27 de dez. de 2023

Proibida. (Jurandir Bozo)

 


 

Eis que Adão descobriu o sabor do pecado

Para dali por diante

O homem fazer da culpa o limite para seus instintos

Seus desejos e vontades

Fomos então moldando nosso entendimento

 O certo e errado

Moldando formas corretas de amar

Proibindo formas erradas de se apaixonar

Como se nosso coração e instintos

Pudessem apenas serem controlados

Enquadrados e identificados

Padronizados

E assim fomos escondendo nossos e desejos tortos

Passamos a naturalizar a hipocrisia

Tudo em nome do convívio civilizado cristão

Excedemos na imposição do tido por normal

Excedemos nas punições aos diferentes

Excedemos no policiamento e nas vigílias

Pois tudo que fugia a nossa curta compreensão

Precisava ser exorcizado

Mas qual regra pode conter uma paixão

Quais olhares apagam o brilho de um encanto

No passar do tempo

 Uma coisa só ficou provada

Vencer nossa humanidade

E ludibriar nossas fragilidades

É uma batalha perdida

Diante de todas as regras

A disseminação do pecado

Para evitar o prazer

E a liberdade do pensar

Eu que já me sinto velho

Encaro esse novo de novo

Com muito medo e precaução

Pois hoje já prevejo o fim

Igual a todas as outras historias que vivi

Sem expectativa

Antecipo qualquer possibilidade de fracasso

Não permitindo que outros sentimentos possam nascer

Crescer, reproduzir e morrer

Pois todo amor

 Fora criado por Deus

Para ser eterno.


26 de jun. de 2022

Indubitável (Jurandir Bozo)

 


Difícil...

É quando as horas

Não passam rápido

E você tem a certeza

Que esse lugar de agora

Já não é seu há algum tempo...

 

Difícil...

É perder o total controle

Dos pensamentos

E vê-los buscando

Pedaços de lembranças

Que jamais serão inteiras...

 

Difícil...

É ter uma profunda vontade

De se sentir perto

 Mesmo sabendo que o outro

Está a muitos quilômetros de distância.

 

Difícil...

É ver a esperança lutar contra o óbvio

E buscar na doce mágica ilusionista,

Algo que engane a fatídica decepção

Que não tardará a chegar.

 

Difícil...

É não ter você.

É não lhe ouvir sorrir;

Ou não tentar lhe provocar

Com piadas e menções bobas

As todas as conversas

Que nos geravam referências,

Dando-nos certo ar de intimidade

 

Difícil...

Será ouvir um forro

E não lhe imaginar dançando

 

Difícil...

Difícil é dizer adeus,

Mesmo querendo ficar.

 



16 de jun. de 2022

Madrugadas (Jurandir Bozo)

 




Antes que a madrugada acabe,

Preciso dizer;

- Todas essas noites têm sido suas -

Como tem sido seu

Todos os meus pensamentos,

Meus instintos e desejos...

E ainda antes que eles sejam proibidos,

Eu respiro

Lento e compassadamente,

Como se estivesse cheirando sua nuca

E falando as palavras e vontades que censuro,

Diretamente em seu ouvido.

Palavras molhadas...

Aquelas que nossa vã intimidade não lubrificam.

Aquelas que não sabemos explicar

E ainda assim

Insistimos em continuar dizendo...

Falando e sorrindo,

Como se a noite

Fosse uma mera espectadora

De todo nosso encanto.

Como sou do seu canto,

De suas coisas,

De suas curvas,

De suas coxas

E tudo de mais

Que ainda não me permitiu saber.

Mesmo assim

Já me sinto seduzido

Pelo que ainda não sei.

Bem como já estou;

Completamente apaixonado por você.



9 de out. de 2021

Um Poema Para Karol (Jurandir Bozo)


 Se minha ansiedade deixar

Quero escrever-te nesse poema

Uma breve e talvez imprecisa

Descrição dos encantos que enxergo em ti

Desde o sol que habita em teu riso

Até os mistérios que teus olhares escondem

Tudo que não sei

Vezes tudo que quero saber

O que atribuo a ti

Além de beleza tão evidente

Que de longe me faz suspirar

Aguardando respostas

Num vácuo de tua disponibilidade

Longe de qualquer erro

Nem todo acerto cai na sexta

Pois os dias passam rápidos

E eu apenas sigo

Sigo a perguntar-te

Numa entrevista sem fim

Chegando ao limite da indiscrição

Mas o que me resta além das perguntas

O que resta além do fascínio

Toda sedução que tua beleza exerce sobre mim

Alheio as tuas dores

Quais histórias ouviria de ti

Se a mim um dia quiseres confidenciar

Confissões de uma virginiana

De uma bela e objetiva dona

Que sorrir para iluminar o mundo que a cerca

Que toca a desfilar fascinando

Sobre rodas

Sobre olhares

Sobre conceitos

Sobre meus escritos

Meus medos e delícias

Teus encantos seguem e vão além

Que tudo que escrevi nesse poema



4 de ago. de 2021

O Nono Mandamento (Jurandir Bozo)

