20 de dez. de 2009

OS Olhos de Guerreira. (Jurandir Bozo)





Uma guerreira ou uma musa?
De origem irlandesa vem o teu primeiro rotulo?
Então como posso eu aqui distante interpretar
Teus olhares comunicativos e recônditos
Teu charme, tua beleza...
Como se tentasse voltar ao mesmo sonho
Eu percorro as tuas avenidas extensas
Observando tua vitrine virtual
Essa é a modernidade; não...?
Um quase estagio para detetives e espiões de brinquedos (rs)
Num tele transporte de palavras e imagens
Em downloads e beckups
Tento apenas codificar tuas senhas
Abrir tuas historias e saber mais de ti
Será? Mas ela me soa moderna atrevida...
E assim sobre quatro rodas ela desfila
“Perdida no mundo” das gerais
Ela de longe me enfeitiça
Num carnaval saudoso de confetes e serpentinas
Ela usa as máscaras da vaidade, as mais belas
Ela recorda amores e não se importa de beijar
Os feios e os amigos (RS). Ela não se importa em beijar...
Ela é moderna sim, mas gosta do bom e velho rock roll
Ela parece mais que qualquer coisa que consiga descrever
E mesmo assim tanto
Pois para ela até o sarcasmo pode ser romântico.
Ela nunca fica sozinha, - mas nisso eu não acredito-
Eu paro estático, perplexo
Na esperança que teus olhos se comuniquem ainda mais
Assim quem sabe, eu possa saber da tua Fortaleza
Sensual e magnética, decidida e independente
Calada e astuta, teu silencio se faz quase uma arma
Na força do teu nome
Então renegue o ciúme, as manias
Renegue as miudezas da vida desses mortais que te cercam
E sublima o teu sagrado mais profano
O teu belo que encanta e envolve mesmo longe
Nessa forma de ser-te como és
 Fortaleza de guerreiras
Ou Apenas a bela Keilla
De olhos expansivos e recônditos
Pois eles nem sempre dizem tudo


Dos teus olhos vieram meu fascínio, e assim por tua beleza e simpatia surgiu um singelo poema que talvez não traduza um terço do que teus olhos me dizem... Mas as emoções nas palavras se perdem e assim sem entendê-los eu ouso e escrevo. 
Para Keilla Riani, em tua primazia de ser mulher numa totalidade de charme e encantos.
 

17 de dez. de 2009

Contatos Intermediados (Jurandir Bozo)




O que esperar do acaso...
Afim das proximidades e distâncias dos anos
Será então possível, na disparidade do que vivemos,
Obtermos contatos mais afáveis...?
E logo pelo esquecimento
Fez-se visível um ser presunçoso de vaidades (Eu)
Na elucidação dos elogios de outros que nos aproximou
O que sei de ti além do que mostra o teu perfil
Fotografias e discrições recortadas e escolhidas
Para transparecerem quem és pelo teu olhar
Banhado em risos e de peculiaridades que me intrigam
Numa jovialidade aparente entre bolsas e viagens
Qual será teu desejo mais obscuro
Num último dia de carnaval?
Assim te imagino quase lacônica
Palavras que sabem fugir dos meus olhares atentos
 Entre o medo que meu engano provocou
E o acanhamento de imaginar-te despida
De todas as máscaras e pudores...
A impressão imprecisa de ti que hoje tenho
Entre dores e delícias da modernidade fria
Permeiam o caminho dos meus encantos
Dos meus sonhos e delírios;
Não apenas pela óbvia beleza que trezes contigo,
Pela juventude ou pela intimidade com as águas e com a natureza
Com quais venenos essa mesma natureza lhe presenteou..?
Que mal descobristes em tua tão recente vida,
Além do charme que exerce em extravagância
E que a faz sorrir de alma ainda ingênua,
Com olhos que falam por ti e por si
Numa comunicação com os deuses do universo que te cerca
Seja da terra, seja da água, seja do ar
Todos eles, assim como eu, já se rederam
Aos teus mistérios e encantos



Para uma linda moça que a curiosidade me fez conhecer, esquecer e reencontrar.
A tua beleza menina é única e com ela a vida que te cerca torna-se inédita como uma surpresa constante, seja aqui, ali ou ate mesmo na áfrica... Sempre será o que és em plenitude e primazia.


