1 de mar. de 2012

Os Olhos e Risos de Ana (JurandirBozo)




(Ana III)

Já chagam a mim os olhos de Ana
Com suas respostas e comentários
Ana mesmo em seu universo de vidro
Tem de mim em vitrine
Sentimentos e elogios que perdem força
Que não chegam próximo a Ela
Será possível alcançá-la com palavras
Com seus milhões de risos
Eu aqui com minha imaginação fértil
E um desejo que mal se contem
Assim no escuro Ana aparece
Destaca-se mesmo com palavras erradas
Intencionalmente delicada
Deixa-me perceber meu papel
Amigavelmente delimita meu espaço
Devolvendo os sonhos que a Ela ofertei
Mas eu grito a Ana que sonhos vão e não voltam
Que palavras não se devolvem
As minhas saem de mim buscando seus segredos
Querendo intimidades e meias verdades
Todo seu constrangimento mais delicado
Queria então dançar com Ana
Segurar forte sua cintura com a mão
E respirar em seu ouvido meu resto de vida
Minha força e fragilidade
Minhas certezas e contradições
Talvez assim eu a sentisse tremer
Arrepiar-se ou morder os lábios
E tocando seu corpo, sentindo seu perfume
Eu beijaria Ana como numa despedida
Eu amaria Ana como se estivesse a segundos do fim
Fim do mundo, fim de vida, fim de estrada
Fim de mim, fim de noite, fim de festa
Fim do poema.




(poema postado 14/12/2010)

Recorrência (JurandirBozo)




(Ana II)

Faltam-me respostas
E assim entre as cortinas
Ela invade minhas reservas mais intimas
Filma meus álibis
Expõe-me a verdade que nego
Como se continuasse o mesmo poema
Em um só livro de calor
Onde se repetem as loucuras que não cometi
Ouso então em vorbomanias
Cigarros que se acabam
Sem saliva, sem água, sem leite, sem Nescau
Como adoçarei minha boca que amarga
A espera das correspondências que não retornam
Mensagens que sequer sei se foram lidas
Motivo da minha insônia
Ela dança na minha cabeça
Faz algazarra de minhas memórias
Na minha cabeça toca Ela, toca nela
E por isso ninguém me entende
Musica e som de gatos se amando
É...! Eu também sou brega
 E observo o apagar das luzes
Pois não temo seu escuro mundo de fantasias
Mascarando vontades incomuns
Porque quer Ela saber das poesias que não publico
Detalhes minuciosos e suados
Dos meus devaneios mais reclusos
Poeira que varro para o canto do teatro
E que o vento não procura
Enquanto a convido para meu espetáculo
Apresentando-lhe minha morada
Para fazer-la ri eu encanto a platéia com pouco pão
Carrego migalhas nos bolsos
Nos bolsos das calças migalhas de historias passadas
Que deixam a madrugada me cansar
Para trazer Ana novamente pra mim



(Poema postado no dia 13/12/2010)


Ana (Jurandir Bozo)




Ainda esta longe demais de mim
E ao perceber tal distancia, eu penso em calar
Calar meus olhos e meus pensamentos
Eles que buscam por Ana mesmo distante
Quem me dera ter o dom de manipular o tempo
Ou os espaços geográficos
Quem me dera poder ter Ana mais perto
Mas quando a vejo é que entendo
 Há algo além da geografia
Que me impede de chegar a Ana
Algo bem maior que física ou as explicações lógicas
Sim! Eu sei que na única vez que toquei em Ana
Meu espírito sorriu tímido e me veio um arrepio assustador
Ela contida mal sorriu, mas iluminava todo rol
A boca de Ana me roubava os olhares
Condiziam-me a fantasiar tolices
Como gostaria que os segundos e minutos
 Fossem mais compreensivos
Mas não, ela apenas se foi
E numa despedida desconsertada
Eu mais uma vez pateta atrapalhado
- Como não soube conduzir-me diante dela?
O que ela pensa de mim?
Talvez Ana tenha roubado bem mais que os olhares
Ana levará consigo um pouco dos meus sonhos
Dos meus pecados e arrependimentos
Linda! Assustadoramente linda...
Assim se seguem os dias e só aumenta a distancia
E Ana vai se afastando minuto a minuto
Palavra a palavra, Janela a janela...
Eu aqui passivo a observar seus perfis e fotografias
Já sinto que Ana não me pertence
Ou nunca me pertencerá
Seus beijos, suas curvas e pernas
Seu gosto, seu gozo e seus pensamentos
O amor de Ana, as paixões de Ana
Elas se encontram em outro planeta
 Moram nas estrelas e fazem mistérios
Respiram outros ares
Mergulha em outros mares
E vive em outra vida
Ainda me pergunto o que fica de Ana
Já que a sinto indo e indo, sem despedidas
Como quem vai para constelações mais distantes
Em mim fica de Ana um vazio
De algo que nunca tive
Um desejo de quase amor, quase paixão
Uma volúpia acelerada, algo ainda maior que eu
Uma vontade de quero mais do que nunca provei
Seu corpo, seus seios, seus pés, sandálias e saltos
Suas coxas, sua boca, minha língua ou minhas mãos
Que em frenesi decifrariam em braile
Os segredos impressos na pele e nos pelos seus...
Ficam minhas intenções não realizadas
Uma carta aos meus anseios mais profundos
De Ana fica uma lembrança prazerosa
Dos meus sonhos e delicias
Que se renderam a ela.

