30 de out. de 2011

Procura-se!




Procuro um amor
Alguém que traga nos olhos
Uma vontade de amar
Que seja leve, forte, e as vezes densa
Não quero alguém com manual
Quero ler na pele tateando segredos
Seus pelos, suas curvas, seus seios acesos
E em seus lábios as respostas que saem sem som
Procuro um amor que me olha a alma
Que leia meus poemas mais tolos
E que no meio de muitos enxergue em mim
O que nunca percebi ter
Que me faça cafunés
E brinque de puxar meus cabelos
Procuro um amor que discuta relação
Que faça amor de olhos abertos
Olhos que busquem os meus
Procuro um amor que ouça forro,
Mas não suporte o Calypso
Que goste de samba
E tenha uma quase intolerância ao pagode
Que dance coco, xote e valsa
Que seja do povo sem ser vulgar
Procuro um amor que adore política
Sem a inviabilidade do meu radicalismo
E saiba colocar-me no lugar
Fazendo-me ver erros e vícios
Que seja ela, que tenha problemas
Procuro um amor que me ame
E que possa entregar meu coração
Ou mais que isso
Procuro um amor que se ame
Mas que não viva sem mim...

20 de out. de 2011

Os Olhos Dela (Jurandir Bozo)




A luz das chamas das noites ensolaradas
Ocupa meus espaços vazios, meus cantos
E nesses momentos de vinil
Meu imaginário percorre teus mistérios
Perdendo a margem que avisa-me quem sou
Derretendo-me, envergando-me
Redescobrindo formas
Que meu corpo havia esquecido
Ainda errado, ainda avesso
Desconheço-me em paixão
Escorro em desejo
E mesmo amando a ideia que faço de te
Não sei nada mais que isso...
Nada mais que os olhos Dela...

11 de out. de 2011

Atado (Jurandir Bozo)


A Escolha da Liberdade

Nada é tão profundo e cheio de mistérios
Quanto às curvas da tua beleza!
Num desconhecimento perigoso
Arisco-me aos teus prazeres
Ou as tuas palavras
Mas a mim não são diferentes
Ambos me roubam a lucidez
Pousando em te
Meus olhos ciganos
E a minha vontade de seguir
Perdem força e param
Foge de mim o direito de escolha
Pois sem te
Qual liberdade poderia ser plena?



7 de out. de 2011

MARIA BETHANIA - JEITO ESTUPIDO DE TE AMAR



Um jeito estúpido de te amar
 (1976)

Composição : Isolda e Milton Carlos
Poema de abertura  de Fauzi Arap
Declamado por Maria Bethânia

 Interpretação : Maria Bethânia
Trecho de abertura do show  Pássaro da Manhã
Autoria :Fauzi Arap 

Eu vou te contar que você não me conhece...
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve!
A sedução me escraviza à você ...
Ao fim de tudo você permanece comigo,
mais presa ao que eu criei e não a mim .
E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa ....
Você não tem um nome , eu tenho...
Você é um rosto na multidão ,
e eu sou o centro das atenções ,
Mas a mentira da aparência do que eu sou ,
e a mentira da aparência do que você é .
Por que eu , eu não sou o meu nome,
e você não é ninguém ...
O jogo perigoso que eu pratico aqui ,
ele busca a chegar ao limite possível da aproximação.
Através da aceitação , da distância , e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia que nos separa ...
Eu quero que você me veja nu , eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada , te denuncia , e te espelha...
Eu me delato , tu me relatas...
Eu nos acuso , e confesso por nós.
Assim , me livro das palavras,
Com as quais você me veste .


Eu sei que eu tenho um jeito
Meio estúpido de ser
E de dizer coisas que podem
Magoar e te ofender
Mas cada um tem o seu jeito
Todo próprio de amar
E de se defender
Você me acusa e só me preocupa
Agrava mais e mais a minha culpa
Eu faço e desfaço, contrafeito
O meu defeito é te amar demais.
Palavras são palavras
E a gente nem percebe
O que disse sem querer
E o que deixou pra depois
Mas o importante é perceber
Que a nossa vida em comum
Depende só e unicamente de nós dois
Eu tento achar um jeito de explicar
Você bem que podia me aceitar
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser
Mas é assim que eu sei te amar.

Palavras são palavras
E a gente nem percebe
O que disse sem querer
E o que deixou pra depois
Mas o importante é perceber
Que a nossa vida em comum
Depende só e unicamente de nós dois
Eu tento achar um jeito de explicar
Você bem que podia me aceitar
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser
Mas é assim que eu sei te amar.