A linda menina Karla.

Jurandir Bozo (para tu, Karlita eu tiro todas as mascaras)
 

16 de dez. de 2009

A Exceção e a Regra (Bertolt Breht)





Estranhem o que não for estranho
Tomem por inexplicável o habitual
Sintam-se perplexos ante o cotidiano
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra

9 de dez. de 2009

Na Percepção da Feira das Vaidades. (Jurandir Bozo)



A distancia permanecia estética
O transito estático
Atrasado entre os fracassos apenas eu
Livrando-me das trombadas
Na multidão da feira
Por pontos milhões de pontos
Os continuativos que nos leva ao final
Historias, ocultismo, filosofia e ciência
Enquanto meu ego ator cansado
Ouvia estarrecido a pessoa que me tornara
Discursar vaidades nos corredores das “estrelas”
Oralizar de forma pessoal seu próprio marketing
De uma mercadologia ultrapassada
Com risos que lentamente apunhalavam
O resto de ser-me
Eu um louco, preguiçoso e fracassado
E do que me serviram tantos ouvintes
Na percepção da feira das vaidades
Se minha verdade nunca foi pronunciada
Eu de tantos nomes e fantasias
Eu de tantas formas e tonalidades
Eu veado, tarado e adultero
Não ponho mais a prova minhas crenças
Apenas não as tenho mais
Cépticista sectário do absurdo vazio que acredito
Com minha lubricidade extravagantemente romântica
Eu de uma malícia quase ingênua
Fissurada nas possibilidades que não me pertencem
Talvez em outros mundos
Apenas queira buscar-me numa lacônica finação
Onde minha loucura passe cega e despercebida


1 de dez. de 2009

“Bellas” Perguntas? (Jurandir Bozo)




Ando dentre os campos da minha confusão
E bem que queria eu entender-me
Situar-me entre as verdades

E as mentiras que já acreditei
Mais sou apenas um sonhador
Apenas mais uma figura qualquer
A que faz os outros rirem...
(Honrando o nome que me deram)
Ando por lugares que já me conhecem
Por espaços que sentia como meus
Vejo as pessoas passando, cantando
Num trafego de ruídos e vaidades
Que de certa forma também são minhas
Mas por mais que saiba de mim
Prefiro a empáfias do meu silencio
Em vastas palavras vazias
E por vezes até tentei falar mais do que faço
Sendo eu, sem a tinta, sem personagem
Que me condenaram a usar
Só que por um instante a prudência me tomou
E a lagrima que gritaria quem sou
Voltou-se a calar em mais uma historia engraçada
Da vida que hoje já não me suporta
Veja bem minha doce Bella
Não quero aqui ser dono da razão do universo
Mas conheço bem as minhas
Não puramente uma questão de convencimento
Tão pouco de provar a te minhas teses
Estou apenas cansado dos meus limites
De uma espera avassaladora que devora o meu ser
Das possibilidades incertas
Que me apresentam como saída para a felicidade
Estou eu hoje sem paixões
Sem estimativas ou sonhos
E por hora em quem posso acreditar
Na dor que me ganha por inteiro
Rasgando o resto de homem que sou
Ou nos elogios que pregam
Como se isso apenas fosse eu
Mais não nego que ainda a alguém aqui dentro de mim
Que chora manso na beira do rio
Covarde e tardio com relação às decisões que vitimei
Não me faltam cuidados
Falta-me conversa, carinho, afagos, sexo, atenção,
Faltam-me sonhos de futuro e grana
E mesmo assim aqui estou, vivo; ainda...
Rindo da piada que me tornei.
Então por favor, apenas me entenda
E não me faça mais as tuas “Bellas” perguntas
Pois a minha resposta é a poesia.

