima culpa)
E nem por isso deixo de amar-te
Ou de odiar-te por revezamento
Com força da fé de não desgastar-me
Sem expor as dores supérfluas
Pois aqui já não faço escolhas
Apenas escrevo e me alimento
Com palavras, cigarros e recordações
Como se das possibilidades
Chegasse meu êxito
Mas ainda sigo o caminho
O mesmo de outrora
E por isso ainda caio nos já conhecidos buracos
Afundo-me além da minha vaidade
E sinto-me humano ao extremo
A espera do amanhã
Entre a vontade de chorar
E o desejo de sorrir.
Assim seguem meus dias
Na mesmice provinciana
Das cidades pequenas
Onde vejo gente e isso também dói
Por não me sentir parte
Das histórias que construí
Desde do meu nascimento
E a amo mesmo que doendo
Ou não sendo parte
Sabendo que onde estou sequer existo mais
Espero que teus dias já estejam melhores
E quando reler essa poesia
Que te envio em corpo e alma
Saibas além do que escrevi agora
Pois um dia quem sabe seremos “felizes”...

7 de fev. de 2008

A Dona da Tribo... (Fábio Sirino)


Talvez nunca nos convençamos
Ou tornemos a nos encontrar
Talvez seu carnaval tenha sido melhor que o meu
Ótimo, ou simplesmente a musica se quer tenha som
E mesmo assim seja gentil por apenas gostar
Do que se imagina ser ou ter tom de pele
Mais bronzeado, cor de praia
Com sete palmos ou sete amigos
Na vida sobre as arreias próximos a Ipioca
Na poesia já secular abaixo do chão lusitano
Sem sequer sentir ou saber se furtado ou roubado
Talvez por apenas vigiar o sorriso de uma criança
Sim vigiar o mundo que vemos de formas distintas
Sai do baixio das bestas e apenas encontrar um canto e fumar
Ver no corredor do cinema a nossa fumaça
E nela mais que se reconhecer
Mostrasse nu sem medo dos olhares efusivos
Ele antes que notasse quem erra percebia tua chegada
Como um Corujão a velar meus sonhos
Talvez materializar as formas e as decepções
Pois ninguém é obrigado a amar
Tão pouco esperar o erro do outro
- O que fica realmente enclausurado
É o sentimento para cada

E não as idéias...
- Ou a forma de sermos o que realmente somos...

6 de fev. de 2008

Resto de Mim. (Fábio Sirino)


Noites que te quero sono

Que desejo sonhos e te quero paz.

Dor que te quero ausente

Que preciso de paciência e ser muito mais.

Vida que te quero resto

Que termine indo curta para o cais.

Corpo que já busco o teu

Já renego o meu, sem olhar pra trás.

Vidro que chega estilhaçando

Coração quebrado cansa de bater

Quero-te mesmo que sonolenta

Calma e ausente, mas nem tão paciente

Em me ver sofrer.

Quero-te mesmo teu resto

Indo terminando curta procurar meus cacos que não são iguais.

Coração ainda quero teu

E renego o meu pois já não bate mais..

2 de fev. de 2008

Carlton Cine (Fabio Sirino)


Chega de saudade ou de se sentir distante

Quero ao menos uma morte que me aproxime de quem amo

Assim talvez não precise fumar ou embriagar-me em lembranças

Dos amigos que perdi e dos que ainda se quer tenho

E se não me bastasse uma poesia medíocre e provinciana

Faz-me lembrar o povo do lugar de onde vim

Então volto para Internet talvez buscando esses que já não vejo

Sem teto, sem saliva, sem abraço ou terra nas unhas

Já não trabalho e nem sei mas quem sou

Apenas que fumo Carlton

E que ando cada vez mais devagar...

5 de jan. de 2008

Poema Safado (Fábio Sirino)



Quero mais um diálogo

E carinhos apenas já não me ganham

Preciso de uma boa foda

O resto vem bem depois do quinto dia

Depois de tantas que já perdemos a vergonha...

Talvez minha decepção com o amor

Tenha aguçado minha safadeza

E nisso me perdoem os puritanos

Mas creio que mais vele uma sacanagem bem feita

Que um amor solitário

Quero línguas e toques

Buracos umedecidos e provocados

Até o último arrepio

Assim não garanto ser mamado

Mas ao menos tenho disso prazer e gozo

E se acham que estou mandando trocarem um amor

Por uma boa safadeza

Estão redondamente certos

Hoje já não quero amar mais

Nem escrever ou rimar

Quero uma mulher que me olhe nos olhos

E depois do fim da noite

Sega sem nada termos que nos confessar

Sem problemas a escutar

Sem vidas a ser descritas e mentiras a serem contadas

Pois no fundo todo poeta ama uma mulher safada.

