"Aqui se encontra idéias poéticas, aqui se encontra paixão, prazer, dor, lagrimas e sorrisos, um espaço para que eu possa postar minhas manias em escritos que não necessariamente atendem as expectativas do outro e tão pouco a formalidade ortográfica, aqui não há compromissos com acertos e sim com a ousadia da tentativa e intensidade dos sentimentos e sonhos meus."
17 de set. de 2008
A Verdade da Flor (Fábio Sirino)
14 de set. de 2008
As Asas de Ícaro São Morenas (Fábio Sirino)

Nos sonhos de Morena
Talvez não conhecesse tamanha ternura
Assim um ao outro
De mãos dadas para vencer
O medo de multidão
A vertigem do aperto
Pois se ele sabe ensinar a derrubar
Conceitos e hostilidades
Entre o nego e seu filho viado
Ela aprende a divulgar
Sorrisos e irradiar carinho
A todos que a ela cercam
Sim talvez Morena tenha sua filha Lilás
Ou seja ela Vermelha ou Amarela
Se fruto desse amor for
Nascerá com a calma de um origami...
Pois assim se dá a ambição de Ícaro
Ele pensa em voar filosofando
Com os seus conceitos orientais
Enquanto espera a fotografia que não veio
Mas em Morena não se ver frustração
Mesmo cansada e com pés doidos
Nela uma cor de rara felicidade
Felicidade das coisas simples
Vistas nos olhos dos que amam
Dos que foram celebrados ao nascer
Eu que mal os conheço não os invejo
Eu apenas admiro tamanha cumplicidade
Tamanha verdade de oceano
E por mais que lotassem ginásios
Pra Maceió ainda seria pouco
Não enxergar tal brilho
Reproduzido por dois
Sem mesmo ouvir Alagoas
De velhos e novos discos
Entre a fumaça alheia e a música de Ney
Eles não bebem mas se amam
Entre luminárias artesanais
A beleza disso vai além da Internet
Ou da pirataria, vai além da sub-existência do artista
Do conceito de economia
Neles há fartura do bem em abundancia
Assim Ícaro vai ao chão sem medo da queda
Pois no fundo ele sabe que suas asas são Morenas
29 de ago. de 2008
Além da Procura por uma Pétala de Prazer (Fábio Sirino)
Mais que a consciência
Ele chega e traz a tona todo pecado
De almejar o proibido
Na máxima excitação imaginada.
Eu quase perdido a procurar
E ali esperando os que buscam
Uma moça de pele clara
Eu que gosto do calor das caboclas
Via em seus olhos verdes
E no contorno de sua boca
Na forma do seu nariz
A cara da nossa mestiçagem...
O charme do seu escarpim preto
E os gestos delicados
Eram filtrados e analisados
Em mim, mil olhares discretos
Como se meus olhos fossem além
Que o limite da física
E por entre suas roupas
Chegassem meus dedos e toques.
E ela mal passou perto de mim
Mal nos tocamos, mas era apenas a primeira vez
E eu não deixaria de voltar para revê-la
Seria a partir de então
O maior admirador da arte nordestina
“Descobriria” uma alergia a todo e qualquer material
Tudo parecia mais próximo
Dos desejos que sonhava em minha cama
Seu sorriso, e até seus seios
Pareciam mais próximos da minha imaginação
Pouco a pouco descobria suas formas
E prováveis delícias,
Mas falta seu gosto e seu calor
Em tantas fantasias já vividas em monólogo
E a vi morder os lábios já sem graça
Por arder em desejo e se conter em medo e vergonha
Talvez os seus lábios
Nunca sejam tocados por mim
Talvez sequer um beijo eu tenha dela
Mas meus sonhos e paixões
Por sua beleza única e seus mistérios
Ali no meio da feira ficaram com o resto de mim...
E suas confissões mais íntimas
Desfrutando da verdade que somos
Nas fantasias que negamo-nos
Deixando como resto o fascínio do nosso sexo
Murchar como rosa dos desejos.
28 de ago. de 2008
Noites de Ser Só (Fábio Sirino)
Ela não esta a fim de sair só
Solitária assim numa sexta
Em meio a tantos outros iguais
Que ela por esta só
Talvez não enxergue
A vontade que sentem
De estar perto dela
E não a culpo por isso
Por desencontrar seus olhares
Dos tantos outros que a buscam
Em espaços de carnaval
Pois ali tudo parece apenas brincadeira
E fugimos da presunção do óbvio
Encarnamos apenas o papel do esquecido
Vestindo a fantasia de cordeirinho
Ela se abandona e mesmo linda
Sufoca seu brilho em euforia
Às vezes nem sai de casa
Fica a frente de uma tela
Talvez buscando companhia
Talvez querendo acreditar
Que ali sua solidão fosse menor..
Mas ausência de calor aos seus desejos
Faz menções a mais uma noite triste
Ela bela e avassaladora
Apenas esconde o seu espelho
Num olhar entre a entrega e o pudor
Não menos fechada que um coração magoado
E não menos fácil que as desesperadas
Assim entre a cronologia que rege sua face
Na beleza de suas formas e gestos juvenis
Mal chegou a ser mulher
E tantos sentimentos a perturbam
Que filósofo ousa a descrever
A grandiosidade de suas dúvidas
Transição entre o medo e a descoberta
Assim tantas que ainda se enxergam menos
Encontram mais de si no olhar alheio
Enquanto as que se acham acabam se perdendo
Não que o mundo seja voraz
Ou não que ele não seja feroz
Aqui numa cidade subdividida
Entre o muito e o nada
As pessoas seguem suas riquezas
E desejam mais e mais
Porque que com ela seria diferente?
Ela sai e encontra os de sempre
Nem amigos nem desconhecidos
Os de sempre, com as mesmas falas
A atração até que é diferente
Mas os medos sempre são quase iguais
E assim cegam ela
Sozinha nas noites
Acreditando precisar de companhia...
26 de ago. de 2008
Um conto de bailarina. (Fábio Sirino)

