5 de nov. de 2009

Um Vício Quase Perfect. (Fábio Sirino)


O que mais posso esperar
Se as coisas que mais amava hoje me soam estranhas
Como se algo corroerá meu paladar
Assim meus olhos sem brilho
Perderem o ritmo, a musicalidade
Sem cor, sem medo da morte ou da vida
E por meses fui à ficção que os outros esperavam de mim
Mas o acaso tratou de mostrar que avia beleza pelo mundo afora
Eu que não perceBia a perfeição das coisas
As cores e formas que caminhavam em desejos
Ensaiando para o imaginário das vaidades
Provocando cobiça cruzadas em vermelho
Assim redescobre o medo
O nervosismo, a timidez
E mesmo oculto me sentir nu
Aberto ao fascínio e posto aos pés da formosura
Sem perspectivas ou esperanças
Aguardo apenas o próximo fleche
Pois meus olhos têm um novo vício.
A sede de você.

4 de nov. de 2009

Scarpiin (Fábio Sirino)


Provoca-me com teu scarpiin
Que eu sonho ainda mais
Sonho com tuas formas descobertas
Em ter-te algemada as minhas fantasias
Lentamente te despindo das vaidades
Que escondem nossos medos
Que não nos solta
Ali frente a frente com eles
Tocar-te ternamente e assim acalmando-a
Deixar teus extintos aflorarem
Sem tarjas ou olhares desfocados
Olho n’olho... Próximos, íntimos/
Nosso musica seria uma respiração profunda
Compassada num blues
Num rito quase sem fim
De beijos e caricias mil
Cabelo, orelhas, pescoço, seios acesos...
Corpos incandescentes... Entregues para assim livrar-nos
“Livrando-nus” de seu e Jens e do scarpiin
E assim a beijar os pés e subir buscando mais
Percorrer tuas pernas grossas e torneadas
Indo na busca do teu sacro cheiro
Enquanto meus dedos passeiam por tuas curvas
Lendo tuas marcas, tuas dores e delicias
Desvendando em braile a textura de tua pele alva
E assim ouvindo teus sons e sentindo o sopro do teu prazer
Ousaria mais... Falando em línguas
Num dialeto que pertence aos Santos
Assim a mar das tuas vontades já revolto
Molharias com ondas virtuais meu porto vazio
E eu lavado no sumo do teu sexo
Sugaria assim o necta da vida
Para não mais esquecermos
Ou não mais acordarmos...
Pois tudo não passa de um sonho...



Para uma linda e delicada moça que andas sobre os desejos e encantos.
A Loren com todo meu carinho e respeito sacana. rs

Uma Mulher Perfect... (Fabio Sirino)



É madrugada e meus pensamentos não calam
Passa por mim algo que também não consigo descrever
(Tão pouco explicar-me)
E como a pouco sentir
Vejo as palavras fugindo de mim
Como se buscassem a ela
Correndo juntas as imagens
Aos vídeos e fotografias
Assim correm minhas fantasias involuntárias
Por baixo dos seus pés
Por entre suas coxas
Mergulhando em luxuria nas suas bocas
Aventurando decifrar seus risos
Nas mais diversas expressões
De dor, atenção, tesão...
O que mais falta a ela
Se a ela pertence a beleza das coisas simples
E o refinamento dos que dominam a sedução
Em cada olhar novas mensagens
E neles uma luz de quase tristeza
Que nos convida a entrar inda mais e mais e mais...
Ali, bem ali, ao fundo da sua infinita beleza
Assim vislumbro o impossível
Como se todas as poses tivessem sido para mim
Uma miragem surreal na tela do meu PC.
Fruto dos seus encantamentos
Perco o sono e me vem uma vontade louca
De gritar o seu nome no meio da rua
Talvez assim a sede de você passe
Como poderei esquecer se mesmo de longe
Seus pés é um vicio
Que rasgam a minh'alma pela madrugada
Como se não bastasse ela ser linda
Ela traz consigo uma doçura
Que me põe em fuga
Pois ela é aquela que faz os outros felizes
(E eu já acostumado a ser triste)
Mas e ela? Será que basta ser Perfect?

