3 de jun. de 2013

Saudades Hoje... (Jurandir Bozo)




Hoje me deu saudade do tempo que fazia tudo errado
Saudade da liberdade irresponsável
Da inconsequência das afirmações afiadas
De sair para rua sem grana pra nada
De voltar para casa de corujão na madrugada
Das paixões prolixas e dos sentimentos desmedidos
Da vontade de morrer e de todo exagero juvenil em querer viver
Viver e viver sempre mais
Das muitas esquinas em que passei nada despercebido
Estranho a mim em tudo que fui
Hoje apenas tenho medo
De errar
Da violência da noite
De ser inconveniente aos olhos dos outros
De não ter grana para alimentar minhas manias
De me apaixonar loucamente
De morrer
Assim entre os extremos ainda seu que sou o mesmo
Mais velho e bem mais covarde
E por isso que hoje depois de tantos erros e acertos
Aceito todos os defeitos que construir
A mim
O tempo e assimilação de quem fui
(- e o mais importante-)
E de quem sou agora...


2 de jun. de 2013

O Olhar Dela II (Jurandir Bozo)




(Encantos de Cipriano)

Assim o tempo discorre na modernidade
Outras formas tênues de expressão
Ou mesmo de comportamento...
Nisso, vemos assim meio que distorcido.
O entendimento de certo, errado, feio, belo...
Vemos a fuga dos olhares,
O esconderijo dos encantos perdidos
Pelo simples fato de não nos olharmos mais como deveríamos,
Nos observamos como seres humanos,
Belos e complexos em nossas origens e diversidades...
Perdemos a cada dia a essência dos encantos,
Em especial,
Perdemos a cada dia a essência dos encantos femininos...
A força e pureza da mulher contidas num olhar...
Sua determinação,
Sua coragem,
Sua beleza,
Seu charme,
Sua liderança...
Talvez esse seja hoje a pergunta que mais me incomoda...
-Porque calar o olhar???-
Quando vejo uma foto como essa
Tenho a certeza que a beleza que grita nos olhos
Jamais deverá ser silenciada...
Pois ainda tem muitos olhares repletos de sons
Para harmonizar o entendimento humano
Do que é de fato a beleza de sermos o que somos
E propagar encantos mundo a fora e alma adentro...



Esse poema nasceu naturalmente ao me deparar com um lindo olhar, ou melhor, ao me deparar com o olhar Dela... A moça das terras de Cipriano... 

1 de mai. de 2013

O Sorriso Abril (Jurandir Bozo)




Abril sorriu pra mim
Passando perto de todas as incertezas
Reflexivo feito o infinito
Sem dar fim as minhas dividas
(E quem antes de partir dá fim as suas)
Sem a necessidade de ater-me ou atear-me
Descompromissadamente embasado
Nos riscos que desde sempre tomei para mim
Apenas fixo meu pensamento no sorriso que se abriu
Eu que tinha a mim sentenciado indiferença
Como se todos os outros fossem iguais
E viver repetições fosse sempre menos proveitoso
Que buscar a ineditude dos minutos
Encontrava-me entregue ao brilho do sorriso que se abria
Em mim mil pingos de chuva me despiam a alma
E percorriam meus instintos adormecidos
“Enestesiadamente” meus pensamentos corriam lentos
Buscavam formas e curvas
Torneavam pernas e seios
Formavam o desenho do que já havia visto
Para que assim mapeada eu não pudesse a esquecer
Mas abril se foi levou o sorriso dela
E hoje quando os pingos de chuva tocam minh’alma
Ela apenas dói
Dói como se nunca tivesse sentido tal dor
Não pela saudade ou pela falta
Mas pela ousadia de ter voltando a ouvir meu coração gritar
O que a muito já havia sentenciado ao silencio


18 de out. de 2012

Equívocos? (Jurandir Bozo)



Eu prefiro muito mais
A superficialidade das paixões
Profundas, quentes e intensas.
Que a frieza do que chamam e vivem
Como amor verdadeiro.
Prefiro os sintomas da doença
Que os efeitos colaterais dos remédios
A síntese poética, a uma saga formal e previsível
Mas vale a decepção que um covarde preconceito
Assim torto, largo, espaçoso
Sigo vazando sinais
Afinal o vermelho sempre me caiu bem
Gosto do único, do novo
Antes o toque arriscado da pancada afoita
Que a segurança da solidão contida
Pelo esmo ou pelo tato
Nossas precauções não mudam as estrelas de lugar
Mas a ousadia muda toda nossa historia
Por isso que ainda prefiro as paixões
Seus equívocos
E ate mesmo sua brevidade
Que a certeza do amor
E seu monótono prazo de validade.