29 de nov. de 2009

Quando Se Mata um Amor (Jurandir Bozo)



Como doem em mim minhas escolhas
Como dói o rumo do rio que não nos banhou
Perder-se-ão risos e a vontade de ri mais
De falar-mos e ouvirmos deus
Tudo foi-se nas margens plácidas de uma realidade fudida
Poia da não obviedade que chegou a mim tua luz
Deixando as minhas águas claras
E sem maiores relatos lavando meus olhares para o belo
Que se esvaiu a um eterno desencontro
Onde pensava ser eu e de forma proposital
O autor de mais essa morte
Na verdade éramos ambos culpados
Levados ao veredicto que nos fugia o controle
As distancias dos corpos e das vontades
E eu ali prolongando intencionalmente
Uma despedida que se tornava mais minha
A cada pedaço da historia que não vivíamos
O sofrimento de perder-te de vez
Não pelo beijo, não pelo cheiro,
Tão pouco pelo sexo
(- não estou falando em ausência dos meus desejos)
Nada além da minha fértil imaginação
("De seres um amigo colorido")
E da tua cumplicidade para com ela
Findou-se o encanto e os assuntos
Vemos-nos e de certa forma nos evitamos
Ao constrangimento da constatação
Irrefutável da indiferença que nos cercava
Em meio a tatos amigos e olhares...
Para onde foi nosso saboroso humor?
As perguntas intermináveis sobre te?
Os sonhos que te deixavam rosada?
Talvez não penas por isso
Sepulto umas das minhas historias
Repleta de fascínio e desejos obtusos
E assim com papel e irrealidade
Enterro uma das paixões maiores
Que vivi em plena literatura
Nessa prolixa vida de palavras e poesias.
Com olhos marejados nos teus já saudosos recados.
Hoje é dia se chorar, pois decidi matar um amor.


Para uma linda menina que no intimo das minhas fantasias e sonhos sempre morara no meu coração abatido de difusor de loucuras em forma de poesia. Que todos os anjos digam amem para tua felicidade linda Camila.


15 de nov. de 2009

Ressaca das Mascaras (Fábio Sirino)


Cansado das mesmas manhas
Por vezes reluto acordar ressacado
Como se o meu medo do vazio
Tomasse os espaços vagos em minha vida
E ocupassem os cômodos da casa
Assim ao levantar ponho as mascaras
As que forçam o sorriso
As que fazem os outros rirem
Já sem perguntas, sem satisfações
As horas correm lacônicas
Mas ainda escolho caminhos já percorridos
Esperando das convenções as perguntas
Com a obvia resposta
- Tudo bem e você?-
Quem além de mim
Dentre esses tantos que festejam a minha volta
Sabe para onde vão meus olhares
Dançando lento num baile de vaidades
Querendo saída, maquiagens e novas mascaras
Sendo eu numa verdade particular
Expansivo na imensidão dos desejos
Trancado entre carnes, sangue e ossos
A visão presa a mim sega as claras
Pois a escuridão das meias palavras me conforta
E espero do destino a surpresa
Olhos de banco
Depósitos de historias
Cansado de filas
Das manhas que me fazem acordar
Quem dera dormir para sempre
Quem me dera não acordar mais
Esquecendo o estoque de mascaras
E tudo que nunca saberei de mim.

5 de nov. de 2009

Um Vício Quase Perfect. (Fábio Sirino)


O que mais posso esperar
Se as coisas que mais amava hoje me soam estranhas
Como se algo corroerá meu paladar
Assim meus olhos sem brilho
Perderem o ritmo, a musicalidade
Sem cor, sem medo da morte ou da vida
E por meses fui à ficção que os outros esperavam de mim
Mas o acaso tratou de mostrar que avia beleza pelo mundo afora
Eu que não perceBia a perfeição das coisas
As cores e formas que caminhavam em desejos
Ensaiando para o imaginário das vaidades
Provocando cobiça cruzadas em vermelho
Assim redescobre o medo
O nervosismo, a timidez
E mesmo oculto me sentir nu
Aberto ao fascínio e posto aos pés da formosura
Sem perspectivas ou esperanças
Aguardo apenas o próximo fleche
Pois meus olhos têm um novo vício.
A sede de você.