De sorriso largo, aberto demais
Lindo demais, fascinante demais...
-Duvido sempre do exagero-
A soberba da alegria
Sempre esconde um precipício de solidão
Ou um mar de tristeza.
Ela linda, vezes sagaz e vezes boba
A cada gesto suave de bailarina
Eu envolvia-me mais
Temia algo feito feitiço
Feito coisa que entorpeça.
Ela um misto de princesa e náufraga
Bailando entre medos e afirmações
Na ânsia de nem sei o que
Sem se incomodar com o salto
Das suas sandálias quase de cristal
E falo como se íntimo fosse
Mesmo longe das minúcias e mistérios
Cego ao destino que ali apresentava-se
Voltando ao meu pedaço de cidade
Com um pouco dela em minha poesia
Um pouco da irreverência delicada
A cortar pretendentes e enfeites
Ao evitar investidas e flertes
Dos fatos tidos como inoportunos
Ali na zoada do baque
No meio de muitos
Meus olhares a procuravam
Num pátio lotado de tantas outras almas
Talvez a mais problemática
Talvez a mais insegura e recolhida
Mas buscava assim sem nem pensar
Como se apenas fosse observar
Em ligações e interações
Faltou o bale
Mas sobrou o espetáculo
E se eu cantasse algo
Se eu declamasse algo
Ali diante dela seria irrelevante
Pois a sua luz enevoada
Era o contexto da Historia
Sem reis, heróis ou donzelas em perigo
Num espetáculo solo ela dançava
Numa dança urbana contemporânea
Improvisada, popular tradicional
Um estudo vivo do espetáculo de sermos.
Ali natural e bela
Vezes princesa e vezes boba...
Numa noite fria aonde tudo ia além
Que meros contos de fadas...
Para uma linda princesa que sabe dançar que mal conheço mas que muito tem a dizer em seus poucos anos de vida.
22 de ago. de 2008
Descartáveis... (Fábio Sirino)