24 de dez. de 2007

Urânia (Fábio Sirino)


Leve-me contigo
Nessa busca inusitada
Na passagem para o nada
Vamos ao desconhecido

Num belo lago azul
Onde sul e norte
Não fazem fronteira
Com os sóis alaranjados
Quais as próximas barreiras
Para um espírito encarnado?

Nesta sinfonia de seres perfeitos
Um lago simboliza
As poucas lágrimas
E acalma o vento
Atrai o tempo
Derretendo o gelo

Busque a vida
Como a própria felicidade
Que tudo não acaba
Com o fim do temor

Que as palavras
Amanhã não se repetirão
Libertando a alma,
De toda ilusão, toda dor
E aquele amor que há no coração


28 de dezembro de 1996.

22 de dez. de 2007

Desconhecida (Fabio Sirino)


Fora da roda
Não comum ao ciclo que eu já conhecia
Ali quieta quase anônima
Como se santa fosse ela
Na zoada que fazia observava eu de canto de olho.
A sua beleza e a paciência ao aguardar...
A filosofia dançava
E se não enxerguei os olhos dela
Assim os imagino
Não azuis ou verdes
Penso neles castanhos ou pretos
Penso que ali o mundo que viaja em cores
Mas tudo era predominantemente branco
Na gira a descer em bênçãos
Antes, no quintal os baques quase surdos.
Hoje, é tudo muito alto,
Num ponto onde a cultura se aflora
Não tenho vergonha da minha macumba
E se a senhora ali quieta deixar
Também apresento minha poesia
Recitada com voz rouca e já cansada
- Pois não canto mais como outrora sonhei
Reservo-me para em eventuais momentos
Soprar cânticos ao pé do ouvido
- E assim faria se perto dela estivesse
Saciar meu curioso desejo
Ouvir a voz e ver as mãos
Saber ao menos o que faz aquela linda moça
Aqui às escuras tudo é especulativo
Solto na medida dos segundos que a imagino
Por vezes despida.
Mas nada tenho
Uma lembrança quase incomoda
Da minha falta de iniciativa
E se algo me serve de lição
Aprendo que na distancia
O sentimento só se faz belo em poesia
Sim sou louco e disso faço pouco
Não me intimido com loucura
Vejo leio loucos como eu o tempo todo
E neles me sinto parte de algo que nem sei se conheço
Mas que me soa familiar
Irei ofertar as flores que minha ausência
Deixou em falta
Para que ela um dia volte
E eu possa simplesmente ouvir sua voz
Tocar suas mãos e olhar no fundo dos olhos que imagino
Sem palavras ou versos
Dançar e beijá-la ao fim da musica
- Sou ousado e sempre quero mais
- Pois no fim de todo artista a sempre um menino
Cheio de vontades e medos
Então conhecerei a menina dela
O que esconde na discrição de sua serenidade
Pois de longe tudo é pura ficção
Entre a áfrica e os orixás
Entre o computador e a estética
O resto é detalhe, adereço ao que vi.
Como se já perdido fosse
Como se não fizesse falta ao todo
Deixo um registro ao mar
Que ele aceite esse escrito meu
Pois dela não tenho o endereço, nem nome.
Ficou apenas sua imagem a me encantar
Em meio aos toques e bênçãos
Da casa de Iemanjá.


5 de dez. de 2007

O Sagrado Sangrando ( Kelly Baêta e Fábio Sirino )




Eu já não quero mais cantar as minhas tristezas
E hoje eu já sei o que significa cada letra da palavra amor
Eu não acredito em nada do que me contam e o que é pior
Eu não acredito no que os meus próprios olhos enxergam
Simplesmente por que você me traz a inspiração de viver

-Hoje eu não quero mais cantar as minhas alegrias
Pois sofri junto para entender o significado das palavras
Que um dia nos amando você me ensinou
E não acredito nas horas que tanto esperei
Para você não chegar e me trazer de volta a alegria de viver