4 de nov. de 2009

Scarpiin (Fábio Sirino)


Provoca-me com teu scarpiin
Que eu sonho ainda mais
Sonho com tuas formas descobertas
Em ter-te algemada as minhas fantasias
Lentamente te despindo das vaidades
Que escondem nossos medos
Que não nos solta
Ali frente a frente com eles
Tocar-te ternamente e assim acalmando-a
Deixar teus extintos aflorarem
Sem tarjas ou olhares desfocados
Olho n’olho... Próximos, íntimos/
Nosso musica seria uma respiração profunda
Compassada num blues
Num rito quase sem fim
De beijos e caricias mil
Cabelo, orelhas, pescoço, seios acesos...
Corpos incandescentes... Entregues para assim livrar-nos
“Livrando-nus” de seu e Jens e do scarpiin
E assim a beijar os pés e subir buscando mais
Percorrer tuas pernas grossas e torneadas
Indo na busca do teu sacro cheiro
Enquanto meus dedos passeiam por tuas curvas
Lendo tuas marcas, tuas dores e delicias
Desvendando em braile a textura de tua pele alva
E assim ouvindo teus sons e sentindo o sopro do teu prazer
Ousaria mais... Falando em línguas
Num dialeto que pertence aos Santos
Assim a mar das tuas vontades já revolto
Molharias com ondas virtuais meu porto vazio
E eu lavado no sumo do teu sexo
Sugaria assim o necta da vida
Para não mais esquecermos
Ou não mais acordarmos...
Pois tudo não passa de um sonho...



Para uma linda e delicada moça que andas sobre os desejos e encantos.
A Loren com todo meu carinho e respeito sacana. rs

Uma Mulher Perfect... (Fabio Sirino)



É madrugada e meus pensamentos não calam
Passa por mim algo que também não consigo descrever
(Tão pouco explicar-me)
E como a pouco sentir
Vejo as palavras fugindo de mim
Como se buscassem a ela
Correndo juntas as imagens
Aos vídeos e fotografias
Assim correm minhas fantasias involuntárias
Por baixo dos seus pés
Por entre suas coxas
Mergulhando em luxuria nas suas bocas
Aventurando decifrar seus risos
Nas mais diversas expressões
De dor, atenção, tesão...
O que mais falta a ela
Se a ela pertence a beleza das coisas simples
E o refinamento dos que dominam a sedução
Em cada olhar novas mensagens
E neles uma luz de quase tristeza
Que nos convida a entrar inda mais e mais e mais...
Ali, bem ali, ao fundo da sua infinita beleza
Assim vislumbro o impossível
Como se todas as poses tivessem sido para mim
Uma miragem surreal na tela do meu PC.
Fruto dos seus encantamentos
Perco o sono e me vem uma vontade louca
De gritar o seu nome no meio da rua
Talvez assim a sede de você passe
Como poderei esquecer se mesmo de longe
Seus pés é um vicio
Que rasgam a minh'alma pela madrugada
Como se não bastasse ela ser linda
Ela traz consigo uma doçura
Que me põe em fuga
Pois ela é aquela que faz os outros felizes
(E eu já acostumado a ser triste)
Mas e ela? Será que basta ser Perfect?