Versos avulsos em correspondência digital
Assim construo amores pré-programados a um fim
Minha eternidade sentimental
Tem um tempo útil curto
Como assim invento amigos e comunidades
Talvez a tecnologia nos deixe solitários
Mas com a sensação contrária
De muitos contatos e muitos endereços
De muitas visitas e milhares de mentiras
A verdade é que dizemos acreditar
Em alguém que nem sabemos se realmente somos
Deixo circunstanciados contatos com amores mortos
Não busco endereço, recados ou lembranças
Não desejo o mau, não desejo bem
Já não me desperta interesse
Os dias ou as noites
Fico apenas com poesias e obrigações
A de trabalhar, a de fazer semanalmente minha faxina
A de me manter leal as minhas crenças
Obrigação para com meu filho
De resto... De resto nada mais que minha música
Nada mais que a descrença
Se os computadores nos impedissem de mentir
Polcas pessoas usariam suas fantasias
Como justificativas a falta de caráter
Mas quem em tempos de modernidade o tem?
Quem em tempo de apocalipse urbano
Tem algo feito a compaixão e pureza?
E ainda ouso adverti: - se encontrares alguém
Com olhar de anjo e corpo de diaba...
Não precisa correr ou abdicar do pecado
Prove dos sabores sem muitas repetições
Resuma-se a comer, sorrir e descartar a embalagem.
12 de ago. de 2008
Olhar Traidor (Fábio Sirino)

6 de ago. de 2008
Aplausos! (Fábio Sirino)
Mesmo num teatro tão pequeno
Nossos lugares não nos permitem toques
As luzes nos impedem
As luzes me impedem
Tecidos, palhaços, saltos e pés
Fotos, flores anônimas e risos
Antes mesmo que vissem o autor
O sucesso era certo
Ali alguém maior que minhas explicações
Que minhas discrições poéticas
Uma nova força elegante
Com ar de dona do desejo
No foco central do senhor Deodoro
Ela a dançar e todos ali parados
Como se novidade fosse
Parar para vê-la passar ou dançar
Poucos risos, muito encanto
Mas de mim poemas e silencio
Paro nas flores
Talvez rosas
Algo mais covarde impossível
Perto da bailarina caio em contradição
Sou mais um na platéia
A observar seus mistérios
Impávido, invalido e surpreso
Vencido por seus movimentos
Esperando a projeção das imagens
Irem ao lustre e voltar à platéia
Numa esperança boba de ser visto
Talvez a foto dela toque meu rosto
E por isso sonhe
E por isso sonhe com ela
Dançando para mim
Sem acordar mais e sem fim
Pois nos espetáculos de dança
Não se pede bis.
31 de jul. de 2008
Nossas Guerras (Fábio Sirino)

Começo a crer apenas no que não escuto
Na falta que faz os carinhos
O que fica em branco e nem lembrado é
Canso e deixo as investidas a outro besta
- Sim, a outro besta como fui -
Que espere tua chegada e saída
O atraso e toda mentira dos dias não dividimos.
Já deixo sepultado meu sentimento
(- Como se possível fosse deixar te amar-)
Meu desejo e meu anseio por teu sexo
De certo uma coisa apenas...
- Na horizontal tudo se encaixava -
Fostes à melhor coisa que já amei
Com olhos tímidos e sacanas
Com voz mansa, já sussurrada
Voamos em discos e contestações
Sobre a veracidade do dia
Da alma e das coisas
Voamos sobre os conceitos de existirmos
Voamos pela moral dos mortais
E cegamos amorais ao Olimpo
Corremos riscos e fomos amigos
Fomos amigos mais que amigos
Fomos amantes mais que amantes
“Formosos e benditos”
Numa maldição de encarnação e reencarnação
A corporal, espiritual, real e irreal
Pesadelo e sonho em movimento
Na praia, no tabuleiro
No carro ou no apartamento
Corremos em meio às diferenças
Encontramos os nossos vazios
Deixamos a poesia e nos esquecemos
Mas quem foi que ganhou no fim do jogo?
Já cansado de brigar contigo e por ti
Quero trégua e cafuné
Não tenho nojo de tua mata
E os teus piolhos, eu cataria todos
Mas cansei de lutar só
De amar só
De estar só e querer só.
Essa guerra santa nunca foi minha
Talvez enquanto queiras vencer
Eu busque apenas empatar
Em música, fotos e poesias
Num pedaço de seu quarto
Que achei ser meu também.
Mas tu não faz parte de meu mundo
Teu universo é tão maior que eu
E moramos em bairros distantes
Eu a andar em estradas coletivas
E tu no conforto das vias particulares
Eu na busca por teus olhares
E tu nem espera minhas súplicas
Quem sabe um dia não descobrimos
Que o disco que vimos nos iluminar
Tenha apenas iniciado um sonho
De quase um ano
Quem sabe não possamos até nos amar mais vezes
E até sermos felizes como desejamos
Quem sabe até ficaremos juntos
Ou até mesmo separados
Quem sabe?
24 de jul. de 2008
A Hora de Rezar (Fábi Sirino)

