1 de abr de 2016

Sonhos, Desejos e Assombrações (Jurandir Bozo) Parte III



Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes


Para podermos começar essa historia temos que primeiro saber um pouco sobre o tradicional bairro do Jaraguá, um bairro da cidade de Maceió, capital do estado brasileiro de Alagoas. E que em grande parte contribuiu para o desenvolvimento da cidade de Maceió por conta do seu porto, o Porto de Jaraguá, que possuía um localização privilegiada na primeiramente capitania, logo após, província de Alagoas. Graças ao porto, a cidade alcançou um crescimento tal que motivou a mudança da capital da província para Maceió. O local passou a ter um grande fluxo de comércio, contando com muitas lojas e armazéns.

Na segunda metade do século XX veio à decadência do bairro, sendo aos poucos abandonado, tanto pelo comércio quanto pelos moradores. Na década de 1990, a prefeitura iniciou um projeto de revitalização, restaurando ruas e casarões. Boates e casas de shows foram abertas, assim como uma faculdade privada, a Faculdade de Alagoas (FAL), e mais agências bancárias. Porém, nos últimos anos, o bairro novamente sofreu desvalorização, a despeito dos constantes investimentos dos governos locais.

O bairro é sede da Prefeitura, do Museu de Arte Brasileira, da Associação Comercial de Maceió e do Centro de Convenções, construído recentemente para receber eventos de grande porte na cidade.

Hoje suas belas ruas que já presenciaram os mais diversos momentos da boemia Maceioense, se encontram quase no mais absoluto abandono, sem glamour, badalações, ou poesias ébrias espalhadas pelas esquinas, regadas a paixões proibidas, a cobiça, a perversão... Seus fantasmas de uma historia rica e encantada hoje já não assombram o imaginário de seus moradores, pois o que temem  hoje é a constante violência da cidade e o abandono que vem assolando o bairro, porem sua beleza continua fascinante.











Parte I

Dos Sonhos aos Desejos Molhados

Era só mais uma noite tranquila, sem estrelas, sem lua, nada chamava atenção no céu levemente nublado, o clima meio frio era agradável para uma boa noite de sono.

As ruas pouco ouviam o som dos carros, era mais uma madrugada calma de meio de semana... Mas algo fora do comum acontecia ali, uma moça trajando roupas de dormir extremamente sexy, andava descalça pela Rua Barão de Jaraguá, não se incomodava com o pouco movimento dos carros que buzinavam e buzinavam vezes por advertência, vezes outras, por tentar uma abordagem meramente sexual. Ela apenas seguia com um olhar doce, mas compenetrado, se quer olhava para os lados, seguia e seguia como se o asfalto fosse apenas uma passarela iluminada para ela, ali, linda,descabelada, louca, descalça... Ao passar por uma das poucas remanescentes casas de shows uma musica casual a faz sorri, mas ela continuou a seguir... Sozinha, aparentando não ter medo de nada, ela foi devorando o cominho até chegar à praia. A ária fina massageando seus lindos pés e ela olhando fixamente o infinito, andando até sentar-se de frente para o mar.

Depois de um longo tempo observando o céu sem estrelas, ela levantasse e vai as águas salgadas brincar com as ondas molhando seus pés, depois letamente suas pernas e coxas... Ate que ela entra nas águas e mergulha como se fosse se eternizar ali...

A contra luz surge à silueta de um homem, - e ela não se assusta, espera - ele vem com a mesma expressão no olhar, chega ate a praia e segura em sua mão, olhares doces e compenetrados invadindo almas, tomando pra si o que nunca foi ofertado. Ele a beija e a abraça por traz, e assim feito concha os dois se sentem a beira mar... Ela ajoelha-se na areia e deixa apenas seus pés serem tocados pelas ondas, ele feito bicho a possui segurando em suas ancas; ela geme, ele da uma tapa em suas nádegas, ela gosta,  ele volta a bater, ela geme num misto de prazer e dor, sentindo-o em confluência com o movimento das ondas... Forte e balanceado... Suas mãos apertam a areia com força, ele começa a dizer palavra que ela nunca pensou ouvir... Arrepia-se, se excita e se assusta... Tendo a certeza que não tem mais controle sobre nada, aleia ao desejo, entregue, mas extremamente perdida, louca, seus pudores gritam em vão, ate ouvir mais... – Vadia... Safada...- Palavras sussurradas com força – Ela ouve impávida... Enquanto ele volta a repete-se indo alem – Minha Puta... É minha puta é? Minha Puta...?

Continua...