3 de nov. de 2009

Um Poema aos Teus Pés (Fábio Sirino)


Pelos teus dedos correm minhas fantasias
Passivo a observa teus pés se despirem
E eu como tantos a imaginar-te
Entre mãos, setas e pontos
Minha imaginação trava, fixa em tuas senas
Em partes curtas
Em tiras e feches que atiçam
Meu fetiche que em te se aflora
Nas cores e formas que a te pertencem
Que em cobiça faz correr água a minha boca
E salivando sonho ainda acordado
Em tocá-los, em beijá-los, em tê-los
Assim saber de te a imensidão do que eles falam
Prestos, vermelhos, marrom, prata...
Baixos, altos, fechados e abertos
O que adorna tua beleza em primazia
Não são os sapatos (as meias)
Mas a tua sensualidade ao absolvê-los
E principalmente ao livrasse deles
Causados ou desnudos
Teus pés são parte da beleza que exercita
O inicio de que se mostra
Em ser desejo e ser mulher...

A uma linda mulher com muito charme e sensualidade encanta com a beleza de seus pés.
A Bia Perfect

Olhos que Quero Conhecer III (Fábio Sirino)



(A Febre.)

Aproximasse de mim
Feito uma assombração para meus pecados
Uma moça de pela clara
Ela rodeava-me, cercava-me
Não me sentia dela
Mas a cobiçava com apetite voraz
Seus cabelos e seus seios
Suas coxas e seus pés
Que dançavam em saltos onze
Tudo girava com seus movimentos
Enquanto eu, estático observava
Cobiçando, com medo, covarde ali quieto.
A penumbra avermelhada
Predominava no local
Não permitindo revelar os traços mais finos
Seu rosto, seu olhar, perdiam-se de mim
Esvaíam-se na ausência de luzes mais fortes
Ela que não chegava a me tocar
Soprava um vento quente em meu corpo
Provocava-me como se soubesse as minhas reações
Como se dominasse minhas vontades
Num jogo de sedução
Os minutos pareciam horas
Enquanto duvidava da então realidade sonhada
Entre a fantasia que nunca tive
E a eminente vontade de trepar
Com quem se quer sabia quem era
De sentir os seus toques e seu calor
Que mesmo distante fazia-me suar
Deixando-me frio, arrepiado...
E por mais que não nos pertencêssemos
Ali eu já estava entregue aos feitiços
E aos meus desejos efervescentes
Como numa miragem
No calor do deserto
Ela se foi como veio
Feito uma alucinação
Uma assombração
Um sonho
Uma febre.

Esse poema foi inspirado por duas lindas mulheres. Que a ousadia das fotos me levaram ao encontro dessa poesia.
A Loren e Bia.

31 de out. de 2009

Noitada (Fábio Sirino)



Espremo o suco dos meus anseios
Bebo sem gosto, adoçado a frustração
Sou menos, sou mais
Tanto faz o que sou
Tanto faz o que quero
O mundo não repara a minha dor
As minhas alegrias
Os meus amores
E mesmo ligado em tudo que se passa
Acabo às vezes me passando com ele
Inchando o peito e secando por dentro
Já não me vejo fora
Externado, avesso, desnudo de vaidades
Desconheço as ruas e vias publicas
Minhas baladas não mais acertam o alvo
E prefiro o vazio da minha casa
Onde bebo e como, danço
Escolho a musica
Não obrigado a ouvir a moda
Que ressoa nos carros avulsos
Não estou suspeito a um passivo reencontro
Um furtivo engano por coincidência
A merda as coincidências
Não quero ser sujeito ao bafo dos que se acham amigos.
Talvez em minha casa eu tenha que há de bom
Para uma boa noitada
Musica, bebida, comida
E a ausência de gente.

23 de ago. de 2009

O Vento Levou (Fábio Sirino)


Tenho momentos de lucidez
Onde a tua falta incomoda
As engrenagens dos meus sonhos
Pois a cada dia sem te
Sou menos do que já vitimei
Em noites de fumaças
Que me dão fim
Cores e discos voadores
Que transgrediam nossos limites
Da moral ao pudor
De nossa curta poesia
Ou da amizade que inventamos
Não nos sobraram restos
O vento levou.