O que esperar do inesperado 
Os acontecimentos apenas caem sobre nos 
A surpresa que a vida vem ofertar 
Por vezes como uma dadiva 
Por vezes como um infortúnio 
E assim segue a vida 
Numa perene incógnita 
 Na sucessão sem fim de minutos e horas 
E quem pode prever o por vir 
Assim meio como uma tentação 
Uma miragem 
 Em meio a meus valores morais 
Veio para encandear meus olhos 
Por em cheque meu conceito de ética 
Ela é linda 
 Tem olhos expressivos e olhar guloso 
Com postura e recato 
 Assim entrou em meus pensamentos 
Os mais íntimos e proibidos 
E suas curvas pareciam caber em minhas mãos 
As medi com olhares discretos 
Era apenas um almoço entre amigos 
Com falas e as historias descabidas 
Que a encabulavam e provocavam seu silencio 
 E o Silencio dela 
Provocava minhas fantasias 
 Quem é essa moça de mil encantos? 
Quais seus desejos e sabores? 
Assim como veio ela se foi 
Levando junto mil perguntas 
Levando junto meus sonhos 
 Meus valores corrompidos 
Pois assim disse Deus 
- Não cobiçais a mulher do próximo 
Perdão senhor 
Desobedeci


 

Dedicado a leonina mais encantadora que a noite poderia me apresentar.

 

6 de fev. de 2021

Extra Lar (Jurandir Bozo)

Ainda guardo em mim 
Todas as lembranças do seu corpo... 
Seu cheiro e sabor, 
A maciez de sua pele, 
Seu jeito de fazer amor 
De beijar e gemer... 
Suas curvas continuam em meus dedos; 
E seu olhar em meus sonhos. 
A imagem de você a me esperar... 
O primeiro toque, 
Presente e real, 
Sem vídeos ou distancias. 
Era apenas eu, você, 
E o universo que conspirava a nosso favor... 
Sua lembrança é continuamente presente 
Não há como lhe esquecer 
Não há como não pensar em 
Você Tive que retornar 
Mesmo querendo ficar 
Mas uma parte de mim não voltou 
Fico aqui de longe 
Dividido ao meio 
Entre meus sonhos de criança 
E minhas fantasias de adulto 
Dizer o que sinto... 
Explicar meus sentimentos... 
Calo e fico ausente para evitar a dor 
A dor que sua falta me traz 
 E assim de peito rasgado 
Só queria lhe dizer nessa poesia brega - Te amo. 
Mesmo que tudo não passe de um sonho...

2 de ago. de 2020

Apenas Bons Amigos (Jurandir Bozo)



As curvas de suas pernas

São para mim

A parte mais perigosa 

Que meus desejos trilham

No que intimamente

Anseio sinalizar com beijos

Pele macia em fogo brando

Num rostir encabulado

Nosso pés se encontraram

Enquanto sonhava

Lábios e salivas

Segundos de silêncio

Em uma eternidade de sentidos

Para mim era verbo

E eu amei

Para você substantivo

Estranheza

E voltamos a mesma distância

Afinal ainda somos

Apenas bons amigos




30 de jul. de 2020

A Síntese do Grito (Jurandir Bozo)




A Síntese do Grito

 

Largam de mim

Pedaços molhados de lembranças

Que ainda me fazem rir

Que projetam medo do que estar por vir

Pois se haverá porvir é a única certeza

Enquanto isso

Sigo flutuando por novos caminhos

Velho e assustado

Com tantos outros sentimentos juvenis

Pra quem nunca temeu a morte

Querer ir abraçar as incertezas da vida

É assustador

Afinal quem não quer

Ir além-mar e amar

Primeiro a si e se possível aos outros

O amor se olharmos bem é meio egoísta

Ate no mais absoluto altruísmo

Há certas conveniências

Em sacrificar-se sem do outro saber

E se sabemos muitas vezes decidimos sós

No fundo no fundo

Somos tudo que não conseguimos dizer

E a síntese de tudo que já conseguimos gritar

(Escrito em 30/07/2020)

11 de jul. de 2020

Carta ao Meu Eterno Amor ( Jurandir Bozo)





