28 de mar de 2016

Sonhos, Desejos e Assombrações (Jurandir Bozo) Parte II


(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)

Um conto em V partes

Para podermos começar essa historia temos que primeiro saber um pouco sobre o tradicional bairro do Jaraguá, um bairro da cidade de Maceió, capital do estado brasileiro de Alagoas. E que em grande parte contribuiu para o desenvolvimento da cidade de Maceió por conta do seu porto, o Porto de Jaraguá, que possuía um localização privilegiada na primeiramente capitania, logo após, província de Alagoas. Graças ao porto, a cidade alcançou um crescimento tal que motivou a mudança da capital da província para Maceió. O local passou a ter um grande fluxo de comércio, contando com muitas lojas e armazéns.

Na segunda metade do século XX veio à decadência do bairro, sendo aos poucos abandonado, tanto pelo comércio quanto pelos moradores. Na década de 1990, a prefeitura iniciou um projeto de revitalização, restaurando ruas e casarões. Boates e casas de shows foram abertas, assim como uma faculdade privada, a Faculdade de Alagoas (FAL), e mais agências bancárias. Porém, nos últimos anos, o bairro novamente sofreu desvalorização, a despeito dos constantes investimentos dos governos locais.

O bairro é sede da Prefeitura, do Museu de Arte Brasileira, da Associação Comercial de Maceió e do Centro de Convenções, construído recentemente para receber eventos de grande porte na cidade.

Hoje suas belas ruas que já presenciaram os mais diversos momentos da boemia Maceioense, se encontram quase no mais absoluto abandono, sem glamour, badalações, ou poesias ébrias espalhadas pelas esquinas, regadas a paixões proibidas, a cobiça, a perversão... Seus fantasmas de uma historia rica e encantada hoje já não assombram o imaginário de seus moradores, pois o que temem  hoje é a constante violência da cidade e o abandono que vem assolando o bairro, porem sua beleza continua fascinante.











Parte I

Dos Sonhos aos Desejos Molhados

Era só mais uma noite tranquila, sem estrelas, sem lua, nada chamava atenção no céu levemente nublado, o clima meio frio era agradável para uma boa noite de sono.

As ruas pouco ouviam o som dos carros, era mais uma madrugada calma de meio de semana... Mas algo fora do comum acontecia ali, uma moça trajando roupas de dormir extremamente sexy, andava descalça pela Rua Barão de Jaraguá, não se incomodava com o pouco movimento dos carros que buzinavam e buzinavam vezes por advertência, vezes outras, por tentar uma abordagem meramente sexual. Ela apenas seguia com um olhar doce, mas compenetrado, se quer olhava para os lados, seguia e seguia como se o asfalto fosse apenas uma passarela iluminada para ela, ali, linda,descabelada, louca, descalça... Ao passar por uma das poucas remanescentes casas de shows uma musica casual a faz sorri, mas ela continuou a seguir... Sozinha, aparentando não ter medo de nada, ela foi devorando o cominho até chegar à praia. A ária fina massageando seus lindos pés e ela olhando fixamente o infinito, andando até sentar-se de frente para o mar.

Depois de um longo tempo observando o céu sem estrelas, ela levantasse e vai as águas salgadas brincar com as ondas molhando seus pés, depois letamente suas pernas e coxas... Ate que ela entra nas águas e mergulha como se fosse se eternizar ali...

A contra luz surge à silueta de um homem, - e ela não se assusta, espera - ele vem com a mesma expressão no olhar, chega ate a praia e segura em sua mão, olhares doces e compenetrados invadindo almas, tomando pra si o que nunca foi ofertado. Ele a beija e a abraça por traz, e assim feito concha os dois se sentem a beira mar... Ela ajoelha-se na areia e deixa apenas seus pés serem tocados pelas ondas, ele feito bicho a possui segurando em suas ancas; ela geme, ele da uma tapa em suas nádegas, ela gosta,  ele volta a bater, ela geme num misto de prazer e dor, sentindo-o em confluência com o movimento das ondas... Forte e balanceado... Suas mãos apertam a areia com força, ele começa a dizer palavra que ela nunca pensou ouvir... Arrepia-se, se excita e se assusta... Tendo a certeza que não tem mais controle sobre nada, aleia ao desejo, entregue, mas extremamente perdida, louca, seus pudores gritam em vão, ate ouvir mais... – Vadia... Safada...- Palavras sussurradas com força – Ela ouve impávida... Enquanto ele volta a repete-se indo alem – Minha Puta... É minha puta é? Minha Puta...?

Continua...