(poema postado em 12/12/2010)

29 de fev. de 2012

O Anjo (Jurandir Bozo)




Ainda guardo a imagem que fiz de você
E mesmo em pedaços
Meu peito sem força
Grita silenciosamente seu nome
Ai se você conseguisse me escutar
Pois por mais força que coloque em meu cantar
Nossos ritmos parecem não se permitirem
Harmonizar a mesma melodia
Distantes e ásperos seguem sem esperar
Assim longe das fontes minha boca saliva
Meus lábios pedem por você
Sem nada que sacie minha paixão
Entrego-me a outros vinhos
Entorpecido quem sabe durma cansado
Para que com o cansaço o sonho adormeça
E assim ele não traga você a mim
A meus pensamentos
Corrompidos por seus encantos
Em mais essa noite que se segue
Nem o cansaço ou a embriaguez
Fazem-me fugir do que intimamente mais desejo
E assim perto da fantasia que faço de você
Entrego-me aos risos seus
Ao que não me pertence
O anjo de sorriso de sol
De poucas palavras e muitos mistérios
Algo que não sei enxergar
Além das curvas que me atiram ao precipício
A beleza angelical que inferniza
E acende em mim
O que achei que a muito
Pensei ter apagado com jatos de dor.



O Meu Filme (Jurandir Bozo)




Volta-me todo vazio de antes
A solidão mais presente
Os dias mais longos
A irritabilidade dos mal amados
E não é o sexo que não me falta
Que me parte em dois
Que quebra minhas convicções
É o que não alcanço
Velho demais para sentir-me perdido
Jovens demais para dar-me fim
Aos restos da esperança que cativo
 Em caminhos já conhecidos
Reviso as historias que se repetem
O vazio de antes aflora
Pensamentos ...
E tudo mais que me empurra noite adentro
De olhos abertos no mais obsoleto escuro
Vejo o que se perde de mim
Detalhes, expressões, mancadas
Coisas que me envergonho ao lembrar
E assim vou, vou sem pensar
- Mentiras? Certezas?
Eu apenas não falo mais em verdades
Vou ciente das minhas vontades
São, desvio meus olhares pidões
E antes estivesse louco
Crendo no impossível
Em duendes e Papai Noel
Assim talvez não enxergasse o mundo
Como se fosse um filme que não participo
Que no curso real do seu roteiro natural
Mostra-me diariamente um final
Com todos os protagonistas felizes
Acompanhados e apaixonados
Enquanto eu, ali de fora
Observo a historia que projetei.
Esperando apenas a imagem ir escurecendo
Para subirem os créditos finais



17 de fev. de 2012

Intimidando (Jurandir Bozo)