3 de nov. de 2009

Um Poema aos Teus Pés (Fábio Sirino)


Pelos teus dedos correm minhas fantasias
Passivo a observa teus pés se despirem
E eu como tantos a imaginar-te
Entre mãos, setas e pontos
Minha imaginação trava, fixa em tuas senas
Em partes curtas
Em tiras e feches que atiçam
Meu fetiche que em te se aflora
Nas cores e formas que a te pertencem
Que em cobiça faz correr água a minha boca
E salivando sonho ainda acordado
Em tocá-los, em beijá-los, em tê-los
Assim saber de te a imensidão do que eles falam
Prestos, vermelhos, marrom, prata...
Baixos, altos, fechados e abertos
O que adorna tua beleza em primazia
Não são os sapatos (as meias)
Mas a tua sensualidade ao absolvê-los
E principalmente ao livrasse deles
Causados ou desnudos
Teus pés são parte da beleza que exercita
O inicio de que se mostra
Em ser desejo e ser mulher...

A uma linda mulher com muito charme e sensualidade encanta com a beleza de seus pés.
A Bia Perfect

Olhos que Quero Conhecer III (Fábio Sirino)



(A Febre.)

Aproximasse de mim
Feito uma assombração para meus pecados
Uma moça de pela clara
Ela rodeava-me, cercava-me
Não me sentia dela
Mas a cobiçava com apetite voraz
Seus cabelos e seus seios
Suas coxas e seus pés
Que dançavam em saltos onze
Tudo girava com seus movimentos
Enquanto eu, estático observava
Cobiçando, com medo, covarde ali quieto.
A penumbra avermelhada
Predominava no local
Não permitindo revelar os traços mais finos
Seu rosto, seu olhar, perdiam-se de mim
Esvaíam-se na ausência de luzes mais fortes
Ela que não chegava a me tocar
Soprava um vento quente em meu corpo
Provocava-me como se soubesse as minhas reações
Como se dominasse minhas vontades
Num jogo de sedução
Os minutos pareciam horas
Enquanto duvidava da então realidade sonhada
Entre a fantasia que nunca tive
E a eminente vontade de trepar
Com quem se quer sabia quem era
De sentir os seus toques e seu calor
Que mesmo distante fazia-me suar
Deixando-me frio, arrepiado...
E por mais que não nos pertencêssemos
Ali eu já estava entregue aos feitiços
E aos meus desejos efervescentes
Como numa miragem
No calor do deserto
Ela se foi como veio
Feito uma alucinação
Uma assombração
Um sonho
Uma febre.

Esse poema foi inspirado por duas lindas mulheres. Que a ousadia das fotos me levaram ao encontro dessa poesia.
A Loren e Bia.

31 de out. de 2009

Noitada (Fábio Sirino)



Espremo o suco dos meus anseios
Bebo sem gosto, adoçado a frustração
Sou menos, sou mais
Tanto faz o que sou
Tanto faz o que quero
O mundo não repara a minha dor
As minhas alegrias
Os meus amores
E mesmo ligado em tudo que se passa
Acabo às vezes me passando com ele
Inchando o peito e secando por dentro
Já não me vejo fora
Externado, avesso, desnudo de vaidades
Desconheço as ruas e vias publicas
Minhas baladas não mais acertam o alvo
E prefiro o vazio da minha casa
Onde bebo e como, danço
Escolho a musica
Não obrigado a ouvir a moda
Que ressoa nos carros avulsos
Não estou suspeito a um passivo reencontro
Um furtivo engano por coincidência
A merda as coincidências
Não quero ser sujeito ao bafo dos que se acham amigos.
Talvez em minha casa eu tenha que há de bom
Para uma boa noitada
Musica, bebida, comida
E a ausência de gente.

23 de ago. de 2009

O Vento Levou (Fábio Sirino)


Tenho momentos de lucidez
Onde a tua falta incomoda
As engrenagens dos meus sonhos
Pois a cada dia sem te
Sou menos do que já vitimei
Em noites de fumaças
Que me dão fim
Cores e discos voadores
Que transgrediam nossos limites
Da moral ao pudor
De nossa curta poesia
Ou da amizade que inventamos
Não nos sobraram restos
O vento levou.