Sonhos, Desejos e Assombrações
(Uma historia de quase Amores no Jaraguá)
Um conto em V partes






Parte II

Do Despertar para o Cotidiano de Normalidade


Nájera acordou suada com olhar envergonhado do sonho que a pouco lhe provocara sensações intensas e lascivas, ainda molhada, ela levanta-se de sua cama (que parecia ter sido revirada numa noite de amor ) visualizando todo espaço a qual lhe é intimo como recôndito, assustada ela vai até o banheiro e antes mesmo de olhar-se ao espelho abre a torneira da pia deixando a água escorrer pelo ralo, de vista baixa respira profundamente recordando do que a pouco acreditou ter vivido, mas era apenas um sonho, mais um sonho de Nájera, real o suficiente para umedecer suas coxas...

Erguendo a cabeça Nájera olha-se no espelho buscando enxergar ali a menina normal, sorridente, tímida para “certos” assuntos e séria quando se deveria ser, assim ela se auto afirmava, e assim todos acreditavam que fosse; sua família, seu namorado, seu chefe, colegas de trabalho e até mesmo os amigos mais próximos... Seus sonhos eram apenas dela, segredos guardados e escondidos até nos mais secretos relatos em seus diários.

Pálida, ela olha detalhadamente o piso e os riscos no chão decorrentes do desgaste do tempo, quantas vezes ela já havia se sentido assim, acordado assim... Estranha, alheia as sanidades do imaginário coletivo comum a qual todos os cristãos são sujeitados desde de todo sempre. Assim ela respirava buscando expurgar o sentimento de pecado a pouco cometido, vivido em mais um sonho quase que real.

Respirando fundo, permanecia ela parada como se o tempo fosse passando lentamente sobre sua vista, num ritmo lento de sua respiração profunda e pausada.

Pronto, passou, basta lavar o rosto, voltar para cama , tentar dormir as poucas horas que ainda lhe restam de descanso para acordar e ir ao seu trabalho. Nájera voltava a ser a mulher entre as rochas, na cama, ela se cobre e sorri com ar de menina levada, passeando seu olhar doce pelo quarto que já voltava a acolher-lhe sem cantos escuros ou lugares encobertos. Isto posto, fechou os olhos e dormiu.

A luz do sol entrou pela frecha da janela, que era guardada por cortinas de renda num tom de verde bem clarinho quase branco deixando a claridade chegar mansa ao seu rosto angelical, ainda entregue a Morfeu, fazendo-a então despertar serenamente. Espreguiçando-se Nájera esperta para seguir sua senda habitual, lavar o rosto e escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa e seguir ao seu oficio. Nada fora do encontradiço... O mesmo horário, o mesmo caminho até chegar ao ponto de ônibus, quase as mesmas pessoas ali a esperar sua condução, tudo igual, sacal feito o transpassar de seus dias e anos, numa vida quase medíocre que não lhe causava cansaço.

Mas esse dia não seria pariforme como todos os outros...

No coletivo Nájera senta-se quase que no mesmo lugar habitualmente, e logo que tomou assento abriu a janela querendo sentir o vento acariciar seus cabelos que balançavam um pouco acima da altura dos ombros no mesmo momento que tocava seu rosto e ela observava o caminho, as ruas, as casas, os carros, as pessoas passando...

Ao voltar-se o olhar para dentro do ônibus, divisando as pessoas uma a uma, quando percebeu um home de silhueta familiar... Sua imagem encoberta pelo ângulo não privilegiado de visão não permitia certezas. Nájera intrigada sabia que o conhecia de algum lugar, mas de onde seria...? Como se fosse descer ela levantou e ficou de pé buscando melhor visão, observando-o fixamente... Olhar inamovível, inarredável... Até que ele a olhou meio que de canto... – Ela atônita percebeu ser ele... – Mas ele quem? Se a única coisa família era a silhueta e o olhar... – Mas aquele olhar ela tinha certeza que o conhecia de muitos e muitos sonhos... Era aquele olhar pariforme, doce e compenetrado que invade almas e as toma apaixonadamente e imoderado todos os segredos e prazeres...

Ela já não pensava em mais nada, tudo havia saído dos seus escudos rochosos da normalidade cotidiana razoável, lógica, ali a sua loucura mais fidedigna e factual presente diante de sua perplexa vigia.

A essa altura ela perdera o local de descida, o tempo, o espaço... Perdida em seu olhar cravejado dos tantos sonhos ali presente.

Ele voltou a olha para ela e sorriu discretamente erguendo-se e indo em direção à saída mais sem a perder de vista, como se soubesse tudo que ali se passava... Ela sem hesitar o seguiu descendo com ele... 

Continua...


Um comentário:

Sibelle P.B disse...

Rapaz, pense na ansiedade que dá quando percebo que já está quase acabando e ficarei na curiosidade novamente. kkkkk. Até sorri agora.