17 de out. de 2012

Sobe Meus Jardins (Jurandir Bozo)



Às vezes a noite me acua no canto da casa e chego a pensar que ela vai me engolir, em outras eu que espero ela chegar e choro. Tem momentos que é preciso apenas a deixar ir e por mais longa que seja à noite, só me resta uma certeza,  - o dia sempre chegará;  - pois o sol se faz muito maior que toda escuridão e ele sempre volta a brilhar.

Assim muitas vezes a vida é chata e previsível, tipo livros e frases de autoajuda, e ai me canso dela, nesses momentos nada vale mais que um porre, e busco nas coisas mais torpes o meu alivio. A chantagem que faz o outro sofrer, o xingamento e nos casos extremos a porrada. No final sei que no escuro nada se vê e quase tudo morre na ameaça ficando eu sozinho e impotente com o vazio da casa e o meu egoismo.

É no desespero da raiva que fico "forte", que o poder "cresce"; que ninguém conhece minha natureza "perversa"...Talvez assim depois dos blefes o dia chegue mais cedo...  Talvez assim depois da falácia retome a rotina do politicamente correto, comedindo palavras, pensando, e pensando antes de falar...

No fundo no fundo, dizemos na hora da loucura verdades que precisam de uma justificativa para serem ditas e talvez ate justificativas para enxergar nelas o que tenho medo de perceber em lucidez diurna.  A crueldade do outro que o sentimento esconde, e nada mais complacente que a paixão. Ela é o maior refugio de verdades enterradas. Os sentimentos e as madrugadas, no escuro ocultam até quem somos de fato.

Assim sobre as verdades que se escondem plantamos flores e enfeitamos nossos dias fingindo felizes em sentir o doce e cruel aroma da desfaçatez humana. No mais tudo são apenas fazes felizes e tristes, e assim serão os dias que estarão por vir, cada um com suas noites e suas flores, com o jardim que deseja cultivar para se.



3 de out. de 2012

Unicamente Dhandara (Jurandir Bozo)



Sentença Final

(Abortando Uma Paixão)


Chegou sem licença
Como se meus sentidos
Ela já conhecesse com intimidade
Entrou em minhas moradas mais escondidas
Se fez dona de um pedaço que a muito abandonei
Assim sem avisos ou acordos
Foi apenas tomando posse de mim
Como se eu nunca tivesse conhecido outra dona
Mas assim como veio quis ir
E foi sem se quer me ouvir os olhos
Sem se quer deixar-me um sorriso
E em reciprocidade choramos sozinhos
Abandonados pelo único extinto que nos pune
O instinto de sobre vivencia
Aos nossos fantasmas e nossos medos
Não se pode haver vitimas numa sobre vida tão curta
Assim nos permitimos a sentir
Assim nos deixarmos ser quem de fato sonhamos
Já não mais importa outras vidas
Já não nos permite mais outro tempo
Você senhora das decisões
Julga improbidade todos nossos anseios
E assim condena toda nossa esperança a nada
O mar nos venceu
O nosso medo da imensidão foi maior
E talvez esse seja o verdadeiro pecado
O de se interromper uma linda paixão
Antes mesmo do seu completo nascimento.


(Para quem mais se não para você!)

2 de out. de 2012

Medos e Sabores (Jurandir Bozo)







E você ainda não dançou para mim
Talvez por isso minhas palavras
Não marquem como sua calcinha
Seja seu vestido ou seus saltos
Quiçá sua vida
Altos papos, altos medos
No terminal de culpas não coletivas
Livre do pecado em homem em essência
Tonara-se divino, assim como seus sentimentos
Sem sublimações, o exagero não é meu
Meu é o encanto, o belo que a mim fascina
E de nós, o que sabemos responder
Além do que já nos proibimos
O que ainda nos une
É o que nos leva o tempo sem percebermos
É o que nos prende olhares e pensamentos
E como diria o poeta – o resto é o resto -
E arguir o resto é se ater
Ao que não se faz importante
Ao que não nos faz diferença
Penso em seu corpo nu
E fugir disso seria apenas outra mentira
Algo desnecessário em nosso roteiro
Pois sabemos a verdade contida em cada vírgula
Sabemos a carga de cada palavra por nós escrita
A prescrição não muda quando o destino quer
E a ele, ou a você, eu me declaro entregue
Aos seus problemas ou seus medos e sabores.