27 de jun. de 2009

Tua Luz (Fábio Sirino)



Eu vi todos os teus sapatos
Guardei em mim tuas fotos e encantos
Teu charme e tua dança
Sentia-me parte do universo do teu quarto
Mesmo sendo um estranho
Percorri desesperado
Todos os teus registros
Buscando somente a ti
Como se única fonte para saciar
Meu desejo instintivo
Fosse tua carne e tuas curvas
Assim todas as lendas e parábolas
Teriam finais felizes
Mesmo que virtuais
Pois sou rápido para encontrar e entender
O caminho que me espera
Mas demoro a chegar ao fim
Já que daqui não elucidei
Luz que hoje me cerca.

Um Final Feliz (Fábio Sirino)


Não queiras matar-te
Ainda é cedo para pôr fim aos sonhos
E são tantos e tão poucos
Que se vão com a poeira
Pelos cantos da casa
Limpando as coisas para dar a festa
Com confetes, serpentinas e bambas
Nos estalos dos fogos
Na explosão das cores
Com a mesma pólvora que mata
Sinaliza-se a celebração do renascimento
Fazendo os planetas girarem fora de órbita
Sanando cortes e queimando filmes
Em poses coloridas e subliminares
Que olhos tristes colecionam
Perdendo a validade das lembranças que machucam
Pulsando no pulso que sangrava som
Nas cicatrizes que marcam e desenham a alma
Eu enxergo a palma da tua mão
E sinto tuas unhas se colorindo do meu sangue
Marcando meus poemas
Temendo a tempestade
Mas a chuva sempre há de passar
E lá estará o sol
Sem o peso das nuvens
Ele apenas sorri
Sabendo do desfecho de histórias íntimas
Costurando em segredo corações partidos
Cavalgando por novos amores
Então baixe as armas
Leve a bala vermelha aos lábios
No intuito de adoçar os dias de chuva
Pois os meses das trevas passarão
É sempre assim nos extremos dos pólos
Chega à noite, chega o frio
Tudo morre, tudo apenas se esconde
Mas ali no meio do vazio o verde resiste
Como se soubesse o destino dos ventos
Onde sopra teus mistérios
E nasce a estrela que guia teus encantos
Não queiras a morte princesa das cores
Deseje muito mais do que esperas
Que ainda é cedo para pôr fim a um álbum
De tão poucas fotografias
E por maior que seja a vivência
Tua juventude muito ainda tem a descobrir
Dentre as máquinas, as lentes
Os flashes e os cobertores
Há sempre um “com puta dor”
À espera de novos arquivos de imagem
Ou de um final feliz.

16 de jun. de 2009

A Redenção (Fábio Sirino)





Joguem a próxima pedra em mim
Não tenham compaixão pelos pecadores
Pois eu nunca a tive pelos puritanos
E acertaria bem na cabeça
Se o acaso permitisse que a pedra
Em minhas mãos estivesse.
Massacraria Madalena arrependida
E tantos outros tidos a santos
Já me expurga em nojo o bom garoto
O fim das novelas e das fabulas
Onde a cada capitulo já me sinto por fora
Pois hora sou um pouco do bandido
E em outras, um pouco mocinho
Assim identifico-me entre as vitimas
De uma equação religiosa cristã ocidental
Por quantos segredos percorrem os desejos celibatários?
Por quanto se compra um sacerdote em horário de televisão?
Talvez dividindo pela fé ou no cartão
Não saia caro ter um cervo de Deus a minha disposição...
Mas é entre respeito ao amor e a profanação luxuriosa
Que andam meus pensamentos dilemáticos
Entre a precoce fúria perigosa do desejo
E a calmaria dos nobres e ingênuos sentimentos
O desejo sim
Tem um poder de destruição bem maior
Com ele o sabor das carnes e suas cores
E me perdoem os vegetarianos
Mas as carnes dos vivos são mais apetitosas
Com ou sem silicone ou celulite
Com músculos ou gordura
Degustar suado em momentos antropofágicos
Outros iguais ou quase iguais
Deixam-me ainda mais egoísta e completo
É por isso que digo
Joguem a próxima pedra em mim
Matem-me apedrejado
Ou deixem-me viver meus pecados
Que não ousarei queixar-me de nada.