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes





Parte II

Do Despertar para o Cotidiano de Normalidade


Nájera acordou suada com olhar envergonhado do sonho que a pouco lhe provocara sensações intensas e lascivas, ainda molhada, ela levanta-se de sua cama (que parecia ter sido revirada numa noite de amor ) visualizando todo espaço a qual lhe é intimo como recôndito, assustada ela vai até o banheiro e antes mesmo de olhar-se ao espelho abre a torneira da pia deixando a água escorrer pelo ralo, de vista baixa respira profundamente recordando do que a pouco acreditou ter vivido, mas era apenas um sonho, mais um sonho de Nájera, real o suficiente para umedecer suas coxas...

Erguendo a cabeça Nájera olha-se no espelho buscando enxergar ali a menina normal, sorridente, tímida para “certos” assuntos e séria quando se deveria ser, assim ela se auto afirmava, e assim todos acreditavam que fosse; sua família, seu namorado, seu chefe, colegas de trabalho e até mesmo os amigos mais próximos... Seus sonhos eram apenas dela, segredos guardados e escondidos até nos mais secretos relatos em seus diários.

Pálida, ela olha detalhadamente o piso e os riscos no chão decorrentes do desgaste do tempo, quantas vezes ela já havia se sentido assim, acordado assim... Estranha, alheia as sanidades do imaginário coletivo comum a qual todos os cristãos são sujeitados desde de todo sempre. Assim ela respirava buscando expurgar o sentimento de pecado a pouco cometido, vivido em mais um sonho quase que real.

Respirando fundo, permanecia ela parada como se o tempo fosse passando lentamente sobre sua vista, num ritmo lento de sua respiração profunda e pausada.

Pronto, passou, basta lavar o rosto, voltar para cama , tentar dormir as poucas horas que ainda lhe restam de descanso para acordar e ir ao seu trabalho. Nájera voltava a ser a mulher entre as rochas, na cama, ela se cobre e sorri com ar de menina levada, passeando seu olhar doce pelo quarto que já voltava a acolher-lhe sem cantos escuros ou lugares encobertos. Isto posto, fechou os olhos e dormiu.

A luz do sol entrou pela frecha da janela, que era guardada por cortinas de renda num tom de verde bem clarinho quase branco deixando a claridade chegar mansa ao seu rosto angelical, ainda entregue a Morfeu, fazendo-a então despertar serenamente. Espreguiçando-se Nájera esperta para seguir sua senda habitual, lavar o rosto e escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa e seguir ao seu oficio. Nada fora do encontradiço... O mesmo horário, o mesmo caminho até chegar ao ponto de ônibus, quase as mesmas pessoas ali a esperar sua condução, tudo igual, sacal feito o transpassar de seus dias e anos, numa vida quase medíocre que não lhe causava cansaço.

Mas esse dia não seria pariforme como todos os outros...

No coletivo Nájera senta-se quase que no mesmo lugar habitualmente, e logo que tomou assento abriu a janela querendo sentir o vento acariciar seus cabelos que balançavam um pouco acima da altura dos ombros no mesmo momento que tocava seu rosto e ela observava o caminho, as ruas, as casas, os carros, as pessoas passando...

Ao voltar-se o olhar para dentro do ônibus, divisando as pessoas uma a uma, quando percebeu um home de silhueta familiar... Sua imagem encoberta pelo ângulo não privilegiado de visão não permitia certezas. Nájera intrigada sabia que o conhecia de algum lugar, mas de onde seria...? Como se fosse descer ela levantou e ficou de pé buscando melhor visão, observando-o fixamente... Olhar inamovível, inarredável... Até que ele a olhou meio que de canto... – Ela atônita percebeu ser ele... – Mas ele quem? Se a única coisa família era a silhueta e o olhar... – Mas aquele olhar ela tinha certeza que o conhecia de muitos e muitos sonhos... Era aquele olhar pariforme, doce e compenetrado que invade almas e as toma apaixonadamente e imoderado todos os segredos e prazeres...

Ela já não pensava em mais nada, tudo havia saído dos seus escudos rochosos da normalidade cotidiana razoável, lógica, ali a sua loucura mais fidedigna e factual presente diante de sua perplexa vigia.

A essa altura ela perdera o local de descida, o tempo, o espaço... Perdida em seu olhar cravejado dos tantos sonhos ali presente.

Ele voltou a olha para ela e sorriu discretamente erguendo-se e indo em direção à saída mais sem a perder de vista, como se soubesse tudo que ali se passava... Ela sem hesitar o seguiu descendo com ele... 

Continua...


Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes




Parte III

Do Irreal ao mais Real

Era uma manha comum de segunda feira, na empresa onde Nájera trabalhava todos já haviam chegado. O tempo foi passando, a manhã tive fim e iniciou-se à tarde, o sol saiu forte por entre as nuvens aumentando o calor, ali todos cumpriam suas funções como costumeiramente faziam, mas a mesa onde Nájera trabalha continuava fazia, ate que seu chefe notasse a sua ausência e pergunta aos seus colegas por ela, logo Nájera, a funcionaria que estampava com sua foto na parede de funcionário do mês, a dedicada, prestativa e previsível Nájera.

Sem informações seu gerente (de nome de Bruno Sandes), ligou em seu telefone móvel, que chamou até cair sem que tivesse qualquer resposta, outra tentativa, seguidas tentativas, chamando ate cair na caixa postal. Bruno então deixa um recado, apreensivo – Nájera é Bruno está tudo bem? Por favor assim que ouvir retorno ao meu numero ou mande alguma noticia a alguém da empresa. Estamos ficando preocupados.

Fim de tarde, fim de expediente e nada dela. A preocupação se perde no rosh de início de noite.

Na casa de Nájera, a mesma calmaria quase fadigante de sempre. O café no fogo, a mesa posta, já são quase 20 horas e Nájera nada... Sua mãe liga em seu celular que continua a chamar até cair na caixa postal... Então ela busca ligar pra algumas amigas de Nájera e o que era apreensão vai ganhando adornos de preocupação, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém falou, ninguém ouviu... Eis que chega a porta o desespero...

Uma segunda feira quase que inteira sem Nájera...

 Ali estritamente impotente, resignada ao silencio e as inúmeras mensagens deixadas na caixa postal... Sua mãe, uma mulher forte, de personalidade marcante, dona Énéide se rende a desinformação, a ausência... Ao silencio.

Sem respostas o silencio maltrata, aguça a imaginação, provoca inquietude, assim andando de um lado para outro da casa, ela sente como se algo estivesse por ruir, diante de toda sua força ela se percebe frágil ao extremo do amor de mãe.

Ela liga para o namorado de Nájera pessoa a qual ela tinha grande resistência e antipatia – Alô é Pedro Neto ...? Sou eu Énéide. Pedro você sabe me dizer de Nájera? – ele já responde surpreso, jamais esperaria tal ligação – Não dona Énéide, Nájera deve ta voltando do trabalho... A senhora tentou falar com ela –  Tentei varia vezes, mas ela não esta atendendo o celular – Não há de ser nada, ela pode ter perdido o celular dona Énéide – fala lhe dando um certo alento, afinal fazia sentido o fato dela não atender o celular, e ele ainda diz – quem sabe ela não o esqueceu no trabalho, a senhora sabe como é o transito de Maceió – é meu filho você tem razão, mas por favor se souber noticias me ligue viu... – Pedro ficou sem reação com a doçura aflita a qual dona Énéide transpareceu em sua ligação e principalmente na forma gentil de lhe tratar, ele rapidamente ligou e como todos ouviu o som da caixa postal, isso então o fez ir de moto ate o trabalho de Nájera.


Ela (dona Énéide), por outro lado, mesmo sabendo que o que havia sido dito tinha sentido, no intimo ela não conseguia acalmar-se e o coração só se apertava ainda mais, e assim irrequieta, sem um minuto de sossego, resolve ver algum contato de algum colega de trabalho e buscou na agenda de casa algum telefone  que pudesse saber se Nájera estava bem, e que horas havia saído da empresa. Linha após linha, letra após letra, ate que encontra o telefone de Cristina, colega de sala de sua filha e que a informa que ela não havia aparecido na empresa, que seu gerente havia ligado diversas vezes e não havia conseguido falar com ela, que seu celular chamava ate cair na caixa postal... Agora não era mai mero pressentimento, havia ali uma situação real que apontava para um desfecho possivelmente trágico, um acidente, um assalto... As possibilidades giravam em sua cabeça e mil filmes e historias preenchiam as lacunas deixadas pela ausência de informações.

 Assim, seus amigos e parente começam a se mobilizar, mensagem em redes sociais, ligações, a casa começa a chegar mais gente e o desespero de sua mãe começa a pincelar as paredes de sua casa e marejar os olhos das pessoas que ali acompanham receosamente por fim já contanto em muitas outras historias de desaparecimentos...

Não encontraram registro em hospitais, delegacia, IML, Maceió corrida e examinada feito um check-in de um mulçumano um aeroporto americano... Todos a procura dela, e Nájera nada...

A noite avança e a madrugada chega para terminar o quadro colorido a desespero e esperanças molhadas de seus familiares e amigos...

Por fim, seu celular já não chama mais... Onde estará Nájera agora...

Continua... 

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