27 de jun. de 2009

Tua Luz (Fábio Sirino)



Eu vi todos os teus sapatos
Guardei em mim tuas fotos e encantos
Teu charme e tua dança
Sentia-me parte do universo do teu quarto
Mesmo sendo um estranho
Percorri desesperado
Todos os teus registros
Buscando somente a ti
Como se única fonte para saciar
Meu desejo instintivo
Fosse tua carne e tuas curvas
Assim todas as lendas e parábolas
Teriam finais felizes
Mesmo que virtuais
Pois sou rápido para encontrar e entender
O caminho que me espera
Mas demoro a chegar ao fim
Já que daqui não elucidei
Luz que hoje me cerca.

Um Final Feliz (Fábio Sirino)


Não queiras matar-te
Ainda é cedo para pôr fim aos sonhos
E são tantos e tão poucos
Que se vão com a poeira
Pelos cantos da casa
Limpando as coisas para dar a festa
Com confetes, serpentinas e bambas
Nos estalos dos fogos
Na explosão das cores
Com a mesma pólvora que mata
Sinaliza-se a celebração do renascimento
Fazendo os planetas girarem fora de órbita
Sanando cortes e queimando filmes
Em poses coloridas e subliminares
Que olhos tristes colecionam
Perdendo a validade das lembranças que machucam
Pulsando no pulso que sangrava som
Nas cicatrizes que marcam e desenham a alma
Eu enxergo a palma da tua mão
E sinto tuas unhas se colorindo do meu sangue
Marcando meus poemas
Temendo a tempestade
Mas a chuva sempre há de passar
E lá estará o sol
Sem o peso das nuvens
Ele apenas sorri
Sabendo do desfecho de histórias íntimas
Costurando em segredo corações partidos
Cavalgando por novos amores
Então baixe as armas
Leve a bala vermelha aos lábios
No intuito de adoçar os dias de chuva
Pois os meses das trevas passarão
É sempre assim nos extremos dos pólos
Chega à noite, chega o frio
Tudo morre, tudo apenas se esconde
Mas ali no meio do vazio o verde resiste
Como se soubesse o destino dos ventos
Onde sopra teus mistérios
E nasce a estrela que guia teus encantos
Não queiras a morte princesa das cores
Deseje muito mais do que esperas
Que ainda é cedo para pôr fim a um álbum
De tão poucas fotografias
E por maior que seja a vivência
Tua juventude muito ainda tem a descobrir
Dentre as máquinas, as lentes
Os flashes e os cobertores
Há sempre um “com puta dor”
À espera de novos arquivos de imagem
Ou de um final feliz.

16 de jun. de 2009

A Redenção (Fábio Sirino)





Joguem a próxima pedra em mim
Não tenham compaixão pelos pecadores
Pois eu nunca a tive pelos puritanos
E acertaria bem na cabeça
Se o acaso permitisse que a pedra
Em minhas mãos estivesse.
Massacraria Madalena arrependida
E tantos outros tidos a santos
Já me expurga em nojo o bom garoto
O fim das novelas e das fabulas
Onde a cada capitulo já me sinto por fora
Pois hora sou um pouco do bandido
E em outras, um pouco mocinho
Assim identifico-me entre as vitimas
De uma equação religiosa cristã ocidental
Por quantos segredos percorrem os desejos celibatários?
Por quanto se compra um sacerdote em horário de televisão?
Talvez dividindo pela fé ou no cartão
Não saia caro ter um cervo de Deus a minha disposição...
Mas é entre respeito ao amor e a profanação luxuriosa
Que andam meus pensamentos dilemáticos
Entre a precoce fúria perigosa do desejo
E a calmaria dos nobres e ingênuos sentimentos
O desejo sim
Tem um poder de destruição bem maior
Com ele o sabor das carnes e suas cores
E me perdoem os vegetarianos
Mas as carnes dos vivos são mais apetitosas
Com ou sem silicone ou celulite
Com músculos ou gordura
Degustar suado em momentos antropofágicos
Outros iguais ou quase iguais
Deixam-me ainda mais egoísta e completo
É por isso que digo
Joguem a próxima pedra em mim
Matem-me apedrejado
Ou deixem-me viver meus pecados
Que não ousarei queixar-me de nada.

