24 de nov. de 2010

Pós Aplausos... (Jurandir Bozo)


Será apenas mais uma emenda?
Meu corpo sangra de tantas costuras
Pedaços do passado e retalhos atuais
Transformam meu figurar num personagem sem futuro
Que maquiagem herdará meu rosto
Depois de tantos espetáculos que fiz?
Perco no espelho a referencia de quem fui
Luzes, tons e cores, a beleza das formas e coreografias
A excentricidade do que chamam reinvenção
Letras e fôrmas modernas
Quero a estética dos quadrinhos japoneses
Plasticidade e textura das cartas náuticas
Num livro de poucas paginas
Frases fazias que descrevam atualidades
Com luvas, riscos e colagens pop
Dei-me um óculos escuro de lantejoulas
E uma lente azul para envaidecer meu olhar
Registre tudo em três por quatro
E não esqueçam que sou meu próprio figurino
Sou parte dos aviamentos que não enfeitam mais
Fitas sem brilho, espelhos quebrados
Bicos rasgados e botão sem par
Que adereço da vida me traria de volta a paixão?
- Desçam dos céus com tambores e cornetas
Levem-me a vida numa batucada infernal-
Quero uma morte barulhenta
Sou da periferia e adoro um escarcéu
Se for pra ir, eu vou feito um escândalo
Chamando atenção dos estranhos curiosos
Gritando e cuspindo fogo feito teatro de rua
Então com um pouco de cuidado
Pintem meus olhos e os deixem bem mercados
Adoro lápis preto e sobra escura
Com pó claro, deixem-me pálido
Tinjam minha boca de vermelho exagerado
E por fim dei-me de volta meu nariz de palhaço...
Agora após os aplausos todos podem ir embora.

16 de nov. de 2010

A Festa? (Jurandir Bozo)



Ainda sonolento dou-me o direito de ganhar as ruas
Ver o que um dia pensei ser meu
Universo sujo, fogueira de espelhos
Nossa imagem desfocada na luz
Deixa uma falsa impressão
De disfarçar os defeitos
Pessoas, paletós, cabelos escovados, risos e acenos
A noite aflora as vaidades e as fantasias
Regados a champanhe e camarão
As mascaras ganham brilho
A vontade de ser torna-se maior
Que a verdade do que se é
Quem ali seria tão egoísta quanto eu
A ponto de reconhecer na real
A não legitimidade do momento?
Sem respostas meus olhos se escondiam
No passado que a pouco sonhei felicidade
Mas felicidade não recebe convite em festas assim
Ela não se sentiria bem ali, nessa noite ao menos não
Ela morreria no sarcasmo dos quase famosos
E na empáfia do esquecimento
Que nos alimenta de criatividade
- Eu cansado de mim
Das minhas exigências hipócritas-
Assim desfilava apertado entre corpos estranhos
Será apenas desencanto meu
Ou algo se aproxima do fim?
É! Talvez seja a festa...

29 de out. de 2010

Lacônica (Jurandir Bozo)


Prenda-me... Ata-me a te
Pois sou suspeito e sujeito aos teus encantos
E em tuas armas estão meus pensamentos presos
Então exerça a tua autoridade
Sem medo de abusos ou excessos
Use de força necessária, pois sempre estarei aqui
Do teu poder eu não fujo
E discorro em poesia
Entrego-me a lei
Primeiro a lei de Newton
Que guiaram meus olhos a te
Segundo as leis dos instintos
Que me fizeram contemplar-te
Lendo em teu silencio
Historias que nem sei se a te pertencem
Pois no fundo nada sei
Além dos elogios que oferto
E mesmo assim fantasio adjetivos
Como se esperassem de te
Socorro para livrar-me do mau
Amém

15 de set. de 2010

A Exceção e a Regra (Bertolt Breht)




Estranhem o que não for estranho
Tomem por inexplicável o habitual
Sintam-se perplexos ante o cotidiano
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra

12 de set. de 2010

Áudio Visual. (Jurandir Bozo)


