27 de ago. de 2011

A Mais de Uma Semana (JurandirBozo)




Ainda recordo do dia que não foi
Do dia que já não se disporia on-line
E assim fora de área ficaram os filmes
Como todo resto de mim
Eu viajei pagando o tributo
Na procura de tantos
O outro nunca foi encontrado
Meus pés até estavam presentes
Meus pensamentos não
Buscando uma sintonia
Em Amplitude Modulada
Sem assimilar as ondas da modernidade
Sou quase um antiquário sem serventia
E não ousem dizer-me o contrario
Os infelizes preferem o silencio
Que as discussões e opiniões contrarias
Mas eu não. Sou a exceção da regra.


11 de jul. de 2011

Fogo Corredor (Jurandir Bozo)


Se fosse escrever um poema
Seria hoje algo que me fizesse sorrir
Algo leve e forte feito fogo
E mesmo incendiado
Propagaria mil mensagens fofas
Para não haver surpresas no elevador
Pois mesmo de longe
Já ouso imaginar o som
Pra cada labareda
Desse lindo fogo corredor


(dedicado a Camila Petri)

8 de jul. de 2011

Eu acredito em profundidades (Marla de Queiroz.)



Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal-resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo e não estou aqui pra que vocês gostem de mim, mas pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho e seduzir somente o que me acrescenta.

Tenho uma relação de amor com a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos: são eles que me dão a dimensão do que sou.



Dedico essa postagem a Camila Petri, por ter me apresentado de forma direta a Marla de Queiroz, paixão a primeira lida. Grato Camila por essa linda descoberta poetica que me proporcionou.

7 de jul. de 2011

Subtonando com o Mundo (JurandirBozo)


Hoje o dia está com um gosto de nada
Que até chega a me amargar a boca
Tirando minha vontade de viver
Então expiro o hálito que me trava a língua
Como se quisesse cantar
Deixando ir com o vento
Tudo de podre que sonhei ontem
Em mim apenas velhas cresças
Fracassos íntimos
Que fazem parte de mim
Amores, trabalhos, amigos
Uma certeza só me cerca
Eu e a felicidade
Temos pouco em comum
E talvez por isso minha voz rouca
Ande tão desafinada do resto do couro
Cansada das melodias que se repetem
Subtonando com o Mundo
Entre a verdade do todos
E as fantasias ou mentiras
Que ainda insisto em acreditar
Acreditar cantando.

5 de jul. de 2011

O Mar I Ana (JurandirBozo)





Ambos se gostavam
Pois ela despertava sonhos
E ele leva a imaginação
Para o infinito
Se gostam e se amam
Num flerte que dura uma vida
Como são apaixonantes
Na meiguice mais bruta
E na brutalidade mais meiga
Se fazem em encantos do que já não se canta
Mais do que o Mar estar Ana
Mais do que Ana estar o Mar
Então ele e ela se unem
Pelo amor e pela dor
Vão além da fusão
E passam a ser poesia
O Mar I Ana



Essa foi recuperada deum dos poemas que tinha perdido após roubarem minha bolsa a muito tempo. Mas esse poema foi feito na forma mais verdadeira que meu entendimento enxergava essa menina de terra, céu, rio, e mar, na minha forma de amar o Mar I Ana.

4 de jul. de 2011

Metade de mim (JurandirBozo)




Partido ao meio
Completo a volta
E mesmo cansado
Chego ao fim
Da madrugada
Com a metade de mim
Que ainda consigo carregar

Nego-me novas silabas
E insisto com palavras
Que não sei sua ortografia

Sendo vencido
A preguiça cobiça minhas paixões
E eu descansado
Fujo do imposto do esforço
De novamente amar
E com outros gastos em mente
Engulo de mim
Tudo que cuspi no outro

Copiando risadas e as postagens
O complemento da foto
Já não se explica
Em redes de novos amigos
Que não conheço
Onde tudo me leva a crer
(Para uma metade de mim)
Que a modernidade é uma bosta 

26 de mai. de 2011

O Cheiro da Orquídea (Jurandir Bozo)