Ainda parece que foi ontem
Você veio esprivitada
Ligeira e falando alto
Linda de voz rouca
E eu idiota como sempre
Quis traçar regras
Impor vontades que não eram suas
Você me deu seu tempo
Sua amizade
Você me deu um filho
Deu-me sua vida (Eu sei)
Lições que a principio não enxergava
Pois não parava de falar
Pois não me permitia escutar ou aprender
Era Eu e eu e a pseudo vontade de morrer
Quando a vida se quer parecia ter começado para mim
E sem precisar dizer nada
Sem precisar me impor nada
Você me ensinou a ser homem
Ensinou-me e me permitiu ser pai
Quando na verdade se quer sabia
O que era ser apenas um menino livre
Livre de medos
Livre de vaidades e complexos
Preso a mimos e manias de fedelho
Assim alicerçado em seu amor
Cresci aos poucos
Como menino
Como pai
Como artista
E você ali vivendo o pior de mim
As inúmeras tentativas frustradas
As minhas grosserias e traições
Mas do seu jeito você sempre foi você
Uma Mulher que não pede permissão
Uma Mulher que sabe fazer amigos
Os seus e os meus
Não há como dizer que não demos certo
(Os anos e a cumplicidade não nos permitiria
Nosso filho sendo o homem que é hoje
Mostraria o contrario disso
A profissional que Você é
Grita o contrario disso)
Jamais amarei alguém com ainda lhe amo
Tal fato me assusta
Mas me conforta
Cassilta você é mais que qualquer poema
Muito mais que qualquer pensamento
Que minha aguçada criatividade possa definir
Talvez hoje a dor que nos toma
Não nos permita enxergar o obvio
Você foi a melhor coisa que tive na vida
E isso é obvio
Até porque você foi minha vida
Por vezes meu único amigo
Por vezes meu único irmão
Meu único parceiro
Meu único cumplice
Foi tudo sem deixar de ser mulher
Sem deixar de ser você
Os sentimentos mudam
As pessoas mudam
Mas não como as pessoas
Os sentimentos não morrem
AMO-TE
Mas o amor também muda
E desse novo jeito
Eternamente te amarei




10 de jul. de 2020

Pós Exibição (Jurandir Bozo)





Eis que o sol nasce
E rasga a escuridão dos meus olhos
Ainda cansados e húmidos
Mas minha dor continua a correr
E corre por melodias ocultas
Onde meus gritos ecoam por achego
E aos que pensam que minha rebeldia
Liberta-me dos laços que criei em vida
Afirmo que não
E se ainda achares que aplausos
Confortam o eu que se esconde
Realmente devo ser um bom ator
O que sorri e diverte
E que ao entreter os outros
Engana si
Para assim seguir o roteiro do espetáculo
Seguir o dia
Seguir a vida
Na mentira mais real
Como se no final da noite
Pós exibição
Não voltasse a ficar preso nas madrugadas
Em minha solidão





12 de abr. de 2020

Elizabeth IV (Jurandir Bozo)








Assim se foi o tempo,
Comigo pensando em você...
Se foram os segundos e as horas,
Se foi a noite,
Se foi o sonho,
Veio e foi o sono;
Comigo pensando em você.
Enquanto o mundo girava,
As estrelas mudavam de lugar,
Outras até caiam no oceano
E o mundo provavelmente
Se quer era mais o mesmo;
Comigo ainda pensando em você.
Assim aguardando o sol nascer
Para enxergar nele
O brilho de seu sorriso
E a luz que emana de seu olhar;
Comigo pensando em Você.
Então, como não pensar em você?
Se quanto mais sei de suas verdades
E mais descubro seus mistérios
Mais se agiganta sua graça,
Sua beleza e formosura
Que reafirmam meu respeito,
Minha máxima admiração;
Por você mulher,
Por você liberdade,
Por você inteligência,
Por você malicia e pureza,
Por você...
Elizabeth.





30 de mar. de 2019

Quase Eu (Fábio Sirino)






Ei!
Você!
Permita-me apresentar-me
Pois não costume falar com desconhecidos
E preciso encarecidamente de vossa atenção
Meu nome não vem necessariamente ao caso
Ele não define de fato quem sou
Talvez meus defeitos e peculiaridades
Falem muito mais sobre mim
Que o nome que me deram
De fato sou um tanto ansioso
Como podes também perceber por esse prologo 
Sou expansivo e falastrão      
Bonachão
Certamente como forma de socialização
Afinal de cantas sou libriano
E como todo libriano
Busco aceitação ate dos idiotas
Mas por favor
Queira não entender-me mal
Não sou absolutamente pernóstico
Minha presunção não chega a tanto
Apenas aprendi a ri da mediocridade alheia
Como sugestão a uma pseudo aprovação
Que eles de fato não há tem de mim
Se bem que de tempos para cá
Tenho preferido o silencio a fala das pessoas
O silêncio tem me parecido muito mais inteligente
Que o senso comum da modernidade
Desculpe mais uma vez
Sou prolixo também
Como o próprio tamanho do texto sugere
Mas se você esta me lendo agora
É porque de fato não é parte da maioria
Que se perde na interpretação
De um texto maior que quatro linhas
E por esse básico motivo
Não escrevo ou falo a essas pessoas
Eu até já fui o sujeito que acreditava
Acreditava na inocência
Na bondade
Na harmonia da humanidade
Nos SONHOS
Até no AMOR
Hoje não sei mais se quer se creio em mim
Então talvez hoje esteja cético
É verdade
Hoje talvez esteja ateu até
Talvez esteja desesperançoso
Confuso
Certamente estou
Disso tenho certeza
Mas peço que não me restrinja
Não sou o momento que vivo agora
Assim como você eu sou muito mais
E por isso despeço-me
Falar com você me fez perceber
Que por mais que tente
Não conseguirei me apresentar
Em apenas um poema
Então se queres saber quem sou
Não faça perguntas
Não me presuma ou julgue
Apenas me leia em totalidade
Pois já são muitos e muitos poemas
Para que comece pelo menos
A entender o porquê lhe parei aqui
Para ler esse texto em construção
Que ainda se quer tem um fim...