15 de jun. de 2009

Intenções (Fábio Sirino)


Exercita a tua bondade
Para que eu a má entenda
Pois a generosidade do outro
Nada mais é que o sumo egoísmo
Que o personalismo humano insiste em negar
Não acredito mais em finais felizes
Creio em meios e fins reais
A utopia é que me causa náusea
E por mais sonhador que seja
Vomito um resto de alma
A cada manhã que consigo acordar
Órfão de valores que não irriguei
Nessa seca de vida que vitimei
Não tem feriados ou ferimentos
Apenas descrédito no mito
Na sublimação das figuras que adoramos
Formas e texturas de curtas e longas culturas
Assim tua justiça será sempre menos justa
Que a empáfia de afirmar minhas verdades
Quais de nossas orações se assemelham
As de um fariseu contemporâneo?
Qual oratória obtém mais audiência
Sem a responsabilidade da lógica do discurso?
Em minha revolução descoberta
Fui exilado aqui nessa poesia
E descobrindo o mundo
Pelo ponto de vista da queda
A tua caridade e a tua inocência
Só me levam ao inferno,
Repleto de boas intenções.

23 de mai. de 2009

Cobiça (Fábio Sirino)


Desejo-te cada vez mais
Fruto de uma quase obsessão
Entre tuas pernas e teus mistérios
Sexy nas formas e cores
Da textura virgem ao meu tato
Como se a certeza do teu olhar
Invadisse minha indecisão poética
Quebrando a tela do monitor
Desfazendo meus conceitos
Mesmo longe, mesmo ausente
Teu perfil me basta
E fantasio histórias para tuas poses
Em silêncio como mandas
Calo vendo tuas caras e bocas
Sorrisos vermelhos
Situações e insinuações
Ações e montagens
Ensaios para uma leve loucura
Uma quase desfaçatez ingênua
Que não remete o teu tom
Enquanto tento cantar contigo
Tua voz ressoa afinada ao telefone
Gravando em policromia teu estéreo
Não espero ou pretendo
Nada quero de ti além da tua formosura
Como flor dos meus mais recentes sonhos
Não peço permissão para chegar ao teu jardim
E mesmo que reproves meus pensamentos
Guardo a ousadia de continuar dono deles
Invadindo, transgredindo se preciso for
Rompendo todas as barreiras do imaginário virtual
Prorrogando meu pecado
Na luxúria que não se negaria
A olhar-te pelos ângulos que para si escolheu
Mostrando teu belo
Furtando atenções para teu colo farto
Cegando a moral com tuas coxas
A luz para uma escuridão frustrante
Tua beleza vem do inexplicável
Para tocar medos imprevisíveis
Morada de filtros e ampliações
Da verdade que guardas ao se expor
Ela vem da “Graça” de ser-te
(Tudo veio pelo acaso, sem planos ou determinações, em tua forma de “ver-nus” fui ao fundo do teu olhar para enxergar minhas historias, em te vi tantos nomes e tantas formas que nem tua aquarela moderna poderia colorir, são risos, lagrimas, benditos e mal ditos de pontas vastas, verdes e grossas, assim quase sem querer, já astro, já estrela, teu olhar chegou ao meu e só por isso todos os poemas se valem.
Ate menina das cores e das poses, que tua ousadia se permita cada vez mais e assim produza e provoque aos olhos mais desconfiados e moralizados, pois tua força e tua delicadeza se fundem e encantam no desenho que nos apresenta em cada nova versão de se.
Para essa linda mulher e artista que “nus” surge.)