1 de out. de 2011

Insônia (Jurandir Bozo)



Meus olhos pensam
E talvez tivesse que estar ainda dormindo
Cansado as palavras perdem força
E não mensuro o tamanho da minha solidão
Em meio aos raios de sol que começam a entrar
Pelas frestas das janelas do meu apartamento
Suado minha inquietude aflora nervos quase sãos
Assim ente meus poemas queridos
Visito conhecidas paginas
Vídeos já visto
Musicas não inéditas a mim
Um livro de paginas repetidas
Não quero novidades
Dei-me de presente ao tédio
E assim talvez me suporte menos
Abreviando questões obvias
Pela razão a opção mais temerosa
Fuga, loucura, fim, recomeço
A morte tem me causado bem menos medo
E conviver com a sua presente realidade
Deixa eminente sua chegada
O sono é que não vem 
Deveria vir e me ganha o cansaço
Mas quero bem mais que dormir
Hoje queria descansar
Em paz.

25 de set. de 2011

A Distancia (Jurandir Bozo)




Por mais que resista sei que ainda há amor em mim
E tal certeza amedronta meus anseios de aventura
Mas cansa convencer-te que enxergo em te
Uma beleza que tu sequer desconfia ter

Foco esforços e saudades do que nunca vivi
E para realizar fantasias ouso até viajar
Buscar-te seja onde for e mostrar-te que sou real
Que meus beijos e toques são teus desde o dia que te li
E assim entreguei meus sonhos e vontades

Talvez fosse a hora de buscar um farol
Luz para as duvidas que despertem receios
Indo ao encontro teu com ar apaixonado
Mas sabendo de meus valores e defeitos
Não engano ou vislumbro ser maior que sou
E a firmação de tais critérios me deixam lucido
Mesmo encantado com a luz que emana
Via cabos e fibras que encurtam nossa distancia

Um dia talvez entenda meus encantos
E minhas poesias não declaradas
Sabendo que todas elas tinham o mesmo destino
Pois a te ofertei escritos tímidos
Que ousavam ate excitar-te
Mas não pretendiam invadir espaços íntimos
Segredos ou confissões não reveladas

Ainda ouso guardar de te todos os fascínios
Que me levaram ao encontro da paixão
Deixo estão registrado em poesia
A mais profunda queixa
Das tantas duvidas que ofertavas a mim
Das palavras que vos bem dizia
Dos elogios que ainda moram acesos
Num peito que palpita lembranças tuas
De uma sobrevida quase nula
Onde a fantasia norteava
Uma quase descrente realidade
Do possível amor que não aconteceu
Pois nem sempre o silencio tem algo a dizer... 



O Rio e o Vento (Jurandir Bozo)





Hoje ouvi alguns conselhos do rio
E com os olhos molhados pelo tempo
Deixei-me levar por suas historias
Boiando correnteza a baixo
Quem sabe assim eu mesmo ferido
Possa correr leve em meu curso para o mar
Indo contra o vento
Deixei com ele ( o rio)
Os últimos gritos entalados
O ultimo refugo de desistência
Minha pulsação mais temerosa
Pedindo para que levasse consigo
O que já não mais me serve
O que a muito me atrapalha
Enxergo nas margens do rio
Uma tele que exibi minha vida
E sentado sobre a areia
Revisito minhas memorias
Sem o mesmo ar infantil
Então escrevo na areia
E uso o vento como borracha
Deixo que ele (o vento)
E o rio, apaguem de mim
Tudo que já quase me afoga.

22 de set. de 2011

Seus Caminhos (Jurandir Bozo)





Desconhecida, chegou-me em mistérios
Leve como vento, suave como uma seda negra
Busquei olhares e trejeitos
Como se fosse algo a ser decifrado
Mas seus segredos
Estão nos mínimos relevos de sua pele
Em curvas e passos que dançam
E na sobra dos olhos escuros
As historias que quero aprender
Medos, anseios, prazeres
Suas intimas fantasias e vontades
Em uma loucura quase tímida
E uma timidez quase louca
Espontaneidade que me seduz
E assim feito o cheiro do seu café
Sua lembrança me invade
E não poderia ser mais encantadora
Deixando-se conduzir em canções
Suas mais presentes recordações
Linda jovem, insegura, livre
De flor no cabelo e beleza matreira
Feito sol seu sorriso
Encandeia meus esconderijos
E assim exponho em poemas
Tentando penetrar em suas angustias
Meus mais profundos erros
Com um labirinto de perguntas
E cruzamentos contrários
Quem me dera ter acesso a suas placas
E assim conseguir chegar a você
Sem agredir seus mais frágeis escudos. 

19 de set. de 2011

Manicômio Judiciário II (Jurandir Bozo)

(A Bailarina...)