4 de jan. de 2019

Olhos Cor da Noite (Jurandir Bozo)



São negros e cheio de luz
Feito as noites de luar
Assim tão encantados quanto
Tão misteriosos ou mais
Cheios de força 
Quase falando as histórias que não sei
Mas já dizem tanto que me calam 
E me fazem fantasiar
O que vem em seu entorno
O que complementa sua beleza
Formas e texturas 
O que se inicia 
E o que nunca acaba
Seu fruto
Seu sorriso
Seus lábios
Seus olhares 
Tantos de tantas formas
Formas de tantos significados 
Outra vez me calo
E como é raro algo calar-me 
Então fascinado volto a olhar seus olhos
E permaneço em silêncio



5 de nov. de 2018

Mar de Portugal (Jurandir Bozo)




Além as praias que conheço
Mora em outros mares
Uma suposta filha de Iemanjá
De rareza bela e cabelos escuros
Ondulados feito às ondas do mar
De olhar referto de vida e enigmas
Adido a um sorriso largo e prologo
Como se suas narrativas
Estivessem impressas em sua pele
Aparentemente macia
E distante dela não alcanço seus dons
Sua intimidade difusa
Quase publica aos olhares invasivos
A curiosidade vulgar
Ela flutua em fibras ópticas 
Ela ganha o mundo e assim chegou a mim
E de olhos aberto sonho
Enxergo-a sobre um sobreiro
A olhar para o céu
Pois olhando para o céu todos ficam mais próximos
Mesmo estando em outros continentes
Em outras aguas
Ela imensa
Em universo pélago
E eu rio intenso
Corrente com meus pensamentos
Desaguando inexorável
No oceano de sua beleza


19 de out. de 2018

Sonhos, Desejos e Assombrações ( Jurandir Bozo)


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Para podermos começar essa historia temos que primeiro saber um pouco sobre o tradicional bairro do Jaraguá, um bairro da cidade de Maceió, capital do estado brasileiro de Alagoas. E que em grande parte contribuiu para o desenvolvimento da cidade de Maceió por conta do seu porto, o Porto de Jaraguá, que possuía um localização privilegiada na primeiramente capitania, logo após, província de Alagoas. Graças ao porto, a cidade alcançou um crescimento tal que motivou a mudança da capital da província para Maceió. O local passou a ter um grande fluxo de comércio, contando com muitas lojas e armazéns.

Na segunda metade do século XX veio à decadência do bairro, sendo aos poucos abandonado, tanto pelo comércio quanto pelos moradores. Na década de 1990, a prefeitura iniciou um projeto de revitalização, restaurando ruas e casarões. Boates e casas de shows foram abertas, assim como uma faculdade privada, a Faculdade de Alagoas (FAL), e mais agências bancárias. Porém, nos últimos anos, o bairro novamente sofreu desvalorização, a despeito dos constantes investimentos dos governos locais.

O bairro é sede da Prefeitura, do Museu de Arte Brasileira, da Associação Comercial de Maceió e do Centro de Convenções, construído recentemente para receber eventos de grande porte na cidade.

Hoje suas belas ruas que já presenciaram os mais diversos momentos da boemia Maceioense, se encontram quase no mais absoluto abandono, sem glamour, badalações, ou poesias ébrias espalhadas pelas esquinas, regadas a paixões proibidas, a cobiça, a perversão... Seus fantasmas de uma historia rica e encantada hoje já não assombram o imaginário de seus moradores, pois o que temem  hoje é a constante violência da cidade e o abandono que vem assolando o bairro, porem sua beleza continua fascinante.



Parte I

Dos Sonhos aos Desejos Molhados

Era só mais uma noite tranquila, sem estrelas, sem lua, nada chamava atenção no céu levemente nublado, o clima meio frio era agradável para uma boa noite de sono.