Sonho adentro aos medos que aprendi
Busco em vão e vem à tona
As súplicas dos outros iguais
Em suspiros anônimos
Passos estreitos a um caminho largo
Quem menos conheço me traz mais segurança
E nos coletivos uma e outra até me olham
Mas não me enxergam
Não sabem mais que minhas medidas
Não sabe mais que a cor das minhas vestes
Aqui tudo é tão mais obscuro
Que mesmo no azul claro do mar
Escondem-se mistérios nus
De todas as lagoas e rios
Se bem que não sou amante da natureza
Nem um vegetariano tido a puro
Gosto de sangue luxuria e carne
De boi, vaca, galinha, galos e até peixes.
Como homens e mulheres
Assimilo em mim
Todos os sabores que me fazem mal
Sem dar a mínima para um futuro incerto
Sou mais amor, sou mais momentos
Sou mais um em tantos que já fui
E não me dou por terminado
Serei mais e mais ainda se preciso for
Talvez feliz quem sabe?
Rezo em noite alta sim
Falo com Deus e nem sei se ele me escuta
Mas falo como se ele fosse meu analista
E cobrasse caro por isso...
Quem sabe um dia alguém me pague
Ou quem sabe não assimile
O desabafo louco dos adolescentes americanos
E saia com uma metralhadora no meio do shopping
Rasgando vidas e matando papais
Ou quem sabe apenas faça diferente
E lá mesmo na praça da alimentação
Abrace os emos para chorar com eles
Beijar os seguranças e deitar no chão limpo
(-Aparentemente limpo-)
Ali deitado talvez descubra
Que minhas preces nas madrugadas
E minha vontade de falar com Deus
Sejam tão solitária quanto as loucuras
Dos extremistas mulçumanos
Assim também me sinta um homem bomba
Com a pressão em vinte e três por catorze
Com o corpo cansado
E a mente prestes pifar
Desatualizada, sem antivírus
Quem me entende?
Quem me vê alem de vestes e medidas?
Sei apenas que esta bem tarde
E já passou da hora de rezar...
3 de jul. de 2008
A verdadeira Luz (Fabio Sirino)

Na vida não há culpados
Não têm vilões e heróis
Na vida, tem muitas outras vidas
E nelas outras e nas outras várias verdades
A cada vida uma verdade
Toda contestação de cada verdade é uma violência
Mesmo vivendo uma mentira
Peço eu
- Respeitem-na!-
Pois se uma mentira tem alma
Ela tem seu fundo de verdade
Como nas flores murchas
Que achastes belas
Como numa tarde num café
Como em poesias de versos repetidos
Como num sorriso sincero com alface no dente
(essa é ótima)
Não foi mentira o pouco que tivemos
Mas há mais distancia
Que nas estradas que nos levam ao cotidiano
-Ah! como sinto falta de teu riso... -
E não levo de ti apenas lembranças
Levo de ti um sentimento
Puro e belo que não desejo sentir mais
(Pois dói conjugar o amor)
Um puro e belo desejo carnal
Em pele, fogo e poesia
Lamento pelos dias que se seguem
Sem ter sentido teu gosto de calmaria
Em minha ânsia de furacão
Lamento a não reciprocidade
Dos teus sonhos e desejos
Enquanto fico acordado
A pensar-te em divinos pecados
Na liturgia da carne em busca do prazer
E essa é minha verdade
De desejar a mulher que és.
Loucura (Renata Orlandi)