Tudo em mim ainda é agonia intensa
Acho até que nenhum ser humano já sentiu tamanha dor
Mas eu já disse que não quero mais contar tristezas
Porque nossa história de amor é linda e intensa
Igual as minhas dores, as nossas dores e nossas histórias particulares

-Por ti meu eu ainda clama, no fogo, no ar,
No calor que nos trazemos
E só em pensar em não mais aquecer a minha alma
Busco-te mais e te quero mais
Pois a minha verdade é te amar

Juro a ti e imagino quantos poetas loucos como nós
Já exprimiram seus sentimentos em palavras soltas
Palavras que significam algo para nós
E somente nós iremos entender cada verso
E cada ponto que damos para continuar nesse universo

-Então amarro cada lembrança que vivemos juntos
Na esperança de um dia ter de ti o que sempre sonhei
Para viver em vida um sonho que sempre tive
Ao lar, ao ar, voar e conhecer o mundo
Reinventar o que você me ensinou a acreditar acordado

O Engenho Jaraguá, o Teatro Deodoro, O Museu da Imagem e do Som
Os bairros dos nossos sonhos, formosos e benditos
O palco dos teus encantados e escândalos
Os nossos museus que são lembranças e meras expectativas de ser
Imagens e sonhos reais que sentimos em cada centímetro de ser-mos.

-Hoje, já nos permitimos ser assistidos ao escrever
Jornais, matérias, crônicas e anotações despretensiosas
Dançamos, nos encantamos e fomos além
Que o mundo que sonhamos nos permita
Mais um dia, ou mais mil anos sendo felizes

E nenhum de vocês irão entender
Os nossos pecados mais íntimos
Tentem... apenas tentem
Mas não nos imaginem
E estejam preparados para sangrar!




Sem respostas ( Fábio Sirino )





Os dias se seguiram sem notícias
E pelo meu temor
Não tenho certeza de nada
Fico hoje a imaginar-te
Em pseudônimo nem tão secreto
Se meus escritos tolos
Foram lidos ou se quer foram abertos
Na minha insegurança
Esconde em poemas
O desejo de falar-te ao pé do ouvido
Segredos e perguntas
Coisas bem nossas
Ouvir dos teus medos
Saber das tuas loucuras e delícias
Estar perto, nunca colado
Descobrir os furacões que escondes
Nesse olhar leve e misterioso
Mas contento-me em versar-te
Assim anônimo, apenas para te envaidecer
E não temas esses escritos
Pois minha loucura
Não ultrapassa a linha de uma poesia
Já sei do meu lugar a muito tempo
Aprendi a amar assim
Soube diferenciar o que querem de mim
E quem sou de verdade
E nunca fui amado por ser quem sou
Mas sim pelo que represento
E julgam que os poetas são tolos
Julgam erradamente
Mas que não fascina mais a ninguém um poema
Os poemas impressionam os egos
Os poemas exaltam a vaidade de suas musas
Mas nenhuma musa hoje ama seu poeta
Talvez seja o mal do novo mundo
Hoje se ama via cabos de fibras óticas
Faz-se amor com teclados e tela de plasma
Mas e o toque, a conquista?
Quero em alguns momentos ser ao menos quem sou
E se isso for safadeza, que deixem ser
Pois ai do poeta que não for “safado”
Nas palavras, o poder da exaltação, do desejo
Nele, o amor e a paixão como fina flor
E não deixo que meu mau humor das manhas de domingo
Estraguem a madrugada que passei a sonhar contigo
Mas os dias seguem e nessa quarta
Deixo o meu quarto
Só para mandar-te, versos e desejos implícitos
Num eu que ainda se esconde do mundo.

4 de dez. de 2007

Desilusão (Fábio Sirino)



Antes que me mandem calar
Antecipo-me calando
Só, num quarto desarranjado
Vendo na fumaça do meu cigarro
O tamanho da minha vaidade
Quase nu deitado ao chão frio.

Já não ligo a televisão
Tenho vontade apenas de ler e-mails
Tenho vontade é de ler os alheios
Ver a vida do outro e comparar a minha
Só assim me sinto menos infeliz.

Sinto-me menos infeliz
Quando encontro um moribundo
Quando falo com alguém que esta prestes a morrer
Na verdade minha infelicidade se vai
Ao ver a desgraça maior que a minha
A dor maior que a minha.