As ruas pouco ouviam o som dos carros, era mais uma madrugada calma de meio de semana... Mas algo fora do comum acontecia ali, uma moça trajando roupas de dormir extremamente sexy, andava descalça pela Rua Barão de Jaraguá, não se incomodava com o pouco movimento dos carros que buzinavam e buzinavam vezes por advertência, vezes outras, por tentar uma abordagem meramente sexual. Ela apenas seguia com um olhar doce, mas compenetrado, se quer olhava para os lados, seguia e seguia como se o asfalto fosse apenas uma passarela iluminada para ela, ali, linda,descabelada, louca, descalça... Ao passar por uma das poucas remanescentes casas de shows uma musica casual a faz sorri, mas ela continuou a seguir... Sozinha, aparentando não ter medo de nada, ela foi devorando o cominho até chegar à praia. A ária fina massageando seus lindos pés e ela olhando fixamente o infinito, andando até sentar-se de frente para o mar.

Depois de um longo tempo observando o céu sem estrelas, ela levantasse e vai as águas salgadas brincar com as ondas molhando seus pés, depois letamente suas pernas e coxas... Ate que ela entra nas águas e mergulha como se fosse se eternizar ali...

A contra luz surge à silueta de um homem, - e ela não se assusta, espera - ele vem com a mesma expressão no olhar, chega ate a praia e segura em sua mão, olhares doces e compenetrados invadindo almas, tomando pra si o que nunca foi ofertado. Ele a beija e a abraça por traz, e assim feito concha os dois se sentem a beira mar... Ela ajoelha-se na areia e deixa apenas seus pés serem tocados pelas ondas, ele feito bicho a possui segurando em suas ancas; ela geme, ele da uma tapa em suas nádegas, ela gosta,  ele volta a bater, ela geme num misto de prazer e dor, sentindo-o em confluência com o movimento das ondas... Forte e balanceado... Suas mãos apertam a areia com força, ele começa a dizer palavra que ela nunca pensou ouvir... Arrepia-se, se excita e se assusta... Tendo a certeza que não tem mais controle sobre nada, aleia ao desejo, entregue, mas extremamente perdida, louca, seus pudores gritam em vão, ate ouvir mais... – Vadia... Safada...- Palavras sussurradas com força – Ela ouve impávida... Enquanto ele volta a repete-se indo alem – Minha Puta... É minha puta é? Minha Puta...?

Continua...


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte II

Do Despertar para o Cotidiano de Normalidade


Nájera acordou suada com olhar envergonhado do sonho que a pouco lhe provocara sensações intensas e lascivas, ainda molhada, ela levanta-se de sua cama (que parecia ter sido revirada numa noite de amor ) visualizando todo espaço a qual lhe é intimo como recôndito, assustada ela vai até o banheiro e antes mesmo de olhar-se ao espelho abre a torneira da pia deixando a água escorrer pelo ralo, de vista baixa respira profundamente recordando do que a pouco acreditou ter vivido, mas era apenas um sonho, mais um sonho de Nájera, real o suficiente para umedecer suas coxas...

Erguendo a cabeça Nájera olha-se no espelho buscando enxergar ali a menina normal, sorridente, tímida para “certos” assuntos e séria quando se deveria ser, assim ela se auto afirmava, e assim todos acreditavam que fosse; sua família, seu namorado, seu chefe, colegas de trabalho e até mesmo os amigos mais próximos... Seus sonhos eram apenas dela, segredos guardados e escondidos até nos mais secretos relatos em seus diários.

Pálida, ela olha detalhadamente o piso e os riscos no chão decorrentes do desgaste do tempo, quantas vezes ela já havia se sentido assim, acordado assim... Estranha, alheia as sanidades do imaginário coletivo comum a qual todos os cristãos são sujeitados desde de todo sempre. Assim ela respirava buscando expurgar o sentimento de pecado a pouco cometido, vivido em mais um sonho quase que real.

Respirando fundo, permanecia ela parada como se o tempo fosse passando lentamente sobre sua vista, num ritmo lento de sua respiração profunda e pausada.

Pronto, passou, basta lavar o rosto, voltar para cama , tentar dormir as poucas horas que ainda lhe restam de descanso para acordar e ir ao seu trabalho. Nájera voltava a ser a mulher entre as rochas, na cama, ela se cobre e sorri com ar de menina levada, passeando seu olhar doce pelo quarto que já voltava a acolher-lhe sem cantos escuros ou lugares encobertos. Isto posto, fechou os olhos e dormiu.

A luz do sol entrou pela frecha da janela, que era guardada por cortinas de renda num tom de verde bem clarinho quase branco deixando a claridade chegar mansa ao seu rosto angelical, ainda entregue a Morfeu, fazendo-a então despertar serenamente. Espreguiçando-se Nájera esperta para seguir sua senda habitual, lavar o rosto e escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa e seguir ao seu oficio. Nada fora do encontradiço... O mesmo horário, o mesmo caminho até chegar ao ponto de ônibus, quase as mesmas pessoas ali a esperar sua condução, tudo igual, sacal feito o transpassar de seus dias e anos, numa vida quase medíocre que não lhe causava cansaço.

Mas esse dia não seria pariforme como todos os outros...