28 de set. de 2012

Musica Para os Olhos (Jurandir Bozo)





Por entre conceitos
A distancia descorre em palavras
Próximas ou distantes
Envolvem-nos os encantos
Do que projetamos como discurso
Ou mera propaganda do que se deseja
Escorrendo entre os dedos pedaços de nos
Em símbolos que rabiscam a tela
Partes singulares de nossas vidas
Tudo aquém a beleza que escondes
O antídoto a sua contra indicação
Assim como o vento
Livre e selvagem
Eu não me assusto com suas campanhas
Nossos objetivos não precisam ser os mesmos
Para harmonizarmos nossas intenções
Como musica para cinema mudo
Danço sobre as fantasias
Como se minhas mãos
Estivessem a tocar em suas curvas
E afinasse nosso ritmo pela aceleração
Inspirando e espirando, assim indo e voltando
De mãos dadas a desafiar o oceano
Com a profundidade terna do seu olhar
E a minha vontade de viver
Que não me deixar partir
Sem antes fantasiar mais uma paixão
E todas as suas delicias
Desenhadas em mais um cigarro
E saboreada em mais uma doze
Pois nem na distancia
Protegemos totalmente o coração


9 de ago. de 2012

O Mar em Mim (Jurandir Bozo)




Cansado quase chego a reder-me
Como se uma onda tomasse minha vida
Levando-me para o meio do mar
E talvez por isso eu tenha medo dele
Não por pelo seu azul
Ou pela sua profundidade
Mas por ele remeter a mim
Todos os meus dias sem sol
Num clichê que ainda se repete
Palavra por palavra
O que ainda dói
É perceber o impossível
A frieza distante de um toque sem calor
Corpos que não se acedem ao se encontrar
E nesse escuro até o acaso perde sua força
Tudo fica obvio e restrito a um só entendimento
Antes eu tivesse matado em mim
Toda a poesia que ainda pulsa apaixonada
Que rouba meus pensamentos
E os entrega a você
Assim ficaria imune a sua tristeza
Não sucumbiria assim ao seu fascínio
E seu belo não me causaria pânico
Meu sono permaneceria terno e calmo
Como nunca chegou a ser
E apenas por isso espero eu
Um dia em que as noites sem lua
Pareçam mais iluminadas
Quando por medo fecharmos os olhos
E sentirmo-nos bem mais próximos do céu
Dançando juntos com as estrelas
Que cantando celebrariam o amor
A nossa ascensão ao paraíso
E nessa fabula
Nos
Os afogados 
Seriamos salvos
Da embriaguez da hipocrisia



23 de jul. de 2012

No Arame... (Jurandir Bozo)





Depois do sol
A noite não veio
Como se o mundo tivesse calado
Calado seus dias
Suas horas e minutos
Parado entre o resto de luz
E o escurecer
Eu
Somente eu
Entre sonhos e risos
Palavras e escritos
Reflexo dos meus medos e fraquezas
Num espaço de tempo estreito
Que já não durmo
Que já não me refaço
Eu apenas sigo e vou
Assim apenas deixo meus pés fazerem escolhas
Pela mais pura necessidade de andar no arame
De sair do lugar
Desse lugar
Do mundo
Do planeta
Da vida
De mim
Mas certo que mesmo indo
Toda paisagem se repete
E me desespero em silencio
Por sempre estar no mesmo lugar




21 de jul. de 2012

Amor Enviesado (Jurandir Bozo)




Do que valem as previsões
Se a cronologia nos afasta
Sentimentos desenraizados
Desejos que não buscam o amor
Olhares que não se encontram
Na mesma vontade

Quero então o frívolo
A instabilidade fugaz
Quero sim a insegurança
O incerto que nos acerta
Algo que provoque desequilíbrio

Quero sem permissão
Sem reciprocidade apenas sentir
Apenas tocar e provocar prazer
E mando a merda todos os pedidos
De casamento
Namoro
Socorro

De te sexo e calor e suor
Pecado e perversidade
Pois tudo que é bom
É sempre proibido



Assim Sendo... (Jurandir Bozo)





Anunciem
Gritem ao mundo minha solidão
O eu sego que perdido se encontra
E que cercado de incertezas
Ergue a viste sobre os dedos
Para perceber que não há sol
Alertem
Façam entender o universo
Que hoje mesmo a luz do dia
Caminhamos no mais impávido escuro
Aguardem
E o pior ainda estar por vir
Em mim ou de mim erros lançados
Ao céu feito aviões de papel
Baixando arquivos do eu criança
Numa plataforma adulta de ser
E assim sendo
Sinto-me mais outro que eu
No fim
Tudo acaba quase sem final
Como se fosse a sina de todos
Esperar quase conformado
Que não ha nada a nos oferecer
Que poucos grãos de esperança
Para uma safra inteira de desilusões


16 de jul. de 2012

Na Madrugada (Jurandir Bozo)