Se bem...
Que quando eles se vão volto eu a minha dor
A minha desgraça e desamor
Mal amado talvez
Pense de mim o que quiserem
Mesmo assim me repito nos coletivos e esquinas
Meio que a invejar os que sofrem

Então resolvo ajuda-los
Ouvi-los e entende-los
Mesmo estando pior que ontem e melhor que amanha
E nesse ciclo que se repete e perdura minha vida
Preciso de um revolver e uma bala
E principalmente coragem para atirar
Tirar-me a vida
Recomeçar um outro sofrimento talvez
Mas esse talvez me leve a crer
Que isso pode vir a ser melhor
Talvez eu sofra menos
E quando passar pelas esquinas do inferno
Eu já nem olhe mais para os lados
Eu já enxergue apenas o belo.

Mas não! Isso não daria certo
Esse já mais seria eu.

Preciso de algo pra me preocupar
Mulheres que chorem e clamem ajuda
Mas que não se rendam
A minha vontade assim fácil
Gosto das que gritam
E também adoro a conquista.

Sou inteiramente apaixonado pelo ser humano
Complexo e problemático.

Creio ser narcisista e adoro ver no outro
O que sou ou o que quero pra mim.

Assim chego a cada fim de minhas vidas
Regado a um novo amor ou uma nova desilusão

Manhãs de Domingo (Fábio Sirino)


Fazia-se leve
Com ar simpático ao tragar
Um cigarro ou uma e outra palavra
Atrasada na chegada
Ela é precisa na forma
De se mostrar presente
Clareando não apenas o sorriso
Mas todo o ambiente;
A noite ficava mais clara
Transbordando luz em descrição
Sem precisar exaltar-se
Para ter atenção
- Não! Ela não faz charme!
- E eu um desconhecido a observar
Os olhares que a buscavam
Um desconhecido a imaginar
Os seus projetos e medidas
Decorando no exterior cada gesto
- A forma que umedecia os lábios
Á aparente tranqüilidade
- Mas que furacão será que ela esconde?
Como será seu beijo?
- Ao menos sei que ela dança
Compassadamente sexy ao som de "Já"
- Seguimos caminhos opostos
Eu aqui na parte alta da cidade
Acordado a sonhar em versos
Ela ao nível do mar
Dormindo (creio eu) linda;
Talvez a sonhar
Com sacadas de casas e edfícios
Ou quem sabe um príncipe meio bandido
Talvez arquitetando um mundo
Tão belo quanto o jeito dela
Com céu azul bem clarinho
E cores fortes nas flores
E o mar de um azul bem escuro
Mas nada com muita maquiagem
Pois ela parece ver as coisas sem muita fita no olhar
E como é bom não sublimar
As coisas e as pessoas são o que são
A vida flui como num sorriso
Ou numa lágrima
Os momentos são únicos
Como uma boa peça de arte
Detalhes e cores nunca vistos
No mesmo entrelace de imagens
Assim parecia ela nessa noite
Um quadro cheio de entrelace de luz.
- Lá vou eu sublimando...
-Mas como não faze-lo
Se ela a mim não soava comum
Mas sim, sublime
Como a lua, o sol, o mar
As cores do arco- íris
O som de um violão...
- Chegou minha hora
- É manha de Domingo.
Estou sorrindo...!?
- E eu odeio as manhãs dominicais
- Acho que realmente preciso dormir...

2 de dez. de 2007

O brilho de sua timidez (Fabio Sirino)



As estrelas são facilmente confundidas
Com as pessoas mais iluminadas
Pelos holofotes e a amplificação de gritos
Perde-se no vão do infinito da alma
Clara alma guiada pela luz
Longe do meu campo de visão
Se perdem no medo de multidão.
Lá de cima se quer deu pra perceber
Se seus olhos enxergarem
Nossos sons e melodias
Mas ao fim dos tambores
Um sonho de forma frágil
De olhar doce e sempre terno
Chega como se para mostrar-nos
Como se brilha um astro vivo
Pois ela estava lá desde o começo
Ela não se denomina como estrela
Ou luz do sol dos campos
Sem fascinação pelo culto do mito
Desmistificando a customização
Do nosso padrão do comportamento
Do tido com sexy
Do tido com fatal
E ela chega tão fatal quanto sua timidez
Ela entra em sena e se quer tem luz ,
Ela não representa, ela é.
E seu sorriso me confirma
Que ainda temos chance
De dignificar a raça humana
Ou simplesmente ficar mais apaixonado