No coletivo Nájera senta-se quase que no mesmo lugar habitualmente, e logo que tomou assento abriu a janela querendo sentir o vento acariciar seus cabelos que balançavam um pouco acima da altura dos ombros no mesmo momento que tocava seu rosto e ela observava o caminho, as ruas, as casas, os carros, as pessoas passando...

Ao voltar-se o olhar para dentro do ônibus, divisando as pessoas uma a uma, quando percebeu um home de silhueta familiar... Sua imagem encoberta pelo ângulo não privilegiado de visão não permitia certezas. Nájera intrigada sabia que o conhecia de algum lugar, mas de onde seria...? Como se fosse descer ela levantou e ficou de pé buscando melhor visão, observando-o fixamente... Olhar inamovível, inarredável... Até que ele a olhou meio que de canto... – Ela atônita percebeu ser ele... – Mas ele quem? Se a única coisa família era a silhueta e o olhar... – Mas aquele olhar ela tinha certeza que o conhecia de muitos e muitos sonhos... Era aquele olhar pariforme, doce e compenetrado que invade almas e as toma apaixonadamente e imoderado todos os segredos e prazeres...

Ela já não pensava em mais nada, tudo havia saído dos seus escudos rochosos da normalidade cotidiana razoável, lógica, ali a sua loucura mais fidedigna e factual presente diante de sua perplexa vigia.

A essa altura ela perdera o local de descida, o tempo, o espaço... Perdida em seu olhar cravejado dos tantos sonhos ali presente.

Ele voltou a olha para ela e sorriu discretamente erguendo-se e indo em direção à saída mais sem a perder de vista, como se soubesse tudo que ali se passava... Ela sem hesitar o seguiu descendo com ele... 

Continua...




Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte III

Do Irreal ao mais Real


Era uma manha comum de segunda feira, na empresa onde Nájera trabalhava todos já haviam chegado. O tempo foi passando, a manhã tive fim e iniciou-se à tarde, o sol saiu forte por entre as nuvens aumentando o calor, ali todos cumpriam suas funções como costumeiramente faziam, mas a mesa onde Nájera trabalha continuava fazia, ate que seu chefe notasse a sua ausência e pergunta aos seus colegas por ela, logo Nájera, a funcionaria que estampava com sua foto na parede de funcionário do mês, a dedicada, prestativa e previsível Nájera.

Sem informações seu gerente (de nome de Bruno Sandes), ligou em seu telefone móvel, que chamou até cair sem que tivesse qualquer resposta, outra tentativa, seguidas tentativas, chamando ate cair na caixa postal. Bruno então deixa um recado, apreensivo – Nájera é Bruno está tudo bem? Por favor assim que ouvir retorno ao meu numero ou mande alguma noticia a alguém da empresa. Estamos ficando preocupados.

Fim de tarde, fim de expediente e nada dela. A preocupação se perde no rosh de início de noite.

Na casa de Nájera, a mesma calmaria quase fadigante de sempre. O café no fogo, a mesa posta, já são quase 20 horas e Nájera nada... Sua mãe liga em seu celular que continua a chamar até cair na caixa postal... Então ela busca ligar pra algumas amigas de Nájera e o que era apreensão vai ganhando adornos de preocupação, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém falou, ninguém ouviu... Eis que chega a porta o desespero...

Uma segunda feira quase que inteira sem Nájera...



Ali estritamente impotente, resignada ao silencio e as inúmeras mensagens deixadas na caixa postal... Sua mãe, uma mulher forte, de personalidade marcante, dona Énéide se rende a desinformação, a ausência... Ao silencio.

Sem respostas o silencio maltrata, aguça a imaginação, provoca inquietude, assim andando de um lado para outro da casa, ela sente como se algo estivesse por ruir, diante de toda sua força ela se percebe frágil ao extremo do amor de mãe.

Ela liga para o namorado de Nájera pessoa a qual ela tinha grande resistência e antipatia – Alô é Pedro Neto ...? Sou eu Énéide. Pedro você sabe me dizer de Nájera? – ele já responde surpreso, jamais esperaria tal ligação – Não dona Énéide, Nájera deve ta voltando do trabalho... A senhora tentou falar com ela –  Tentei varia vezes, mas ela não esta atendendo o celular – Não há de ser nada, ela pode ter perdido o celular dona Énéide – fala lhe dando um certo alento, afinal fazia sentido o fato dela não atender o celular, e ele ainda diz – quem sabe ela não o esqueceu no trabalho, a senhora sabe como é o transito de Maceió – é meu filho você tem razão, mas por favor se souber noticias me ligue viu... – Pedro ficou sem reação com a doçura aflita a qual dona Énéide transpareceu em sua ligação e principalmente na forma gentil de lhe tratar, ele rapidamente ligou e como todos ouviu o som da caixa postal, isso então o fez ir de moto ate o trabalho de Nájera.