Dizem as más e boas línguas
Que é na madrugada que viro bicho
Que uivo
Mordo
E aranho
Mas é quando sou bicho
Que amo
Que gemo
E choro
É esse eu bicho das madrugadas
Minha parte mais humana
Mais terna e verdadeira
Sem as mentiras que sol reflete em mim
Sem convenções
Rótulos e slogans
Nela eu me lambuzo de quem sou de fato
Correndo em mim
Sonhos e desejos
Que a luz não ousaria iluminar
E quem vai negar que o escondido tem seu sabor
O meu sabor já não é mistério
E aos que ousam aparecer a mim na madrugada
Compartilho dele
Sem meias palavras
Só instintos
E fulgor no rosar de corpos
Assim feito bichos
O escuro não nos causa medo
Ele nos protege e acolhe
Todos os nossos segredos




Mudança (Jurandir Bozo)




Condiciono minha mudança a você
Não que suas múltiplas escolhas
Deixam de caber em minhas bagagens
E que sua falta de atenção sejam empecilhos
Mas a seriedade na forma de nos vermos
De encaramos em nos a safadeza que nos sustenta
Seja como amantes ou como inimigos
Íntimos ao extremo de nossas vaidades
Assim sabendo que gosta bem mais que meus dedos
Atesto de forma publica
Toda minha loucura dedicada a você
E a ela deixo que batize com nome que mais agradar
Paixão, amor, amizade
Eu ainda sei de mim
E em mim entro você cada vez mais presente
E assim feito cicatriz
Algo que desfigura e assusta
Que fica em mim para todo sempre
O que vivemos com dor
Feito uma boa marca ou uma má recordação
Mas vamos arrumar nossas malas
Roupas e discos
Óculos e protetores solares
Tudo é importante para nossa ultima noite de chuva
A parte isso
Seremos agora um para o outro
Sempre noites de sol




21 de jun. de 2012

Para Todo Sempre (Jurandir Bozo)



Você

Eu queria conseguir esquecer
Sofrer de amnésia
Morrer
Explodir
Ser varrido do mundo
E comigo minhas lembranças
Mas os dias passam
As noites dormem
Acordo e reacordo
Igual
Lembrando
Tudo
Você
Seus beijos
Seu corpo
Seu gosto
Dói e ainda sei que doera mais
E por mais que tente
Enganar-me fingindo amores
Só uma saudade me sufoca
Só um nome me importa
Só seu endereço me orienta
Só sua voz me acalma
E de que adianta chorar
Gritar ou feri
De que adianta disputar
Se mesmo vencendo
Para todo sempre
Eu continuo sem
Amor
Sorrisos
Você





19 de jun. de 2012

Meu Vinho (Jurandir Bozo)




Ainda é tarde
Faz calor e mesmo o ventilador no três
Sinto-me sufocar com a casa todo fechada
Sem nada para fumar
Bebo um vinho ruim vindo da argentina
Seco como meu sorriso
Tinto como meu sangue
Algo que assente com o som que toca em mim
Minha acidez não permite fakes em poesia
Já os tenho no real e no virtual
Redes que não deveria fazer social
Mas volto a por o vinho em minha boca
Com se quisesse sentir nele
O gosto imaginário dos lábios de uma moça
Forte, de não muita qualidade, 
Mas de bom custo beneficio
Algo não vulgar, mas que beira a safadeza


5 de jun. de 2012

Libriana (Jurandir Bozo)




A essência da aparência é que mais encanta
Quando se enxerga uma mulher verdadeiramente linda
Suas lagrimas no escuro do outro lado da tela
Sua aparente solidão numa vaidade libriana
A beleza que encara as lentes do tempo
A frente dos padrões ela sem querer cria conceitos
E rouba meus olhares que escorrem para o papel
O belo em curvas sinuosamente espessas
Tomam as linhas e preenchem meus pensamentos
Caprichos que são seus maiores perigos
Formosa com olhos tentadores
“De um negro inexcedível”
Guarda feito Pandora
 Seus segredos
Males e aflições
Num mais discreto
E verdadeiro sorriso




1 de jun. de 2012

Artistas (Jurandir Bozo)





Ainda dói em mim
O dia que me acusou
Em ser artista
Como se toda minha vaidade
Fosse menor que tua mentira
Aquelas que eu acreditava
As que me faziam feliz
Verdades não me importavam
E quais verdades importam
Quando se está apaixonado
As tuas em dizeres que o que sou
Ou as minhas em acreditar
Em quem tu me dizias ser
Assim entre o que se falava
E o que era entendido
Vivíamos de perto nossa distancia
Bailávamos entre focos e gerais
A nossa mais pura e delicada imaginação
Afinada como luz onde o sonho era meu
No céu as nossas estrelas
Ascendiam sobre nos
Como se não soube-se
Que minha maior obra era te amar
Exercer o verbo contigo
Foi então meu mais saboroso espetáculo