Na vontade de acertar
Sem muita certeza de meus passos continuo a caminhar
Nessa estrada de passos incertos
Mas de certezas momentâneas
Vou agindo com um misto de cabeça e coração
(Nessa altura nem sei quem eles são...)
Os resultados saberei amanhã
Aparentemente mutáveis, mas inesquecíveis
Atropelando acordos, acertos, medidas.
Tanta coisa num só dia que na verdade foram dois
Coisa normal em minha vida que vivo noite, madrugada e solidão
E quando pego nas palavras vou falando sem parar
Mas a Loucura, essa hoje me pegou!
Acordei assim e dormirei não sei como
Se acertados foram meus passos
Mais uma vez, não sei não
Seguirei agora esse caminho
Até o momento que possa até mesmo retroceder
Sem ganhar de volta os minutos
Posso voltar ao antigo
Ou vou por esse mesmo
Até que outro surto de loucura
Me encontre e questione minhas posições
Mais um ataque de loucura
Mais um dia sem frescuras
Mais um emaranhado de idéias
Que ao se desenrolarem se entrelaçam,
Mais um dia que acordei assim e vou durmo não sei como
Além das Discrições dos Tons (Fabio Sirino)
- Mas não pela hostilidade
Que os dias trazem ao nosso olhar
- E sim, pela força da beleza que enxergo em ti
Antes de tua mão apresentar-me a tua alma
Já via em teus olhos uma cor que não era o verde
Ia além das discrições de tons e luzes
Ia além da própria capacidade de ver
E não tenho a pretensão de preencher
O vazio da presença masculina em tua vida
Tão pouco acredito que meus poemas
Possam aliviar as tensões do teu dia
- Quem sou para ousar tanto...-
Mas quando a ti avistei
Tive a nítida duvida
Da minha então felicidade
Pois como poderia ser feliz
Se ainda não havia conhecido
Tamanha beleza e simplicidade
Encanto a primeira vista
Mas nunca ousei abrir
Como faço em versos
O peito que mesmo sem saber
Tu invadiste, rasgando meus medos
Ali, no meio da feira.
Julgo-me então
Um covarde que escreve bravuras
- Como se não fosse fácil fazê-lo em poesia
E hoje lendo tuas mensagens
Vejo que temes como eu
E recua como eu
Mas em âmbito bem mais amplo
Não se sinta culpada por desnudar as almas
Com olhos que já desnudam o sol
Pois isso talvez seja tua maior virtude
De descobrir o outro e mesmo vendo-o como é
Encanta-se e apaixona-se
Isso sim é ter ousadia
Rendo-me aos meus erros
Deixo que o tremor que me vem as mãos
Tome o corpo e a poesia que faço a te
Talvez não saibas de mim mais que meus elogios
(sempre me repito nisso)
Talvez nunca saiba mais de mim que sabes hoje (nada)
Mas de te sei o suficiente
Que tens o dom de me fazeres bem
E mesmo distante sinto tua paz via net
Hoje ao menos ouso como um louco
E digo sem medo a ti plagiando outros
- Tu es divina e graciosa
- Hoje sempre amém...
11 de jun. de 2008
Versos Tortos (Jurandir Bozo)
Se te escrevo em versos tortos
Distante do que entendemos hoje por gostar
É por ter sentimentos maiores que eu
E um desejo de tomar-te em meus braços
Para docemente beijar tua boca
Se te escrevo em versos tortos
É por um simples desejo de está perto
Mais perto do que já estive
De teu cheiro e de tua pele
Que me desperta sonhos lúdicos
Mas já chega de ilusões e poesias
De imaginar teus beijos
Teus toques e sabores
Na frustração de se quer ter teus olhares
Ou tua simpatia da carne
Chega de invadir teu espaço
De falar a tua tela
De forçar situações e atenções
Ao desejo que é só meu
E que deixarei em meu peito para todo sempre
Termino com escritos
O que começou por eles
E prometo guardá-los nos computadores
Que testemunharam nossos contatos
Mais e menos íntimos
Maior que a dor que sinto agora
É saber do meu lugar
Sem luxuria ou provocações
Deixando a paixão que sinto por te
Órfã e esquecida dos sabores teus
Se te escrevo em versos tortos
Foi apenas para que descobrisse
Meus mais íntimos desejos
Implícito na frieza dos recados gentis
Que a tecnologia nos empoe com sua distância
Um dia ao ler tais versos espero que guarde em te
Todo sentimento que neles estão
E mesmo não sendo teu amigo ou amante
Possa ter de mim a certeza que foi amada
Em versos tortos que hoje escrevo para dar-te adeus...
10 de jun. de 2008
Mas hoje seria dia de chorar ou de sorrir? (Fabio Sirino)