Ela (dona Énéide), por outro lado, mesmo sabendo que o que havia sido dito tinha sentido, no intimo ela não conseguia acalmar-se e o coração só se apertava ainda mais, e assim irrequieta, sem um minuto de sossego, resolve ver algum contato de algum colega de trabalho e buscou na agenda de casa algum telefone  que pudesse saber se Nájera estava bem, e que horas havia saído da empresa. Linha após linha, letra após letra, ate que encontra o telefone de Cristina, colega de sala de sua filha e que a informa que ela não havia aparecido na empresa, que seu gerente havia ligado diversas vezes e não havia conseguido falar com ela, que seu celular chamava ate cair na caixa postal... Agora não era mai mero pressentimento, havia ali uma situação real que apontava para um desfecho possivelmente trágico, um acidente, um assalto... As possibilidades giravam em sua cabeça e mil filmes e historias preenchiam as lacunas deixadas pela ausência de informações.

 Assim, seus amigos e parente começam a se mobilizar, mensagem em redes sociais, ligações, a casa começa a chegar mais gente e o desespero de sua mãe começa a pincelar as paredes de sua casa e marejar os olhos das pessoas que ali acompanham receosamente por fim já contanto em muitas outras historias de desaparecimentos...

Não encontraram registro em hospitais, delegacia, IML, Maceió corrida e examinada feito um check-in de um mulçumano um aeroporto americano... Todos a procura dela, e Nájera nada...

A noite avança e a madrugada chega para terminar o quadro colorido a desespero e esperanças molhadas de seus familiares e amigos...

Por fim, seu celular já não chama mais... Onde estará Nájera agora...

Continua...

  


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte IV

Do mais Real ao Irreal

Passaram-se dias... Meses... Anos... E ninguém soube mais de Nájera.

Até hoje sua mãe ainda vai às ruas vestindo uma camiseta branca estampada com sua foto e a frase: Desaparecida... Certamente a vida não foi mais a mesma para muitos... Certamente todos ficaram um pouco mais tristes... Mas os dias seguiram sem ela, o sol tornou a nascer e a lua a subir nos céus e mudar de fase alterando a maré.

Muito se fala, mais ainda se especula, pouco se investigou e nada se sabe de fato...
A empresa enlutou-se por alguns poucos dias e hoje sua substituta já se aplica no serviço talvez melhor que a própria Nájera.

Seu namorado – ele sim – mudou muito, ficou meio maluco, contando historias... – Disse a policia que Nájera estaria viva, que a no dia de seu suposto sumiço ele havia encontrado ela na esquina de sua casa, próximo ao Museu da Imagem e do Som em Jaraguá. – Assim fez o relato em depoimento:

O Sr. Pedro Luiz dos Santos Neto, depoente, declara que no dia do suposto desaparecimento de Nájera Thalita Ferreira Souza, o mesmo teria encontrado com a suposta desaparecida nas imediações da praça Dois Leões e que ambos se falaram e mantiveram relação intimas em via publica, tendo a conduzido ate a porta de casa onde o depoente tornou a subir em sua mota e seguir até sua residência no Bairro de Chã da Jaqueira.

- Pedro Neto, contou por diversas vezes essa historia, e muitos até hoje acreditam que ele deu fim a sua amada, alguns afirmam que por motivo de que ela no dia do seu suposto desaparecimento teria rompido com ele, outros dizem que foi por traição e outros dizem... e muitos dizem diferente... Porem Pedro Neto afirma de forma quase louca que encontrou com Nájera e que fez amor com ela na arvore que fica situada entre o MISA (museu da imagem e do som de Alagoas) e CAIXA Econômica Federal. – Nos amamos feito bichos, foi intenso, insano... Ela parecia alguém que não conhecia, mas era ela, seu corpo, seu cheiro, seus cabelos na altura do ombro, seu olhar doce, mas envolto por uma maldade quase pura... Ela me levou a arvore tirou meu sinto e ali no meio da rua, ela se ajoelhou e... Deus... Eu nunca tinha sentido algo como senti ali com ela... Era ela, foi ela... Mas porque ela sumiu..?

- Estaria então Pedro Neto louco?  Talvez pela sua insistência em afirmar a todos do seu encontro com Nájera no dia de seu suposto desaparecimento e todo teor erótico do encontro que  outras historias começaram a surgir de homens que haviam visto Nájera nas madrugadas do Jaraguá e que teriam tido um momento de prazer intenso e único como nunca haviam sonhado existir... Assim com a historia sendo viralizada nas redes sociais, as madrugadas do Jaraguá passaram a ser frequentemente visitadas por meninos amarelos de mãos cabeludas e rosto espinhento, na esperança de encontrar Nájera.

Talvez na madrugada de hoje mais um tenha encontrado com ela, quem sabe... Nájera não tenha encontrado uma forma de se eternizar no imaginário popular, fazendo parte para sempre das madrugadas do Jaraguá.

