19 de set. de 2011

Manicômio Judiciário II (Jurandir Bozo)

(A Bailarina...)

Os loucos são poucos
Lindo mesmo é a bailarina
Que dança e tripudia
Fazendo do impossível imaginário
Real literal em passos e movimentos
Aqui dentre essas paredes brancas
Paira um clima marginal
Mesmo com tantas arvores e plantas
O muro não nos deixa esquecer
 (Que estamos presos)
E gritamos para ela dançar
Num espetáculo solo
Ela sorri e dança sem musica
São alucinações suas coreografias
Num rito vezes calmo, vezes frenético,
Ela se movimenta
Num palco gigantesco
Que mal cabe em sua cabeça
Enquanto os outros
Observam os muros altos
A bailarina continua a dançar
Dentre as paredes brancas
Do Manicômio Judiciário
Onde ela vaga por uma eternidade...

17 de set. de 2011

Necessidade (Jurandir Bozo)




Será que prossigo?
Minhas mentiras são as mais puras verdades
Num trafego de sonhos e frustrações
Posto isso, o resto é mediocridade...
Palavras vãs, verbetes;
Sinto falta da vontade de morrer
Daquela forma eu me sentia vivo
Quiseras eu chamar-te a atenção
Quisera eu que tu me notasse.
Creio sim em assombrações,
Nas sombras do meu quarto elas aparecem
E as chamo de Amor,
Paixão,de Solidão e Esperança...
Quando mar sou criança e brinco
Quando noite sou marginal e amo
Amo por amar,
Brinco pela mais pura necessidade
Ou o contrario...
Brinco por brincar
E amo pelo mais puro egoísmo...

13 de set. de 2011

O Filme (Jurandir Bozo)




É tarde e me pego cochilando...
Na TV um filme reprisado
Que não me despertava interesse.
A cama não caberia meu tédio
E sentado fico a olhar o nada
E entre pequenos cochilos
Voltava minha atenção às fantasias
Que atenuam minha infelicidade.
O que poderia ser pior?
Uma noite longa e mal dormida.
Nada poderia ser pior...
Ai penso em meus visinhos
Como se passasse suas vidas a limpo
Buscando desgraças maiores que as minhas
E eu as encontro em abundancia
Só então percebo que a ignorância
É a chave da felicidade
E felizes dos que não argúem sobre a vida
Felizes dos que se quer questionam a morte
Dos que vivem sem a necessidade de respostas
Dos que se contentam com sub-amores
E não viveram em risco e luxuria
Desejos, vaidade e ganância
Dos que nunca inventaram paixões
Promiscuas e prolixas
Com gosto de suor, cumplicidade e desconfiança
Dos nunca escreveram uma poesia
De rimas tolas e infantis que fosse
Que não degustaram do sabor amargo
Das dores de amor
Dos que nunca se sentiram sozinhos
Dos que nunca choraram sozinhos
Dos que riram sozinhos
Dos que não tem espaço para o outro
Dos que não aceitam o novo
Dos que sabem demais
É talvez esses sejam ignorantes e felizes
Mas eu prefiro minha tristeza circunstanciada
Meus questionamentos existenciais
Minhas tantas perguntas
Meus amores plenos
Instáveis e luxuriosos
Repleto de personalismo e pecado
Das minhas fantasias e mentiras
Suadas de cumplicidade e incredulidade
Das minhas poesias e escritos
Dos meus dissabores de amor
Da minha carência excessiva
Que me faz chorar e ri sozinho
Da minha disponibilidade ao mais próximo
A minha adequação ao atual
Da minha ignorância humilde
Assim dessa forma eu cultuo minha infelicidade
E faço um brinde aos infelizes como eu
Que fazem da vida seu próprio filme
Sendo roteirista e autor principal
Estrelando as cenas de beijos
E morrendo no final.