Quantos dias ainda restam
Sem que a minha esperança
Ponha-me de forma ridícula
A ainda crê na possibilidade do impossível?
À toa, vendido, entregue
Meus pensamentos me guiam a derrota,
Tem vezes até,
Que todos os pedaços de mim
Se sentem tolos...
Quando fico eu a falar engrossando couros
Dos que nada tinham haver comigo,
Quando meus olhos de canto
Seguem o desejo de minh’alma
Presos a beleza dos sorrisos dela.
Porque estaria ali se não para isso,
E apenas para isso...
Não me interessa mais nada
Que não fosse as escondidas
Espiar de perto o seu jeito,
Escutar de perto seu tom,
E de perto sentir sua presença
O mais discreto possível
Da não percepção da minha existência,
Da existência dos meus olhares,
Dos meus desejos e temores.
A ela me expus forte
Quando minha vontade era de falar
Em nome dos que temem a rejeição,
Dos que alimentam os sonhos,
Dos buscam o amor...
Que vêem a vida com paixão,
E mesmo covardes se entregam a ela.
Assim levados por a vida ou por amores,
Seguem dentre a multidão
Com um vazio sem tamanho mensurado...
Sozinhos, bancam uma felicidade
Que os olhos não pagam.
Queria mostrar a ela
Todas as minhas contradições,
Toda poesia que de cá, eu enxergo em seus olhos
E em sussurros falar ao ouvido
Versos do que ela desperta de melhor em mim...
E assim contar-lhe segredos, historias...
Ao ouvido confessar baixinho todos os pecados
Que cometeríamos juntos,
E não apenas mostrar-lhe
A fumaça do meu cigarro que a deixa mais distante.
Mas não, eu apenas calei, ri e fui embora...
Fui embora pensando ter feito o melhor
Evitado a tempo algo vexatório.
Acuado pelo senso comum
Ou entendimento do que somos,
Eu disperso, louco, livre,
Imenso em mim e minhas fantasias,
Temi ficar e dizer tudo que sei que gostaria de ouvir,
Pois certamente não seria de mim
Que tais palavras ganhariam força em coração...
Então fui, e que escolha teria eu?
Foi mais que sua beleza que me intimidou a seguir.
Foram suas palavras...
Quando me olhava nos olhos,
E me chamava de amigo.



12 de fev. de 2012

Em Branco (Jurandir Bozo)





Abri-se em mim
Novos espaços...
...Vazios...
Como se um mal súbito
Acometesse todas as lembranças
De mim e sobre mim...
... Vazio...
E dou-me então a consciência
De reconstruir imagens
As que fazem de mim
As que faço do outro
Num intervalo espaço tempo
Que o universo varre
Toda minha existência
...Morte...
Das pessoas que um dia
Pensaram conhecer-me
... Pos vida...
Sem amores tolos
Adaptado a solidão
E a tudo mais que me condena
Reconfiguraria o conceito
... Felicidade...

20 de jan. de 2012

Sonolência (Jurandir Bozo)



Amanheceu, e mesmo de olhos abertos
Sinto-me como se estivesse dormindo
E sem acordar vou às ruas
Ao trabalho, a banca de revistas, ao café
E tudo parece errado
As pessoas, minha paciência, meu cansaço
Meu cigarro
O transito, o mar, o cão que me olha
Sento a observar
O céu, os pássaros , o cão que ainda me olha
Observar algo que não seja eu
Que não esteja cansado
Que não esteja dormindo
Que não esteja morrendo
Que não esteja sonhando
Que não esteja chorando
Que não esteja amando

3 de jan. de 2012

O Nosso Amor em Plural (Jurandir Bozo)





Já não sei mais com o que me importo
Minhas contradições se encontram em evidencia
Onde vivo o auge de todos meus receios
Proveniência do amor, e o que ele provoca
Medo potencializado de não mais amar
Como se todo universo fosse de um só ser
Dedicamos momentos de angustia a ele
O amor é mais que algo vivido
O amor é uma espera quase interminável
Incompartilhável, não divisível, não diluível 
Imprevisível, mutável, contraditório
O amor é totalmente pessoal
Fila para uma felicidade projetada 
O amor poesia, o amor musica sertaneja
O amor obra de arte, o amor devoção
O amor contido, o amor explosão
E assim pelo desprezo ou pela sublimação
Seguem de forma controversa nossos entendimentos
De tudo que vivemos ou omitimos um dia
Do nosso amor, paixão, tesão, carinho, respeito
Do nosso amor, ficção, mentiras, fotos e metáforas
D o nosso amor , sacanagem, pegadas, ficadas e chupadas
Apertão no peito, pernas bambas,
Do nosso amor, desrespeito, trepadinhas as escondidas
Do nosso amor, fim, partida e uma quase indiferença
O nosso amor em plural nos vestiu de vícios 
E “nus” levou a um afastamento singular



15 de dez. de 2011

Carol... (Jurandir Bozo)