Hoje é dia de chorar ou de sorrir?
Agora tudo parece doloroso demais
Para enxergar o óbvio
Poderia estar agora bem mais feliz
Mas assim a vida não quis que fosse
Poderia estar articulando as flores
Que desejei dar-te
Mas assim a vida também não quis
E mesmo com toda tristeza
Guardo dessa noite, não a angustia da perda
Mas a lembranças de ter sido o primeiro
A cantar-te parabéns
Espero que enquanto consolo os meus
E choro escondido
Que você possa ter em teu dia
A cor que trazes em teu sorriso
Pois como na música
-Tu ficas linda encabulada
E assim vou me apaixonar -
Mando então, um dos escritos mais doidos
E cheio de emoção que já escrevi
Gostaria que ontem tivesse pegado na tua mão
Para sentir tua calma
Invadir meus cantos mais escuros
Pois o teu sossego é minha luz
Talvez nem nos vejamos mais
Quem sabe da vida
Além da sina que se escreve nos céus?
Gostaria que se lembrasse de mim
Não pelos poemas, contos ou musicas
Mas sim pelos sorrisos que escrevemos
Nas telas de computador
E isso vale mais que mil palavras bem escritas
No fundo de tudo
Sou talvez um ser instável que ama ser quem sou
Cheio de problemas e riscos
Cheio de lágrimas e cicatrizes
Assim vos apresento o artista
Que sempre encena a vida real
Com nascimentos, rompimentos,
Amores, poesias e despedidas...
Mas hoje seria dia de chorar ou de sorrir?
3 de jun. de 2008
O Velho Palhaço e a Molequinha (Fábio Sirino)

Ao cantar-te em versos mal escritos
Pois já estou exposto por demais
Nessa via de mão única ao teu entendimento
Há casos que ultrapassam nossos limites
Num reencontro já não desejado
Com sentimentos que há pouco
Achei estarem extintos...
Por alguém que sequer viveu
Em plenitude um amor sem restrições?
Por que sonhar com teus lábios, molhada...
Se nem das chuvas que umedece os amantes
Sei se gostas ou se queres apenas se molhar?
O que pensas de mim é obscuro demais
Para que eu possa enxergar
E nele (no escuro) tateio por esse mundo teu
Sem saber das regras e papais
Tudo é muito colorido
Para alguém que procura viver em preto e branco
Sem risco e imprevisões
Não perdure um tempo maior
Na concepção que temos dele (do tempo)
Mas para mim é como se uma vida
Já estivesse vivido
Nesse curto espaço de conceito (tempo)
Por não saber o porquê delas
De estar em campo desconhecido
Sinto-me numa guerra mesmo sem almejar vitória
Luto contra mim e meu sonhos
De ti tenho uma simpatia sem maiores minúcias
E nos teus olhos os detalhes se escondem
Entre os teus risos e a forma que me olhas
Muitos mistérios em tal poucos anos
E eu um velho aos trinta
Já não sei mais quando calar
E teu corpo o meu pecado
Meu sonho um inferno dantesco
Onde de tudo desfrutamos
Eu o velho palhaço metido a poeta
Es um gira sol em riso e timidez na tez das manhãs...)
2 de jun. de 2008
Sonhos Escritos (Fabio Sirino)

Para calar meus desejos...
Há três dias se sucedem
Alucinações no meio da noite
E as descrevo assim como se real fosse
Acordando assustado com tudo
Sinto-me louco...
E quem dera que louco fosse
Mas talvez seja apenas a hora de calar
Sonhos, músicas e poesias
Calar a loucura e o resto de mim...
Quem sabe um dia ela volte
A minha casa ou ao café central
Para comermos juntos
Mais que nossa capacidade
De digerir o outro
Comer com os olhares e toques...
Mas hoje é uma noite
Para ficar acordado
Pensando nos sonhos
Que ela sem querer trouxe para mim...
É bem fácil ver o erro no outro
Sem buscar nele sua essência do belo
Mas se tens como banal
Todos os meus elogios
O que sabe ela de mim
E dos meus intuitos?
Além dos escritos e elogios
Que se seguem nos dias
Por mensagens e recados
Que subscrevo em segredo
Já não sei o que ela pensa
Sobre mim e meus medos
O que ela tem como opinião
Das linhas que traço a ela
Em versos tecnológicos
Onde se esconde um eu mais velho
Não quero crer que passou meu tempo
Dela se quer esperança tenho
Preciso apenas acordar
Ou calar meus escritos.
26 de mai. de 2008
A Menina da Feira (Fabio Sirino)