15 de jun. de 2009

Intenções (Fábio Sirino)


Exercita a tua bondade
Para que eu a má entenda
Pois a generosidade do outro
Nada mais é que o sumo egoísmo
Que o personalismo humano insiste em negar
Não acredito mais em finais felizes
Creio em meios e fins reais
A utopia é que me causa náusea
E por mais sonhador que seja
Vomito um resto de alma
A cada manhã que consigo acordar
Órfão de valores que não irriguei
Nessa seca de vida que vitimei
Não tem feriados ou ferimentos
Apenas descrédito no mito
Na sublimação das figuras que adoramos
Formas e texturas de curtas e longas culturas
Assim tua justiça será sempre menos justa
Que a empáfia de afirmar minhas verdades
Quais de nossas orações se assemelham
As de um fariseu contemporâneo?
Qual oratória obtém mais audiência
Sem a responsabilidade da lógica do discurso?
Em minha revolução descoberta
Fui exilado aqui nessa poesia
E descobrindo o mundo
Pelo ponto de vista da queda
A tua caridade e a tua inocência
Só me levam ao inferno,
Repleto de boas intenções.

23 de mai. de 2009

Cobiça (Fábio Sirino)


Desejo-te cada vez mais
Fruto de uma quase obsessão
Entre tuas pernas e teus mistérios
Sexy nas formas e cores
Da textura virgem ao meu tato
Como se a certeza do teu olhar
Invadisse minha indecisão poética
Quebrando a tela do monitor
Desfazendo meus conceitos
Mesmo longe, mesmo ausente
Teu perfil me basta
E fantasio histórias para tuas poses
Em silêncio como mandas
Calo vendo tuas caras e bocas
Sorrisos vermelhos
Situações e insinuações
Ações e montagens
Ensaios para uma leve loucura
Uma quase desfaçatez ingênua
Que não remete o teu tom
Enquanto tento cantar contigo
Tua voz ressoa afinada ao telefone
Gravando em policromia teu estéreo
Não espero ou pretendo
Nada quero de ti além da tua formosura
Como flor dos meus mais recentes sonhos
Não peço permissão para chegar ao teu jardim
E mesmo que reproves meus pensamentos
Guardo a ousadia de continuar dono deles
Invadindo, transgredindo se preciso for
Rompendo todas as barreiras do imaginário virtual
Prorrogando meu pecado
Na luxúria que não se negaria
A olhar-te pelos ângulos que para si escolheu
Mostrando teu belo
Furtando atenções para teu colo farto
Cegando a moral com tuas coxas
A luz para uma escuridão frustrante
Tua beleza vem do inexplicável
Para tocar medos imprevisíveis
Morada de filtros e ampliações
Da verdade que guardas ao se expor
Ela vem da “Graça” de ser-te
(Tudo veio pelo acaso, sem planos ou determinações, em tua forma de “ver-nus” fui ao fundo do teu olhar para enxergar minhas historias, em te vi tantos nomes e tantas formas que nem tua aquarela moderna poderia colorir, são risos, lagrimas, benditos e mal ditos de pontas vastas, verdes e grossas, assim quase sem querer, já astro, já estrela, teu olhar chegou ao meu e só por isso todos os poemas se valem.
Ate menina das cores e das poses, que tua ousadia se permita cada vez mais e assim produza e provoque aos olhos mais desconfiados e moralizados, pois tua força e tua delicadeza se fundem e encantam no desenho que nos apresenta em cada nova versão de se.
Para essa linda mulher e artista que “nus” surge.)