Onde estão os pensamentos de Carol?
O que ainda se esconde nos risos
Onde meus olhos não chegam
E quem de fato seria ela?
Suas paixões, suas manias
As musicas que repete
As historias em replay
Suas poses, suas afirmações
A contradição que encanta
Numa brevidade de anseios
Os minutos se esgotam
E ela ainda linda
Não parece temer os prazos
A validade dos amores
Assim ela enxuga as paixões
E quando acredito em seu silencio
Ela apenas abre a janela e sorrir
Para que o mundo se encha de outros sentidos
Sentidos opostos as minhas vontades
Ao que pensei compreender
Pois ela vem, ela vai, ela volta
Na flexibilidade da interconectividade
Num romantismo atual
Traços da modernidade
E mesmo assim
Sua beleza vai surfando
Sobre meus manjados conceitos... 

220 (Jurandir Bozo)





Não ache que sou presa
Apenas porque me acertou um beijo
Pois mesmo lento e ferido
Eu sou mais que os rótulos
Que querem me impor
E minha vontade de abarcar o mundo
Não me deixa preso a tristeza de agora
A paixão de agora
As lembranças de agora
Não parcelo meus sentimentos
Nas poesias que escrevo
Nelas eles e eu vão inteiros
Pois não tenho medo das raízes que criei
E não lamento as tantas que cortei
É essa vontade voraz de mais
220 volts
Que me faz único
De extremos colaterais
Sazonal, amores prolixos
Excesso de palavras, de sonhos
Onde conveniência e coerência
Caminham juntas rumo ao infinito
No meu Rio que não deságua
Então ficam a lua, o sol
Uma franqueza gigantesca
E tudo mais que possa me atrapalhar
Esse ainda sou eu
Ontem
Agora
Talvez até amanha
Sorria baby
A bem da verdade
Talvez esse tenha sido nosso ultimo papo
Pois ao fim da postagem
Já não me sinto fiel
As descrições que fiz de mim


5 de dez. de 2011

Espaços Librianos (Jurandir Bozo)




Uma menina que não cansava de falar pelos cotovelos
Dividindo as atenções
Entre as novidades que o acaso apresenta
O quem a pouco havia conhecido
Indo noite adentro
Noites afora
Abraçando o novo
Beijando recordações
Ele ou ela
Sabendo vezes mais, e vezes menos
Que quem é pago para compreende-la
E mesmo atraindo as vistas estranhas
Do que ainda não percebes
Faz-se invisível
Como se esconder seus olhos
Fosse algo possível.
Neles tudo se agiganta
Os medos e tristezas se multiplicam
Em seus interiores
Espaços e sexo indefinidos
Refugio libriano desorganizado
Como se o mundo estivesse sobre sua cama...
Em rolados em panos e papeis
Que ainda insistes em guardar...
Registros prolixos
Do que ainda
Enxerga em si
Como defeito
E não como beleza e encanto
Que irrigou o poema


3 de dez. de 2011

A Tua Boca (Jurandir Bozo)





A tua boca roubou-me a atenção
E nela suas palavras
Numa quase tortura saborosa
Escorregavam certeiras
Em tons que me acendiam...
Ouvia atento seus brinquedos proibidos
Enquanto proferias sentenças ao passado
Relatos e ousadias
Para o que ainda parecia não conhecer
Assim aos que desfrutaram contigo
O seu melhor seguiu desacompanhado
Deixando delicias e encantos
Os mais fundos suspiros
Seus lábios, outros lábios
Tantos e quantos delírios
Cabem em uma só noite com você?
A tua beleza incendiava meu olhar
E mesmo próxima
A distancia que restava permanecia
Como se nunca fossemos nos tocar
E assim ficava mirando seus lábios
Queria mesmo era uma tatuagem a esmo
Com a cor quente do seu batom
Algo que eternizasse  
O rastro que sua beleza emana
Ausente, eu não abstraio
Imaginando com malicia
Suas delações intimas
Contextualizando em sensualidade
Sua desconfortável sapatilha amarela
E curto vestido estampado
As coxas grossas, os olhos devoradores
O humor jovial a disposição ao atrevimento
O show estava quase completo assim
Seu vento chegando aos meus segredos
Exótico, eu me sentia esquisito aos demais
Deixava-lhe a temporalidade do seu coletivo
Mas sem espaço para dar-lhe o que mais queria
Eu resolvi apenas ir
E fui ainda querendo ficar
Com a premissa do beijo que não dei