Os loucos são poucos
Lindo mesmo é a bailarina
Que dança e tripudia
Fazendo do impossível imaginário
Real literal em passos e movimentos
Aqui dentre essas paredes brancas
Paira um clima marginal
Mesmo com tantas arvores e plantas
O muro não nos deixa esquecer
 (Que estamos presos)
E gritamos para ela dançar
Num espetáculo solo
Ela sorri e dança sem musica
São alucinações suas coreografias
Num rito vezes calmo, vezes frenético,
Ela se movimenta
Num palco gigantesco
Que mal cabe em sua cabeça
Enquanto os outros
Observam os muros altos
A bailarina continua a dançar
Dentre as paredes brancas
Do Manicômio Judiciário
Onde ela vaga por uma eternidade...

17 de set. de 2011

Necessidade (Jurandir Bozo)




Será que prossigo?
Minhas mentiras são as mais puras verdades
Num trafego de sonhos e frustrações
Posto isso, o resto é mediocridade...
Palavras vãs, verbetes;
Sinto falta da vontade de morrer
Daquela forma eu me sentia vivo
Quiseras eu chamar-te a atenção
Quisera eu que tu me notasse.
Creio sim em assombrações,
Nas sombras do meu quarto elas aparecem
E as chamo de Amor,
Paixão,de Solidão e Esperança...
Quando mar sou criança e brinco
Quando noite sou marginal e amo
Amo por amar,
Brinco pela mais pura necessidade
Ou o contrario...
Brinco por brincar
E amo pelo mais puro egoísmo...

13 de set. de 2011

O Filme (Jurandir Bozo)




É tarde e me pego cochilando...
Na TV um filme reprisado
Que não me despertava interesse.
A cama não caberia meu tédio
E sentado fico a olhar o nada
E entre pequenos cochilos
Voltava minha atenção às fantasias
Que atenuam minha infelicidade.
O que poderia ser pior?
Uma noite longa e mal dormida.
Nada poderia ser pior...
Ai penso em meus visinhos
Como se passasse suas vidas a limpo
Buscando desgraças maiores que as minhas
E eu as encontro em abundancia
Só então percebo que a ignorância
É a chave da felicidade
E felizes dos que não argúem sobre a vida
Felizes dos que se quer questionam a morte
Dos que vivem sem a necessidade de respostas
Dos que se contentam com sub-amores
E não viveram em risco e luxuria
Desejos, vaidade e ganância
Dos que nunca inventaram paixões
Promiscuas e prolixas
Com gosto de suor, cumplicidade e desconfiança
Dos nunca escreveram uma poesia
De rimas tolas e infantis que fosse
Que não degustaram do sabor amargo
Das dores de amor
Dos que nunca se sentiram sozinhos
Dos que nunca choraram sozinhos
Dos que riram sozinhos
Dos que não tem espaço para o outro
Dos que não aceitam o novo
Dos que sabem demais
É talvez esses sejam ignorantes e felizes
Mas eu prefiro minha tristeza circunstanciada
Meus questionamentos existenciais
Minhas tantas perguntas
Meus amores plenos
Instáveis e luxuriosos
Repleto de personalismo e pecado
Das minhas fantasias e mentiras
Suadas de cumplicidade e incredulidade
Das minhas poesias e escritos
Dos meus dissabores de amor
Da minha carência excessiva
Que me faz chorar e ri sozinho
Da minha disponibilidade ao mais próximo
A minha adequação ao atual
Da minha ignorância humilde
Assim dessa forma eu cultuo minha infelicidade
E faço um brinde aos infelizes como eu
Que fazem da vida seu próprio filme
Sendo roteirista e autor principal
Estrelando as cenas de beijos
E morrendo no final.

11 de set. de 2011

Pensando em Você (Jurandir Bozo)




Como poderia não pensar em você?
Se guardo em meus ouvidos o som de sua voz
E trago em meus olhos cada parte do seu corpo
Escaneada em desejos contidos
No limite entre a tecnologia e a física

Como poderia não pensar em você?
Se o que não vivemos
Norteia meus mais impávidos impulsos
E feito um animal ainda espero
Por devaneios noturnos
Onde toco seus seios
Não contemplando pudores
Deixando livres os instintos
Que ontem escondi

Como poderia não pensar em você?
Se sua lembrança sempre presente
Atenua minha carência
Onde fora de minha solidão
Marco encontro com as fantasias que criei
Seu corpo, suas curvas, sua pele
Assim passa o tempo
E vai ficando mais e mais de você
Dentro de mim

Como poderia não pensar em você...
Se o seu melhor esta aqui em mim
E pulsa feito esperança
Se vive em meus melhores sorrisos
Se me faz ser algo melhor que já fui
E inda tolerar o que de mim sempre repudiei

Como poderia não pensar em você
Se é a presente paixão em meu peito
A carne que sublimo em alma livre
Em meu mais lúcido entendimento de afeto

Como poderia não pensar em você
Se seus mistérios são como águas claras
Repletas de historias que poucos sabem 
Como não pensar em você
Se seus olhos de sol invadem minha escuridão.