11 de set. de 2011

Pensando em Você (Jurandir Bozo)




Como poderia não pensar em você?
Se guardo em meus ouvidos o som de sua voz
E trago em meus olhos cada parte do seu corpo
Escaneada em desejos contidos
No limite entre a tecnologia e a física

Como poderia não pensar em você?
Se o que não vivemos
Norteia meus mais impávidos impulsos
E feito um animal ainda espero
Por devaneios noturnos
Onde toco seus seios
Não contemplando pudores
Deixando livres os instintos
Que ontem escondi

Como poderia não pensar em você?
Se sua lembrança sempre presente
Atenua minha carência
Onde fora de minha solidão
Marco encontro com as fantasias que criei
Seu corpo, suas curvas, sua pele
Assim passa o tempo
E vai ficando mais e mais de você
Dentro de mim

Como poderia não pensar em você...
Se o seu melhor esta aqui em mim
E pulsa feito esperança
Se vive em meus melhores sorrisos
Se me faz ser algo melhor que já fui
E inda tolerar o que de mim sempre repudiei

Como poderia não pensar em você
Se é a presente paixão em meu peito
A carne que sublimo em alma livre
Em meu mais lúcido entendimento de afeto

Como poderia não pensar em você
Se seus mistérios são como águas claras
Repletas de historias que poucos sabem 
Como não pensar em você
Se seus olhos de sol invadem minha escuridão.

Por Celular (Jurandir Bozo)



As voltas de encontrar-me ainda mais vulnerável
Cubro-me de uma solidão quase invisível
Pretensioso apenas deixo passar tais dias
Onde o sono vence minha vontade de ver o sol

As freses se agigantam
Mas entaladas em olhares lacônicos
Que saudosamente questionam-me
Sombras, desejos, e por que não me atendi
Se fico com o celular nas mãos a esperar noticias
E quando ela liga meu dia se enche de luz

Tenho certeza das minhas fraquezas
E talvez por isso não me dou o trabalho
De publicar tais medos íntimos
Nos ouvidos mais próximos
Fujo das confissões e desabafos
Do que me valeria por pra fora
Quando o problema maior esta dentro

Volto a fechar as portas
Não houve visitas ou pretensos moradores
Em minha vila coração só o abandono
Eu, eu, e só eu essa é a verdade
Quem sabe um dia aceito ser sozinho
Carregando comigo um coração empoeirado
Cheio de recordações e marcado com cicatrizes
Coisas minhas e exageros meus
Melhor por créditos e voltar a ligar

Já não me cabe ilusões
E a falta delas me deixa um vazio
Que dói bem no canto do olho
Dói e escorre pelo meu rosto inchado
Mas não por isso me apaixonarei por você
E por mais vontade que tenha de ouvir sua voz
Essa noite eu ficarei parado, catatônico
Olhando seu numero em meu visor
 Minha carência não é maior
Do que resta de meu orgulho
E mesmo querendo
Sei que só se dispôs
A dar-me risos, palavras
E nada mais... 

Porém, Quer (Karlita)


Porém, quer

Querendo eu quero também
Pra te fazer bem 
Pra te fazer alguém.
Quero mas não sei por quê
Não sei pra quê
Mas gosto gosto de você bem me quer.







Comentário de Karlita  ao meu poema Bem Me Quer.
Fiquei sem palavras e isso é raríssimo. Mas o que poderia dizer a essa moça que tem de mim os melhores olhares que guardo no peito.  Muito agradecido por tão belo comentário.

4 de set. de 2011

Sono de Ioiô




Não durmo
Cochilo
E quando me vem ao corpo
O gosto do descanso
Eu simplesmente acordo
Viro-me
Torno a virar-me
E a noite não passa
Tv, radio, leite quente
E a noite não passa
Não durmo
Cochilo
Calo
Falo
Abro
Fecho
Choro
Levanto
Deito
Levanto
Mijo
Deito
Calo
Fecho
Cobro-me
E acordo pela manha.