Mas o que de fato haveria ocorrido naquela manhã em que Nájera desceu do coletivo e seguiu o homem que habitava seus sonhos mais secretos... Que a olhava como se a enxergasse nua no meio das pessoas... Onde estaria Nájera? Onde estaria o Corpo de Nájera já que a sua alma já estaria habitando as madrugadas fazias das noites no Jaraguá.

Continua... 





Sonhos, Desejos e Assombrações

(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Parte V (Parte Final...?)

O tempo e seus mistérios, suas convergências e divergências... Assim pai das duvidas e senhor da razão o tempo dita impávido seu ritmo e nos empoe regras que faz-nos perceber o tamanho de nossa exiguidade.

O que talvez nos torne grandes, imensos... Maiores que a vida e a morte seja a importância que damos aos nossos sonhos, as nossas conquistas, o quão conseguimos tornar real os desejos mais abstratos, o que nos propiciam o bem e que transformam o mundo que vivemos, que transformam o nosso mundo que desenhamos em sonhos e fantasias. Deste modo era Nájera, uma sonhadora que mesmo acordada traçava enredos e enxergava historias num mínimo espaço de tempo, num piscar mais longo de olhos...

Nájera desceu do ônibus e começou a seguir o homem que habitava seus sonhos... Ela tinha mais que certeza, tinha convicção.  Sem observar mais nada além ele, ela obstinadamente o seguia... O seguiu até sentir-se tonta... Vendo tudo se estreitando, indo e girando, girando e escurecendo, indo, indo e ficando distante, mais distante, distante e escuro, mais escuro... Vazio. - Como se estivesse dormindo ela apaga.

O que teria acontecido com Nájera...? Estaria ela dormindo? Teria ela desmaiado? Ou estaria ela morta?

O que não passava de escuridão vai letamente clareando, meio que desfocada sua visão lentamente encontra o céu, vendo as nuvens e o sol forte em seus olhos... No chão, deitada nos braços do homem que lhe toma a atenção e a sanidade. Confusa, Nájera vai despertando e assim que retoma suas forças, percebi-se entregue nos braços de alguém que por mais familiar que lhe pareça, ela não sabe de certo quem é, de onde veio, pra onde vai, nem o que faz ali, dando-lhe atenção, com olhos ternos... Ele a olha e sorri... Ela sem entender ergue-se letamente se segurando em sua mão... Assim já de pé, ele a solta e retoma seu percurso, segue a andar, ela, ainda cambaleante vai em sua direção... – aonde vão Nájera e o homem dos seus sonhos...?

  Assim andando por quase horas sem ater-se ao tempo e nem ao percurso, em sua mente apenas ele; ele e seus paços...  Hipnotizada pela sua beleza e pelos discretos sorrisos lançados a ela. Voltava então ao mesmo bairro, à mesma rua de onde mais cedo havia saído, voltava ela ao Jaraguá.

Após a longa caminhada ele entra numa casa e deixa a porte entre aberta, como se avisasse a ela que a esperava lá dentro, ela entendendo foi com a certeza que a guiara até ali, convicta que ele a esperava há muito mais tempo que aquele encontro que estava por se consumar.

Dentro da casa, Nájera percebe que tudo lhe era familiar...  Do quarto um barulho, ela vai ate lá, impávida entrevendo, assemelhando e assimilando o lugar e o que estava por vir... No quarto, sua cama ainda desarrumada, suas mobília, as cortinas em tons claros de verde, ela estava em casa... Um calafrio passou feito vento por seu corpo, foi então que ela ouviu o barulho do chuveiro, a porta do banheiro aberta fazia o convite, ela parada, apenas deixou a sensação de medo momentâneo passar...   Firme; ela seguiu lentamente ate lá, no seu banheiro; a silhueta do homem dentro do box, ela então se despe e se entrega entrando para banhar-se com ele.

No chuveiro o olhar que nos sonhos a arrebatava, assim os corpos nus se aproximam e se tocam... Ele a abraça forte beijando seu corpo por inteiro, sua nuca, seu queixo, sua boca, seus seios, sua barriga, ate repousar em seu ventre, ali ajoelhado sobre a água que escorria entre os pelos e os porquês, tudo se esvaia em desejo... Ela morde os lábios e geme... Geme num gemido tímido, baixo... Prazeroso... Encaixados seguem se amando como se o universo e todos os Deuses tivessem parado o tempo para apenas assistir os dois.   

Ali talvez por horas, dias e anos ficaram eles...

Se tudo não passa de um sonho num eterno descanso de Nájera ou de uma fantasia sonhada em sua ultima noite, ou se ainda estaria ela prestes a acordar... Ninguém sabe, ninguém explica... O fato é que Nájera encontrou os braços de Morfeu, o Deus dos sonhos... O fato, é que muitos relatam ter visto ela nas madrugadas nostálgicas do Jaraguá a amar os solitários nos fins de noite...

(FINAL...?)