Foto roubada.Modelo: Mariane Vasconcellos


Veio-me de forma inesperada
Como se o acaso soprasse em minha direção
Em face de um livro de contos fictícios
Repleto de hipérboles
E mesmo redundante
Vinha em mim uma necessidade
De descrever ou explicar o obvio
Como se a beleza precisasse de conceito.
Mesmo longe, mesmo leigo
Os tons cegavam-me os dedos
E a força contida na delicadeza
Desarmava meu pequeno arsenal
De palavras repetidas
Algo entre olhares e comentários
Posto isso, todo o resto perdia o sentido
Eram menores que a imagem dela
O desenho das pétalas
As curvas sinuosas
A delicadeza mais profícua
Roubava atenções e suspiros
Dos outros tantas admiradores como eu
Ali, atónito passando quadro a quadro
Eu o desconhecido
Ficava preso a imaginar sandices
Fabulando sobre o cheiro da orquídea



Como tantos que roubam flores no pé, aqui na net, roubei esse em seu perfil.
Pois não poderia deixar de ilustrar esse poema com a sua imagem.
Espero que goste e não se sinta ofendida e entenda as entrelinhas dessas humildes palavras que vos oferto.

22 de mai. de 2011

O Anjo Triste do Norte (Jurandir Bozo)


Parem as maquinas que erguem
Quero apenas voltar a ficar deitado
Entregue aos ciclos que volta a mim
Entre a estupidez da minha consciência
E a crédula dissintonia da minha imagem
Minha cabeça trabalha sempre contra mim
Contra as minhas vontades
E enxergo-me sempre com as cores que não sou

Hoje é dia que a tristeza vai ao cinema
E degusta minha vida em uma seção nacional
Na promoção de pipoca grande mais refri de 300ml

O filme é o mesmo e suas reedições obvias
Fazem da monotonia das minhas expectativas
Empobrece o roteiro enredado
Uma apresentação dos resultados das minhas escolhas

Eu ainda falo, mesmo sem ver, e com ela ate um sorriso escapa
Minha cara larga abre feições e meus dentes amarelados
Já sem cigarro ou outros fumos
Não destoa todo resto externo de mim
Mas o que podemos querer alem do que enxergamos

Assim a imaginação das suas lagrimas me encantam
Como a torpor signatário dos sentimentos lacônicos
Que mesmo ultrajantes me fazem ainda ser o que sou
-Um merda que ainda se infla de vaidades mundanas-

Ela com todo seu medo de ir à rua
Ainda me leva para perto
Ainda me deixa longe
Voltas e voltas sobre meus segredos
Idas e vindas das mais profundas mentiras
Profundas e prolixas paixões ainda invento
As vivendo como realidade plena que são

Mas você não esta aqui e sempre que falo algo
Ponho as pessoas em fuga
Mas tenho medo de calar-me ou de apresentar-me
Longe dos palcos sou ainda mais horrendo
Eu calado sinto-me só

Regido pelos rompantes librianos e artísticos
Vôo a outro planeta numa poesia envelhecida
Que de tão pobre vivi a s repetir em desertos
Pra noutro campos serem bem mais que minhas pretensões
Serem iguais a tantos outros meus que me põe distante
Dos sonhos que não me calam
Dos medos que nunca acabam
E assim vinda do norte os caçadores
Das minhas imaginações ainda lembra-me alguém
Que a muito sei quem é
E por mais que o conheça
Fugir dele é o que me resta
Pois seus fracassos são tão familiares  
Quanto minhas próprias escolhas

Ai me vem mais uma estrela
E escuto dela seus amores
Suas aventuras
E um eu tolo e cheio de princípios inúteis
Que ainda me fazer parar e ler em seus olhos tristes

Então corro e fujo de algo que se quer decifrei
E entre as mensagens codificadas que me sugestiono
A ficar decifrando tamanhos de sentimentos que tenho por ela
O imenso medo da solidão é quem mais me escraviza
A seguir a sedução e os encantos do Anjo mais belo e triste 
Que veio do norte.






(Acabei de fazer esse poema pra uma Menina Mulher que muito me assusta ao mesmo que encanta! Mila esse poema foi feito só e unicamente pra vc.)