Onde Esta Você? (Fabio Sirino)


Cadê o meu amor?
Já não a vejo em meus sonhos
Já não a sinto perto em meus dedos
Por que se foi?
Fugistes de mim por quais motivos?
Já não dança nos compôs das flores que criei
Ou anda sobre as águas do rio que chorei
Deixe ao menos o teu perfume, amor meu...
Eu, que a ti dediquei todos os meus poucos sorrisos
Que pensei um mundo nosso, inocente, puro
Onde a fumaça seria apenas de lareiras e cigarros
Onde nos aqueceríamos do frio egoísmo capitalista
Mas teríamos capital para conhecer um mundo
Em livros e filmes que tomaríamos emprestados
Aos tantos amigos que faríamos juntos
Mas, por que fostes embora sem dar adeus?
Se meu coração hoje ainda bate apenas por saudades tuas
Saudades dos poemas que despertavas em mim
E de minhas mãos um universo de versos sem rimas
Mas tudo era pouco quando pensava em ti
Tua luz, teu medo, tua dor e teu amor
Qual deles era mais meu?
De que valia minha poesia
Se teus encantos não me pertenciam?
Talvez para deixar-te um pouco menos “infeliz”?
Pois na tua tristeza eu me enxergava
E nos teus gestos de prazer me realizava
Tal uma criança numa loja de brinquedos
Divertíamo-nos e subvertíamos nossos legados
Que história foi a nossa?
Uma comédia onde fui o bobo engraçado?
Uma tragédia onde sou o personagem que morre
Só para deixar a lição de vida
Como auto-ajuda para outros?
Um filme de ação onde sou o bandido e tu a heroína?
Ou uma fabula onde sou o ogro que te salva do dragão
Mas te vê partir com o príncipe bonitão?...”Rs”
O que foram nossos curtos dias e longas noites?
Tivestes para mim tantas formas e tantos nomes
Tantas cores e tantos endereços
Era minha deusa, minha musa e minha religião
Meu argumento e minha contradição
A verdadeira paixão prolixa e consistente
A direção exata para um eu que se perdia
A redenção para os pecados que viria a cometer
Era minha alegria e minha preocupação
E fostes sem nada dizer para mim
Sem poemas, recados ou cartas...
Fico apenas a pensar
- Onde está você?
(“Se não aqui dentro de mim...”)

30 de abr. de 2009

Azul e Encarnado. (Fábio Sirino)



Giram lembranças coloridas
De um tempo que não foi meu
Era dos dinossauros
Onde pela tua aparente fragilidade
"Te devoraria" com minha fome antropofágica
Da tua pop arte digital.

Busco no teu olhar distante
Algo que atrele nossos mundos
Mais que casa, flor e símbolos
Pois a leveza da tua beleza
Invadiu meu denso universo popular
Repleto de rugas, espelhos e fitas

Junto a tua melancolia a rivalidade das cores
Na mais pura sintonia
Onde o azul e o encarnado
Laçam os cordões dos mouros e dos cristãos (CSA e CRB)
Acomodando o destino oblíquo
Que teu olhar me leva a seguir

Talvez a espera de um afago
Um carinho das tuas mãos delicadas
(- Sendo ainda mais ousando -)
Para descobrir teus desejos
Honraria minhas raízes como um bom índio
Cheiraria teu pescoço e morderia tua orelha
Saciando minha sede de teu sangue
Em teus lábios de gosto desconhecido
Comeria cada pedacinho teu

Serias degustada e revista com profundidade
Mas não por maldade ou fome
Faria pela perpetuação da minha cultura
Comeria a tua arte pop
Os teus CDs e até os teus livros e fotografias
E a eles juntaria meus vinis, meu pandeiro e meus cordéis
Sonhando ser bem mais "universAL" que Bruce Lee
Mais transgressor que Rita Lee
Sem perder os mistérios e a ternura
Que tua imagem me afoga no escuro dos teus olhos
Confundindo meus mais antigos conceitos
Na nata das natas que um dia "Lee".

28 de fev. de 2009

Pré-carnaval (Fábio Sirino)