Passeio por idéias e paixões
Uma espécie de terreno inóspito
Origem da minha vocação
E se o som da minha atmosfera não te encanta
Se todo o visual do meu globo ainda te deixa indiferente...
Pega teus discos, tua apatia contemporânea
A tua cara de nada e o seu jeito urbano de roubar idéias
Junta tudo e vá à merda!
Vá do estagio mais alto da tua incompetência
Ate o mais baixo nível da justiça que te guia.
Pois hoje já me sinto disposto
Para abarcar esse mundo esfumaçado
Orgulhoso sim, mas nunca arrogante.
Respeitoso sim, mas nunca subserviente
Ate certo ponto calado, mas nunca omisso.
No fim de todos os jogos fica algo alem dos resultados
Fica a lembrança satisfeita do que junto realizamos
E uma pequena divida,
Entre a partida, o caminho e a chegada.  
(Além da grana que ainda falta receber... rs)

25 de ago. de 2010

O Fato é Feto! (JurandirBozo)




Surpreso eu lia suas frases

Como uma sentença ao fim de uma fantasia

Fim da paixão poética que seus encantos provocavam

- Eu sempre exagerado-

Mas de súbito um sorriso me tomou a face

Era mais lindo recado que poderia ler

E eu o via colorido e cheio de estampas de bichinhos

Num tom de amarelo bem sutil

Assim entre a nossa distancia e felicidade mais intima

Que se propagara em vida

Explodindo em hormônios

Sua beleza multiplicada

Gerando um, talvez ate dois, três quem sabe...

- Como será essa futura mãe?

Será que seus conceitos de mundo se manterão?

Com um filho tudo muda tanto...

Mas fico eu a imaginar

Uma mãe carinhosa

Com um riso de alface entre os dentes... (lembra.) rs...

Cheia de amigos e conselhos

O fato é feto e o feto é seu

Cresce ganha forma, se alimenta de do que você é

Então purifique seus sentimentos

Limpe as lembranças e leve a ele a calmaria do seu olhar

Pois seus encantos múltiplos se amplificarão

Como mulher e como mãe

 A perene musa das minhas fantasias poéticas

14 de ago. de 2010

Atual (Jurandir Bozo)




Suado, cansado das horas
Relógio prolixo, cigarro amargo
Já não mais me lambuzo com os chocolates
Nem faço e prendo fumaça
Dou gargalhadas e choro só
Choro rindo do que a pouco vivi
Do adeus, da ultima foda
E não era pra ri?
Me diz você...

16 de jul. de 2010

Eu!? (Feita para mim de minhas palavras)



Sou vítima e fiz vítimas
Não estou falando em certo ou errado

Mas apenas, que vivi
O erro?
-A forma intensa
As fases misturam nossos poços vazios
E não querermos mais isso
Queremos menos intensidade
Mais calmaria
Fazer de forma sutil
Ter mais tempo para projetar
Ideais e amores
São as novas formas de ver as coisas
Quem pode me julgar?
Se a mim, é mais conveniente
Mandar todos os filósofos a merda.
Aí está, a única coisa que sei:
-Quem acredita no amor
Sou EU!








(Poema extraído de um dialogo de rompimento... Amores que vão, poesias que vem... Essa historia marcou meus dias e traços marcados nos papeis.)

7 de jul. de 2010

Dias de Vento (Jurandir Bozo)



Há dias que as palavras me fogem
E um vento melindroso
Espana o que a muito varri para os cantos
Maquiando com o cotidiano
Os detalhes que me revelavam nu
Sem tinta os palhaços perdem o encanto
E só por isso não chorei
Por medo de borrar minha fantasia
Sem amores, sem paixões
Com um colorido opaco
Que forjava minha alegria
Expansiva, encantadora
Que escondia o frustrado cagão
Que se aventurava a corajoso
Ao calar suas mais intimas verdades
Sonhos e mentiras em melodias poéticas
Do que me velam nesses dias tais devaneios
Tais virtudes que me fazem mal
O bem do outro, o amigo do outro
Tem dias que precisamos apenas de egoísmo
Egoísmo e paciência
Para esperar o vento ruim passar