Bem Me Quer (Jurandir Bozo)




Ainda espero pelo que não sei

E pergunto sorteando

Se vem, se tem

Se existe ou se me quer

E se não quer

Mal me quer

27 de ago. de 2011

A Mais de Uma Semana (JurandirBozo)




Ainda recordo do dia que não foi
Do dia que já não se disporia on-line
E assim fora de área ficaram os filmes
Como todo resto de mim
Eu viajei pagando o tributo
Na procura de tantos
O outro nunca foi encontrado
Meus pés até estavam presentes
Meus pensamentos não
Buscando uma sintonia
Em Amplitude Modulada
Sem assimilar as ondas da modernidade
Sou quase um antiquário sem serventia
E não ousem dizer-me o contrario
Os infelizes preferem o silencio
Que as discussões e opiniões contrarias
Mas eu não. Sou a exceção da regra.


11 de jul. de 2011

Fogo Corredor (Jurandir Bozo)


Se fosse escrever um poema
Seria hoje algo que me fizesse sorrir
Algo leve e forte feito fogo
E mesmo incendiado
Propagaria mil mensagens fofas
Para não haver surpresas no elevador
Pois mesmo de longe
Já ouso imaginar o som
Pra cada labareda
Desse lindo fogo corredor


(dedicado a Camila Petri)

8 de jul. de 2011

Eu acredito em profundidades (Marla de Queiroz.)



Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal-resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo e não estou aqui pra que vocês gostem de mim, mas pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho e seduzir somente o que me acrescenta.

Tenho uma relação de amor com a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro de alguma forma, no toque mesmo, na voz ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos: são eles que me dão a dimensão do que sou.



Dedico essa postagem a Camila Petri, por ter me apresentado de forma direta a Marla de Queiroz, paixão a primeira lida. Grato Camila por essa linda descoberta poetica que me proporcionou.

7 de jul. de 2011

Subtonando com o Mundo (JurandirBozo)


Hoje o dia está com um gosto de nada
Que até chega a me amargar a boca
Tirando minha vontade de viver
Então expiro o hálito que me trava a língua
Como se quisesse cantar
Deixando ir com o vento
Tudo de podre que sonhei ontem
Em mim apenas velhas cresças
Fracassos íntimos
Que fazem parte de mim
Amores, trabalhos, amigos
Uma certeza só me cerca
Eu e a felicidade
Temos pouco em comum
E talvez por isso minha voz rouca
Ande tão desafinada do resto do couro
Cansada das melodias que se repetem
Subtonando com o Mundo
Entre a verdade do todos
E as fantasias ou mentiras
Que ainda insisto em acreditar
Acreditar cantando.

5 de jul. de 2011

O Mar I Ana (JurandirBozo)





Ambos se gostavam
Pois ela despertava sonhos
E ele leva a imaginação
Para o infinito
Se gostam e se amam
Num flerte que dura uma vida
Como são apaixonantes
Na meiguice mais bruta
E na brutalidade mais meiga
Se fazem em encantos do que já não se canta
Mais do que o Mar estar Ana
Mais do que Ana estar o Mar
Então ele e ela se unem
Pelo amor e pela dor
Vão além da fusão
E passam a ser poesia
O Mar I Ana



Essa foi recuperada deum dos poemas que tinha perdido após roubarem minha bolsa a muito tempo. Mas esse poema foi feito na forma mais verdadeira que meu entendimento enxergava essa menina de terra, céu, rio, e mar, na minha forma de amar o Mar I Ana.

4 de jul. de 2011

Metade de mim (JurandirBozo)




Partido ao meio
Completo a volta
E mesmo cansado
Chego ao fim
Da madrugada
Com a metade de mim
Que ainda consigo carregar

Nego-me novas silabas
E insisto com palavras
Que não sei sua ortografia

Sendo vencido
A preguiça cobiça minhas paixões
E eu descansado
Fujo do imposto do esforço
De novamente amar
E com outros gastos em mente
Engulo de mim
Tudo que cuspi no outro

Copiando risadas e as postagens
O complemento da foto
Já não se explica
Em redes de novos amigos
Que não conheço
Onde tudo me leva a crer
(Para uma metade de mim)
Que a modernidade é uma bosta