Começa a folia
E quem sou eu em meio a tantos?
Máscaras, corpos e ousadia
As alegorias do nosso carnaval.
Saem antes dos demais
Perdem-se na multidão sonora
No acumulo da necessidade
Que temos de sermos alegres
Nem que seja por uma noite.
Travestimo-nos do que admiramos
Na chacota oficial da sociedade que constituímos.
Somos afoxés e blocos de baques importados
Somos Fridas e todos os revolucionários,
Pois no fundo ainda usamos fraudas
E repetimos fantasias.
No que se refere ao ser de tantos humanos
Quem não somos?
Ali no jogo da liberdade e libertinagem,
Dos direitos que deveriam ser iguais,
Partilhamos cheiros, pó e suor.
Bebemos e nos beijamos
Ou apenas olhamos e acompanhamos
Cansados da mesmice que nos toma os dias
E que sem fantasia sequer tem graça ou nome
Que a chamem de tédio, ócio, medo ou violência.
Queremos é mais carnavais
Que neuras urbanas
De uma “modernidade vazia” ;
Para assim brincarmos de felicidade
E encontrarmos amigos mascarados
Pois no fim todos são filhinhos de uma mamãe.
Este singelo (pq não assim dizer) poema veio a mim pelos poucos e verdadeiros contatos que mantenho com uma lúdica turma jovem que me causa um bem enorme só em estar perto.
A todas as morenas e negos com seus pares e acompanhantes de vida e amizade na revolução latina americana..

31 de dez. de 2008

Intimamente Falando (Fábio Sirino)





Assim sai da boca como provocação
Aos seres que habitam os matagais
E se escondem das tuas maravilhas
Querendo apenas um pouco da tua língua em mim
Que mesmo com suavidade
Reflete-se em sonho como se selvagem fosse
O ato de falar aos outros o sabor do teu gozo
De comunicar “direito” as preliminares
Totalmente carnal com lábios torneados
Amoral, e teu recato aflora meu pecado
Preto no branco, tirando teu terninho
Em quadras e senas somos duques
Não somos lordes ou temos sangue real
Buscamos o prazer por prazer
Indo bem mais longe que as apresentações aparentes
Das minha alucinações que despertastes
Chegando a lençóis suados
Sussurrados ao pé do ouvido
Chupado e cuspido
Ali na tua boca
Na frente do público, no púlpito
Proclamo a tua beleza de quatro a mais
Na cama ou no chão
Sexo, ciúmes e paixão descartável
Dando margem a um mar de sensações
Oral como se a foto fosse a descrição de teu corpo
Pormenorizado em fortes pensamentos
Estórias proibidas da vida que não tenho
Nas sobras a tua pela negra a chamar por mim
Dores, amores e chiclete com banana
Qual sabor terá tuas águas?
De que mistura de caju com as lagoas vem teu olhar?
E mesmo longe, sonhos em falar-te em línguas
Entre tuas pernas deslumbrar outro mundo
Umedecendo os teus picos de calor em anseios
Sangrando segredos, medos do que não consigo gritar
Dizer teu nome e declamar poesias em teu ventre
Voltando a ser criança e trepando
Em árvores e carrosséis amarelos
Bem mais parte que a física nos permite
Que minha coragem e vigor acreditam ter
Mítico como nossa procedência
Delicado como a lembrança que guardo de ti
Em curvas e delícias
E violento como tua chegada ao meu querer
Enquanto profetizo e vislumbro
Tua pele nua a chamar-me
Tentando descobrir
O que sai da tua boca em respiração quase cansada
E que intimamente me diz... – vem mais uma vez.

8 de dez. de 2008

A Tua Ausência. (Fábio Sirino)

A ausência do teu ser é física
A tua presença em mim é mística.
Não se explica, não se entende.
Quem me dera ter motivos óbvios
Para pôr minha racionalidade em ordem...
Mas a tua falta de sempre
Hoje sem palavras, tornasse bem maior.

Estou analisando a soma dos meus fracassos
Querendo que o meu sol que se foi
Volte em apenas treze horas.
Pois mesmo sendo da noite
As trevas que hoje me escondem
Prendem-me longe de alguns que amo
Torneando formas e deixando marcas
Como se os lindos recados não se repetissem mais.