Onde Esta Você? (Fabio Sirino)


Cadê o meu amor?
Já não a vejo em meus sonhos
Já não a sinto perto em meus dedos
Por que se foi?
Fugistes de mim por quais motivos?
Já não dança nos compôs das flores que criei
Ou anda sobre as águas do rio que chorei
Deixe ao menos o teu perfume, amor meu...
Eu, que a ti dediquei todos os meus poucos sorrisos
Que pensei um mundo nosso, inocente, puro
Onde a fumaça seria apenas de lareiras e cigarros
Onde nos aqueceríamos do frio egoísmo capitalista
Mas teríamos capital para conhecer um mundo
Em livros e filmes que tomaríamos emprestados
Aos tantos amigos que faríamos juntos
Mas, por que fostes embora sem dar adeus?
Se meu coração hoje ainda bate apenas por saudades tuas
Saudades dos poemas que despertavas em mim
E de minhas mãos um universo de versos sem rimas
Mas tudo era pouco quando pensava em ti
Tua luz, teu medo, tua dor e teu amor
Qual deles era mais meu?
De que valia minha poesia
Se teus encantos não me pertenciam?
Talvez para deixar-te um pouco menos “infeliz”?
Pois na tua tristeza eu me enxergava
E nos teus gestos de prazer me realizava
Tal uma criança numa loja de brinquedos
Divertíamo-nos e subvertíamos nossos legados
Que história foi a nossa?
Uma comédia onde fui o bobo engraçado?
Uma tragédia onde sou o personagem que morre
Só para deixar a lição de vida
Como auto-ajuda para outros?
Um filme de ação onde sou o bandido e tu a heroína?
Ou uma fabula onde sou o ogro que te salva do dragão
Mas te vê partir com o príncipe bonitão?...”Rs”
O que foram nossos curtos dias e longas noites?
Tivestes para mim tantas formas e tantos nomes
Tantas cores e tantos endereços
Era minha deusa, minha musa e minha religião
Meu argumento e minha contradição
A verdadeira paixão prolixa e consistente
A direção exata para um eu que se perdia
A redenção para os pecados que viria a cometer
Era minha alegria e minha preocupação
E fostes sem nada dizer para mim
Sem poemas, recados ou cartas...
Fico apenas a pensar
- Onde está você?
(“Se não aqui dentro de mim...”)

30 de abr. de 2009

Azul e Encarnado. (Fábio Sirino)



Giram lembranças coloridas
De um tempo que não foi meu
Era dos dinossauros
Onde pela tua aparente fragilidade
"Te devoraria" com minha fome antropofágica
Da tua pop arte digital.

Busco no teu olhar distante
Algo que atrele nossos mundos
Mais que casa, flor e símbolos
Pois a leveza da tua beleza
Invadiu meu denso universo popular
Repleto de rugas, espelhos e fitas

Junto a tua melancolia a rivalidade das cores
Na mais pura sintonia
Onde o azul e o encarnado
Laçam os cordões dos mouros e dos cristãos (CSA e CRB)
Acomodando o destino oblíquo
Que teu olhar me leva a seguir

Talvez a espera de um afago
Um carinho das tuas mãos delicadas
(- Sendo ainda mais ousando -)
Para descobrir teus desejos
Honraria minhas raízes como um bom índio
Cheiraria teu pescoço e morderia tua orelha
Saciando minha sede de teu sangue
Em teus lábios de gosto desconhecido
Comeria cada pedacinho teu

Serias degustada e revista com profundidade
Mas não por maldade ou fome
Faria pela perpetuação da minha cultura
Comeria a tua arte pop
Os teus CDs e até os teus livros e fotografias
E a eles juntaria meus vinis, meu pandeiro e meus cordéis
Sonhando ser bem mais "universAL" que Bruce Lee
Mais transgressor que Rita Lee
Sem perder os mistérios e a ternura
Que tua imagem me afoga no escuro dos teus olhos
Confundindo meus mais antigos conceitos
Na nata das natas que um dia "Lee".