Hoje é dia de procurar enfeites
Busco os mais artesanais
Gosto de pensar nas pessoas que os fizeram
Em suas mãos e vidas,
Em cada centímetro trabalhado.
Lá as pessoas são normais
São próximas e tem cheiro de feira.
Odeio as feiras com cheiro de shopping.
Vejo as esteiras, as lamparinas de lata de óleo.
Os bonecos de barro, as peças de Arlindo.
(Seus sonhos em miniaturas de palitos incandescentes)
Gosto de ouvir as estórias dos vendedores
E se der sorte, até cantador nas ruas do mercado encontro.
E sandálias de couro...
Visitei várias bancas
E na última, uma rara surpresa...
Linda de escarpin preto
De olhos tímidos e verdes
Com uma pele clara longe da morenidade que me atrai
Mas por ela meus pensamentos
Foram além das cores que desejo
Talvez ela seja apenas uma linda moça na feira...
Mas seus olhos dizem mais
Neles mil histórias que a fazem calar,
E sua luz deixava uma sombra
Como se seus encantos fossem seus mistérios
Minhas palavras se alongam
E por mais que ganhe tempo nada sei dela
Ainda entranhados por entre seu escarpin
E o amontoado de sandálias do mostruário
Mas na ida, um sol se abriu para mim
Ela simplesmente sorriu.
E a feira do artesanato voltou a ter seu brilho
Voltou à gritaria e a beleza
Procuro a menina mais bela da feira
E quando não a encontro
Tudo volta a ficar estranho e sem graça
Pois o sol que mora em seu sorriso tímido
Muda a cor de todas as bancas
E a feira ganha um verde esmeralda
Refletido dos olhos dela
Assim torno a buscar
Alpercatas e sonhos
Mas sempre na banca dela.
13 de mai. de 2008
Quase surreal... (Fábio Sirino)

Fruto do que mais amo fazer
Chegou leve, e assim, espero que fique
Como uma brisa que trás fresca
Num oceano de calor
Que estavam meus dias
Com Ela sinto-me nu
Ela é para mim
A menina dos lindos recados
E mesmo sem se quer ter visto
A cor dos seus olhares
De longe já os imagino
Como se íntimo fôssemos
E até temo por mim
Pois por mais prolixos
Que sejam meus versos
Por Ela sinto o novo
Matéria prima para um sonho bom
E depois de tanto que já sofri
Tinha resolvido não me encantar
Em verdade por outro ser humano
Que não fosse eu
Em minhas virtudes e defeitos.
Ela cansou de ser sexy
- E somos tão jovens...-
Eu que ainda nem a conheço
Já a acho fatal como musa para outros poemas
Em palavras e risos
(Muitos risos)
Ela quer paz e amor
E ser psicodélica, mas a enxergo tão sutil...
Poderia ser uma obra de Dali
"Quase surreal"
Mas acredito muito mais
Que seja um poema de Camões
Talvez Olavo Bilac a descrevesse até melhor
Em versos mais ousados
Contrariando sua calmaria...
Mas a mim Ela soa a jazz
Por mais rock que seja
Uma canção de ninar os amantes
E sabendo que Ela acredita
No amor e nas paixões
Fica mais encantadora que os sonhos meus
No jeito de imaginar suas formas ainda juvenis
Que chegue o dia de vela
Que chegue logo
Que esse dia seja tão fantástico e poético
Como foi sua chegada em minha vida
Pois hoje sou um pedaço desse encanto
Vítima da porção dos seus duendes
Vindos de Marte, bem longe de tudo...
E a minha outra parte
Ficou nos recados escritos por Ela...
(A Camila de Miranda, essa linda moça que nem conheço, mas já me encanta. Hoje também sou seu fã.)
A Culpa de Daniel. (Fábio Sirino)