Junto então os cacos de quem fantasiei ser
Numa mentira pouco a pouco revelada
Sem fábulas, poesias ou metáforas.
A verdade é violenta
Não espera entendimento ou compreensão
E eu que nada sei de filosofia
Sonho desgarrado em noites mal dormidas
Com as flores que te fizeram sorri

Assim distante das luzes que minha vaidade procura
E muito mais perto do esquecimento
Válido toda lembrança de te, que sempre me fez bem
Em escritos mal pontuados
Onde minha intenção de expressão permanece anônima
Como no Manicômio Judiciário
Condenado há ser um poeta de versos repetidos

E tu, es ainda a minha flor de Marte.
Conteúdo dos sonhos mais íntimos e secretos
És a eterna musa dos meus escritos mais profanos
Mulher, amiga e pretenso amor.
A te não dou definições ou nomes
Destino apenas uma verdade sentida e doída
De todo meu eixo de ser humano em essência masculina

Mando-te beijos e desejo-te toda a paz do universo
Mas não como despedida
Pois em muitas vidas ainda nos encontraremos
Como amigos ou como Deus quiser
Pois quero tua alma perto de mim
Para todo sempre, amém...

4 de dez. de 2008

Na Delicadeza do Teu Olhar (Fábio Sirino)


(Olhos que Quero Conhecer II)
Um lago verde e misterioso
Assim sem intimidade ou razão
Sem “voz”, sem números de “telefones”,
Deu-se meu mergulho...
A admirar um olhar que aprendeu a não exigir do amor
E a tolerar no outro as distintas diferenças.

*
Não sou o que enxerga tua beleza a olho nu
Preciso do auxilio que a tecnologia criou
E se não fosse por ela
Passaria a vida
Com a ausência dos teus encantos “orkutianos”.

*
Sou outro após descobri o teu sorriso doce.
Sou outro sim, desde que a mim
Abriu um novo perfil que aprendeu a ter paciência.
Com o que se faz e com o que espera de si
Que busca a pratica do perdão
Sem ter que mostrar sentimentos
Tentando re-sonhar,
Fotografando com lentes esverdeadas
A verdade sensível ao extremo da explicação.

*
Amando por ser amada
Amando por tudo e nada.
No espelho do quarto que já intimo
Não vislumbra os efeitos expostos

*
Introspectiva até demais
De caráter forte e convicta das contradições
Que a fazem rir e chorar
No observatório de estrelas
Que das janelas tua alma mira
Com uma trilha musical perfumada

*
E mesmo te escrevendo
Não ouso saber quem es
Não julgo tua imagem
Como a suma verdade
Que encontro em tuas comunidades
Regada a Beatles e som de chuva
Mas nem todo momento se revive
Há deles que desejamos apenas sumir

*
Sem explicações junguianas chego ao fim
De mais um sonho que a te escrevo
E como é difícil achar as palavras
Para descrever um sentimento sobre um olhar
Que não se define.
Se sente num doce mistério
De um olhar de lago esverdeado
Que apenas quero conhecer.


(Assim do nada mais um olhar via ondas de radio chegou em minha tela, com ele uma luz que se acendeu como a chegada de um anjo a terra.)

6 de nov. de 2008

Lavando a Alma (Jurandir Bozo)

FOTO:Kelly Baeta

Lava criança que há esperança pro mundo
Aprenda que muitos ainda precisam assim fazer
Lava, pois o tempo de agora deixa marcas claras
Deixa escorrer na água o sorriso que a saudade roubara
Lava a roupa agora criança
Para depois não ter que lavar a cara
Lava com água do rio e segue o seu curso
Termine o escolar e o colegial
Faz o segundo grau e até uma faculdade
Mas lave a roupa agora
Seja leve e como passarinha até voe
Voe em bolinhas de sabão
Pois muitas meninas iguais a ti
Já lavaram roupas também
E outras até lavaram mais
Lavaram vidas e almas
Assim minha linda menina
Antes de concretizar nossa morte
Para nosso olhar
Lave e leve as tuas lembranças
Se assim quiser
Pois as minhas hão de ficar
Como adorno ao vazio que deixastes

19 de out. de 2008

O Íntimo Artista (Fábio Sirino)


Eis que chega a mim tua mensagem
Dando partida a madrugada que tanto conheço
E degusto em solidão e prazer
Pois no íntimo de todo artista
Tem um louco solitário adorador da lua
E da tua beleza agora em sonhos multicoloridos
Os normais são medíocres demais para serem artistas
Ou para sonharem como nós...
Em mim uma pergunta que incomoda e fascina
- Sois normal ou sois artista?